
Candidatos enfrentam o dilema de ir, ou não, aos debates
Dora Kramer
Folha
O dilema é recorrente entre candidatos favoritos nas pesquisas, ainda mais quando presidentes: ir ou não ir aos debates. Portanto, normal que a equipe de Luiz Inácio da Silva (PT) divulgue que ele cogita não ir. Segundo a conta do custo-benefício, o balão serve de ensaio ao teste.
Indo, o candidato se arrisca a tropeços que o façam perder a liderança e aos ataques dos demais oponentes que o coloquem numa posição de isolamento, mas também pode ganhar a parada e consolidar o favoritismo.
PERSONAGEM OCULTO – Não indo, vira personagem oculto de uma cadeira vazia, denotando covardia, arrogância e desrespeito ao eleitorado, mas sai ileso, pode atribuir a ausência a questões estratégicas ou de agenda e tem a chance de compensar a conversa com o eleitor nas entrevistas separadas, as chamadas sabatinas.
No cenário atual, Lula não tem dianteira confortável para sustentar impunemente uma ausência nem para fornecer a Flávio Bolsonaro (PL), o principal adversário, o ensejo para também se recusar a estar no confronto tradicionalmente inaugural da Rede Bandeirantes, marcado para 16 de agosto.
Embora a data coincidente com o lançamento da candidatura à reeleição em ato simbólico no estádio de Vila Euclides dê ao petista justificativa para não comparecer, faz também com que perca a oportunidade de testar o desempenho de Flávio Bolsonaro nesse tipo de cenário.
PROFISSIONAL E AMADOR – No início deste ano, assim que assumiu a função de agitador oficial do governo, Guilherme Boulos disse que estava “doido para ver” o senador debatendo com o presidente. Boulos antecipava o que, na visão dele, de muita gente e numa perspectiva lógica, seria o embate entre um profissional experimentado no ramo e alguém que tem se mostrado um amador.
Já houve debates memoráveis, alguns até tidos como decisivos. A maioria não deixou lembrança digna de registro. De qualquer modo, eles são parte do rito eleitoral e se incluem nos direitos do eleitor ao conhecimento e nos deveres dos candidatos de se darem a conhecer.
Pode perder a máscara em rede internacional!
Convite a Milei foi um grande erro de Flávio Rachadinha
Foram completamente inapropriados o linguajar e o comportamento do presidente argentino Javier Milei quando esteve no Brasil. É uma pessoa que não tem noção dos limites do cargo de presidente.
Por mais que ele não goste de Moraes, não pode se referir a ele da forma como fez; é um ministro do STF do Brasil e não pode ser tratado dessa maneira.
Além do mais, há um erro estratégico grande no convite a Milei para a festa de lançamento da candidatura de Rachadinha.
Se é verdade que ele quer ser apoiado e abraçado pela direita internacional é verdade também que a Argentina não é dos preferidos da opinião pública brasileira.
Não foi um ‘timing’ correto para uma campanha eleitoral popular. A atitude de Milei foi de um líder populista, mas ele não representa, no Brasil, uma presidência admirada e respeitada.
Não existe uma ligação política entre Brasil e Argentina; ao contrário, existe uma competição e não sei se isso ajuda Flávio
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 27/07/2026 19h02 Por Merval Pereira
Planalto avalia que Trump e Milei fazem dobradinha para tumultuar eleições no Brasil e ajudar Flávio
Na avaliação de interlocutores de Lula, estratégia inclui reforço do gabinete do ódio nas redes sociais para lançar dúvidas sobre urnas eletrônicas
O Palácio do Planalto tem certeza de que o governo de Trump prepara há tempos uma estratégia para tumultuar as eleições no Brasil e encontrou um aliado de peso no presidente da Argentina, Javier Milei.
Não é de hoje que o Planalto e o Itamaraty monitoram com atenção a chamada agenda “MAGA” – sigla de Make America Great Again que, em português, significa “Faça a América Grande de Novo” –, lema dos apoiadores de Trump.
Tanto é assim que, nos últimos quatro meses, não foram apenas dois oficiais do Departamento de Estado americano (Riley Barnes e Samuel Samson) que tiveram o visto de entrada no País negado, como ocorreu no sábado.
Em março, o conselheiro Darrien Beattie – assessor de Trump e ex-redator da Casa Branca – também teve a entrada no País barrada após o governo revogar seu visto. Beattie é muito próximo do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, outro grande aliado dos Bolsonaro.
Todos os funcionários de alto escalão do Departamento de Estado apresentavam como justificativa oficial para desembarcar no Brasil encontros para discutir “liberdade de expressão”, argumento considerado falso pelo Itamaraty.
Na avaliação de interlocutores de Lula, o senador Flávio, candidato do PL à Presidência, está criando “vacinas” cada vez mais fortes para justificar uma eventual derrota nas eleições de outubro.
No último dia 21, por exemplo, Flávio chegou a levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas ao dizer que elas têm a mesma origem daquelas da Venezuela, produzidas pela Smartmatic.
O TSE reiterou que o Brasil não usa urnas da Smartmatic, empresa acusada pelo governo dos EUA de fraudar as eleições da Venezuela.
Diante de ruidosas críticas, Flávio negou que tivesse lançado dúvidas sobre o sistema de votação do Brasil, como fez seu pai, o ex-nito, hoje em prisão domiciliar.
Flávio observou que apenas pediu aos embaixadores que enviassem o maior número de representantes às missões de observação internacional durante as eleições.
Um dos auxiliares mais ouvidos por Lula no Planalto disse, porém, que Trump e Milei acertaram uma estratégia conjunta com Flávio para turbinar o “gabinete do ódio” nas redes sociais.
O Planalto não tem dúvidas de que os ataques de Milei, por exemplo, fazem parte de uma ofensiva organizada, com o objetivo de ecoar a versão de que as urnas brasileiras são passíveis de fraude.
Em conversas reservadas, ministros afirmam que Trump quer o retorno da família Bolsonaro ao Planalto para manter a região da América Latina sob sua zona de influência. E Milei teria um papel importante no desenho dessa geografia política.
Ainda no diagnóstico do governo, o tarifaço sobre produtos brasileiros, o “cerco” ao Pix e até a indicação de Daniel Perez – outro aliado de Marco Rubio – para assumir agora a embaixada dos EUA no Brasil reforçam essa ofensiva.
“Trump assumiu o governo há um ano e meio. Por que só agora decidiu mandar um embaixador para o Brasil?”, perguntou um diplomata, sob reserva. Detalhe: Perez, o indicado, também integra as fileiras do MAGA.
Milei, por sua vez, não parece estar nada disposto a dar um passo atrás.
Após chamar Lula de “presidiário” e “ladrão” e Moraes de “lixo careca” durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio, no sábado, o argentino deu novas alfinetadas na direção do presidente.
Em entrevista, Milei acusou Lula de promover uma campanha contra a Argentina durante a Copa do Mundo, ao lado do México e do Partido Democrata – opositor de Trump –, usando recursos do Orçamento.
Não apresentou provas, assim como Bolsonaro nunca conseguiu nem mesmo indícios de fraudes no sistema de votação. Até porque, antes de 2022, tanto ele quanto seus filhos foram eleitos por essas mesmas urnas.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 28/07/2026 | 21h11 Por Vera Rosa
“Se non è vero, è ben trovato” o artigo de Vera Rosa, senhor Roberto Nascimento.
Do mesmo jeito que Jeremias não bate pênalti Dom Curro não vai ao Peru cumprimentar a presidente e também não vai a debate.
A sua verve sub peronista prenhe de dialéticas narrativistas só ecoam nos ouvidos moucos dos convertidos e mesmerizados.
Para isso a mídia alisadora de egos vai em sua missão a ser cumprida.
O termo mídia alisadora pode ser substituído por “Carregadores de penicos para honra e gloria de seu suserano.”
Dom Curro só vai onde der palanque favorável. Globo, Folha e Estadão é a praia dele.
Dona Kramer, pelo amor da mãe do guarda, não dê linha para essa pipa. Já estamos de saco cheio com o Trump fazendo rebu pelo mundo e a senhora enche a bola desse garoto inexperiente e tolo?!