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Estrangeiros retiram R$ 15,6 bilhões da Bolsa em agosto
Pedro do Coutto
A saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira é mais do que um movimento de mercado. É um termômetro da incerteza que começa a cercar a eleição presidencial de 2026. Investidores não precisam declarar voto. Quando reduzem posições, porém, fazem uma escolha econômica: preferem esperar até que o quadro político e fiscal fique mais claro antes de colocar dinheiro em ativos brasileiros.
Em agosto, a retirada de recursos estrangeiros da B3 já alcançava R$ 15,63 bilhões até o dia 18, o maior volume mensal de saída desde janeiro de 2022. O movimento ocorre depois de um primeiro trimestre excepcionalmente positivo, quando os estrangeiros haviam colocado mais de R$ 53 bilhões na Bolsa.
GRAU DE CONVICÇÃO – É preciso evitar uma leitura simplista: não se trata de dizer que o capital internacional “abandonou o Brasil”. O comportamento dos fluxos mostra que o investidor continua interessado no país quando enxerga uma relação aceitável entre risco e retorno. O que mudou foi o grau de convicção. E, nos mercados, a perda de convicção pode ser tão importante quanto uma deterioração objetiva dos indicadores.
A Bolsa entrou no segundo semestre submetida a uma combinação pouco confortável: juros elevados, sinais de desaceleração da economia, dúvidas sobre crédito e inadimplência, ambiente internacional menos favorável e, sobretudo, incertezas em torno das eleições. Entre 3 e 12 de agosto, as empresas listadas na B3 perderam cerca de R$ 279 bilhões em valor de mercado. O Ibovespa acumulou uma sequência de pregões negativos, enquanto o dólar avançava.
A questão fiscal aparece no centro dessa equação. Não porque o mercado espere necessariamente uma catástrofe, mas porque ainda não consegue enxergar com nitidez qual será a política econômica do próximo governo. O problema é a dificuldade de transformar discursos eleitorais em números verificáveis: quanto será gasto, de onde virá o dinheiro, qual será a trajetória da dívida e quais despesas serão efetivamente controladas.
DÉFICIT PRIMÁRIO – Os números oficiais ajudam a explicar a apreensão. O Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho de 2026, acima dos R$ 44,2 bilhões do mesmo mês do ano anterior. A despesa cresceu em ritmo superior ao da receita líquida.
O Banco Central, no Relatório Focus de 31 de julho, mostrava expectativa de resultado primário negativo de 0,50% do PIB em 2026 e de 0,40% em 2027. Para a dívida líquida do setor público, a mediana das projeções apontava 69,9% do PIB neste ano, 73,4% em 2027 e 76,4% em 2028.
É nesse ponto que a política entra diretamente no preço dos ativos. O investidor não olha apenas para o resultado fiscal de hoje. Tenta antecipar o comportamento do governo de amanhã. Se não consegue compreender a combinação entre arrecadação, despesas, investimentos, programas sociais e regras fiscais, exige mais prêmio para assumir o risco brasileiro. Ou simplesmente procura outro mercado.
RESPOSTA – E há uma ironia importante. A fuga de capital não significa que os investidores tenham escolhido um candidato de oposição ao governo Lula. Tampouco significa que estejam convencidos de que uma mudança de governo resolverá automaticamente o problema fiscal. O que os números indicam é algo mais incômodo: o mercado ainda não recebeu dos principais atores políticos uma resposta suficientemente convincente sobre como as contas públicas serão estabilizadas.
Isso coloca o governo Lula diante de uma cobrança específica. A continuidade da atual política econômica precisa ser acompanhada de maior clareza sobre a trajetória das despesas, da dívida e do resultado primário. Não basta afirmar que a economia cresce, que a arrecadação aumenta ou que determinadas metas estão formalmente preservadas. O investidor quer saber se a combinação de receitas e gastos é sustentável.
Mas seria igualmente equivocado transformar a saída dos estrangeiros numa espécie de certificado de incompetência fiscal exclusivamente do governo. A incerteza eleitoral é mais ampla. Os investidores ainda desconhecem, em detalhes, o programa econômico que prevalecerá depois da eleição. E propostas que prometem redução de impostos, aumento de despesas, benefícios ou investimentos públicos precisam responder à pergunta mais simples — e mais difícil — da política econômica: quem paga a conta? Essa indefinição tem preço.
EXPECTATIVAS – O mercado financeiro trabalha com expectativas. Quanto maior a distância entre aquilo que os candidatos prometem e aquilo que os investidores conseguem calcular, maior tende a ser a volatilidade. A Folha de S.Paulo já apontou que propostas com impacto direto nas contas públicas estão entre os fatores capazes de provocar movimentos relevantes no câmbio e nos ativos brasileiros.
Também é importante colocar o movimento em perspectiva. O capital estrangeiro entrou com força no Brasil no início de 2026. Em janeiro e fevereiro, as entradas líquidas chegaram a R$ 42,56 bilhões. No primeiro semestre, o saldo ainda permaneceu positivo, apesar da reversão ocorrida no segundo trimestre. Ou seja: o estrangeiro não está dizendo que o Brasil deixou de ser interessante. Está dizendo que, diante do novo cenário, o risco passou a exigir mais cautela.
Essa distinção é fundamental para impedir que a política transforme um indicador econômico complexo numa arma eleitoral simplista. Se alguém afirmar que “o mercado rejeitou Lula”, estará reduzindo excessivamente o fenômeno. Se outro lado disser que tudo se resume a uma tentativa de pressionar o governo, cometerá erro semelhante. Há fatores internacionais, juros americanos, decisões de grandes bancos e condições específicas das empresas brasileiras envolvidos na equação.
SEM EXPLICAÇÃO – O que a Bolsa está revelando, portanto, não é o resultado da eleição. É a ansiedade diante do que ainda não foi explicado. O dinheiro estrangeiro pode voltar rapidamente — e já mostrou isso em 2026. Mas voltará com maior convicção quando houver menos espaço para dúvidas sobre o futuro das contas públicas. Isso vale para Lula e para qualquer candidato que pretenda ocupar o Palácio do Planalto.
A eleição pode ser decidida pelo voto. O preço do risco brasileiro, porém, será decidido pela credibilidade das escolhas que vierem depois dele. E talvez essa seja a principal mensagem escondida na fuga recente de capital: antes de escolher quem governará o Brasil, os investidores querem saber como o próximo governo pretende pagar pelo Brasil que promete entregar.
História Islâmica
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۞ A história da religião islâmica desde o Profeta Muhammad ﷺ até os dias atuais. ۞
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Poucos países são acusados com tanta insistência de perseguir uma arma nuclear quanto o Irã, e nenhum outro apresenta, como obstáculo, uma proibição de natureza religiosa. A proibição atribuída ao aiatolá Ali Khamenei foi formulada em meados dos anos 1990, numa carta que jamais chegou a circular publicamente, em resposta à consulta de um funcionário que queria saber qual era a opinião religiosa sobre armas atômicas.
O anúncio público só veio em outubro de 2003, quando Khamenei emitiu uma fatwa oral (um parecer jurídico) vedando a produção e o uso de qualquer arma de destruição em massa. Dois anos depois, em agosto de 2005, o governo iraniano levou o argumento a uma reunião da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, declarando que produzir, estocar e usar armas nucleares é proibido pelo Islã.
O texto que o próprio site oficial iraniano arquiva na seção de fatwas não fala apenas do átomo, mas traz também armas químicas e biológicas no mesmo patamar de ameaça à humanidade e invoca uma experiência concreta: a de um país que foi vítima de ataque químico e que, por isso, entende melhor do que qualquer outro o risco de estocar esse tipo de arsenal.
O uso dessas armas é declarado haram, isto é, proibido. Em abril de 2015, num discurso, Khamenei acrescentou uma segunda camada ao argumento, dizendo que a abstenção iraniana decorre tanto de uma fatwa shar’i, de fundamento religioso, quanto de uma fatwa aqli, de fundamento racional, e que uma arma nuclear seria fonte de problemas para um país como o Irã.
O argumento mais forte a favor da sinceridade dessa proibição está no comportamento iraniano durante a guerra contra o Iraque, entre 1980 e 1988. O Irã foi alvo de ataques químicos que mataram cerca de 20 mil pessoas e feriram gravemente outras 100 mil, e não retaliou com o mesmo tipo de arma, apesar de ter tido tempo e “motivo” de sobra. O jornalista Gareth Porter entrevistou Mohsen Rafighdoost, ministro da Guarda Revolucionária durante os oito anos de conflito, que relatou ter proposto ao aiatolá Khomeini o início de trabalhos nas áreas nuclear e química, e ter recebido como resposta uma negativa em forma de fatwa. Infelizmente os detalhes sobre quando e como essa decisão foi tomada nunca foram tornados públicos.
Aqui aparece a contradição evidente e que raramente é enfrentada, por vezes sequer mesmo percebida. O Irã é criticado no Ocidente como sendo uma teocracia, por submeter o Estado a uma autoridade clerical. Só que foi essa mesma autoridade clerical que produziu, na prática, o freio mais duradouro ao desenvolvimento de tecnologia de destruição em massa. Analistas ligados a instituições americanas e israelenses passaram anos questionando se a fatwa existe, se é vinculante ou se não passaria de peça de propaganda, chegando a sugerir que Khamenei estaria praticando taqiyya, a “dissimulação religiosa” (há vídeo em nosso canal sobre o tema). Afirmam os céticos que fatwas respondem a circunstâncias do momento e podem mudar. Entretanto, o mesmo argumento demonstra que o veto foi respeitado por décadas por um regime que, segundo seus críticos, não respeita nada e está a “3 semanas de construir uma bomba nuclear”.
Vale lembrar que o único país que efetivamente usou armas nucleares contra populações civis também recorreu à religião, só que no sentido oposto: para legitimar o ataque. Ao comunicar a nação por rádio em 9 de agosto de 1945, no mesmo dia do ataque a Nagasaki, o presidente Harry Truman agradeceu a Deus por a bomba ter chegado às mãos americanas e não às dos inimigos, e pediu orientação divina para empregá-la. Do lado militar, o padre George Zabelka, capelão católico do 509º Grupo Composto, unidade responsável pelos dois lançamentos, abençoou as tripulações e as missões. Zabelka levaria trinta anos para admitir publicamente aquilo que fez.
Enquanto isso, o alarme sobre a bomba iraniana completa mais de três décadas sem se concretizar. Benjamin Netanyahu vem anunciando desde 1992, quando ainda era parlamentar e discursou no Knesset afirmando que, dentro de três a cinco anos, o Irã seria autônomo na capacidade de desenvolver e produzir um artefato nuclear. A previsão foi repetida em seu livro de 1995, Fighting Terrorism. Em 2002, ele depôs perante uma comissão do Congresso americano defendendo a invasão do Iraque e sugerindo que iraquianos e iranianos corriam juntos rumo à bomba. A invasão veio logo depois, e nenhuma arma de destruição em massa foi encontrada no Iraque.
O padrão se repetiu nas décadas seguintes e continua se repetindo, com uma regularidade quase litúrgica. Um telegrama do Departamento de Estado americano vazado pelo WikiLeaks mostra Netanyahu dizendo a congressistas, em 2009, que o Irã estava a um ou dois anos da capacidade nuclear. Em 2012, na Assembleia Geral da ONU, ele exibiu o desenho de uma bomba de desenho animado e traçou uma linha vermelha, afirmando que até a primavera ou o verão seguinte os iranianos concluiriam o enriquecimento intermediário. Em 2014, na convenção da AIPAC, o lobby israelense que compra políticos norte-americanos, Netanyahu pediu que se retirasse do Irã qualquer capacidade de enriquecer urânio. Em 2015, discursou no Congresso americano contra o acordo em negociação.
10 anos depois, em junho de 2025, com Israel já atacando alvos iranianos, a história se repetiu e o argumento reapareceu, agora com prazo encurtado para meses ou semanas. A diferença é que dessa vez o contraste com os relatos dos setores de inteligência americanos ficou explícito, já que a Diretoria de Inteligência Nacional dos Estados Unidos havia declarado, no início daquele mesmo ano, que o Irã não estava construindo uma arma nuclear. Trinta e três anos de “advertências” que atravessam governos, acordos, rupturas de acordos e avaliações técnicas divergentes sugerem apenas um pânico retórico para que Israel prossiga em suas desventuras militares pelo Oriente Médio.
Mais curioso ainda é a hipocrisia israelense e seu programa nuclear. Israel montou seu complexo nuclear em Dimona a partir de um acordo secreto com a França firmado em 1957, e dentro desse segredo escondeu outro: uma usina subterrânea de reprocessamento de seis andares, fornecida pela empresa francesa Saint-Gobain, capaz de separar plutônio de grau militar. Entre 1961 e 1969, equipes americanas fizeram visitas periódicas a Dimona. Os americanos foram enganados todas as vezes. Antes de cada visita, os israelenses erguiam paredes falsas em torno dos elevadores que desciam até a instalação e, segundo fontes ouvidas por Seymour Hersh, chegaram a apresentar uma sala de controle falsa. Em 1965 a usina ficou pronta, em 1966 começou a produção de plutônio, e às vésperas da guerra de 1967 Israel montou seus primeiros artefatos nucleares.
E a trama fica mais complicada: parte do combustível dessa bomba pode ter saído dos próprios Estados Unidos. Entre 1965 e 1980, o FBI investigou o desaparecimento de urânio altamente enriquecido da NUMEC, empresa em Apollo, na Pensilvânia, dirigida por Zalman Shapiro, que tinha negócios e contatos com altos funcionários israelenses. Registros posteriores do Departamento de Energia mostram que a NUMEC teve a maior perda de inventário de urânio enriquecido entre todas as instalações comerciais americanas: 269 quilos antes de 1968 e mais 76 depois.
Em setembro de 1968, quatro agentes de inteligência israelenses visitaram a fábrica, entre eles Rafi Eitan, apresentado como químico do Ministério da Defesa e depois revelado como operador do Mossad à frente do Lakam. Nenhuma acusação foi apresentada. A mesma rede comprou disparadores de ogiva de forma ilícita, fotografou plantas de centrífugas na Europa e desviou um navio carregado de urânio no Mediterrâneo, com a conivência ou a vista grossa de Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido e Noruega. São, hoje, os mesmos países que cobram do Irã transparência que nunca exigiram de Israel.
Referências
BORGER, Julian. The truth about Israel’s secret nuclear arsenal. The Guardian, Londres, 15 jan. 2014.
COHEN, Avner; BURR, William. How Israel Built a Nuclear Program Right Under the Americans’ Noses. Haaretz, Tel Aviv, 17 jan. 2021.
COHEN, Avner; BURR, William. How Israel Deceived the U.S. and Built the Bomb. Foreign Policy, Washington, 7 fev. 2025.
THE HISTORY of Netanyahu’s rhetoric on Iran’s nuclear ambitions. Al Jazeera, Doha, 18 jun. 2025.
TRUMAN, Harry S. Radio Report to the American People on the Potsdam Conference, 9 ago. 1945. In: Public Papers of the Presidents of the United States: Harry S. Truman, 1945. Washington: United States Government Printing Office, 1961
O narcotraficante Luladrão está destruindo a economia do Brasil, o objetivo é dizimar a classe média. Narco-socialismo na veia!
Segundo a boataria, as Lojas Magalú,, da Comunista desde os 10 anos também está indo á ver navios , igualmente as Casas Bahia, Tok&Stok, Marisa, Marabraz..
Pois é, muito se fala na macroeconomia, zerar o deficit primário, diminuir despesas, etc. Mas quase ninguém fala na microeconomia que afeta muito os cidadãos e isso é o que importa à maioria da população.
Vejamos o caso da Argentina, que trata da macroeconomia (exportações e inflação), com ajustes profundos e brutais que recaem no lombo dos que menos podem e beneficiando àqueles que possuem mais. O resuiltado se reflete nas pesquisas: https://www.laprensa.com.ar/Un-informe-asegura-que-solo-el-15-de-argentinos-evalua-positivamente-la-situacion-del-pais-574951.note.aspx