Paulo Peres
Poemas & Canções
O tradutor, jornalista e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994) se tornou um arqueólogo do amor, para fazer um poema à procura do sorriso de sua amada.
EU FIZ UM POEMA
Mário Quintana
Eu fiz um poema
belo e alto
como um girassol de Van Gogh
como um copo de chope
sobre o mármore de um bar
que um raio de sol atravessa.
Eu fiz um poema belo como um vitral
claro como um adro…
Agora, não sei que chuva o escorreu
suas palavras estão apagadas
alheias uma à outra
como as palavra de um dicionário.
Eu sou como um arqueólogo
decifrando as cinzas de uma cidade morta.
O vulto de um velho arqueólogo
curvado sobre a terra…
Em que estrela, amor,
o teu riso estará cantando?
Sério?
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Um dia fiz um poema
E o dediquei à Iracema
Uma que encontrei no cinema
Depois nunca mais a vi
Por São João do Meriti
Onde nasci e sempre vivi
Mas vou encontrar solução
Para esse mal do coração
Vou jurar sem fazer cena
Que jamais voltarei ao cinema!