Para reverter a derrota, Lula precisa indicar uma jurista negra, de notório saber

Charge do Benett (Folha)

Charge do Benett (Folha)

Roberto Nascimento

A derrota do governo, com a rejeição ao nome de Jorge Messias para ministro do Supremo, e a derrubada do veto presidencial ao projeto da Dosimetria devem servir de lição para o Planalto. Não se pode avaliar nesse momento, quem traiu e quem foi leal, mas, algumas pistas devem ser investigadas.

1 – Culpar o MDB e o PP não me parece correto, porque esses dois partidos estão divididos no apoio ao governo e no apoio à oposição. Logo, não se pode cravar em traição pura e simples. Há uma máxima no Congresso de que o voto secreto dá uma vontade danada de trair.

2 – São favas contadas que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trabalhou intensamente contra a aprovação à indicação de Messias desde novembro, quando Lula preteriu o senador Rodrigo Pacheco, o preferido por Alcolumbre e por grande número de senadores.

3 – Não obteve sucesso a aproximação entre Jorge Messias e o ministro André Mendonça, relator do Caso Master e do INSS, que inclusive trabalhou junto à bancada evangélica. A pressão assustou os senadores envolvidos com Vorcaro e o Careca do INSS. Aprovado, Messias poderia ser mais um voto no STF em apoio ao relator André Mendonça.

4 – Esse movimento do ministro André Mendonça uniu a bancada garantista da Primeira Turma, exceto Carmem Lúcia, e na Segunda Turma, Gilmar e Toffoli, que não viam com bons olhos a chegada de um novo ministro punitivista. No entanto, se suas excelências trabalharam junto a senadores para a rejeição, jamais será confirmado, porque ninguém vai revelar, ficando a dúvida no âmbito da especulação.

5 – Pesou contra Jorge Messias o processo eleitoral e a proximidade do AGU com o PT e os presidentes Lula e Dilma. A oposição em peso, cerca de 30 votos no Senado, de olho nas eleições de outubro, ficou contra Messias, os outros votos, incluindo faltosos, foram de ação de Alcolumbre e traições dos aliados, incluindo senadores do PT. Eles nunca vão revelar, mas o PT da Bahia não vê com bons olhos a delação de Vorcaro, o dono do Master. Em conversas com os senadores da oposição, Messias prometeu rigor na análise do Master.

6 – O presidente Lula, não se empenhou ativamente na aprovação de seu indicado, deixando o AGU, em luta solo, numa via crucis de 5 meses de fritura.

JURISTA NEGRA – Bem fico por aqui, aconselhando o governo a virar essa página, evitar retaliação ao Congresso e finalmente indicar uma mulher, de preferência, jurista negra, o mais rápido possível e enviar para o presidente do Congresso pautar a sabatina.

Tenho absoluta certeza de que, assim, as mulheres podem ocupar as ruas em protesto, até que o Rei Davi, soberano do Congresso, cumpra seu dever constitucional, sob pena de cassação por omissão deliberada. Davi Alcolumbre pode muito, mas não pode tudo, porque ele não é dono do Congresso.

A bola está nas mãos do presidente Lula, para iniciar uma nova partida. Ganha quem jogar melhor e furar as redes.

11 thoughts on “Para reverter a derrota, Lula precisa indicar uma jurista negra, de notório saber”

  1. Já estou cansado dessas condições para a escolha de uma pessoa para um cargo, em especial em instituições públicas. Pelo que temos visto no stf, stj e tcu, o aparelhamento seja por amizade ou afinidades políticas. A única condição seria uma pessoa extremamente competente, seja independente de cor, religião, ou qualquer outro critério

    • Concordo.Por que a condição de ser mulher e negra seria critério de excelência? Independentemente de sexo (não gênero) e cor da pele, os critérios para escolha estão definidos na lei: notório saber jurídico e reputação ilibada.

  2. Escrevi esse combo de motivos da rejeição de Jorge Messias para o STF.
    É como um desastre de avião, não é apenas um motivo, são vários fatores contribuintes.
    É preciso investigar as causas e adotar procedimentos para não repetir a tragédia..
    Retaliar o Congresso é o mesmo que contratar uma crise sem precedentes.

  3. o que vemos na atual conjuntura não é só o veto de um personagem ao STF e sim mais uma sabotagem ao governo porque ao invés do senado priorizar o interesse público procuram fazer por onde satisfazer os interesses da oposição para fazer escolhas de minstro STF que alinhe com o pensamento desta extrema direita. entendo que o governo deve buscar outras alternativas que vai de encontro ao interesse público.

    • Exatamente isso, comentarista Mylcio, o interesse público. Os políticos deveriam observar esse detalhe de suma importância para a sociedade.

  4. O episódio Messias serviu para mostrar que Lula não reúne no momento força política suficiente para aprovar no Congresso uma outra indicação sua.

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