
Lula disse que, se reeleito, dicutirá como ‘consertar’ o STF
Kellen Barreto
G1
O candidato do PT à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta sexta-feira (18) que Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário na disputa presidencial, tem ligação com milicianos e que o Master “virou banco” na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula fez ataques ao candidato do PSL durante entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. O petista cumpre nesta sexta agenda de campanha no estado, que é berço político e reduto eleitoral de Flávio.
LIGAÇÃO COM MILÍCIAS – “Tem um candidato a presidente ligado a milícias no Rio de Janeiro, muita gente da família Bolsonaro ligado com miliciano. É preciso limpar a política e a polícia. A sociedade brasileira tem que assumir a responsabilidade pelo futuro que quer. Acho inconcebível o Rio viver a realidade que vive”, disse Lula.
Durante a entrevista, o presidente também fez menções ao escândalo Master, de fraudes financeiras bilionárias. Lula disse que o Master, de Daniel Vorcaro, virou banco na gestão de Jair Bolsonaro. E que Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no governo petista.
“O telefone do Vorcaro, o quanto ele está nessa relação, maior escândalo de corrupção do país. O Master não era banco, a família Bolsonaro que fez virar banco. E o Vorcaro virou prisioneiro no meu governo”, declarou.
ORIGEM NA GESTÃO BOLSONARO – Em outro momento da entrevista, Lula voltou a dizer que as irregularidades do Master tiveram origem na gestão Bolsonaro e mencionou um encontro que teve com Vorcaro no Palácio do Planalto.
“Esse Vorcaro me procurou um dia, disse: ‘Olha estão me prejudicando’. E eu falei: ‘Se seu banco for correto, não vai fechar… E fechou, porque não estava correto”, relatou Lula.
Ainda sobre o tema, Lula foi questionado sobre a crise no Supremo Tribunal Federal, resultante das revelações do escândalo Master.
O petista disse que vê a crise institucional com “tristeza” e, novamente, afirmou que foi o governo Bolsonaro que permitiu que Vorcaro virasse “banqueiro”. “Você vê um cidadão [Vorcaro], zé ninguém, o governo Bolsonaro fez virar banqueiro, envolveu bancos, outras pessoas. Ele virou prisioneiro no meu governo. Ele [Vorcaro] corrompeu todo mundo, patrocinava orgia, trazia mulher para os bacanas brasileiros, envolveu deputado, senador, Suprema Corte, todo mundo”, disse.
REFORMA DO JUDICIÁRIO – O presidente afirmou que, se for reeleito, terá que debater como consertar o STF e defendeu uma reforma do Poder Judiciário. “Me preocupa e vamos ter que discutir como consertar isso. Como consertar a Suprema Corte? Ministros ligados indireta e diretamente. A bronca [do Flávio] com Moraes não é pelo Master, mas pela prisão do pai”, disse o candidato do PT.
Lula também disse Alexandre de Moraes teve um papel “importante” no julgamento da trama golpista, em que atuou como relator, mas que “ninguém defende o contrato” milionário do Banco Master com a mulher do ministro do STF.
“Moraes teve papel importante na manutenção da democracia, general preso, e presidente preso por golpe, articulavam minha morte, a do Alckmin. Ninguém defende o contrato que ele [Moraes] fez com o Master, estamos defendendo que quem vai para Suprema Corte não pode querer ser rico”, acrescentou Lula. Ele disse ainda que o STF precisa ter seriedade e ética e que tudo parece estar “apodrecendo” na Corte.
Rio: o berço dos Bolsonaros
Sempre que ouço falar do Rio como berço político da família Bolsonaro, olho em torno em busca de vestígios da passagem deles por aqui. Pfftt.
O patriarca Jair Bolsonaro, por exemplo, nasceu em Glicério (SP). Só saiu de lá aos 19 anos, em 1974, para estudar e morar na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde se formou, casou e teve os filhos Flávio, Eduardo e Carlos.
A Aman fica em Resende (RJ), divisa de MG e SP, a 162 km do Rio. Expulso do Exército em 1989, mudou-se para Bento Ribeiro, zona norte do Rio, e se tornou vereador. Em 1991, elegeu-se para a Câmara e foi para Brasília.
Em 27 anos como deputado federal pelo Rio, até 2018, só teve dois projetos aprovados, um deles a liberação da “pílula do câncer”, de eficácia não comprovada. Seus salários custaram R$ 59 milhões à nação.
Sua vivência carioca se limita a uma casa num condomínio na Barra, onde pouco ficou, e às selvagens motociatas em Copacabana quando presidente. Torce pelo Palmeiras.
Seu filho Flávio, o 01, foi deputado estadual pelo Rio de 2003 a 2019. Suas grandes medidas foram a medalha em 2005 para o miliciano Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime, e a defesa das milícias em 2007, 2008, 2011 e 2015.
Senador desde 2019, Flávio comprou uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília com dinheiro vivo. Suplicou R$ 134 milhões dos fundos públicos desviados por seu “irmão” Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse” e não consegue se explicar sobre esse dinheiro.
Já Eduardo Bolsonaro, o 02, nada tem ou teve a ver com o Rio. Fez toda sua carreira como deputado federal por São Paulo —eleito em 2014, 2018 e 2022 com grandes votações—, embora seu elo com a cidade sejam duas salas alugadas no Paraíso, onde nunca foi visto. Cassado, condenado e foragido, refugia-se hoje no Texas.
E Carlos Bolsonaro, o 03, foi vereador pelo Rio de 2000 a 2025, mas passava tanto tempo em Brasília que era chamado de “vereador federal”. É candidato a senador por Santa Catarina, que só conhece a passeio.
E assim temos o berço político dos Bolsonaros.
Folha de S. Paulo, Opinião, 16.set.2026 às 8h00 Por Ruy Castro
E sempre tiveram grandes contingentes de bolsotários como seguidores.
O efeito Xandão no Superior Tribunal Militar (STM)
COM CRISE NO STF E FLÁVIO ELEITO, GOLPISTAS VÃO SAIR DA CADEIA E MANTER PATENTES E PRIVILÉGIOS
A enxurrada de notícias sobre relações do Banco Master e de Daniel Vorcaro com ministros do Supremo continua fazendo vítimas (que deveriam ser réus) e isso tem um efeito colateral num outro julgamento, este no Superior Tribunal Militar (STM): o da perda de patentes do ex-presidente e de altos oficiais condenados pela trama do golpe.
O processo foi aberto em fevereiro e, naquele momento, a tendência era francamente pela perda de patentes de generais, do almirante Almir Garnier e do capitão da reserva Jair Bolsonaro, mas isso vem mudando ao longo dos meses. Primeiro, para poupar dois generais, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira. Agora, pode desandar para poupar todos.
Os ministros do STM, na maioria militares, acompanharam o julgamento no STF, as provas, as acusações e as defesas dos articuladores do golpe e, nos bastidores, concordaram com as condenações, apesar de considerarem as penas excessivas, especialmente as dos que participaram do 8/01, mas sem relevância.
As revelações escabrosas sobre a promiscuidade de ministros do STF com um criminoso do quilate de Daniel Vorcaro, principalmente de Alexandre de Moraes, contaminaram a percepção, não só da sociedade civil, mas também de amplas áreas militares e do STM.
Começou com uma pergunta: como vamos condenar duplamente os réus do Supremo, se a credibilidade do relator (Moraes) foi por água abaixo? E essa pergunta se ampliou: e como vamos tirar as patentes dos “nossos”, se só se salvam três ou quatro no Supremo?
A indignação já vinha desde as histórias cabeludas de Dias Toffoli e o tal resort Tayayá, chegou ao cume com o contrato de R$ 131 milhões do escritório da família de Moraes e continua sendo alimentada pelas “novidades” e nomes que não param de sair.
Depois das relações do filho e de festas de Nunes Marques e as conversas e o carnaval do filho de Luiz Fux, chega a notícia de que o instituto de André Mendonça recebeu R$ 5 milhões de um ex-parceiro de negócios de Vorcaro e surge um novo nome: o da advogada Dalide Corrêa, chamada de “canal direito com STF”, que recebeu R$ 33 milhões num ano.
O julgamento sobre as patentes depende do eleito. Se for Lula, o processo prossegue e deverá ser julgado ainda neste ano. Se for Flávio Rachadinha, pode nem haver. Ele promete indultar o ex-mito, generais, almirante e todos os envolvidos no golpe e, assim, não haverá quem julgar.
Resumo da ópera: o que Alexandre de Moraes fez, Alexandre de Moraes desfaz e vira fator para transformar os réus em vítimas e os presos em livres, leves, soltos e com suas estrelas nos ombros. Menos Jair Bolsonaro, que não tem estrela nenhuma.
O Estado de S. Paulo, Opinião, 17/09/2026 | 20h26 Por Eliane Cantanhêde
Leitura extremamente relevante.
A nação parece caminhar para uma iminente ditadura sem que se dê conta, como se houvesse alguém que sustentasse a democracia que se esvai.
A Eliande Cantanhêde e o Gato Felix poderiam conviver em uma redação de jornal. Ou seja, de onde só sai asneira nunca vai sair algo sério.
É sempre bom lembrar que o comando do TSE é bolsonarista
O presidente e o vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) assumiram o comando da corte após serem indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nova Liderança do TSE
Presidente: O ministro Kassio Nunes Marques assumiu a presidência do tribunal em maio de 2026, sucedendo a ministra Cármen Lúcia.
Vice-Presidente: O ministro André Mendonça assumiu o cargo de vice-presidente da corte no mesmo período.
Detalhes da Gestão
Indicação ao STF: Ambos os ministros foram indicados por Jair Bolsonaro para vagas no STF durante o seu mandato presidencial.
Contexto Eleitoral: Esta é a primeira vez que dois ministros indicados por Bolsonaro comandam o TSE durante o período de eleições gerais.