Alcolumbre reage e mira dinheiro ligado ao filme de Bolsonaro
Lauriberto Pompeu
Luísa Marzullo
O Globo
Próximo ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem feito movimentos para se distanciar do senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), em meio à crise envolvendo a Corte. Antes visto como um nome independente, que ora atendia a oposição, ora o governo, o parlamentar voltou a se aproximar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha eleitoral e tem adotado postura de cobrar que as investigações do caso Master avancem também sobre o adversário do petista.
Pressionado pela oposição a abrir um processo de impeachmente de Moraes após a divulgação de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro pedindo orientações ao magistrado, Alcolumbre tem citado ser preciso apurar o financiamento ao filme “Dark Horse”, biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Áudios obtidos pela Polícia Federal mostram que Flávio procurou o executivo do Master para negociar pagamentos que, segundo o candidato, serviriam para bancar a produção cinematográfica
MILHÕES DO FILME – “Esqueceram do dinheiro para fazer o filme, R$ 130 milhões? Só estão falando das outras pessoas. Quero achar primeiro os R$ 130 milhões porque ninguém falou mais disso”, respondeu Alcolumbre, na quinta-feira, ao ser indagado sobre as suspeitas envolvendo Moraes.
Integrantes do Congresso veem o movimento do presidente do Senado como uma forma de sobrevivência política. Há um entendimento de que Alcolumbre busca evitar um fortalecimento do ministro André Mendonça, relator dos casos Master e INSS no STF, e com quem se desgastou durante o processo de indicação à Corte. O próprio relatório da PF usado por Moraes aponta que há uma divergência política entre os dois.
Na época, Alcolumbre presidia a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e levou mais de quatro meses para marcar a sabatina de Mendonça, em um processo que desgastou a relação entre os dois.
AUMENTO DE INFLUÊNCIA – A avaliação no entorno do senador é que, caso Flávio ganhe a eleição presidencial, seu grupo político poderá aumentar sua influência na Corte, aumentando o poder de Mendonça. O cálculo leva em consideração que o próximo presidente poderá indicar três ministros do Supremo até 2030
O cenário de conflagração já sem precedentes no Supremo escalou na quinta-feira com um pedido apresentado por Moraes para que Mendonça seja investigado pelo que classificou como “indícios de crimes” cometidos pelo colega de Corte na condução de inquéritos sob sua relatoria, em especial o relativo ao escândalo do Master.
O despacho surgiu dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens de Daniel Vorcaro, dono do banco, ao próprio Moraes
ENTRE OS ALVOS – Diante da escalada na crise, a campanha de Flávio decidiu incluir Alcolumbre na associação que já vinha tentando construir entre Moraes e Lula. O candidato está gravando novos conteúdos sobre o episódio e, segundo interlocutores, pretende manter o presidente do Senado entre os alvos nos próximos dias.
Na equipe de campanha de Flávio, a avaliação é que a proximidade de Alcolumbre com Moraes e a atuação do ministro como interlocutor na relação de Alcolumbre com Lula oferecem uma nova camada à essa ofensiva. A ideia é deixar de tratar o presidente do Senado apenas como responsável por segurar pedidos de impeachment e apresentá-lo como parte da articulação política que a campanha atribui a Moraes.
Auxiliares de Flávio também entenderam como um contra-ataque direto a declaração em que Alcolumbre citou os recursos buscados por Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, junto a Daniel Vorcaro. Para integrantes da campanha, a reação mostrou que ele decidiu entrar no confronto e reduziu o incentivo para preservar a interlocução com o presidente do Senado.
CÁLCULO POLÍTICO – Essa reação também alterou o cálculo no entorno de Flávio. Alcolumbre vinha sendo tratado como um interlocutor importante do PL no Congresso, apesar da resistência ao impeachment de Moraes. Agora, aliados do candidato avaliam que o custo de poupá-lo diminuiu diante do potencial de associá-lo ao ministro e a Lula em plena campanha.
Flávio continuou a explicitar essa linha nesta sexta-feira, ao citar que houve um encontro entre Moraes e Alcolumbre ocorrido antes de o ministro pedir a investigação de André Mendonça. O encontro foi revelado pela colunista Malu Gaspar, do O Globo
Que essa turma do PL aprenda, apoiaram dos corruPTos para a presiência da câmara e do senad0, sabendo dos seus passados podres. Como dizem agora aguenta