Brasil reforça apoio a exportadores para evitar escalada da crise com os EUA

Governo dimensiona perdas dos setores atingidos

Pedro do Coutto

A escalada da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos impôs ao governo Lula da Silva um desafio que vai muito além da política externa. Ao mesmo tempo em que precisa responder aos efeitos econômicos do novo tarifaço norte-americano, o Planalto procura evitar uma reação que possa aprofundar as tensões com Washington e comprometer ainda mais as exportações brasileiras.

Nesse contexto, o governo intensificou uma rodada de conversas com os setores mais atingidos pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O objetivo é dimensionar as perdas efetivas de cada segmento e calcular o volume de recursos necessários para reforçar o programa Brasil Soberano, criado justamente para oferecer apoio financeiro e preservar a competitividade das empresas exportadoras afetadas pelas restrições comerciais.

ORÇAMENTO – Até o momento, o programa conta com orçamento de aproximadamente R$ 21 bilhões. A tendência, segundo integrantes do governo, é que esse montante seja ampliado caso os levantamentos indiquem impactos superiores aos inicialmente projetados. A prioridade é direcionar os recursos para empresas mais expostas ao mercado norte-americano, preservando empregos, capacidade produtiva e fluxo de exportações.

A estratégia, entretanto, revela um aspecto importante da condução política do governo: a preferência por uma resposta econômica, e não por uma escalada diplomática. Embora o Brasil tenha aprovado instrumentos legais que permitem medidas de reciprocidade comercial, o presidente Lula tem tratado com cautela a possibilidade de retaliar diretamente os Estados Unidos.

NOVAS SANÇÕES – No entendimento do Palácio do Planalto, uma resposta equivalente poderia provocar uma nova rodada de sanções por parte do governo norte-americano, ampliando as perdas para setores estratégicos da economia brasileira.

Essa avaliação é compartilhada por integrantes da equipe econômica e diplomática. A leitura predominante é que, diante da atual disposição da administração norte-americana, uma retaliação dificilmente encerraria o conflito. Ao contrário, poderia alimentar uma dinâmica de sucessivas respostas comerciais, aumentando a insegurança para empresas e investidores.

Há ainda outro componente que pesa nas decisões do governo brasileiro: o calendário político. Nos bastidores de Brasília cresce a percepção de que uma negociação de maior alcance entre os dois governos dificilmente avançará antes das eleições presidenciais brasileiras. A avaliação é que tanto Brasília quanto Washington tendem a evitar concessões relevantes durante um período marcado pela disputa política e pelo elevado custo eleitoral de eventuais recuos.

IMPACTOS INTERNOS – Na prática, isso significa que o governo trabalha com um horizonte de convivência prolongada com as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Em vez de apostar exclusivamente na reversão das tarifas por meio da negociação diplomática, o Executivo concentra esforços em reduzir os impactos internos, fortalecendo instrumentos de crédito, apoio financeiro e preservação da capacidade exportadora.

Essa postura também reflete uma mudança de enfoque na política econômica. Em cenários de maior instabilidade internacional, programas de apoio ao setor produtivo deixam de funcionar apenas como medidas emergenciais e passam a integrar uma estratégia de proteção da atividade econômica. O desafio consiste em evitar que empresas competitivas percam mercados externos em razão de fatores geopolíticos sobre os quais possuem pouca influência.

DIÁLOGO – Ao mesmo tempo, o governo busca preservar canais institucionais de diálogo com os Estados Unidos, ainda que reconheça as limitações atuais dessas negociações. A aposta é que manter aberta a interlocução diplomática poderá facilitar uma futura recomposição das relações comerciais quando o ambiente político se mostrar mais favorável.

Entre ampliar o apoio aos exportadores e evitar uma escalada de retaliações, o governo Lula procura construir uma resposta pragmática. A prioridade, neste momento, parece ser reduzir os danos econômicos imediatos sem transformar uma disputa comercial em uma crise diplomática ainda mais profunda. Enquanto as negociações permanecem praticamente congeladas, o fortalecimento do Brasil Soberano surge como o principal instrumento para amortecer os efeitos de um conflito que, ao que tudo indica, continuará influenciando a economia brasileira até que o cenário político permita uma reaproximação entre os dois países.

14 thoughts on “Brasil reforça apoio a exportadores para evitar escalada da crise com os EUA

  1. O apoio político de Trump pró Bolsonaro é escancarado

    Trump e Rubio não estão dispostos a conversar com o governo Lula. É uma decisão unilateral da cabeça de Trump. Ele quis, ele impôs.

    A questão política foi fundamental desde o tarifaço de 50%. A origem de tudo foi o acesso de Dudu Bananinha à Casa Branca e a prova é a carta de Trump, de julho de 2025, fazendo ameaças e exigindo o imediato fim do processo contra o ex-mito por tentativa de golpe. Mais político, impossível.

    Todos os ataques vieram depois disso, até Trump recuar e suspender os 50%.

    O marco da volta dos ataques foi o encontro de Flávio e Trump, seguido da classificação de PCC e CV como terroristas (uma ameaça latente de intervenção), a retomada da retórica beligerante, Trump contra Lula no G-7 e a bomba da Seção 301 de Comércio.
    .
    Portanto, o movimento de Trump é, sim, contra o mundo e o multilateralismo, mas tem um viés político inegável e particular em relação ao Brasil, com fartas terras raras e ainda fora do controle da direita.

    O Brasil não pode abaixar a cabeça e aceitar calado um ataque unilateral e apoiado em mentiras como esse. Alguma reação há que haver, enquanto a diplomacia age nos bastidores – como tem feito.

    Os Bolsonaro jogaram o Brasil nas mãos de Trump, e há um impasse, o tarifaço tem efeito eleitoral, e qualquer reação ou negociação depende do próximo governo.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 18/07/2026 | 22h11 Por Eliane Cantanhêde

    • Na verdade o que pouco se fala e o quanto Trump e seus “parceiros” e filhos ganham com isso. Trump está cagando e andando para Bolsonaro e sua trupe. Trump e seus filhos estão ganhando rios de dinheiro com guerra contra o Irã e tarifas onde Trump e sua família tem participação em várias empresas e negociatas com governo americano.

      Recomendo que veja o artigo da Luciana Bauer no link abaixo :

      O lado B das tarifas dos Estados Unidos ao Brasil

      https://iclnoticias.com.br/o-lado-b-das-tarifas-dos-eua-ao-brasil/

      Acho até qte seria interessante publicarem esse artigo na Tribuna.

        • Aos olhos dos ignorantes, com certeza, o conhecimento dela se transforma em uma agressão. Ex-juíza, escritora e autora de livros como :

          – A Democracia Indiferente (já li e recomendo)

          – A norma climática

          – Envelhecer no Brasil: da
          Pesquisa às Políticas Públicas Envelhecer no Brasil: da Pesquisa às Políticas Públicas

          Graduação :

          Logo da empresa Widener University
          -Doctor of Law – JD,

          Corporate Law Universidade do Vale do Itajaí | Univali
          -Doctor of Law – JD, Climate Law

          Widener University
          -Master’s degree, Corporative Law and Environmental Law

          Universidade do Vale do Itajaí | Univali
          -Master of Laws – LLM, Democracy and climate change

          Da uma procurada no google antes de escrever besteira para não ficar feio na fita.

  2. Hostil ao governo dos EUA, Lula abaixa cabeça para o tarifaço chinês de 67%

    O governo Lula trabalhou claramente pelo tarifaço de 25%, valioso para campanha de reeleição, e aproveitou para esconder dos brasileiros os 67% impostos pela China à carne bovina exportada pelo Brasil.

    A conclusão é óbvia: a negligência não foi só frente ao tarifaço dos States. É sistêmica. Adotar populismo antiamericano e silenciar diante do tarifaço da China, que afeta diretamente o agronegócio — motor da economia — revela viés ideológico e não “defesa da soberania”.

    Em vez de negociar, Lula atacou Trump, atribuiu o tarifaço a opositores, para xingá-los “traidores da pátria, mas nada diz sobre a China.

    Enquanto os EUA adicionam 25% às tarifas, a China foi cruel, taxando violentamente o principal item de exportação do Brasil para aquele país.

    A China impõe à carne cota anual baixa, atingida em junho, e adiciona sobretaxa de 55%. Total: 67%. Tiete da ditadura chinesa, Lula se calou.

    Nos dois casos, o País paga a conta por depender excessivamente de commodities e pelo governo negligente, populista e eleitoreiros no poder.

    Diário do Poder, Opinião, 19/07/2026 0:01 | Por Cláudio Humberto, ex-secretário de Collor

  3. Cláudio Humberto, Collor e PC Farias

    O jornalista Cláudio Humberto foi secretário de imprensa e porta-voz de Fernando Collor e, devido à proximidade nos bastidores do poder, manteve forte relação com Paulo César Farias, tesoureiro da campanha e operador do esquema que levou ao impeachment.

    Cláudio Humberto trabalhou como assessor de imprensa de Collor desde 1986, em Alagoas, e tornou-se o porta-voz oficial quando ele assumiu a Presidência da República.

    Durante a gestão, Cláudio Humberto transitava no círculo íntimo do poder, o que gerou registros de ligações diretas entre os dois.

    A Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI que investigou o caso localizou cheques nominais emitidos por PC Farias que foram destinados ao então porta-voz, Cláudio Humberto.

    Após o escândalo e a queda de Collor, o jornalista afastou-se do ex-presidente e registrou os bastidores do período no livro Mil Dias de Solidão.

  4. E quando o senhor Pedro do Coutto irá comentar a sobretaxa que a China de Xi Jinpig impôs aos produtos do nosso agronegócio?
    Claudio Humberto deu a noticia:

    “Hostil ao governo dos EUA, Lula abaixa cabeça para o tarifaço chinês de 67%
    19/07/2026 0:01 | Atualizado 18/07/2026 23:31
    Cláudio Humberto

    O governo Lula (PT) trabalhou claramente pelo tarifaço de 25%, valioso para campanha de reeleição, e aproveitou para esconder dos brasileiros os 67% impostos pela China à carne bovina exportada pelo Brasil. A conclusão é óbvia: a negligência não foi só frente ao tarifaço dos Estados Unidos. É sistêmica. Adotar populismo antiamericano e silenciar diante do tarifaço da China, que afeta diretamente o agronegócio — motor da economia — revela viés ideológico e não “defesa da soberania”.

    Como cordeirinho

    Em vez de negociar, Lula atacou Trump, atribuiu o tarifaço a opositores, para xingá-los “traidores da pátria, mas nada diz sobre a China.

    Tortura chinesa

    Enquanto os EUA adicionam 25% às tarifas, a China foi cruel, taxando violentamente o principal item de exportação do Brasil para aquele país.

    Silêncio de tiete

    A China impõe à carne cota anual baixa, atingida em junho, e adiciona sobretaxa de 55%. Total: 67%. Tiete da ditadura chinesa, Lula se calou.

    E os imbecis, ladrões e traidores da pátria estão todos na direita.

    Fala aí seu Pedro, gaste um pouco de sua verve ideológica!

  5. E aí o candidato mete a ripa, Marina é uma tartaruga fugida do Acre e Simone Tebet a mãe do desastre econômico e o país está vorcarizado.

  6. Senhor Panorama , lembre-se que pelo que se sabe , essa tal sobretaxa a carne Brasileira exportada para a China , corresponde ao excedente do volume contratado entre as partes , e não no tapetão e a seu bel – prazer como o governo norte-americano esta fazendo , contra tudo e contra todos indiscriminadamente , como é público e notório .

    • Bem lembrado, Senhor José Carlos:

      A tarifa de 67% e a taxa de 25% possuem incidências, escopos e motivações completamente diferentes no comércio exterior brasileiro.

      A taxa de 25% imposta pelos Estados Unidos incide como uma sobretaxa geral e punitiva sobre uma ampla lista de produtos manufaturados e agrícolas brasileiros (como carne bovina, café e maquinários).

      Trata-se de uma medida de retaliação comercial e protecionismo adotada pelo governo norte-americano, afetando diretamente a entrada de produtos industrializados brasileiros naquele País.

      A tarifa de 67% da China, por sua vez, é uma salvaguarda setorial focada na carne bovina. Ela não incide sobre todos os produtos e nem é uma tarifa cobrada logo na primeira exportação.

      Trata-se da soma de uma alíquota base (12%) com uma sobretaxa de salvaguarda (55%) que só é aplicada ao volume exportado que ultrapassa a cota anual estipulada pelo governo chinês para o Brasil.

      Como o Brasil atingiu rapidamente sua cota, o excedente passa a pagar essa taxação extra que inviabiliza a competitividade.

      Além dessa diferença de aplicação, as pautas de exportação para os dois destinos são distintas.

      Enquanto as tarifas americanas atingem principalmente setores de maior valor agregado do Brasil, as restrições chinesas focam no mercado de commodities (produtos agropecuários básicos).

      • A China não aplica uma cota geral ou imposto único de 12% a todos os produtos brasileiros. A pauta comercial é dominada por commodities.

        O sistema de cotas é altamente direcionado; por exemplo, a carne bovina tem uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas com tarifa de 12%, seguida por uma sobretaxa de 55% sobre o excedente.

        Os principais produtos negociados com a China apresentam o seguinte cenário de tarifas e cotas:

        Carne Bovina

        Cota de Exportação: 1,1 milhão de toneladas anuais.
        Tarifa Dentro da Cota: 12%.
        Tarifa Fora da Cota: Adicional de 55%, elevando a tributação para 67% e inviabilizando o envio.

        Soja, Minério de Ferro e Petróleo

        Por serem produtos estratégicos para a infraestrutura e segurança alimentar chinesa, o governo chinês não impõe cotas limitantes rígidas a 12% para esses itens.

        Soja: Possui tarifa básica em torno de 3%.

        Minério de Ferro: Geralmente entra com alíquota de 0%.

        Petróleo Bruto: Possui alíquotas preferenciais ou zeradas.
        Essas diretrizes de salvaguarda variam anualmente.

        O governo chinês tem o costume de renovar essas resoluções para proteger a sua própria produção interna e alinhar com seus Planos Quinquenais.

  7. Senhor James Pimenta , os senhores James Pimenta e Cláudio Humberto estão usando de má – fé , ao mencionar a tal sobretaxa de 55% Chinesa á carne bovina Brasileira , exportada para a China que excede a cota preestabelecida de comum acordo .

  8. Digo:
    Senhor Panorama , os senhores James Pimenta e Cláudio Humberto estão usando de má – fé , ao mencionar a tal sobretaxa de 55% Chinesa á carne bovina Brasileira , exportada para a China que excede a cota preestabelecida de comum acordo .

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *