
Após o resultado, a realidade cobrará as promessas feitas
Pedro do Coutto
A reta final da eleição presidencial coloca diante do eleitor duas questões que ultrapassam a disputa convencional entre Lula e Flávio Bolsonaro: a soberania nacional e a segurança pública. Não por acaso, os dois temas ganharam espaço no discurso dos candidatos justamente quando a campanha entra nos seus últimos dias. A violência aparece como a principal preocupação do eleitorado, citada por 20% dos entrevistados em pesquisa Datafolha realizada em 13 e 14 de outubro, à frente de saúde e economia.
No campo da soberania, Lula transformou a relação do Brasil com os Estados Unidos e a defesa dos interesses nacionais em um dos eixos de sua campanha. O presidente apresenta a eleição como uma escolha sobre a capacidade do país de preservar autonomia diante de pressões externas, especialmente após o conflito comercial com o governo Donald Trump. A estratégia tem uma lógica eleitoral evidente: deslocar o debate para um terreno em que Lula procura se apresentar como defensor das instituições brasileiras e dos interesses nacionais.
OUTRA NARRATIVA – Flávio Bolsonaro, por sua vez, procura construir uma narrativa diferente para a mesma disputa. Sua campanha associa soberania, segurança e fortalecimento do Estado diante do crime organizado, defendendo medidas mais duras contra facções, ampliação do sistema prisional e mudanças na legislação penal. O programa apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral coloca o combate ao crime organizado, o enfraquecimento de suas estruturas financeiras e o endurecimento das punições no centro de sua política de segurança.
É justamente nesse ponto que a eleição revela uma de suas principais contradições. A preocupação da sociedade com a segurança é concreta, mas a resposta eleitoral nem sempre acompanha a complexidade do problema. Lula defende uma maior coordenação federal da segurança pública e medidas de enfrentamento ao crime organizado dentro dos limites constitucionais. Flávio aposta em uma agenda penal mais severa, que inclui redução da maioridade penal e punições mais duras. São caminhos diferentes para um problema que não se resolve apenas com aumento de penas ou com a ampliação da presença federal.
O debate sobre segurança, portanto, não deveria ser reduzido à disputa sobre quem consegue parecer mais rigoroso diante do crime. A questão central é saber quais propostas têm capacidade efetiva de reduzir homicídios, enfraquecer as organizações criminosas, combater a lavagem de dinheiro e recuperar territórios dominados por facções. A política de segurança precisa produzir resultados, mas também precisa sobreviver ao teste da Constituição, do orçamento e da capacidade administrativa do Estado.
CONTA DAS PROMESSAS – Há, porém, uma segunda questão que pode se tornar ainda mais difícil para o próximo presidente: a conta das promessas feitas durante a campanha. É nesse terreno que a eleição corre o risco de produzir um contraste entre o discurso e a realidade fiscal de 2027.
Os dois candidatos apresentam propostas que, embora partam de visões políticas muito diferentes, enfrentam a mesma dificuldade: transformar compromissos eleitorais em medidas permanentes sem agravar uma situação fiscal que já exige escolhas difíceis. As projeções do Prisma Fiscal de outubro indicam déficit primário de R$ 44 bilhões para o governo central em 2027 e dívida bruta do governo geral em trajetória elevada. Em outras palavras, o próximo presidente receberá um orçamento no qual o espaço para novas despesas é limitado.
No caso de Lula, a campanha combina ampliação de políticas sociais, aumento real do salário mínimo e medidas de proteção de renda com uma estratégia de tributação mais progressiva. O programa apresentado ao TSE mantém a ideia de ampliar a proteção social e de fazer com que os contribuintes de maior renda suportem parcela maior da carga tributária.
DISTÂNCIA – Flávio Bolsonaro apresenta uma direção econômica distinta, com promessa de redução de ministérios, corte de cargos comissionados, reforma administrativa, revisão de despesas e redução da dívida. O problema não está necessariamente na direção dessas propostas, mas na distância entre a economia prometida e a demonstração de como ela seria obtida. A própria campanha fala em uma melhora do resultado primário equivalente a 1,5% do PIB em 18 meses, mas ainda há dúvidas sobre quais despesas seriam efetivamente cortadas e em que prazo.
Esse é o ponto em que a campanha se torna mais vulnerável à retórica. Reduzir impostos é eleitoralmente atraente. Aumentar benefícios também. Prometer crédito mais barato, preservar programas sociais, elevar salários ou diminuir a carga tributária produz efeitos imediatos no discurso político. O problema começa no dia seguinte à eleição, quando cada promessa precisa encontrar uma fonte de financiamento.
O espaço para esse tipo de manobra é menor do que a campanha costuma admitir. Grande parte das despesas públicas é obrigatória, e a margem efetivamente discricionária do orçamento é reduzida. Por isso, cortes genéricos em ministérios, cargos ou supostos desperdícios não são suficientes, por si só, para produzir uma economia fiscal estrutural.
A CONTA – Isso não significa que todas as promessas sejam inviáveis ou que Lula e Flávio estejam propondo exatamente a mesma coisa. Não estão. As diferenças entre os dois projetos são relevantes, sobretudo na relação entre Estado, mercado, políticas sociais, segurança e política externa. O problema é outro: nenhum programa eleitoral pode ser analisado apenas pelo benefício que promete entregar sem que se examine também quem pagará por ele.
A eleição chega, portanto, a seus últimos dias com uma equação desconfortável. De um lado, existe uma sociedade preocupada com violência, renda, saúde e emprego. De outro, há um Estado com restrições fiscais que não desaparecem porque uma campanha eleitoral precisa conquistar votos. A promessa pode ser simples; a execução, não.
POLÍTICA PÚBLICA – O verdadeiro teste do vencedor começará quando desaparecerem os palanques. A soberania terá de ser transformada em política externa capaz de proteger os interesses brasileiros sem isolamento. A segurança precisará deixar de ser apenas linguagem eleitoral para se converter em política pública permanente. E as promessas econômicas terão de enfrentar a aritmética do orçamento.
É nesse momento que a diferença entre campanha e governo ficará evidente. Durante a disputa, candidatos podem apresentar soluções sem explicar integralmente seus custos. Depois da eleição, a realidade cobra todos eles — e não há voto que consiga alterar a conta.
Pesquisas estranhas
É muito estranha a divulgação de pesquisas indicando empate técnico no segundo turno entre Flávio — vencedor do primeiro turno com 56,1 milhões de votos — e Lula, que obteve 53,8 milhões de votos.
Afinal, para onde iriam, no segundo turno, os 8,7 milhões de votos recebidos pelos ‘bolsonaristas’ Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado no primeiro turno.
O fato é que 2026 fede a 1989, que culminou com a eleição de Fernando Collor, apoiado massiva e maciçamente pelo sistema, pelo capital velhaco, pelo establishment, pela loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, e pela imprensa falada, escrita e televisionada dos me$mo$, que perfaz o “Quinteto do Diabo”, que a tudo e todos rastreia e monitora e que não deixa o país mudar de verdade, para melhor, de jeito nenhum, eleição de 1989 que, aliás, tinha os Bolsonaro na lista de cabos eleitorais remunerados do Collor, ídolo dos me$mo$, com o capital velhaco despejando dinheiro a rolo no dito-cujo, que deu no que deu, perda total, inclusive com a oportunidade de mudança de verdade do país, como sugerida pelo saudoso senador, Teotônio Vilela, no Canal Livre da Band, em 1983, atirada no lixo da história. Todavia, desta feita, nem tudo está perdido, até porque a explosão da bomba-relógio-financeira armada há 136 anos pela república do militarismo e do partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculo velhaco$, não é mais a única saída para o país, a política, a vida e a convivência pacífica do conjunto da população, como restou anunciado e comprovado nas ruas do país em Junho de 2013, aos gritos apartidários de “sem partidos, sem violência, sem corrupção, sem mentiras, sem golpes, sem ditaduras, sem estelionatos eleitorais, basta, chega dos me$mo$, fora todo$, vocês não nos representam”, com a população apartidária inspirada e motivada, obviamente, pelo megaprojeto próprio, novo e alternativo de política e de nação, inserido na sigla RPL-PNBC-DD-ME, com Democracia Direta, Meritocracia e Deus na Causa, em sendo, pois, o Brasil o único país do mundo que tem a verdadeira “Bala de Prata” contra tudo isso que aí está há séculos com prazo de validade vencido há muito tempo. https://tribunadainternet.com.br/2026/10/22/empresarios-e-investidores-apostam-em-flavio-e-despejam-dinheiro-na-campanha-dele/?fbclid=IwY2xjawVG8p9leHRuA2FlbQIxMQBwZG9mAXNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR4Jpr9-KEvdGtxPMBlF6piGvsrD-fU9s7Z5_j1PaHAS83FOROzmg-F8IbdGxA_aem_bA9AdcrWJpn_hwMkXHhFyQ#comments
Flávio, é um filho obediente e nada fará que desagrade ou impeça o que partir do coração de seu pai.
Aguardemos…..
Marçal, poderia ir à Suíça e entrevistar Protogenes Queiroz, ex esposo de Roberta Luchsinger.
E na emissora, as coisas também não parecem ir às mil maravilhas.
Criticado internamente pela condução da entrevista com o candidato Flávio no primeiro turno, Tralli — assim como Renata Vasconcellos — foi substituído por Renata Lo Prete nas entrevistas do segundo turno.
Resta saber se ele será o mediador do debate anunciado pela emissora para amanhã. Parece que continua “prestigiado”.
Sr do Coutto, na soberania do traficante Lula da Silva é permitido que a China crie enclaves no território nacional, onde os brasileiros são livremente chicoteados pelos espiões do PCCh.
Outro feito soberano do Luladrão foi a concessão da exploração de terras raras pelo Tio Sam em troca da suspensão dos efeitos da Magnitsky sobre o psicopata abusador Alexandre de Moraes.