Lula não cede a Trump e mantém bloqueio a novo embaixador americano

3 thoughts on “Lula não cede a Trump e mantém bloqueio a novo embaixador americano

  1. Para Trump, o pragmatismo econômico supera a ideologia política

    Ao negociar petróleo com o chavismo na Venezuela, ele virou as costas para figuras da oposição que antes apoiava, a exemplo de María Corina Machado.

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    Barba pode tirar o “pão” da boca dos Bolsonaros

    O petista pode se antecipar aos Bolsonaro na entrega do Brasil aos interesses dos EUA

    Ao declarar que pretende conversar com Trump, Lula pode adotar uma estratégia semelhante à da chavista Delcy Rodríguez, ‘presidente’ da Venezuela, que cedeu o controle de riquezas nacionais a interesses norte-americanos.

    Além disso, ao buscar esse contato de forma antecipada, Lula disputará com a família Bolsonaro o mesmo espaço político de barganha com os Estados Unidos, reforçando o risco de submeter (antes dos Bolsonaro) o Brasil aos interesses de Trump.

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    Com ampla experiência em negociações, Lula já adotava essa prática desde as greves de São Bernardo do Campo: enquanto discursava aos trabalhadores, nos bastidores ele tratava de acordos diferentes com os patrões de multinacionais americanas e europeias (como Ford, Volkswagen, Mercedes-Benz e Scania.

  2. Trump não se interessa pela América Latina, e decisões sobre a região ficam a cargo de Marco Rubio

    No fim das contas, quem tem poder em temas sobre questões brasileiras é Rubio.

    A maior parte das autoridades políticas dos EUA e mesmo dentro do jornalismo e da academia não se interessa pelo que os americanos costumam chamar de América Latina, que basicamente inclui todos os países do Rio Grande no México à Terra do Fogo na Argentina.

    Independentemente de serem democratas ou republicanos, o tal establishment de Washington e aqui de Nova York prefere temas ligados a Europa, Oriente Médio e Leste Asiático.

    América Latina e África? Nem passa pela cabeça deles.

    Vou até usar como exemplo o jornal New York Times. Seus principais colunistas de política internacional, como Thomas Friedman e Nicholas Kristof, raramente escrevem sobre o que ocorre na região, com raras exceções como temas de imigração, México e eventualmente Cuba e Venezuela. Brasil não entra na lista.

    O ex-secretário de Estado Anthony Blinken, assim como o então presidente Joe Biden, ignoravam completamente a América Latina e em especial a América do Sul. Mal sabiam dizer “buenos dias”, apesar de viverem em um país onde parcela expressiva da população fala espanhol.

    Donald Trump não é diferente da maioria em Washington. O presidente americano (…) praticamente nunca fala o nome de Lula. Talvez não lembre. Simplesmente, o Brasil não está no radar dele.

    Flavio Bolsonaro? Trump certamente conhece (…) a família, mas tampouco dá muita importância ao pai e aos filhos. Nada muito além de (…) uma relação de ídolo com fãs — similar à relação com o argentino Javier Milei.

    No meio deste deserto de desinteresse pela América Latina, há uma figura que desde a infância demonstra enorme interesse pela região. Naturalmente, falo do secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional, Marco Rubio.

    Filho de cubanos, é fluente em espanhol, entende português, identifica-se como latino-americano, adora política externa, tendo sido presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e estuda a política e a economia do continente.

    Conhece a história, o contexto atual e sabe quem são os principais atores políticos nos principais países, incluindo o Brasil.

    Trump (…) deve delegar a Rubio as decisões sobre questões ligadas a nações latino-americanas como o Brasil.

    Conservador e republicano, Rubio tem uma agenda clara e pública de buscar ajudar a eleger figuras da direita nas eleições deste ano, como na Colômbia, no Peru e naturalmente no Brasil.

    Nas eleições brasileiras, o candidato de Rubio é Flavio Bolsonaro por ser o representante da direita.

    O próprio secretário de Estado deixou clara a sua insatisfação com o atual governo brasileiro em depoimento ao Congresso (…), quando pôs o Brasil no bloco de Nicarágua, Cuba e Venezuela — todas ditaduras.

    No fim das contas, quem tem poder em temas sobre questões brasileiras é Rubio.

    O secretário de Estados de Trump (…) sabe quando o assunto for Cuba, Brasil ou Colômbia, suas opiniões tendem a prevalecer. E ele quer Flávio Bolsonaro.

    Fonte: O Globo, Política Internacional, Opinião, 04/06/2026 00h00 Por Guga Chacra — Nova York

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