Lula acusa Flávio de ligação com milicianos e diz que Bolsonaro fez Master virar banco

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  1. Rio: o berço dos Bolsonaros

    Sempre que ouço falar do Rio como berço político da família Bolsonaro, olho em torno em busca de vestígios da passagem deles por aqui. Pfftt.

    O patriarca Jair Bolsonaro, por exemplo, nasceu em Glicério (SP). Só saiu de lá aos 19 anos, em 1974, para estudar e morar na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde se formou, casou e teve os filhos Flávio, Eduardo e Carlos.

    A Aman fica em Resende (RJ), divisa de MG e SP, a 162 km do Rio. Expulso do Exército em 1989, mudou-se para Bento Ribeiro, zona norte do Rio, e se tornou vereador. Em 1991, elegeu-se para a Câmara e foi para Brasília.

    Em 27 anos como deputado federal pelo Rio, até 2018, só teve dois projetos aprovados, um deles a liberação da “pílula do câncer”, de eficácia não comprovada. Seus salários custaram R$ 59 milhões à nação.

    Sua vivência carioca se limita a uma casa num condomínio na Barra, onde pouco ficou, e às selvagens motociatas em Copacabana quando presidente. Torce pelo Palmeiras.

    Seu filho Flávio, o 01, foi deputado estadual pelo Rio de 2003 a 2019. Suas grandes medidas foram a medalha em 2005 para o miliciano Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime, e a defesa das milícias em 2007, 2008, 2011 e 2015.

    Senador desde 2019, Flávio comprou uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília com dinheiro vivo. Suplicou R$ 134 milhões dos fundos públicos desviados por seu “irmão” Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse” e não consegue se explicar sobre esse dinheiro.

    Já Eduardo Bolsonaro, o 02, nada tem ou teve a ver com o Rio. Fez toda sua carreira como deputado federal por São Paulo —eleito em 2014, 2018 e 2022 com grandes votações—, embora seu elo com a cidade sejam duas salas alugadas no Paraíso, onde nunca foi visto. Cassado, condenado e foragido, refugia-se hoje no Texas.

    E Carlos Bolsonaro, o 03, foi vereador pelo Rio de 2000 a 2025, mas passava tanto tempo em Brasília que era chamado de “vereador federal”. É candidato a senador por Santa Catarina, que só conhece a passeio.

    E assim temos o berço político dos Bolsonaros.

    Folha de S. Paulo, Opinião, 16.set.2026 às 8h00 Por Ruy Castro

    E sempre tiveram grandes contingentes de bolsotários como seguidores.

  2. O efeito Xandão no Superior Tribunal Militar (STM)

    COM CRISE NO STF E FLÁVIO ELEITO, GOLPISTAS VÃO SAIR DA CADEIA E MANTER PATENTES E PRIVILÉGIOS

    A enxurrada de notícias sobre relações do Banco Master e de Daniel Vorcaro com ministros do Supremo continua fazendo vítimas (que deveriam ser réus) e isso tem um efeito colateral num outro julgamento, este no Superior Tribunal Militar (STM): o da perda de patentes do ex-presidente e de altos oficiais condenados pela trama do golpe.

    O processo foi aberto em fevereiro e, naquele momento, a tendência era francamente pela perda de patentes de generais, do almirante Almir Garnier e do capitão da reserva Jair Bolsonaro, mas isso vem mudando ao longo dos meses. Primeiro, para poupar dois generais, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira. Agora, pode desandar para poupar todos.

    Os ministros do STM, na maioria militares, acompanharam o julgamento no STF, as provas, as acusações e as defesas dos articuladores do golpe e, nos bastidores, concordaram com as condenações, apesar de considerarem as penas excessivas, especialmente as dos que participaram do 8/01, mas sem relevância.

    As revelações escabrosas sobre a promiscuidade de ministros do STF com um criminoso do quilate de Daniel Vorcaro, principalmente de Alexandre de Moraes, contaminaram a percepção, não só da sociedade civil, mas também de amplas áreas militares e do STM.

    Começou com uma pergunta: como vamos condenar duplamente os réus do Supremo, se a credibilidade do relator (Moraes) foi por água abaixo? E essa pergunta se ampliou: e como vamos tirar as patentes dos “nossos”, se só se salvam três ou quatro no Supremo?

    A indignação já vinha desde as histórias cabeludas de Dias Toffoli e o tal resort Tayayá, chegou ao cume com o contrato de R$ 131 milhões do escritório da família de Moraes e continua sendo alimentada pelas “novidades” e nomes que não param de sair.

    Depois das relações do filho e de festas de Nunes Marques e as conversas e o carnaval do filho de Luiz Fux, chega a notícia de que o instituto de André Mendonça recebeu R$ 5 milhões de um ex-parceiro de negócios de Vorcaro e surge um novo nome: o da advogada Dalide Corrêa, chamada de “canal direito com STF”, que recebeu R$ 33 milhões num ano.

    O julgamento sobre as patentes depende do eleito. Se for Lula, o processo prossegue e deverá ser julgado ainda neste ano. Se for Flávio Rachadinha, pode nem haver. Ele promete indultar o ex-mito, generais, almirante e todos os envolvidos no golpe e, assim, não haverá quem julgar.

    Resumo da ópera: o que Alexandre de Moraes fez, Alexandre de Moraes desfaz e vira fator para transformar os réus em vítimas e os presos em livres, leves, soltos e com suas estrelas nos ombros. Menos Jair Bolsonaro, que não tem estrela nenhuma.

    O Estado de S. Paulo, Opinião, 17/09/2026 | 20h26 Por Eliane Cantanhêde

    Leitura extremamente relevante.

    A nação parece caminhar para uma iminente ditadura sem que se dê conta, como se houvesse alguém que sustentasse a democracia que se esvai.

  3. É sempre bom lembrar que o comando do TSE é bolsonarista

    O presidente e o vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) assumiram o comando da corte após serem indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Nova Liderança do TSE

    Presidente: O ministro Kassio Nunes Marques assumiu a presidência do tribunal em maio de 2026, sucedendo a ministra Cármen Lúcia.

    Vice-Presidente: O ministro André Mendonça assumiu o cargo de vice-presidente da corte no mesmo período.

    Detalhes da Gestão

    Indicação ao STF: Ambos os ministros foram indicados por Jair Bolsonaro para vagas no STF durante o seu mandato presidencial.

    Contexto Eleitoral: Esta é a primeira vez que dois ministros indicados por Bolsonaro comandam o TSE durante o período de eleições gerais.

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