Charge do Orlando Pedrosa (Canal Meio)
Rafael Moraes Moura
O Globo
A dor de cabeça que “Dark Horse” causou à pré-campanha à Presidência da República de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é inversamente proporcional ao “espaço” que o longa-metragem reserva ao senador. Na produção norte-americana, que recria o atentado à faca contra Jair Bolsonaro e a sua vitória nas eleições de 2018, o personagem de Flávio é secundário, com pouquíssimos diálogos – diferentemente do espaço reservado à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem um papel muito mais relevante na trama.
Integrantes do núcleo duro da campanha de Flávio fizeram questão de assistir a “Dark Horse” antes da estreia nos cinemas – prevista para ainda este ano, após as eleições – para avaliar os riscos de judicialização e de eventuais novos desgastes, já que o filme virou foco de crise no clã Bolsonaro, respingando nas intenções de voto.
ESCÂNDALO – Isso porque mensagens reveladas pelo site Intercept Brasil mostraram que o filho 01 de Jair Bolsonaro cobrou dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para financiar o longa-metragem, o que arrastou Flávio para o epicentro do escândalo e levantou preocupações de aliados sobre o timing do lançamento de “Dark Horse”.
Após conferir o filme, a avaliação do QG da campanha de Flávio é a de que “Dark Horse” está mais para um thriller policial sobre a facada em Jair Bolsonaro em 2018 do que para uma cinebiografia propriamente dita. O personagem de Flávio tem participação discreta na trama, o que na tese de seus assessores deveria esvaziar os argumentos da campanha lulista de que o filme pode ser usado para promover a sua candidatura.
O filme recria cenas como um debate presidencial, mas sem usar os nomes dos adversários que enfrentaram Bolsonaro naquele pleito. O autor do atentado em Juiz de Fora (MG) é retratado como um militante de esquerda, mas não se chama Adélio Bispo.
CASAMENTO – Um rascunho do roteiro explora a relação de Bolsonaro e Michelle, com cenas do casamento dos dois, o parto da filha Laura e o apoio da mulher durante a campanha eleitoral de 2018. “As coisas que dizem sobre você… Isso me assusta. Estão tentando provocar alguém para te machucar”, afirma a personagem da ex-primeira-dama, em tom premonitório. “Nossa filha precisa de você. Eu preciso de você.”
Em outra cena, os personagens de Michelle, Flávio e Eduardo Bolsonaro conversam com o “doutor Tavares” nos corredores de um hospital após o atentado. “Deus está com ele, doutor”, afirma Michelle ao médico.
O uso de imagens reais ocorre no final do filme, com registros da posse presidencial em Brasília. No entorno de Flávio, a leitura é a de que as escolhas narrativas do roteiro, co-assinado por Mário Frias (PL-SP), e a estreia após as eleições afastariam os argumentos de que o filme pode promover a candidatura do senador à Presidência da República.
FILME SUSPENSO – Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu o lançamento de um filme sobre Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais – no caso o documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, da produtora de vídeos de direita Brasil Paralelo, que seria exibido às vésperas do segundo turno.
A diferença é que, no caso de 2022, Jair Bolsonaro era candidato à reeleição e protagonista do documentário sobre o atentado à faca, enquanto agora quem vai disputar a corrida presidencial é seu filho.
O precedente de quatro anos atrás foi lembrado pelo grupo Prerrogativas e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), ambos aliados do presidente Lula, que acionaram em maio o TSE para pedir a abertura de uma investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, além de impedir o lançamento até o fim das eleições. Mas o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, arquivou o caso por questões processuais no mês passado, alegando que os autores da ação não tinham legitimidade.
BLINDAGEM – A Europa Filmes planeja um lançamento de grande porte para “Dark Horse”, em pelo menos 650 salas – no patamar do fenômeno de bilheteria “Tropa de Elite 2”. O filme só deve entrar em cartaz a partir de novembro, após o resultado das urnas, em uma tentativa de blindá-lo das polêmicas eleitorais e afastar risco de a estreia ser judicializada.
Um trailer oficial divulgado no mês passado indica o tom do filme, que está sendo vendido como uma espécie de thriller político ambientado durante as eleições presidenciais de 2018. No material de divulgação, Bolsonaro é chamado de “voz do povo” que “enfrentou o sistema”, “sistema que falhou em silenciá-lo”.
A maior parte das cenas reveladas envolve a recriação do episódio da facada que o então candidato do PL à Presidência sofreu em 6 de setembro de 2018 e a sua recuperação médica.
ELENCO – O elenco de “Dark Horse” é predominante estrangeiro, capitaneado pelo ator conservador Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro e ficou célebre nas telas por estrelar “A paixão de Cristo”, no papel de Jesus Cristo.
Já Michelle Bolsonaro é vivida por Camille Guaty, que tem no currículo participação nos seriados “Prison Break” e “The Good Doctor: O bom doutor”. A semelhança física entre Camile e Michelle chamou a atenção de quem conferiu “Dark Horse”. Flávio, por sua vez, é interpretado pelo ator gaúcho Marcus Ornellas. Dos três, é o único brasileiro.
Os diálogos são em inglês, em uma estratégia para ampliar as chances comerciais do filme no exterior – aqui no Brasil, a distribuidora Europa Filmes aposta em cópias dubladas.
NA MIRA DO STF – As polêmicas em torno de “Dark Horse” não se limitam ao enredo e ao seu financiamento. A produtora responsável pelo longa-metragem, a jornalista Karina Ferreira da Gama, nunca lançou nenhum filme, nem no Brasil e nem no exterior. Karina entrou no projeto do filme pelas mãos de Mario Frias. A jornalista também preside o Instituto Conhecer Brasil, que entrou na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo repasse de R$ 2 milhões em emendas enviadas pelo deputado para a produção de filmes.
No dia 22 de junho, a Europa Filmes apresentou o pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE) na Agência Nacional de Cinema (Ancine) para “Dark Horse”, já esclarecendo que não se trata de um filme nacional.
Esta é a primeira de uma série de outras etapas burocráticas para viabilizar o lançamento da produção, que inclui a emissão do Certificado de Registro de Título pela própria Ancine e o recebimento da classificação indicativa no Ministério da Justiça.
PROCEDIMENTO – Antes mesmo da Europa Filmes ter acionado a Ancine com o pedido de registro de “Dark Horse”, o filme já havia levado a agência a abrir em fevereiro deste ano um procedimento para verificar, entre outras questões, qual foi o papel efetivo da produtora Go Up na realização da cinebiografia sobre a carreira política de Bolsonaro.
Em ofícios enviados à Go Up em fevereiro e março deste ano – antes, portanto, de virem à tona as mensagens e áudios de Flávio cobrando financiamento de Daniel Vorcaro –, a Superintendência de Fiscalização da Ancine notificou a produtora a “comprovar a comunicação à Ancine da produção da obra estrangeira Dark Horse” e destacou que a medida “é uma obrigação” prevista em instrução normativa da agência, em vigor desde 2008, que fixa as balizas para a produção de filmes estrangeiros no território nacional.
Segundo as regras da agência, a filmagem de uma produção internacional no Brasil deve ser feita sob a responsabilidade de empresa registrada na Ancine, a quem caberá comunicar a agência e apresentar uma série de documentos, como cópia do contrato, plano de filmagem e passaporte de cada profissional estrangeiro contratado. Nada disso teria ocorrido no caso de “Dark Horse”.
NOTIFICAÇÃO – Após cobrar explicações da produtora Go Up Entertainment ao longo dos últimos cinco meses e não obter respostas, a Ancine decidiu agora mudar de estratégia e notificar a Europa Filmes, que pretende fazer a distribuição do longa no mercado nacional. Na prática, é como se, a partir de agora, a Europa Filmes fosse a “responsável legal” por “Dark Horse”.
“Em regra os processos de registros não se confundem com os de fiscalização. No entanto, no caso concreto, o filme é objeto de processo de apuração em curso na Superintendência de Fiscalização”, informou a Ancine.
“A apuração segue em curso, inclusive com diligências expedidas para solicitação de informações sobre as filmagens da obra no Brasil. Os processos de registro e fiscalização aguardam, no momento, a manifestação da empresa distribuidora. Por se tratar de processos em curso, a Ancine não antecipa conclusões sobre o mérito.”
Por outro lado:
https://www.facebook.com/share/v/1T7SuW1TWG/
A servil “fraterna multilateralidade”, age sutilmente, fazendo-se antagônicos!
https://www.facebook.com/share/v/18wk2oaLZs/
Uai, pensara que o lulobolsonarismo havia legalizado a corrupção!
https://www.youtube.com/watch?v=jDN1tt_0wcY
O jacu de gaiola soberanista é fera!
https://www.youtube.com/watch?v=WH4cuLp-A-o
Mas precisa do GPS imperialista pra falar suas patacoadas pros seus idólatras.
https://www.youtube.com/shorts/yG0v3fqInuk
E não tem controle do território nacional.
https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/50-milhoes-de-brasileiros-vivem-em-areas-dominadas-por-faccoes-criminosas/
Só mesmo analfabetos funcionais de pai e mãe pra cair nas lorotas deste cara!
E só mesmo um picolé de chuchu pra não moer sua intenção de sequer concorrer na eleição.
Flávio: em decadência
A pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem abre necessariamente um momento de reflexão no bolsonarismo e no próprio PL sobre a viabilidade da candidatura de Flávio à Presidência.
A pesquisa, amplamente favorável a Lula, tem sinais claros de queda acentuada nas preferências por Flávio, mesmo entre os evangélicos.
O que facilita a permanência da candidatura do filho do ex-mito é que nenhum candidato da direita se beneficiou da queda (…). Lula abriu vantagem fora da margem de erro (…).
O eleitor de direita que não é bolsonarista raiz não tem para onde correr, e poderia voltar no segundo turno.
.
Ontem foi divulgada uma foto Flávio ao lado do Sicário, apontado pela Polícia Federal como responsável por planejar ataques contra adversários de Vorcaro.
O gestual dos dois demonstra intimidade, sendo que Sicário, que morreu na cadeia, faz o gesto da “arminha” com as mãos, num apoio declarado ao bolsonarismo.
Tarcísio, a esta altura deve estar apreciando de longe a derrocada da família Bolsonaro, pois, pelo andar da campanha, ele deve se reeleger, até mesmo no primeiro turno, e Flávio deve perder.
Com isso, cairá no colo dele a liderança da direita para a eleição de 2030, ficando os Bolsonaros confinados a um núcleo extremista que não terá peso na decisão final.
Flávio permanece como alternativa cada vez menos competitivo. Sua fragilidade como candidato é evidente, e é possível prever que não será páreo para Lula nos debates, como seu pai foi.
Fonte: O Globo, Opinião, 16/07/2026 04h30 Por Merval Pereira
Após a foto com o capanga de Vorcaro, Rachadinha não levanta mais.
Flávio agora tenta – inutilmente – se descolar de tarifas que incentivou
Rachadinha tenta simular indignação com medida de Trump
Flávio ensaiou ontem uma cambalhota discursiva para tentar se descolar do amigo americano.
Em vídeo divulgado nas redes, fingiu espancar a tela e bradou que a culpa era de Lula, e não dele.
A julgar pelos números da Quaest, apenas bolsotários parecem dispostos a acreditar nesse seu teatro.
Fonte: O Globo, Opinião, 17/07/2026 00h00 Por Bernardo Mello Franco
Flávio segue sem explicar ‘financiamento’ de ‘Dark Horse’ publicamente 2 meses após promessa
A pré-campanha de Rachadinha à Presidência e a empresa Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre a vida do ex-mito, chegam neste domingo, 19, a dois meses sem explicar publicamente como se deu o ‘financiamento’ do longa-metragem, que teve recursos de Vorcaro, dono do Banco Master.
Em 19 de maio, acossado pela divulgação de um áudio em que pedia dinheiro a Vorcaro para o projeto, Flávio disse à imprensa que pediria para a produtora divulgar a prestação de contas dentro de 30 dias e provar não haver irregularidades em relação ao ‘financiamento’ (sic).
(…)
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, 17/07/2026 | 12h00 Por Redação
Rejeição eleitoral a Flávio aumenta e chega a 57%
Maioria das pesquisas sugere declínio do candidato do PL a partir das confusões em que ele se meteu
Fonte: Revista Veja, Política, 16 jul 2026, 08h12 Por José Casado