Até entre bolsonaristas prevalece o apoio à mudança
Luciana Casemiro
O Globo
O apoio ao fim da escala de trabalho 6×1 ultrapassou a polarização política e alcançou 66,3% dos eleitores brasileiros. Segundo dados da pesquisa BTG/Nexus, 26,4% desaprovam e 7,3% não souberam ou não quiseram responder. É entre os classificados como “bolsonaristas convictos” que está a maior taxa de rejeição à medida: 48,1%.
A aprovação da nova jornada por esse grupo, no entanto, está longe de ser desprezível: é de 42,4%. A resistência recua entre os eleitores menos radiais, que veem “Bolsonaro como alternativa”. Nesse grupo o apoio à escala com duas folgas semanais salta para 60,9%, enquanto a desaprovação cai para 32,6%.
“LULISTAS CONVICTOS” – Os eleitores “lulistas convictos” são os que lideram o entusiasmo pela redução da jornada de trabalho, com 88,9% de apoio e apenas 8,9% de rejeição. Entre os brasileiros que se dizem “anti-Lula e anti-Bolsonaro”, segundo a pesquisa, 67,9% são favoráveis ao fim da escala 6×1.
— Embora a base bolsonarista mais radical resista à regulação estatal da jornada, seis em cada dez eleitores moderados de Flávio Bolsonaro aprovam a mudança. Trata-se de um tema capaz de furar bolhas partidárias na reta final do debate político — afirma Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
PAUTA HISTÓRICA – A mudança na escala é uma pauta histórica da esquerda brasileira, especialmente do PT, o que explica os maiores percentuais de aprovação da medida entre os eleitores alinhados a Lula, que é candidato do partido. Historicamente, a direita sempre se posicionou contrária à alteração da escala.
O senador Flávio Bolsonaro, inclusive, mudou seu posicionamento às vésperas da votação no Congresso, levando com ele a bancada do PL e dos partidos coligados, diante do risco de que um voto contrário à medida, que, como reforça a pesquisa, tem grande apoio popular, pudesse ter algum impacto nas urnas.
A Nexus — Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou, por telefone, 2.002 pessoas entre os dias 16 e 18 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%
“A transição para a escala 5×2 representa um marco histórico de emancipação e dignidade para a classe trabalhadora.
A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais é uma reparação histórica aguardada desde a Constituição de 1988.
Mais do que uma mudança de escala, essa evolução redesenha o futuro do trabalho, devolvendo ao trabalhador o direito essencial ao descanso, à convivência familiar e à qualidade de vida.”