O fim da escala 6×1 é uma conquista. Agora é preciso protegê-la

Senado aprovou o fim da escala 6×1 por 75 votos a um

Marcelo Copelli
Revista Fórum

A aprovação de uma medida por ampla maioria não significa que todos os partidos partilhem a mesma visão sobre o futuro das relações de trabalho. A votação de 14 de outubro, por 75 votos a um, demonstrou o amplo apoio parlamentar ao fim da escala 6×1, mas não eliminou as diferenças sobre os caminhos para garantir melhores condições aos trabalhadores. O único voto contrário foi o do senador Hamilton Mourão.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, prevê a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, além de dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente aos domingos. O objetivo é ampliar o tempo disponível para descanso, convívio familiar, estudo e cuidados pessoais, preservando a remuneração.

DEBATE PÚBLICO – A trajetória da proposta combina mobilização social, articulação parlamentar e decisão política. A pressão de trabalhadores e movimentos sociais levou o tema ao debate público. No Congresso, a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes, serviu de base para a proposta aprovada, enquanto a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton, foi apensada à primeira. A Câmara concluiu a votação em maio.

A atuação do governo Lula foi decisiva para dar dimensão institucional à pauta. O presidente assumiu publicamente a defesa da redução da jornada, e o governo incorporou o tema à sua agenda política e às negociações com o Congresso. Ao assumir essa causa, Lula contribuiu para transformar uma reivindicação histórica em prioridade nacional, somando-se à pressão social e parlamentar que impulsionou a proposta.

A conquista não pertence exclusivamente a um partido ou a um governo. Os seus efeitos devem ser avaliados pelo que podem representar para a vida de milhões de trabalhadores, independentemente dos dividendos políticos que a aprovação possa gerar.

POSICIONAMENTOS – A votação ocorreu a onze dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. A proximidade da disputa eleitoral não permite atribuir a decisão a uma única motivação, mas torna inevitável examinar as posições dos candidatos diante de uma pauta de forte impacto social.

No caso de Flávio Bolsonaro, a sequência dos acontecimentos merece atenção. Antes de anunciar o voto favorável, o senador criticava a proposta e defendia um modelo alternativo, baseado na remuneração por hora trabalhada. Em 13 de outubro, declarou que votaria a favor do fim da escala 6×1, afirmou defender «algo ainda melhor» e sustentou que o governo deveria compensar os custos para o setor produtivo. No dia seguinte, votou favoravelmente à PEC nos dois turnos, de forma remota.

A mudança de posição não encerra a discussão sobre o modelo de relações de trabalho que Flávio defende. O senador é um dos signatários da PEC 12/2026, apresentada por Rogério Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador da sua campanha presidencial. A proposta prevê a possibilidade de escolha entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um regime flexível, no qual a remuneração depende das horas efetivamente trabalhadas. Nesse segundo modelo, férias, 13.º salário e FGTS seriam proporcionais às horas trabalhadas. A proposta também estabelece um valor mínimo para a hora trabalhada, calculado proporcionalmente ao salário mínimo ou ao piso da categoria.

PODER DE NEGOCIAÇÃO – A questão central não é apenas a possibilidade de escolha, mas as condições em que ela ocorre. Quando o trabalhador depende do salário para sobreviver e o empregador controla a oferta de horas, a liberdade formal para optar por um regime flexível não significa necessariamente poder real de negociação. Se a remuneração depende das horas disponibilizadas, o empregado pode ficar exposto a oscilações de rendimento sem controlar a quantidade de trabalho que receberá.

A PEC apoiada por Flávio prevê a prevalência do contrato individual sobre eventuais acordos coletivos em matérias como compensação de horários e redução da jornada. Na prática, essa regra pode ampliar o poder das empresas para negociar condições diretamente com cada empregado, mesmo quando existe uma relação desigual entre as partes.

Sob o argumento da autonomia, existe o risco de enfraquecer a proteção coletiva e transferir parte da insegurança económica para quem vive do próprio trabalho. Quem controla a distribuição das horas e quem suporta as consequências quando elas diminuem? A pergunta é especialmente relevante para quem não dispõe de margem financeira para compensar uma redução inesperada dos rendimentos.

ARGUMENTO – Rogério Marinho sustenta que a proposta amplia a autonomia do trabalhador e preserva direitos previstos na Constituição. Mas a manutenção formal desses direitos não resolve, por si só, o problema das condições desiguais de negociação. A flexibilidade pode responder às necessidades de determinadas atividades económicas. O ponto decisivo é saber quem determina quantas horas serão trabalhadas e quem assume os custos quando não há trabalho suficiente.

A posição do PL indica que a disputa continuará para além da votação. O líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que a sigla pretende defender, em 2027, uma proposta alternativa sobre o tema, caso Flávio vença a eleição. O anúncio sinaliza a intenção de retomar a discussão para promover um modelo diferente daquele aprovado pelo Senado.

É nesse contraste que o voto de Flávio deve ser compreendido. Apoiar o fim da escala 6×1, num momento de forte mobilização social e ampla adesão parlamentar, não elimina as diferenças entre os projetos em disputa. A PEC 221/2019 prevê a redução da jornada sem diminuição salarial e dois dias de descanso remunerado por semana. Já a PEC 12/2026 abre espaço para vincular a remuneração às horas efetivamente trabalhadas e altera o papel da negociação coletiva em matérias específicas.

VERDADEIRAS INTENÇÕES – Não é necessário presumir as intenções de Flávio para reconhecer que os dois modelos podem produzir efeitos distintos. A questão não se resume a ser favorável ou contrário à flexibilidade, mas a saber se o trabalhador terá condições reais de escolha, previsibilidade de rendimento e proteção suficiente para negociar com o empregador.

O argumento a favor da flexibilidade merece ser considerado. Há setores com horários complexos e custos reais de adaptação. Mas a liberdade formal de negociar não significa que as partes tenham o mesmo poder para recusar condições. Quem depende do salário para pagar a renda da casa e as despesas básicas tende a ter menos margem para rejeitar o que lhe é oferecido. Um valor mínimo por hora não garante, por si só, um número mínimo de horas nem um rendimento mensal estável.

A votação de 14 de outubro mostrou que o fim da escala 6×1 pode reunir uma maioria parlamentar sem encerrar a disputa sobre o futuro do trabalho no Brasil. A mobilização social, a pressão no Congresso e a decisão de Lula de assumir publicamente a pauta ajudaram a transformar uma reivindicação histórica em prioridade política. O alcance da conquista dependerá também da forma como os novos direitos serão protegidos e aplicados.

GARANTIAS – O desafio agora é garantir que a redução da jornada se traduza em mais tempo para viver, sem abrir caminho a mudanças que transfiram aos trabalhadores os riscos da falta de horas e de rendimento. O voto favorável de Flávio não apaga a sua assinatura numa proposta de orientação diferente.

Para o eleitor, importa saber não apenas quem votou pelo fim da escala 6×1, mas também quem defenderá a renda, o descanso e o poder de negociação dos trabalhadores quando chegar a hora de definir as regras. É nessa diferença, para além do placar do Senado, que se mede o alcance de cada compromisso. 

Pesquisa Datafolha aponta que Flávio ganhou a eleição, mas ainda não sabe…

Confira a charge do dia por J. Bosco (@jboscoazevedo), publicada no jornal  O Liberal desta terça-feira (06).

Charge do J.Bosco ( O Liberal)

Carlos Newton

Depois do erro clamoroso, quando todas as pesquisas davam Lula à frente no empate técnico, com clara possibilidade de antecipar a vitória no primeiro turno, agora todos os institutos se acertam num empate técnico de todos os seus levantamentos, para não perderem o que resta de sua quase inexistente credibilidade.

Aliás, não podemos esquecer que, no primeiro turno, tivemos aquela cena insólita de ocorrer um apagão na contagem dos votos para presidente, deixando em situação vexaminosa os distraídos apresentadores globais Renata Lo Prete e César Tralli, que passaram mais de 20 minutos repetindo os mesmos números, como pode ocorrer com Inteligência Artificial de segunda categoria, incapaz de prever apagões e manipulações.

SEM JUSTIFICATIVA – O pior é que a Justiça Eleitoral e a TV Globo não apresentaram nenhum explicação para a falha técnica, que jogou para o alto a tão apregoada garantia  do sistema, até porque, quando voltou a contagem, tinha havido apenas modificação nos resultados para presidente, pois nos Estados a votação continuara seguindo a tendência anterior.

Bem, repita-se ad nauseam que o apagão na contagem mudou justamente apenas a tendência dos votos de Lula, que conseguiu ter espantosa recuperação e evitou a derrota no primeiro turno, vejam que coincidência…

Mas vida que segue, como diria João Saldanha, e precisamos abordar agora as novas previsões dos institutos, que voltam a indicar empate técnico, igual à do primeiro turno que não deu certo, e mais uma vez as pesquisas apontam tendência de alta de Lula e de baixa de Bolsonaro. Mas quem se interessa? Todos acham normais as evoluções e os requebros das pesquisas, para justificar o injustificável no desfile da Sapucaí eleitoral.

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P.S. 1
– Nas últimas pesquisas, chamaram minha atenção os resultados da mineira Quaest, que disse ter entrevistado os 22 por cento que não compareceram no primeiro turno, anularam os votos ou fizeram votos em branco. E esses misteriosos eleitores, em sua maioria, disseram que agora estão com Lula e não abrem.

P.S. 2 – Também despertou meu interesse a notícia de que a Datafolha concluiu que no segundo turno Flávio está na frente com 51% a 49% dos votos válidos. Mas o pior para Lula é que sua rejeição é de 46% e Flávio tem mesmo, 44%. Em tradução simultânea, cruzando-se os dois indicadores, isso significa que Flávio Bolsonaro já ganhou a eleição, mas ainda não sabe… (C.N.)

Por que o Deus israelita e cristão iria escolher só alguns para dar sua graça?

Deus de israel

Reflexões sobre o Deus voluntarioso de Israel e dos cristãos

Luiz Felipe Pondé
Folha

O Deus de Israel e dos cristãos é um Deus voluntarioso. Ele escolhe os seus. E, quando o faz, o objeto da sua escolha é tomado de assalto, sem que se possa oferecer resistência. Este é um traço deste que é o maior personagem da literatura ocidental — não falo aqui do ponto de vista da fé, não porque a negue como experiência humana essencial, mas, sim, porque não é o meu ponto de vista.

Se ampliarmos o olhar sobre a história das religiões, veremos que esse caráter voluntarioso é um traço comum aos deuses e deusas em geral. Por exemplo, na tragédia de Eurípides, “Fedra”, Afrodite decide castigar Hipólito pelo fato de ele adorar apenas a deusa Ártemis. Esse castigo virá pela paixão por ele que ela lançará sobre sua madrasta Fedra, causando muita destruição.

VONTADE DIVINA – Uma causa possível desse elemento voluntarioso das divindades pode ser a experiência que temos, desde sempre, de que estamos à mercê de elementos exteriores e interiores que nos assolam. No limite, sentimos que não escapamos da “vontade dos deuses” e, portanto, buscamos negociar com essa vontade via sacrifícios, oferendas, orações, liturgias e lágrimas.

Temor e tremor são nossa sina. Atribuímos uma intenção a tudo o que nos acontece e que não podemos controlar. Decifrar essa intenção é parte do exercício da fé nos deuses. O ato de decifrar sua vontade é fundamental para atribuirmos sentido às coisas que nos acontecem ao longo da vida e da história. Precisamos de água, comida e sentido para viver.

Assim sendo, o Deus israelita não é absolutamente original no seu caráter voluntarioso. Se olharmos para o personagem em questão, principalmente no Velho Testamento ou na Bíblia hebraica, ele apresenta traços comuns aos deuses da Antiguidade, a começar pelo fato de que ele escolhe um povo e combate ao lado dele. Esse mesmo povo será aquele que narrará a história desse Deus e das suas escolhas, envolvendo o chamado povo eleito.

ELEITOS POR DEUS – Se mergulharmos nessa narrativa, veremos que ele tem seus eleitos. Abel, filho de Adão e Eva, morto pelo irmão Caim, desprezado por Deus. Noé e sua família, os eleitos para sobreviver ao dilúvio. Os profetas, vítimas da mão pesada de Deus sobre suas cabeças, mensageiros de tantas notícias devastadoras.

O rei Davi, o bem-amado de Deus, apesar do seu caráter libidinoso, ambicioso e violento, muitas vezes. Nos Salmos atribuídos a ele —provavelmente não escritos por ele, pelo menos na sua totalidade—, percebem-se já traços da doçura de Deus, assim como da sua misericórdia, ao lado do seu duro julgamento dos ímpios.

SOMOS PÓ – No Eclesiastes, atribuído ao rei Salomão, filho do rei Davi e Bate-Seba, é muito claro que somos pó ou nuvem de nadas diante da vontade de Deus. Este acima do Sol, e nós abaixo do Sol. Vaidade das vaidades, tudo não passa de vazio.

Quando o salmista diz que sua vida não passa de uma sombra que passa, cuja grandeza ínfima cabe na palma da mão de Deus, trata-se da mesma “cosmologia bíblica”, descrita no Eclesiastes, em que somos pó diante da vontade infinita de Deus. O Eclesiastes fala do nosso lugar no universo, uma nuvem de nadas.

Essa condição cosmológica fere nosso orgulho e nossa pretensão de suficiência. Determina, assim, nossa insuficiência diante do mundo e de Deus. Enfim, nossa vulnerabilidade estrutural, ou ontológica, como se costuma dizer em filosofia.

No Novo Testamento, repete-se esse caráter voluntarioso, mesmo que de algum modo atenuado na sua violência —se excluirmos a paixão de Cristo, em si, um ato de enorme violência, reconhecido pelo próprio Cristo, seja em Getsêmani, seja na cruz.

PAIXÃO DE CRISTO – Maria, mãe de Jesus, “teotókos” —mãe de Deus—, como dizem os gregos ortodoxos, também é escolhida à revelia da sua vontade e sofrerá por ver o martírio do seu filho amado. Jesus escolhe seus apóstolos de forma voluntariosa, arrancando-os das suas vidas comuns e lançando-os ao martírio.

Ao longo da história posterior ao período bíblico, o dito povo eleito será lançado aos leões inúmeras vezes, culminando no Holocausto — que recebe esse nome, justamente, pelo caráter teológico atribuído ao massacre dos judeus pelos nazistas — e no Sete de Outubro. A suspeita de que a mão de Deus se manifesta em toda a história do povo eleito revela o peso desta mesma mão sobre a cabeça desse povo feito de sacerdotes.

Já no cristianismo, a ideia de graça —”cháris”, nas cartas de Paulo— virá coroar a vontade de Deus com uma beleza que lhe é peculiar. A gratuidade ou contingência da graça encanta e atordoa a consciência cristã. Por que Deus escolheria alguns para dar a sua graça e não a todos?

Itália marca para 29 de outubro a audiência sobre extradição de Zambelli

Carla Zambelli está em liberdade na Itália

Deu no O Globo

A Justiça italiana marcou para 29 de outubro uma nova audiência para reanalisar o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). As autoridades brasileiras requereram ao país europeu que a ex-parlamentar seja enviada ao Brasil para cumprir a pena pela condenação por perseguir, com uma arma, um homem pelas ruas de São Paulo, em 2022.

Carla está em liberdade na Itália depois de a Corte Suprema de Cassação em Roma anular o pedido de extradição feito pelo governo brasileiro e determinar sua soltura imediata. O requerimento apresentado pelo Brasil voltou ao patamar inicial e deverá ser submetido a um novo julgamento.

MAIS GARANTIAS – As autoridades italianas pediram mais garantias do governo federal e do Supremo Tribunal Federal (STF) do tratamento que Carla poderia receber no sistema prisional brasileiro, considerando seu estado de saúde. Segundo o g1, os dados já foram fornecidos, o que viabilizou o agendamento da reavaliação do caso.

A decisão da Justiça italiana de libertá-la foi tomada na mesma semana em que o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotassem providências para viabilizar a extradição da bolsonarista. A ordem de Moraes teve como base uma decisão anterior da Justiça italiana, em Roma, favorável ao pedido brasileiro.

Dois processos estão ligados às condenações impostas pelo STF à ex-parlamentar. No caso da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Carla Zambelli foi condenada a dez anos de prisão. Foi com base nessa sentença que o Brasil solicitou sua extradição à Justiça italiana, que em março havia dado parecer favorável ao pedido.

SEGUNDO PEDIDO – Mas a decisão da Corte de Cassação alcançou também o segundo pedido de extradição apresentado pelo Brasil, relacionado à condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

A ex-deputada bolsonarista, que tem cidadania italiana, deixou o Brasil em maio de 2025, passando pelos Estados Unidos antes de se mudar para o país europeu. Dois meses depois, ela foi incluída na lista da Interpol, foi presa e afirmou que queria ser julgada na Itália.

AUTORIZAÇÃO – Em setembro deste ano, Carla pediu ao STF autorização para retornar temporariamente ao Brasil durante a eleição, sob a garantia de não ser presa, com o argumento de que pretendia votar na mãe, Rita Zambelli, candidata a deputada federal em São Paulo.

Rita não foi eleita, mas o irmão da ex-deputada Bruno Zambelli conseguiu ser reconduzido nas urnas a deputado estadual por São Paulo. Filiado ao PL, ele buscava permanecer na Assembleia Legislativa. O candidato recebeu 82.946 votos.

PL explica a estratégia de Flávio contra Lula no debate da TV Band

TSE cobra neutralidade da Meta após denúncia de tratamento desigual entre Lula e Flávio

Governo Lula reage a ameaças de Eduardo Bolsonaro contra o Itamaraty

Diplomata critica tentativas de intimidação por Eduardo

Fábio Zanini
Folha

Número dois da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, o diplomata Marcelo Costa reagiu a uma nova postagem do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro em que ameaça retaliar a atual gestão do Itamaraty.

No texto, Eduardo, que vive nos EUA e é cotado para ser chanceler em eventual governo do irmão Flávio, critica a existência de uma “Assessoria de Participação Social e Diversidade” e de uma “Assessoria Especial para a Transversalização de Gênero” no Ministério das Relações Exteriores.

NARRATIVA – “Não é piada. É o seu imposto”, diz o ex-deputado, que acrescenta que “isso não é diplomacia, é aparelhamento”. Ele finaliza dizendo que “se Deus quiser, em 2027 isso acaba”, em referência à possível eleição de Flávio.

Secretário-executivo da pasta, que é a responsável pela coordenação política do governo Lula, Costa afirmou em uma postagem no Instagram que “mais uma vez testemunhamos uma lamentável tentativa de intimidação e ataque ao Itamaraty por parte do ex-deputado Eduardo Bolsonaro”.

Segundo o diplomata, “os alvos são sempre os mesmos: os servidores públicos, a sociedade civil (no fundo, a própria essência da democracia) e as mulheres em particular”. “Trata-se claramente de mais uma tentativa por parte dele de disseminar desinformação e sorrateiramente defender interesses estrangeiros e não dos brasileiros”.

RETALIAÇÕES – Entre servidores do Itamaraty o clima de preocupação com possíveis retaliações de um eventual governo Flávio é grande, em razão das ameaças abertas proferidas por Eduardo.

No final de setembro, em um vídeo, o deputado eleito prometeu que haverá uma “faxina” no Itamaraty, como punição a diplomatas que teriam sabotado o governo de seu pai, Jair Bolsonaro.

O que a Polícia Federal diz sobre a reunião de sua cúpula com Moraes no Supremo

Para eleger Lula, PT quer manipular os votos nulos, brancos e abstenções

Charge do Billo (Arquivo Google)

Duarte Bertolini

Se mantivermos pelo menos dois neurônios funcionando e permanecermos distantes do circo tresloucado e irreal dos fanatizados de plantão (e de cores variadas) é sempre impressionante acompanhar as movimentações dos exércitos durantes as batalhas, especialmente as eleitorais.

Por isso os generais, desde a antiguidade, pouco se envolviam diretamente nas lutas. É claro que existiam generais guerreiros, que participavam  dos combates junto aos legionários, mas geralmente tinham de se manter em posições elevadas, para vislumbrar os cenários amplos e raciocinar sobre as melhores estratégias para derrotar o inimigo.

TENDÊNCIA – Logo após a votação do primeiro turno, ao ouvir as manifestações, quase em coro e numa só direção, contra Lula, seus acólitos do PT e a imprensa amestrada, cheguei a comentar esse fenômeno, 

Agora, nota-se o contrário: há um esforço descomunal dos petistas visando à conversão massiva dos que votaram em branco, anularam o voto ou sequer compareceram.

Os adeptos de Lula estão animados e confiam que algum Deus socialista, preocupado com o sofrimento de seu povo, possa descer dos céus. Diferentemente da Bíblia, porém, não será o Mar Vermelho que se abrirá; desta vez os mares brasileiros é que se tornarão vermelhos.

CASO PROCONSULT – Desde o escândalo Proconsult em 1982 ,denunciado pelo jornalista Pedro do Coutto no Jornal do Brasil, evitando o golpe eleitoral para derrotar Leonel Brizola no Estado do Rio, o caminho da roça para a vitória extra-eleitoral está bem definido – basta manipular abstenções, votos brancos e nulos.

Assim, mais de 40 anos depois, a História estaria se repetindo como farsa, e os petistas se dedicam à explorar o redirecionamento dos votos nulos, em branco e das abstenções, para inverter o resultado do primeiro turno e reeleger o ainda presidente Lula.

Mas uma manobra desse tipo não acontece de uma hora para outra. É preciso estratégia, adesão de grupos e entidades, controle das pesquisas, para aos aos poucos formar na opinião pública o sentimento de que a virada é possível.

ROLO COMPRESSOR – A estratégia petista foi bem delineada e o rolo compressor começou a se mover. Até mesmo a Tribuna da Internet, que opera sob o signo da liberdade e sempre busca a isenção, desta vez tem suas páginas tomadas por uma enxurrada de artigos da grande imprensa e de supostos juristas, economistas, malabaristas e vigaristas de sempre, para comprovar que estaria ocorrendo uma virada em favor do dilúvio petista.

Os autodenominados institutos de pesquisas nem precisam ser convocados. Estão em regime de plantão, sempre preparados para um faturamento extra.

E a cada momento nos deparamos com artigos de renomados jornalistas que tudo legitimam e tudo condenam ou avisam (como se alguém precisasse deles para o bem do Brasil). Por tudo isso,  vamos preparando o estômago e mantendo distanciamento para evitar  contaminação e preservar nossa mente. Vamos ganhar no voto, como estamos fazendo até agora, para conseguir uma desinfecção da política, limpando a imundície e eliminando as bactérias que hoje contaminam os três Poderes.

Lula transforma promulgação do fim da escala 6×1 em demonstração de força

Sessão expõe sintonia de Lula, Alcolumbre e Motta

Victoria Azevedo
O Globo

A promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 reuniu autoridades do Executivo e do Legislativo, além de integrantes da coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A sessão expôs o clima amistoso entre o petista e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e foi marcada pela ausência de aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do próprio presidenciável.

A sessão desta sexta-feira mostrou um alinhamento entre os chefes do Congresso e Lula em meio ao processo eleitoral, num momento em que os partidos dos dois parlamentares anunciaram apoio a Flávio. Antes de começar a sessão, Alcolumbre recebeu Lula na porta da sala da presidência do Senado. Eles ficaram no local por cerca de dez minutos e saíram andando lado a lado com Motta até entrarem no plenário.

INFLUÊNCIA – O presidente posou para fotos e cumprimentou aliados no caminho até a mesa das autoridades. Pouco antes de começar a sessão, o ex-ministro da Educação Camilo Santana se levantou e levou ao presidente uma cópia da Constituição — exemplar que Lula ergueu no momento em que foi promulgada a PEC e depois após encerrar seu discurso. Camilo passou a ser um dos aliados mais próximos do presidente e ganhou influência junto à coordenação da campanha do petista após o resultado das urnas no primeiro turno.

Ao longo da sessão, Alcolumbre e Lula cochicharam ao pé do ouvido algumas vezes. Em uma delas, as duas autoridades deram risadas. Os dois congressistas fizeram falas elogiosas a Lula. Motta disse que “quis Deus que nosso destino fosse cruzado com esse grande brasileiro” antes de citar o nome do petista. Alcolumbre, por sua vez, afirmou que a presença do presidente na sessão reforçava “imensamente a importância deste momento para o país”. O chefe da República abriu sua fala citando as autoridades presentes e chamou Motta e Alcolumbre de seus amigos.

PANO DE FUNDO – O clima amistoso tem como pano de fundo as eleições. Lula e Alcolumbre ficaram três meses sem se falar, mas retomaram o contato em agosto, com objetivo do presidente em destravar as propostas de um pacote eleitoral no Congresso. Motta declarou apoio público a Lula antes do primeiro turno, posou para fotos usando bonés vermelhos com o nome do petista e participou de atos eleitorais do presidente na Paraíba. Alcolumbre destravou as pautas de interesse de Lula. Às vésperas do primeiro turno, pautou a PEC do fim da escala 6×1, bandeira da campanha do petista.

Lula citou o momento de ruído na relação com Alcolumbre no discurso e fez uma fala acenando a deputados e senadores ao dizer que o voto que elege o presidente da República é o mesmo que elege os parlamentares (“o voto de um não é melhor que o voto de outro, são iguais, é o mesmo povo que está votando”). “Outro dia, parecia que eu e você (Alcolumbre) éramos dois inimigos”, disse Lula.

DIVERGÊNCIAS – Alcolumbre, então, respondeu: “Eu não fui avisado disso”. O presidente seguiu: “De vez em quando tem uma futrica colocando a inimizade do presidente da República, os deputados, os senadores. Isso é uma bobagem (…) Muitas vezes é ruim a nossa convivência por conta da divergência, mas sem ela seria muito pior. Se eu não pudesse divergir de vocês e vocês de mim, a democracia estava sendo jogada no lixo. Quero parabenizar o Congresso Nacional, Senado e Câmara, por esses dois presentes que deram ao povo brasileiro”.

Além dos interesses eleitorais nos respectivos estados, os parlamentares querem apoio de Lula, do governo e do PT para buscar a recondução no comando da Câmara e do Senado, em fevereiro de 2027. Por isso, contam com a eleição do petista. Os dois estão pressionados após o PL aumentar expressivamente a sua bancada e demonstrar interesse em lançar candidatos. Um integrante da campanha de Lula que acompanhou a cerimônia disse que a retomada da relação entre eles tem sido importante nesta reta final e fala do “modo sobrevivência” de Alcolumbre. O chefe do Senado enfrenta mais dificuldades para conseguir se reeleger.

O presidente vinha sendo aconselhado por aliados a acompanhar in loco a promulgação da PEC, reforçando a vinculação do tema ao seu governo. A proposta é uma bandeira eleitoral e vitrine de sua gestão. As duas primeiras fileiras do plenário foram ocupadas por ministros do governo —a primeira-dama, Janja da Silva, acompanhou a cerimônia em uma dessas cadeiras. Atrás, integrantes da campanha de Lula, como o presidente do PT, Edinho Silva, o ministro da Secom licenciado Sidônio Palmeira, o presidente do PSB, João Campos, e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT).

AUSÊNCIA DE FLÁVIO –  A sessão desta sexta foi marcada também pela ausência de aliados de Flávio Bolsonaro e do próprio candidato à Presidência —nenhum senador alinhado ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro compareceu. Flávio está no Rio de Janeiro. Integrantes da oposição mais distantes de Flávio também não aparecerem, apesar da Casa ter se posicionado majoritariamente a favor da proposta, com 75 votos a favor e apenas um contra, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

O presidenciável tem sido criticado por Lula e aliados pela atuação contrária ao avanço do fim da escala de trabalho 6×1. O senador fez uma série de declarações críticas à PEC, defendeu uma proposta alternativa em que os trabalhadores negociem jornadas flexíveis junto a seus empregadores e atuou para adiar a votação da proposta.

Na véspera, entretanto, recuou e deu declaração favorável à medida, diante da pressão popular e mirando evitar desgastes nas urnas. Ele não participou da votação na quarta-feira, no entanto. Votou favorável à distância. A interlocutores do setor empresarial disse que a PEC poderá ser revisada pelo Congresso, caso ele seja eleito presidente da República.

A seca e a chuva pintam os dois quadros sertanejos de Patativa do Assoré

Meus versos é como semente Que nasce... Patativa do Assaré - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme podemos perceber no poema “Dois Quadros”, que mostra o cotidiano do nordestino em busca de melhores condições de vida.

DOIS QUADROS
Patativa do Assaré

Na seca inclemente do nosso Nordeste,
O sol é mais quente e o céu mais azul
E o povo se achando sem pão e sem veste,
Viaja à procura das terra do Sul.

De nuvem no espaço, não há um farrapo,
Se acaba a esperança da gente roceira,
Na mesma lagoa da festa do sapo,
Agita-se o vento levando a poeira.

A grama no campo não nasce, não cresce:
Outrora este campo tão verde e tão rico,
Agora é tão quente que até nos parece
Um forno queimando madeira de angico.

Na copa redonda de algum juazeiro
A aguda cigarra seu canto desata
E a linda araponga que chamam Ferreiro,
Martela o seu ferro por dentro da mata.

O dia desponta mostrando-se ingrato,
Um manto de cinza por cima da serra
E o sol do Nordeste nos mostra o retrato
De um bolo de sangue nascendo da terra.

Porém, quando chove, tudo é riso e festa,
O campo e a floresta prometem fartura,
Escutam-se as notas agudas e graves
Do canto das aves louvando a natura.

Alegre esvoaça e gargalha o jacu,
Apita o nambu e geme a juriti
E a brisa farfalha por entre as verduras,
Beijando os primores do meu Cariri.

De noite notamos as graças eternas
Nas lindas lanternas de mil vagalumes.
Na copa da mata os ramos embalam
E as flores exalam suaves perfumes.

Se o dia desponta, que doce harmonia!
A gente aprecia o mais belo compasso.
Além do balido das mansas ovelhas,
Enxames de abelhas zumbindo no espaço.

E o forte caboclo da sua palhoça,
No rumo da roça, de marcha apressada
Vai cheio de vida sorrindo, contente,
Lançar a semente na terra molhada.

Das mãos deste bravo caboclo roceiro
Fiel, prazenteiro, modesto e feliz,
É que o ouro branco sai para o processo
Fazer o progresso de nosso país.

Para se eleger, Lula oferece até ônibus de graça todo final de semana

Lula tira do bolso do eleitor o dinheiro que distribui para ganhar esta eleição

Lula vê caminho para acordo com Trump: 'Quem deve estar preocupado conosco  são os EUA' – Partido dos Trabalhadores

Renata Lo Prete serviu de apoio para Lula poder se exibir

FABIANO LARA
Estadão

Se o populismo tem deuses, eles devem estar em júbilo, em algum paraíso celeste, pelo que ocorre nestes dias frenéticos no Brasil. Para vencer as eleições, candidatos rasgam seus princípios e apoiam causas que sempre condenaram.

Temos, por exemplo, Lula a abandonar um dogma da esquerda, sobre criminalidade, e anunciar apoio à diminuição da maioridade penal, nesta quinta-feira, em pleno Jornal Nacional. Temos o supostamente liberal Flávio Bolsonaro a corroborar o enrijecimento das leis trabalhistas, pelo fim da escala 6 por 1, na contramão de suas ideias de maior flexibilização.

DINHEIRO SOLTO – Porém, o que deixa os deuses mais felizes são os bilhões e bilhões a serem gastos em promessas. Não convêm, entretanto, para evitar a ira divina, dizer quem irá pagar tudo isso. Porque será você mesmo, o eleitor.

Em se tratando de benefícios oferecidos pelo Estado, a palavra “grátis” é uma distorção. Tudo será pago ou pelo contribuinte, por meio de impostos, ou pelo governo a entrar no cheque especial, por meio de emissão de dívidas – que um dia também serão pagas pelos brasileiros, incluindo as altíssimas taxas de juros.

GASTANÇA – O preço das bondades de Lula, feitas com o dinheiro do eleitor, chegam a R$ 298,4 bilhões apenas para 2026, de acordo com o estudo feito pela Instituição Fiscal Independente, órgão de qualidade técnica do Senado Federal.

Como o Brasil possui cerca de 158 milhões de eleitores, é possível até criar um lulômetro: o preço das promessas chega a R$ 1.888,00 anual para cada pessoa apta a estar nas urnas no próximo dia 25 de outubro.

É o valor para bancar ações anunciadas nas últimas semanas, como o reajuste do programa Bolsa Família, o perdão da dívida dos microempreendedores, o novo Desenrola de renegociação de dívidas das famílias, a desoneração nos combustíveis, os novos recursos para habitação e os créditos voltados para compra de motocicletas e tudo mais.

ATUALIZAÇÃO – Este valor do lulômetro precisa ser atualizado a cada dia, pois a Instituição Fiscal Independente (IFI) aparentemente ainda não inclui nas contas a última promessa de tarifa zero de transporte público nos fins de semana.

A medida pode chegar a R$ 16 bilhões, o que nos permite, em conta de padaria, dizer que o custo individual do populismo explícito, neste momento, está em R$ 2.000 por votante brasileiro.

Conforme memes que circulam no subterrâneo das redes, que o governo Lula 3, aparentemente tem feito mais no último mês do que nos últimos quatro anos. Nada como um risco de perda de poder para as pessoas se mexerem. Pena que o dinheiro utilizado para isso não seja deles.

TAMBÉM FLÁVIO – Lula não está sozinho na promoção da avalanche populista. Flávio Bolsonaro fala em cortes, mas não indica de modo aritmeticamente plausível como implantará suas medidas.

O que se pode deduzir sobre isso é que ambos os candidatos partem da suposição de que o brasileiro comum é absolutamente ignorante em questões econômicas e tende achar que dinheiro público sai diretamente da carteira mágica dos tais deuses hipotéticos do populismo, que jogariam recursos mágicos do céu.

Como se diz no velho ditado popular: “É fácil fazer cortesia com o chapéu dos outros”.

Lula deve ir ao Congresso para transformar fim da 6×1 em trunfo eleitoral

Bandeira eleitoral de Lula, proposta foi aprovada no Senado

Victoria Azevedo
Sérgio Roxo
O Globo

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm o aconselhado a participar da cerimônia de promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1, uma das bandeiras eleitorais na sua tentativa de reeleição.

De acordo com interlocutores do petista, a tendência é que ele compareça ao Senado para acompanhar a cerimônia, que deve ocorrer na próxima semana. Um dos empecilhos, na avaliação de pessoas próximas, é a agenda de campanha, uma vez que o chefe do Executivo deverá viajar pelo país na última semana antes do segundo turno das eleições.

CAPITALIZAÇÃO – A avaliação, no entanto, é que seria importante a presença de Lula no ato de promulgação para que ele possa capitalizar o que a campanha considera um trunfo eleitoral para o petista. Além disso, é um tema visto como munição para ataques a seu adversário no pleito, Flávio Bolsonaro (PL).

O senador fez uma série de declarações críticas à PEC, defendeu uma proposta alternativa em que os trabalhadores negociem jornadas flexíveis junto a seus empregadores e atuou para adiar a votação da proposta. Na véspera, entretanto, recuou e deu declaração favorável à medida. Ele não participou da votação na quarta-feira, no entanto. Votou favorável à distância. A interlocutores do setor empresarial disse que a PEC poderá ser revisada pelo Congresso, caso ele seja eleito presidente da República.

A PEC foi aprovada no Senado na noite de quarta-feira, por 75 votos favoráveis e 1 contrário. Após o resultado ser proclamado, pessoas que acompanhavam a votação no plenário puxaram coro de “olê, olê, olá, Lula, Lula”. Integrantes da comunicação da campanha do petista estavam no plenário gravando vídeos que deverão ser levados ao horário eleitoral de Lula. O presidente já tem reforçado a defesa do fim da escala 6×1, e agora isso deverá ser intensificado, segundo aliados.

IN LOCO – O presidente vinha sendo aconselhado por aliados a acompanhar in loco a votação da PEC, reforçando a vinculação do tema ao seu governo. A ideia, no entanto, dividia auxiliares. Políticos de seu entorno pregavam cautela para o movimento, diante da possibilidade de parlamentares da oposição usarem a presença do petista em plenário para atacá-lo.

Desde que assumiu o terceiro mandato, Lula esteve somente uma vez no Congresso: ele participou de evento que marcou um ano dos ataques golpistas do 8 de janeiro, realizado em 2024 no Salão Negro do Congresso.

A ideia, agora, é que um evento institucional no Congresso, com a promulgação, coibiria ataques e discursos críticos dos parlamentares da oposição. Além disso, reforçaria a imagem de que a proposta só avançou diante do empenho do próprio Lula para destravar essa votação.

A escala 6×1 entra na disputa e pode mudar o rumo da eleição

Fim da escala 6×1 pode mudar os rumos da campanha

Pedro do Coutto

A aprovação pelo Senado da proposta que põe fim à escala 6×1 introduz um novo elemento na disputa presidencial brasileira justamente no momento em que a eleição se tornou mais imprevisível. A PEC foi aprovada em dois turnos por 75 votos a 1 e prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho, dos atuais 44 para 40 horas semanais, além de assegurar dois dias de descanso por semana. A transição começa com 42 horas e chega às 40 horas após 14 meses. Na prática, consolida-se a lógica da escala 5×2, sem redução salarial.

O timing político não poderia ser mais significativo. A primeira pesquisa Quaest do segundo turno, divulgada em 14 de outubro, mostrou Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto e Luiz Inácio Lula da Silva com 44%. Com margem de erro de dois pontos percentuais, os números configuram empate técnico. Mais do que indicar uma vantagem estreita do candidato do PL, o levantamento confirma que a diferença que existia anteriormente se tornou suficientemente pequena para que novos acontecimentos da campanha possam interferir na percepção dos eleitores.

DIMENSÃO ELEITORAL – É nesse ambiente que a redução da jornada ganha dimensão eleitoral. O tema não é apenas uma alteração na legislação trabalhista. Para milhões de trabalhadores submetidos a jornadas extensas e com apenas um dia de descanso, a mudança pode ser percebida como uma intervenção concreta na vida cotidiana: mais tempo para a família, para o descanso, para o lazer e para outras atividades que a rotina de seis dias de trabalho frequentemente restringe. É justamente essa dimensão concreta que transforma uma discussão legislativa em assunto de campanha.

O governo Lula tem razões para tentar associar a aprovação à sua agenda política. A proposta oferece ao presidente uma oportunidade de apresentar uma medida de forte apelo social num momento em que a disputa deixou de ser explicada apenas por grandes temas macroeconómicos ou pela avaliação do governo. A campanha passa a disputar também aquilo que o eleitor consegue imaginar a partir da própria rotina. Duas folgas semanais e uma jornada menor são conceitos muito mais fáceis de visualizar do que indicadores económicos ou compromissos de longo prazo.

Mas seria um erro considerar que a aprovação garante automaticamente uma vantagem eleitoral para Lula. A própria votação do Senado mostra que a proposta atravessou fronteiras partidárias e recebeu apoio muito amplo. Flávio Bolsonaro, por exemplo, votou favoravelmente. Isso dificulta uma apropriação exclusiva da medida por qualquer candidatura e abre espaço para que a direita procure apresentar o resultado como uma conquista do Congresso e não como uma realização exclusiva do governo.

POLARIZAÇÃO – A disputa, portanto, não será apenas sobre quem apoiou a redução da jornada, mas sobre quem conseguirá convencer o eleitor de que esteve efetivamente ao lado dos trabalhadores. Esse detalhe é decisivo. Em uma eleição polarizada, a tentativa de transformar uma política pública amplamente apoiada numa propriedade exclusiva de um candidato pode produzir efeito contrário, sobretudo quando o adversário também votou a favor.

Há ainda outra dimensão relevante. A escala 6×1 vinha sendo discutida no Congresso muito antes da reta final da campanha. A aprovação agora, entretanto, altera o valor político do tema porque coincide com uma eleição na qual poucos pontos percentuais separam os dois candidatos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acelerou a tramitação justamente para que a votação ocorresse antes do segundo turno, e a própria discussão sobre o calendário já estava inserida no ambiente eleitoral.

Isso significa que o impacto da medida dependerá menos da votação parlamentar em si do que da capacidade de cada campanha de transformar a decisão em narrativa. Lula tentará apresentá-la como resultado de uma agenda voltada à melhoria das condições de trabalho. Flávio poderá argumentar que apoiou a proposta e tentar impedir que o governo monopolize a pauta. No centro dessa disputa estará um eleitor que não necessariamente acompanha a tramitação constitucional, mas entende perfeitamente o significado de trabalhar seis dias e descansar apenas um.

MOBILIZAÇÃO – É aí que a eleição pode ganhar uma nova dinâmica. O segundo turno não está sendo decidido apenas pela preferência consolidada entre lulistas e bolsonaristas. Há também uma parcela do eleitorado que pode ser mobilizada por questões diretamente relacionadas ao emprego, à renda, ao tempo disponível e à qualidade de vida. A redução da jornada toca exatamente esse terreno.

A prudência, contudo, recomenda não transformar a aprovação da PEC numa explicação automática para uma eventual mudança nas pesquisas. Eleições são resultado de múltiplos fatores, e a proximidade entre Lula e Flávio já estava estabelecida antes da votação. A pesquisa Quaest mostra, inclusive, rejeições muito próximas: 54% para Flávio e 53% para Lula. O quadro é de elevada resistência aos dois candidatos, o que torna especialmente relevante a capacidade de cada campanha de conquistar os eleitores ainda suscetíveis à mudança de posição.

NOVA VARIÁVEL – O que a escala 6×1 faz, portanto, é acrescentar uma variável nova a uma disputa que já estava no limite. Ela coloca no centro da campanha uma questão que combina economia, direitos sociais e vida cotidiana. E, numa eleição tão equilibrada, não é necessário que uma medida conquiste milhões de novos eleitores para produzir efeitos políticos. Basta que ela altere a percepção de uma parcela suficientemente grande dos indecisos ou dos eleitores pouco mobilizados.

A eleição entra, assim, numa fase em que a vantagem numérica importa menos do que a capacidade de cada candidato de transformar fatos concretos em significado político. O fim da escala 6×1 pode não decidir sozinho quem ocupará o Palácio do Planalto. Mas chega num momento em que qualquer mudança relevante na agenda da campanha pode pesar. Quando a diferença entre os candidatos cabe dentro da margem de erro, o que parecia ser apenas uma decisão do Congresso pode tornar-se também uma disputa sobre quem representa melhor o futuro do trabalho no Brasil.

Flávio promete ajuste fiscal, mas suas propostas elevam a conta

Mulheres avançam no Congresso, mas os partidos continuam a travar a paridade

É comovente o esforço da mídia e das pesquisas para fortalecer Lula e o PT

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: De olho nas pesquisas

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Carlos Newton

O mundo mudou demais, mas aqui no Brasil a rebordosa foi muito mais arrasadora e hoje reina a absoluta esculhambação. Não se pode mais acreditar no Supremo Tribunal Federal, a imprensa perdeu totalmente a dignidade, não adianta nem pagar plano de saúde, porque você é mal atendido da mesma maneira, o ser humano comum sente-se indefeso, a classe média vive enclausurada atrás das grades dos condomínios, a vida noturna caminha para um estado terminal.

É neste clima que nos preparamos para uma nova eleição presidencial, que felizmente começa dia 25,  num domingo de manhã. Aliás, se a votação fosse à noite, a imensa maioria dos eleitores nem compareceria, é melhor não se arriscar saindo às ruas sem motivo justo.

PESQUISAS IMORAIS – A desconfiança avança. Quando ninguém consegue acreditar que o Supremo possa ser moralizado sem que haja uma leva de impeachments, e quando não se pode confiar no presidente da República e nos dirigentes do Congresso Nacional, ora, nesse contexto, quem ainda consegue acreditar nas pesquisas eleitorais?

O tal instituto mineiro Quaest, um dos nossos Oráculos de Delfos, tem a desfaçatez de nos garantir que “43% dos que anularam, votaram em branco ou não foram às urnas no primeiro turno, contingente que representa cerca de 22% do eleitorado, afirmam escolher o presidente  Lula da Silva (PT) no próximo dia 25”.

E vai além o tal Quaest, ao afirmar que “0 número corrobora a estratégia do petista no segundo turno, que tem focado em apelos para aqueles que não votaram no último dia 4”. Caramba! Como eles descobriram tudo isso?

PIADA DO ANO – Essas pesquisas são sucessões de Piadas do Ano. Os responsáveis (se é que podem ser chamados assim) entrevistaram apenas 2.154 eleitores em 124 municípios.

Para pesquisar o quesito mencionado e que favorece Lula, o instituto teve de fazer a seguinte pergunta: “Você votou em alguém no primeiro turno?”. Para haver veracidade, 22% dos 2.154 entrevistados  (ou apenas 474 eleitores) teriam dito que não votaram, para corresponder aos 22% da eleição no primeiro turno.  E entre  esses 474 eleitores que a imaginosa pesquisa inventou, 283 então teriam confessaram que agora se entusiasmaram e decidiram votar em Lula, dando motivos a essa euforia antecipada.

É impressionante, mas ainda há quem acredite numa bobajada dessas.

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P.S. 1 – Trabalhei 4 anos no IBGE, antes de começar minha carreira de jornalista na Editoria de Política de O Globo, com Antonio Viana de Lima, Carlos Chagas e Jair Rebelo Horta. Aprendi muita coisa lá no IBGE. A principal foi a verdadeira definição de Estatística: “É a arte de torturar os números até que eles confessem os fins que almejamos”. Por fim, esses especialistas deveriam chamar o instituto de “Equaest” e dedicá-lo não só a pesquisas de equinos, mas também de asininos, que incluem os jegues, jumentos e jericos.

P.S. 2 –  Amanhã, voltaremos ao assunto, com uma surpreendente tradução simultânea da pesquisa DataFolha, que aponta vitória de Flávio Bolsonaro. (C.N.)

OAB propõe limitar decisões individuais de ministros do STF

Conselho quer restringir decisões monocráticas

Leticia Moreira
CNN

O Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) defendeu em medida aprovada nesta quarta-feira (14) limites objetivos para decisões monocráticas, especialmente em “matérias de grande impacto institucional”.

A entidade afirmou em manifesto lançado nesta tarde que “fortalecer a colegialidade dos Tribunais e ampliar a segurança jurídica” estão entre os objetivos da OAB Nacional para o aperfeiçoamento do Poder Judiciário.

REDUÇÃO DO ESPAÇO – “Decisões individuais de natureza cautelar ou com efeitos institucionais relevantes devem ser submetidas ao órgão colegiado competente em prazo razoável. A OAB defende a redução do espaço reservado às decisões monocráticas, sobretudo em matérias de elevada relevância institucional, no controle concentrado de constitucionalidade e em decisões que interfiram diretamente na atuação dos demais Poderes”, afirmou.

A proposta aprovada pelo Conselho Federal também tem o intuito de regulamentar os pedidos de vista, segundo a OAB, com definição de prazo para devolução dos processos e retomada do julgamento.

Para a entidade, a disciplina objetiva contribui para dar maior previsibilidade à tramitação dos processos e evita que a continuidade da apreciação de matérias relevantes fique indefinidamente postergada.

PROPOSTAS – A limitação das decisões monocráticas faz parte de um conjunto de seis propostas aprovadas pela Ordem relacionadas ao Judiciário. Entre as medidas estão o estabelecimento de mandatos com prazo definido para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a adoção de um Código de Conduta para os ministros da Corte e regras claras e proporcionais para situações de conflito de interesse.

A OAB ainda defendeu a criação de vagas ao Supremo destinadas a indicações que não venham do presidente da República, com base no modelo plural do Conselho Nacional de Justiça.

CIRCUSTÂNCIAS PONTUAIS –  O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, disse que as medidas não respondem a episódios específicos, mas que “surgem de circunstâncias pontuais”. “Elas representam bandeiras históricas da advocacia brasileira, construídas ao longo de décadas de compromisso com a Constituição, com a cidadania e com a democracia”, afirmou.

O Conselho Federal instituiu em abril uma comissão de mobilização para reforma do Judiciário e, em setembro, outro comitê para consolidar propostas das seccionais e elaborar o texto final das mudanças propostas a ser apresentado ao Congresso Nacional.

As medidas acontecem em meio à crise que atinge a Suprema Corte nos últimos tempos. A tensão se aprofundou na sessão extraordinária de 15 de setembro, quando o plenário do Tribunal discutiu se os procedimentos relacionados às investigações do Banco Master que envolvem os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam ser analisados em conjunto.

PEDIDO DE VISTA – O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Flávio Dino. Depois, o presidente do STF, Edson Fachin, também adiou o julgamento sobre a atuação de Mendonça na relatoria dos casos envolvendo o Banco Master e as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Dino tem até dezembro para devolver o processo, que ainda segue indefinido.

Como mostrou a CNN, o caso envolvendo o antigo Banco Master completou um mês parado na presidência do STF no domingo (11) desde que Fachin direcionou as investigações e os processos sobre a instituição financeira para o seu gabinete. O magistrado tem represado a análise de pedidos de liberdade de investigados e de outros processos sobre o caso, que aguardam um despacho do Supremo.

Flávio se desespera e cobra artistas conservadores a declarar apoio à sua candidatura

‘Vamos nos posicionar’, diz Flávio a artistas de direita

Isabela Faggiani
Folha

Flávio Bolsonaro (PL) pediu que artistas de direita declarem publicamente apoio à sua candidatura à presidência. Durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quarta-feira (14), o senador cobrou um posicionamento dos famosos na reta final do segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e chamou a cantora Juliette Freire de “mentirosa”.

“Eu quero pedir aos artistas que estão me assistindo agora que são de direita, vamos tomar um risco, vamos botar a cara. Os artistas que estão ligados à esquerda estão botando a cara”, afirmou o candidato, após defender que seus apoiadores intensifiquem a campanha nos últimos dias eantes da votação.

CRÍTICA – Na sequência, Flávio citou Juliette, vencedora do BBB 21, e criticou sua participação em um vídeo publicado na segunda-feira (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida. O conteúdo, narrado pela cantora, questiona a relação do candidato com o bispo JB Carvalho e declarações atribuídas ao religioso sobre a padroeira do Brasil.

“Eu vi hoje aquela menina ex-Big Brother, acho que é Juliette o nome dela, mentindo de novo sobre Nossa Senhora Aparecida. Uma acusação sem pé nem cabeça”, disse. Flávio não detalhou, no trecho da transmissão, qual informação apresentada no vídeo considerava falsa.

O senador, que é evangélico, afirmou respeitar todas as religiões e acusou a esquerda de tentar provocar um conflito entre católicos e evangélicos. “Obviamente que vai passar a eleição, no dia seguinte à eleição, e para sempre Nossa Senhora Aparecida vai continuar sendo a padroeira do Brasil”, declarou.

VISITAS AO PAI – Flávio também criticou o uso da religião durante a campanha e acusou o PT de explorar politicamente a imagem da santa. Na mesma transmissão, comemorou uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que, segundo ele, voltou a permitir visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O pedido de apoio aos artistas ocorre após manifestações públicas de personalidades favoráveis à reeleição de Lula. Ao convocar os famosos alinhados à direita, Flávio afirmou que a disputa ainda não está decidida e pediu maior participação de seus apoiadores na campanha.