No Festival da Record, Caetano investiu contra a ditadura
Paulo Peres
Poemas & Canções
O cantor, músico, produtor, escritor, poeta e compositor baiano Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, na letra da marcha “Alegria, Alegria” apresentada no III Festival de MPB da TV Record, em 1967, procurou conscientizar e incentivar a população a se rebelar e protestar contra o governo da época, conforme explica o professor de português Alexandre Varela Castilho.
Segundo o professor, nos primeiros versos, Caetano já manifesta a sua ideia política contrária a ditadura militar, na época, vigente no país, ou seja, “caminhando contra o vento” significa resistência, “sem lenço e sem documento” eram acessórios obrigatórios para se andar nas ruas, então andar sem documento reforçava a ideia de resistência e rebeldia.
Alexandre Castilho afirma também que a estrofe “O sol se reparte em crimes/Espaçonaves, guerrilhas/Em cardinales bonitas…”, refere-se ao jornal O Sol, que circulava na zona sul carioca.
A marcha “Alegria, Alegria” foi gravada por Caetano Veloso em compacto simples, em 1967, pela Philips.
ALEGRIA, ALEGRIA
Caetano Veloso
Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou
O sol se reparte em crimes,
Espaçonaves, guerrilhas
Em Cardinales bonitas
Eu vou
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot
O Sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia?
Eu vou
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não?…
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço, sem documento,
Eu vou
Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome sem telefone
No coração do Brasil
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou
Por que não, por que não?…
Glenn revela que apartamento de Caetano é reduto da esquerda
A realidade da esquerda, mesmo que eles gostem de afirmar que estão representando o povo, eles são compostos pela elite, por pessoas ricas. Eu conheço muito bem a política da esquerda no Rio. Tudo está centralizado no apartamento do Caetano Veloso e Paula Lavigne. Não tem como ganhar uma eleição no Rio sem ir lá – disse Glenn.
Você chega ao apartamento e é um duplex enorme. Quem mora em cima é a família Marinho, dona do império da Globo. Tem cinquenta servos que são invisíveis trabalhando por trás de uma parede. Tem dois ou três assistentes que colocam sempre vinho no copo dela para sempre ter. No meio disso tudo, celebridades chegando o tempo todo, eles falam: “Ah, o que precisamos fazer para as comunidades?” Eles não têm nada a ver – avaliou o jornalista.
Glenn ainda descreveu um episódio em que David Miranda se sentiu “ofendido” por Paula Lavigne, quando a artista discursou sobre a realidade das favelas de maneira equivocada. Miranda cresceu na favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, e sua família reside na comunidade até os dias de hoje.
– David não conseguiu aceitar. Ele explodiu com raiva, e foi muito desconfortável. Foi no apartamento da Paula Lavigne, na primeira campanha de David para candidato a vereador no Rio de Janeiro. Ele ganhou, mas ninguém pode ofender Paula Lavigne daquela forma, na primeira vez, e ter sucesso na política. Mas David não conseguiu ouvir uma mulher que nunca pisa em uma favela falando sobre a vida nas favelas – pontuou.
Caetano ainda fez uma avaliação sobre os motivos de grande parte da população não se identificar com a esquerda atual.
– O problema é justamente isso. As pessoas estão sentindo que o sistema político não se importa com a vida delas nem um pouquinho. Quem chega e consegue falar “nós também odiamos esse sistema político”, eles vão parar aquela pessoa. E a esquerda não tem essa capacidade, porque não tem a fala do povo. Eles são professores na faculdade, são pessoas com doutorado, sociólogos, pessoas bem ricas, celebridades. Eles são parte do establishment – concluiu.
Abrindo a porta do barraco.
Vejo o esgoto bem á minha frente.
Tenho que desviar da água suja e fedorenta.
Ir até o ponto pegar meu busão para trabalhar.
Sem lenço , sem documento e com apenas um salário mínimo de 1.621,00 para sobreviver…..
Enquanto isso………..os burgueses comunas estão fedidos de fumaça e pó, com litros de vinhos franceses com garrafas de 50 mil euros…..
Viva El Comandante.
Viva El Ratón
Viva Cuba….
aquele abraço