A desinformação ficou mais sofisticada: agora, a verdade também pode enganar

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  2. Flávio: Um candidato nanico

    Sem discurso próprio e sem apoio do Centrão, Flávio aposta em Trump, Milei e Netanyahu para disfarçar a fragilidade de uma candidatura que só existe pelo sobrenome do pai

    Sem nada a oferecer ao eleitor além do sobrenome de seu pai, Flávio revelou seu verdadeiro tamanho na convenção do PL:

    – Minúsculo, sem apoio dos principais partidos do Centrão, Flávio Rachadinha socorreu-se da “direita internacional” – o argentino Milei, o americano Trump e o israelense Netanyahu – e de um avatar do ex-mito produzido por IA para dar algum sentido à sua candidatura.

    Flávio, como candidato daqueles que urraram a cada palavrão proferido por Milei no evento, deveria ter evitado o espetáculo constrangedor do presidente argentino que nada de bom produz para o País.

    Mas Rachadinha, em razão de sua própria insignificância, está cada vez mais à mercê de forças que não controla, numa campanha que começa a apostar no ultraje para impulsionar suas chances de vitória.

    Além disso, é digna de repúdio a sem-cerimônia com que Flávio atrelou seu destino como candidato a atores externos, como Milei e Trump.

    Cada vez mais impopular na Argentina, em razão de suas medidas econômicas e de um escândalo de corrupção, Milei veio ao Brasil não para apoiar Flávio, mas para criar um incidente que o colocasse nas manchetes.

    O caso de Trump é ainda mais perigoso. O presidente americano não disfarça seu interesse em se intrometer nas eleições brasileiras, com o objetivo de instalar no Palácio do Planalto um títere para impulsionar seu projeto de converter a América Latina em seu quintal.

    Como revelou uma pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana, 52% dos eleitores acreditam que o tarifaço imposto pelo presidente dos EUA às exportações brasileiras é uma manobra para beneficiar a candidatura de Flávio.

    Ou seja, a maioria do eleitorado já enxerga no prejuízo econômico imposto ao País um benefício a um candidato que só existe como tal para resgatar o “legado” do pai – e nada mais.

    O patriotismo proclamado por Flávio é, portanto, mais uma das farsas do bolsonarismo, cujo objetivo é transformar o Brasil em vassalo dos EUA de Trump.

    Terminada a convenção do PL, ficou claro que falta a Flávio o que nenhuma ferramenta de inteligência artificial jamais será capaz de gerar:

    – Credibilidade moral, história política independente, compromisso com a democracia e um eleitorado que o siga por convicção, não por imposição.

    Até lá, o PL terá um avatar mal ajambrado do ex-mito como seu candidato a presidente.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 28/07/2026 | 03h02 Por Editorial

  3. Esse tipo de manipulação existe desde a invenção do jornalismo, os gringos criaram até nome técnico pra isso: ‘framing’. A diferença é que hoje a grande mídia perdeu o monopólio da informação. Qualquer cidadão bem informado, com acesso a uma rede social, pode publicar a sua visão dos fatos. Daí o esforço dos ‘censores’ para controlar a ‘voz do povo’.

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