Piada do Ano! Contrato mandava mulher de Moraes “impedir” qualquer ilegalidade no Master…

Reprodução de A Voz da Rua

Carlos Newton

Este ano, excepcionalmente, não será realizado o tradicional Concurso de Piada do Ano, porque surgiu antecipadamente uma forte candidata à Piada do Século, criada pela inspiração do ainda ministro Alexandre de Moraes, que desponta como o maior humorista da História do Supremo Tribunal Federal, pois jamais houve nada igual nos 135 anos de funcionamento da mais importante corte de justiça do país.

Ao ser revelada pela jornalista Malu Gaspar a íntegra do contrato entre o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados e o Banco Master S.A., ficou patente que o ministro Moraes iria vencer, antecipadamente, o Concurso Piada do Ano, porque o contrato redigido pelo outrora respeitado jurista não era de R$ 3 milhões mensais por três anos de serviço.

LIQUIDO E BRUTO – Na verdade, os R$ 3 milhões mensais eram líquidos, porque o compreensivo banqueiro Daniel Vorcaro aceitara pagar também os impostos. Assim, o valor mensal passara para R$ 3.646.529,77, elevando para R$ 131.275.071,72 o total a receber.

Porém, não ficou apenas nisso, porque o mais que compreensivo banqueiro aceitou pagar também “as despesas operacionais de quaisquer espécies para a realização do objeto ora contratado, tais como taxas e emolumentos cobrados pelos órgãos públicos, custas judiciais de quaisquer espécies, despesas de deslocamento (inclusive passagens aéreas), fotocópias, hospedagem e refeições”.

Caramba! vejam que Moraes foi implacável, pois não aceitou pagar nem mesmo as fotocópias, certamente isso mereceria ser a Piada do Século, mas acontece que ele conseguiu criar outra anedota ainda mais sensacional.

MISSÃO DA MULHER – A maior piada do repertório de Moraes é justamente a missão que estava destinada em contrato à advogada Viviane Barci, sua mulher. Além de cuidar de todas as questões jurídicas, ela teria de organizar e coordenar “cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa – perante o Judiciário, Ministério Público, Polícia Judiciária, Órgãos Do Executivo (Banco Central, Receita Federal, PGFN, CADE) e Legislativo”.

Mas ainda era pouco, e Moraes previu que o escritório da mulher e dos filhos cuidasse de muitas outras atividades necessárias para evitar que o Master cometesse qualquer ilegalidade em suas operações.

Mas essa infinidade de missões foi o grande erro do criador do contrato. Era humanamente impossível que a mulher e os filhos de Moraes cuidassem de tanta coisa ao mesmo tempo. Como obviamente não conseguiriam, o emergente Banco Mater então desandou e passou a cometer as maiores falcatruas, comprometendo simultaneamente os três poderes da República, sem que a mulher e os filhos do ministro, responsáveis oficiais pela lisura dos negócios do banco, pudessem evitar as maracutaias, como dizem os petistas.

###
P.S. 1 – Portanto, pela leitura atenta do contrato, pode-se extrair que a culpa da derrocada do Master pode ser atribuída exclusivamente a Moraes. Nada de errado teria acontecido, se ele não tivesse redigido um contrato tão draconiano, explorando de uma forma massacrante o talento e o vigor da própria esposa e dos filhos, ao lhes atribuir tarefas que nenhum escritório de advocacia do mundo conseguiria realizar, Afinal, o Master tinha mais de 500 empregados e colaboradores, que facilmente poderiam ter evitado essas ilegalidades, porém Moraes preferiu passar a responsabilidade integral para a mulher e os filhos, o que causou todos esses escândalos.

P.S. 2 – Na forma da lei, o Banco Master e Daniel Vorcaro agora têm todo direito de processar a família Moraes para reparação de danos. Diz o artigo 186 do Código Civil: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. E o artigo 927 completa: “Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”. (C.N.)   

3 thoughts on “Piada do Ano! Contrato mandava mulher de Moraes “impedir” qualquer ilegalidade no Master…

  1. Única saída para Moraes é renunciar à toga para dar uma trégua à divisão no STF

    A decisão que o STF está prestes a tomar, na próxima terça-feira, é doída, sim, mas de uma simplicidade desconcertante:

    – Se, em tese, qualquer cidadão pode ser investigado por suspeita de ter cometido desvios, por que não Alexandre de Moraes? Se julgado culpado, que seja condenado. (…)

    A única saída para Alexandre de Moraes é renunciar à toga, antes que seja obrigado a despi-la. Como esse ato, estaria dando uma trégua à divisão – ou polarização? – no STF e livrando seus pares, sobretudo os paus para toda obra, do profundo incômodo de ter de defendê-lo sem argumentos.

    O problema de Moraes é muito grave, desvia o foco da eleição para o Supremo e pode deixar cicatrizes indeléveis.

    Aliás, que mal lhes pergunte: se a cabeleireira Débora pegou 14 anos de prisão por pintar a estátua da Justiça com batom, qual a pena para quem joga lama na Justiça?

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 12/09/2026 | 18h52 Por Eliane Cantanhêde

  2. Talvez não se deva deixar iludir

    Para a maioria dos ministros do STF, Alexandre de Moraes é a figura central da Corte — visto como o responsável por proteger e reestruturar a instituição diante dos ataques bolsonaristas.

    Por essa razão, a tendência é que os magistrados atuem para preservá-lo do atual desgaste político, seja mediante o adiamento indefinido de julgamentos ou de sua eventual absolvição.

    Esse alinhamento deve culminar em sua eleição para a Presidência do Tribunal, em setembro de 2027, como inequívoca demonstração de reconhecimento e gratidão.

  3. Fachin dá tiro no pé e caso Moraes pode ficar para “Dia de São Nunca”

    Ministros devem recorrer a pedidos sucessivos de vista após Fachin decidir restringir sessão à análise da conduta de Moraes

    Ao discordar do pedido para incluir na pauta de terça-feira, 15/9, análise sobre a conduta do ministro André Mendonça, Fachin deu um tiro no pé. Já que a sessão será apenas para analisar se o ministro Moraes deve ser investigado, ministros irão pedir vista inviabilizando a votação.

    Os ministros podem pedir vista um atrás do outro. Quando um devolve para julgar, outro pede. Há julgamentos no Supremo que levam décadas nesse vai e vem.

    Pelo Regimento Interno do Supremo, o ministro que pedir vista tem prazo de 90 dias para devolver o processo para julgamento.

    Encerrado esse período, os autos são automaticamente liberados para que o julgamento prossiga. Na prática, porém, um novo pedido de vista pode ser feito por outro ministro, prolongando novamente a análise do caso.

    Um acordo para evitar os sucessivos pedidos de vista passa por incluir numa mesma sessão os casos de Moraes (ele pode ser investigado por suas relações com Vorcaro?) e Mendonça (ele mandou investigar Moraes sem o aval da Corte? Se fez isso, as provas são inválidas?).

    Fonte: Metrópoles, Opinião, 12/09/2026 13:05 Por Andreza Matais

    Leitura extremamente relevante.

    Andreza Matais revela-se um azougue em sua análise.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *