
Flávio troca escolta da PF pela Polícia do Senado
Rafael Moraes Moura
O Globo
A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de recusar a escolta oferecida pela Polícia Federal (PF) aos candidatos à Presidência da República colocou em alerta alguns integrantes do PL mais pragmáticos, que temem que a medida se volte contra ele próprio e o deixe mais vulnerável a situações de risco.
O filho 01 de Jair Bolsonaro preferiu ficar com a escolta oferecida pela Polícia Legislativa, vinculada ao Senado Federal, responsável pela sua proteção pessoal desde que assumiu o atual mandato, em 2019. O senador não confia numa atuação isenta dos agentes da Polícia Federal durante as eleições, por considerar que o órgão está aparelhado pelo governo Lula.
ARGUMENTO – “A essência da Polícia do Senado é justamente a proteção a autoridades, função na qual a instituição é reconhecida como uma das forças mais bem preparadas e especializadas do país, utilizando inteligência, monitoramento, equipamentos de ponta, veículos blindados e armamentos de grosso calibre para suas atividades”, afirmou em nota a pré-campanha de Flávio.
Mas entre interlocutores com bom trânsito com a família Bolsonaro, a postura de Flávio tem sido duramente criticada por embutir, na visão deles, uma leitura equivocada sobre a atuação institucional da PF e dos riscos envolvidos numa disputa presidencial – que mais uma vez será marcada pela polarização entre lulistas e bolsonaristas, conforme as pesquisas de intenção de voto.
“Mais da metade da PF é bolsonarista”, disse um aliado de Flávio que pediu para não ser identificado, ao rejeitar a tese de que a corporação seria um bloco monolítico alinhado ao PT de Lula. Esse aliado lembra que, durante o governo de Jair Bolsonaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes abriu um inquérito para apurar as acusações levantadas pelo hoje senador Sergio Moro (PL-PR) de que o pai de Flávio tentou intervir politicamente na Polícia Federal. O caso aguarda um desfecho até hoje.
VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES – Um dos principais temores de Flávio envolvendo o “risco PF” é com o vazamento das agendas, estratégias de campanha e das conversas privadas do parlamentar ao longo da disputa eleitoral. Mas no entorno bolsonarista há quem lembre que o próprio Jair Bolsonaro aceitou a escolta da PF e estava acompanhado por agentes da corporação quando foi alvo de um atentado à faca em Juiz de Fora (MG), durante as eleições presidenciais de 2018.
Nos bastidores, um dos pontos levantados é que, apesar do atentado a Bolsonaro, a PF tem mais expertise que a Polícia Legislativa para mapear situações de risco e garantir a segurança de autoridades em grandes eventos ou diante de multidões, como no corpo a corpo com os eleitores. “Se acontecer algo ruim contra o Flávio – e a gente torce para que não ocorra –, qual vai ser o argumento do Lula? De que o Flávio decidiu abrir mão da escolta e quis correr riscos por conta própria”, afirmou esse mesmo aliado.
Para o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, abrir mão da escolta da PF “é um risco”. “A Polícia Federal tem todo o aparato e expertise para a segurança de dignatários, promovendo cursos de capacitação técnica para seus quadros permanentemente”, disse Paiva.
O QUE DIZ A PF – Procurada, a Polícia Federal não comentou a decisão de Flávio, alegando que “não informa detalhes dos procedimentos e das práticas de segurança de autoridades, em função da proteção das próprias autoridades”.
“Em razão disso, detalhes das ações de segurança, incluindo orçamento, quantidade de recursos humanos, tipos de armamento, equipamentos e materiais comumente empregados, estratégias e protocolos de atuação, entre outras informações sensíveis são mantidos em sigilo, haja vista que, se forem divulgadas publicamente, podem comprometer a segurança das pessoas protegidas, prejudicando o desempenho das atividades”, afirmou a corporação.
ÍNTEGRA DA NOTA DA PRÉ-CAMPANHA DE FLÁVIO BOLSONARO
A segurança do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, é feita exclusivamente pela Polícia do Senado Federal. A instituição realiza este trabalho há oito anos e, assim, permanecerá ao longo de 2026. A essência da Polícia do Senado é justamente a proteção a autoridades, função na qual a instituição é reconhecida como uma das forças mais bem preparadas e especializadas do país, utilizando inteligência, monitoramento, equipamentos de ponta, veículos blindados e armamentos de grosso calibre para suas atividades. A equipe conta com formação específica de inteligência, além de inúmeros cursos e treinamentos no Brasil e no exterior, que a capacita para a função de forma destacada.
Enfim, um pouco de bom senso.
Mais uma prova da burrice do Flávio. Não vai ter ganho político, pelo contrário, e está perdendo proteção atoa para tentar fazer propaganda contra o atual governo,,,
Pense na burrice quando escrever atoa …
Bem, existe uma função em C chamado atoi (ASCII to INTEGER).
Quem dera que burrice fosse medida por deslizes de digitação em vez de falta de argumentos para rebater ideias… E não se preocupe em me ensinar funções de C, eu só trabalho profissionalmente com TI desde 1969, ainda devo ser um principiante.
Um bom texto do Leandro Ruschel:
A pergunta aparece com frequência, quase sempre carregada de angústia: existe chance de tirar a esquerda do Brasil?
A resposta exige, antes de tudo, um ajuste de diagnóstico. Porque o problema brasileiro não é apenas a esquerda. Enquanto a direita acreditar que basta derrotar o PT numa eleição para resolver o país, continuará batendo na parede errada. A esquerda é parte central do problema, sem dúvida. Mas ela não governa sozinha. Não se mantém sozinha. Não aparelha tudo sozinha. Não construiu esse sistema sozinha.
Quem manda no Brasil hoje é uma coalizão.
De um lado, está a esquerda, especialmente o petismo, com seu projeto ideológico de raiz. Um projeto de aparelhamento, controle cultural, dependência econômica e poder permanente. Não é apenas disputa eleitoral. É um projeto de ocupação. A inspiração chavista não é força de expressão: o sonho é aparelhar tudo e nunca mais sair.
Do outro lado, está a velha oligarquia política brasileira, o Centrão, o patrimonialismo de sempre, as famílias que atravessam décadas no poder, os operadores do toma lá, dá cá, os donos de orçamento, cargo, emenda, verba, blindagem e influência. Esse grupo não é movido por socialismo. É movido por bolso. Não quer uma revolução comunista. Quer o próximo orçamento. Quer o próximo ministério. Quer a próxima proteção contra a cadeia.
São dois animais diferentes. Mas aprenderam a viver juntos.
O petismo deu o projeto. A velha política deu a máquina. Um entra com a ideologia; o outro, com a fisiologia. Um quer transformar o Estado em instrumento de poder permanente; o outro quer transformar o Estado em cofre, balcão e escudo. A união dos dois explica muito melhor o Brasil do que a fantasia de que estamos lidando apenas com uma disputa simples entre esquerda e direita.
O que une grupos tão diferentes é a blindagem.
Sempre que a Lava Jato apertou, esquerda e Centrão se moveram na mesma direção. Podem divergir em discurso, em estética, em base eleitoral, em pauta cultural. Mas convergem no essencial: manter o sistema de pé, porque o sistema protege os dois. O PT precisa da máquina para avançar seu projeto. A velha oligarquia precisa do arranjo para continuar vivendo do Estado. Um depende do outro.
É por isso que tirar apenas o PT do governo não basta. Mesmo que a esquerda fosse derrotada amanhã, a estrutura patrimonialista continuaria lá. Os caciques continuariam lá. O orçamento continuaria capturado. O aparelho continuaria funcionando. E qualquer governo que tentasse enfrentar essa engrenagem seria tragado, como já foi.
Bolsonaro venceu a eleição. Mas não tomou o poder.
Essa distinção é decisiva. Ganhar uma eleição é ocupar uma cadeira. Tomar o poder é controlar os meios reais: a máquina pública, as instituições, a cultura, a burocracia, a imprensa, o Judiciário, as universidades, os sindicatos, os mecanismos de coerção e legitimação. A direita chegou ao palácio, mas o poder profundo continuou em outras mãos.
Foi exatamente por isso que o sistema conseguiu esmagar, enquadrar e depois retirar Bolsonaro do jogo. A cadeira presidencial não bastou. A urna entregou um governo; o aparelho preservou o poder.
A direita brasileira demora a entender isso porque ainda pensa demais em termos eleitorais. Acredita que a próxima eleição, o próximo nome, a próxima aliança, o próximo cálculo de segundo turno resolverão aquilo que foi construído ao longo de décadas. Mas o problema não é apenas quem senta na cadeira. É quem controla as chaves da sala, quem escreve as regras, quem interpreta as regras e quem decide quando elas deixam de valer.
Por isso, a saída existe, mas não é rápida. E talvez essa seja a parte mais difícil de aceitar.
Duas coisas precisam ser revertidas. A primeira é o aparelhamento cultural. Décadas de ocupação de escolas, universidades, imprensa, sindicatos, redações, movimentos sociais, burocracias e linguagem pública não serão desfeitas em uma campanha. Foram construídas em gerações. Terão de ser desmontadas em gerações.
A segunda é a estrutura patrimonialista que captura o Estado brasileiro. Esse Estado grande, caro, ineficiente e cheio de portas de entrada para parasitas de todo tipo não é um acidente. Ele existe exatamente para sustentar quem vive dele. O brasileiro paga impostos europeus e recebe serviços de país pobre. Paga caro por um Estado que promete proteção e entrega dependência, humilhação, burocracia e quase nada de retorno.
E há ainda uma dificuldade adicional: muitos brasileiros são conservadores nos costumes, mas continuam estatistas na economia. Desconfiam da esquerda moral, mas ainda acreditam no Estado como grande promotor da prosperidade. Criticam a corrupção, mas não querem abrir mão da máquina que torna a corrupção possível. Reclamam dos parasitas, mas defendem o tamanho do organismo que os alimenta.
Essa contradição precisa ser enfrentada.
Enquanto o brasileiro acreditar que o Estado é o caminho natural para crescimento, segurança e prosperidade, a velha política continuará tendo terreno fértil. O patrimonialismo vive disso. A esquerda vive disso. O Centrão vive disso. Todo o sistema depende da mesma crença: a de que o Estado deve ser enorme, centralizador e capaz de distribuir favores. A briga, no fim, vira apenas sobre quem controla a distribuição.
Não há botão para “tirar a esquerda” do Brasil. Não há mágica. Não há atalho. Não há eleição salvadora capaz de resolver sozinha um problema que está na cultura, nas instituições, na economia política e na imaginação moral do povo.
Mas isso não é motivo para desânimo. É motivo para calibrar a expectativa.
Quem entra nessa luta achando que tudo se resolve em outubro se frustra, se revolta e abandona. Quem entende que se trata de uma guerra longa consegue permanecer. Forma filhos. Forma alunos. Forma leitores. Forma consciência. Espalha verdade. Constrói instituições. Apoia quem enfrenta o sistema. Recusa a mentira confortável de que basta trocar o ocupante do palácio.
A esquerda é só metade do problema. A outra metade é a velha política patrimonialista que a sustenta, se beneficia dela e se alia a ela sempre que a própria blindagem está em risco.
O inimigo real é essa coalizão.
E derrotá-la exigirá mais do que uma eleição. Exigirá uma geração que pare de procurar atalhos e aceite a estrada. Uma geração que entenda que a reconstrução do Brasil começa na cultura, passa pela economia, exige coragem política e só depois se consolida nas urnas.
Existe chance? Existe.
Mas apenas para quem entendeu que não basta vencer a esquerda. É preciso desmontar o sistema que permite que ela volte, sempre, com outro rosto, outro aliado e a mesma máquina nas mãos.
Concordo com o Flavio.
Esse tal ‘aliado’ do Flavio não teve seu pai levando uma facada na barriga.
Esses tais aliados fazem a alegria de certo jornalismo.
Alô seu ‘aliado’, vai ver Loola está precisando de um guarda costa.
Enquanto não existir leões historiadores, as historias de caçadas sempre serão contadas pelos caçadores.
Senhor Wilson Baptista Junior , de fato , ao recusar a proteção oficial da ” POLICIAL FEDERAL – PF ” , como de praxe , o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretendente a candidato á presidência da republicado Brasil , quer usar a ausência da PF em sua proteção para incriminar o atual governo por se negar em protege-lo , fazendo-se de vítima e de perseguição política .