TSE interrompe julgamento sobre imagem de Bolsonaro
Rafael Moraes Moura
O Globo
Uma manobra do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), travou nesta sexta-feira (18) a conclusão de um julgamento que poderia liberar o uso da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em santinhos de candidatos de todo o país. Cueva pediu vista e paralisou a análise do caso, mesmo já tendo votado no mesmo julgamento contra a permissão.
No último dia 15, a ministra Estela Aranha deu uma liminar proibindo o uso da imagem de Bolsonaro em santinhos e materiais impressos. Indicada ao cargo pelo presidente Lula, a ministra alegou que a utilização em propaganda eleitoral da imagem de Bolsonaro “em posição de destaque”, ao lado do número e do nome de um candidato, burlaria a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que proibiu que Bolsonaro divulgue manifestos políticos-eleitorais, inclusive por terceiros, “independentemente do meio utilizado”.
PLENÁRIO DIVIDIDO – O caso foi levado ao plenário virtual do TSE e rachou o plenário, formado por sete magistrados. Do lado de Estela ficaram os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Floriano de Azevedo Marques, amigo pessoal de Moraes há décadas.
Contra a liminar, ou seja, a favor de liberar o uso da imagem de Bolsonaro em santinhos, se posicionaram o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e o vice-presidente da Corte, André Mendonça, ambos indicados ao Supremo pelo ex-presidente. “A utilização da imagem de Jair Bolsonaro, nessas circunstâncias, comunica ao eleitorado a identificação política do candidato com determinada liderança ou corrente política”, escreveu Nunes Marques.
“A liberdade de expressão política protege precisamente a possibilidade de o candidato apresentar ao eleitorado suas referências e afinidades políticas, inclusive mediante a associação de sua candidatura a lideranças e correntes ideológicas. A possibilidade de utilizar, para esse fim, a imagem pública de uma liderança política integra o espaço de manifestação protegido pela Constituição Federal”, frisou Nunes Marques.
MAIORIA PROVISÓRIA – Os ministros Antonio Carlos Ferreira e Dias Toffoli seguiram o mesmo entendimento de Nunes Marques e Mendonça, formando a maioria provisória de quatro votos pela liberação. No entanto, uma hora após Toffoli desempatar o placar e pavimentar a maioria pela liberação do uso da imagem de Bolsonaro em santinhos, Cueva pediu vista e travou o julgamento, mesmo já tendo votado horas antes contra a liberação.
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) critica a liminar de Estela Aranha, sob a alegação de que a propaganda eleitoral de Lula está veiculando imagens antigas de Bolsonaro para fins críticos, enquanto o senador não pode usar o próprio pai na campanha do PL.
“As vedações impostas a Jair Bolsonaro são ‘de dentro para fora’. Não pode ele externar suas posições e preferências, nem mesmo mandando recados, avisos ou cartas por terceiros. Mas a sociedade em geral não está proibida de se manifestar em relação a Jair Bolsonaro, figura pública e que faz parte da história brasileira”, sustenta o PL.
BANCO DE RESERVAS – Antonio Carlos Ferreira deixa o TSE neste sábado (19), quando encerra o seu mandato. A saída de Ferreira (que votou pela liberação da imagem de Bolsonaro) abre caminho para a efetivação do ministro substituto Sebastião Reis, que não participou do julgamento por estar no “banco de reservas”.
Na prática, isso significa que se o mesmo tema vier à tona em outro processo similar, o resultado desse segundo julgamento pode ser diferente, devido à troca na composição do TSE, com a saída de Ferreira e a efetivação de Sebastião Reis como ministro titular.
Corinthians 1 x Fluminense 3
O goleiro Fábio do Fluminense tem 45 anos, Hulk tem 40, Thiago Silva, 41 e PH Ganso tem 36 anos, a mesma idade de Samuel Xavier.
O principal adversário de Lula não é Flávio, é o Barba mesmo
Na reta final das eleições, a polarização Lula versus Bolsonaro virou Lula versus Lula (…).
É surpreendente que os R$ 134 milhões do contrato de Moraes façam mais estrago na campanha de Lula do que os R$ 131 milhões do filme “Dark Horse” na de Flávio Bolsonaro.
Um suspeito é ministro do STF que nem sequer foi nomeado por Lula. O outro (Flávio) é, ele próprio, candidato à Presidência.
Nada parece colar em Flávio, nem a mentira de nunca ter conhecido o “irmão” Vorcaro, nem pedido de milhões a ele, nem o destino do dinheiro, nem o envolvimento direto dele e o 93, Eduardo, nos ataques virulentos dos EUA ao Brasil. A foto da viagem “familiar” com gente do escândalo do INSS não faz nem cosquinha.
O passado condena, mas o de um candidato custa muito mais votos. Lula tem mensalão, petrolão, Lava Jato e 580 dias preso pelo triplex. Flávio tem rachadinhas, casa de milhões com financiamento duvidoso do BRB e escritura em cartório distante, negócios estonteantes com imóveis, parte em dinheiro vivo. Sempre passou ileso.
Lula carrega o filho, Lulinha, desde os primeiros mandatos e agora ele citado no escândalo do INSS e da amigona Roberta Luchsinger.
E Flávio carrega o pai, um desastre na pandemia e agora preso por uma trama de golpe confirmada, até em livro, pelo brigadeiro Carlos Baptista Jr., um militar exemplar.
Flávio não convence, mas o voto “anti-Lula” parece mais forte do que o “anti-Bolsonaro”. É Lula contra Lula.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 20/09/2026 | 00h12 Por Eliane Cantanhêde