Mendonça acusa Moraes de abuso de autoridade
Sarah Teófilo
Mariana Muniz
O Globo
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu as acusações do ministro Alexandre de Moraes e pediu o arquivamento da representação movida contra ele pelo colega de Corte em defesa apresentada no processo. O documento foi protocolado na segunda-feira, em um procedimento aberto pelo presidente Edson Fachin.
No início do mês, Moraes enviou ao presidente da Corte relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) que apontam supostas irregularidades cometidas por Mendonça na condução das investigações do caso Master, que apura fraude ao sistema financeiro, que trata de desvios ilegais de aposentadorias do INSS. Na decisão, Moraes afirma haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade pelo colega.
MÉTODOS ILEGAIS – Na defesa apresentada na segunda-feira, Mendonça solicitou a Fachin o arquivamento apontando que Moraes adotou métodos ilegais para acusá-lo e ainda pediu que o colega, e não ele, seja investigado por abuso de autoridade.
A disputa entre os dois ministros teve início na primeira semana de setembro, quando Mendonça divulgou um relatório da Polícia Federal que identificava Moraes como o interlocutor de 52 duas mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Depois da divulgação do relatório da PF, Moraes divulgou seis relatórios internos da polícia, sem valor probatório, no qual apontava indícios de crimes de Mendonça.
Na peça enviada a Fachin, Mendonça afirma que Moraes “distorce o teor do ‘documento'” para imputar ao ministro condutas irregulares na atuação dos inquéritos envolvendo a Sem Desconto, de fraudes no INSS, e a Compliance Zero, das fraudes no Banco Master.
INVESTIGAÇÃO – O ministro disse ainda que Moraes deveria ser investigado por não ter concluído o inquérito das Fake News, aberto há sete anos, e usado para apresentar as acusações contra Mendonça. Ele ainda critica a divulgação dos relatórios internos da PF por parte de Moraes.
Segundo ele, a documentação é desprovida de valor probatório e os próprios autores advertem que as informações são apenas “relatos unilaterais de membros da instituição, expondo impressões e opiniões sobre os trabalhos por eles próprios realizados no âmbito das operações ‘Sem Desconto’ e ‘Compliance Zero'”, relativas às fraudes do INSS e ao Banco Master.
Mendonça ainda acusa Moraes de tentar descredibilizar o trabalho da equipe policial responsável pelas investigações da Sem Desconto apenas para, “por vias transversas”, questionar a atuação do próprio relator.
Além do que horizonta!
https://www.facebook.com/share/v/14n7WUH63YD/
Pesquisa aponta que maioria dos brasileiros quer impeachment de Moraes e Toffoli
Pesquisa Atlas/Estadão aponta que 60,5% dos brasileiros defendem o impeachment imediato do ministro Dias Toffoli e 49,8% o de Alexandre de Moraes, ambos do STF, em razão do caso Banco Master.
O levantamento, feito entre 17 e 21 de setembro de 2026 com 1.852 pessoas (recrutamento digital aleatório, margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança), foi realizado após a sessão tumultuada em que o plenário do Supremo debateu a abertura de investigação contra Moraes.
Os percentuais acima correspondem a quem considera já existirem indícios suficientes para o afastamento imediato. Outros 31,9% (Moraes) e 26,1% (Toffoli) só aprovariam o impeachment se as apurações confirmassem envolvimento.
São contrários 15,1% e 6,5%, respectivamente. Os que não souberam responder ficaram em 3,2% e 6,8%.
O escândalo envolve o banqueiro Daniel Vorcaro. Relatório da Polícia Federal, revelado pelo Estadão, descreve mensagens em que Vorcaro pede auxílio a Moraes sobre investigações do banco.
Há também registros de que o ministro Moraes teria editado minuta de contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório da mulher, Viviane Barci de Moraes, além de outro contrato de R$ 50 milhões pago com cotas de aeronaves.
O banco ainda teria emitido cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
Toffoli foi ligado ao caso pelo resort Tayayá, no Paraná, que pertencia formalmente a familiares dele e tinha como cotista um fundo cujo beneficiário final seria Fabiano Zettel, cunhado e operador de Vorcaro.
O ministro Toffoli chegou a relatar processos da Operação Compliance Zero, mas deixou o caso após a revelação do vínculo econômico. O processo foi redistribuído a André Mendonça.
Em pesquisa AtlasIntel de março, 49,3% já defendiam o impeachment de Toffoli. O percentual subiu 11 pontos. A piora na avaliação ocorre mesmo com novas revelações envolvendo também filhos de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, além de reuniões de Vorcaro com Mendonça e Gilmar Mendes.
O caso Master tem piorado a percepção pública sobre o STF, segundo o instituto.
Diário do Poder, Opinião, 22/09/2026 12:45 Por Tiago Vasconcelos / Cláudio Humberto
Tarda mas não falha. Parabéns Mendonça, não se intimidou.
Agora sim…
Mendonça fala em investigar Moraes por denunciação caluniosa e quer acesso ao inquérito das fake news
https://www.jota.info/stf/do-supremo/mendonca-fala-em-investigar-moraes-por-denunciacao-caluniosa-e-quer-acesso-ao-inquerito-das-fake-news