O debate acabou. A eleição ainda está em aberto
Pedro do Coutto
O último debate entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, realizado na noite de sexta-feira pela TV Globo, encerrou a campanha eleitoral sem produzir um fato capaz de transformar, por si só, uma disputa extremamente apertada. Houve confronto, acusações, propostas e momentos de tensão, mas também uma tentativa de ambos de alcançar o eleitor que ainda não havia definido sua escolha. O formato da Globo favoreceu a discussão de temas de governo e reduziu o nível de confronto pessoal observado em outros momentos da campanha.
A avaliação sobre quem venceu, porém, depende muito da perspetiva política de quem assistiu. Parte das análises apontou uma ligeira vantagem para Lula, enquanto outras destacaram a mudança de postura de Flávio, que apareceu mais controlado. O mais prudente é reconhecer que o presidente pode ter saído do confronto com alguma vantagem de imagem, mas isso está longe de significar que tenha conquistado a eleição na televisão.
PERCURSO ELEITORAL – Debate não é eleição em escala reduzida. Um candidato pode apresentar melhor desempenho diante das câmaras e, ainda assim, não converter essa percepção em votos. O eleitor chega ao último confronto carregando tudo aquilo que acumulou durante a campanha: avaliação do governo, identificação política, rejeição, expectativas económicas e perceções sobre o futuro do país. O debate pode alterar uma impressão ou reforçar uma convicção, mas dificilmente apaga, em poucas horas, todo o percurso eleitoral.
As pesquisas ajudam a dimensionar essa incerteza. O Datafolha divulgado na reta final mostrou Lula e Flávio empatados em 50% dos votos válidos, depois de uma redução da vantagem inicialmente registrada pelo senador. Outros institutos apresentaram pequenas diferenças entre os candidatos, mas o conjunto dos levantamentos apontou uma disputa estreita demais para permitir um prognóstico seguro.
Isso não significa que o debate tenha produzido efeito nulo. Em uma eleição decidida por uma diferença pequena, alguns votos podem adquirir enorme importância. Um confronto televisionado pode influenciar indecisos, consolidar escolhas ou modificar perceções. O problema é saber quantos eleitores efetivamente mudaram de posição em consequência daquela noite. Sem uma medição capaz de identificar esse deslocamento, qualquer conclusão categórica seria especulação.
EMPATE TÉCNICO – Flávio chegou ao segundo turno em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A campanha seguinte, entretanto, alterou parcialmente esse cenário, com a distância diminuindo em diferentes pesquisas até chegar ao empate em alguns levantamentos. O movimento é politicamente relevante, mas não autoriza concluir que Lula tenha necessariamente virado a eleição. Da mesma forma, a vantagem inicial de Flávio não pode ser tratada como garantia de vitória.
O debate também mostrou que a eleição não se resume à comparação entre propostas. Lula procurou apresentar sua experiência de governo e defender políticas públicas associadas às suas administrações, enquanto Flávio explorou problemas económicos, segurança pública e críticas à atual gestão. Ao lado das propostas, permaneceram as acusações, revelando uma campanha ainda marcada pela disputa em torno do passado, dos governos anteriores e das identidades políticas construídas nos últimos anos.
Por isso, transformar o último debate em um julgamento definitivo da eleição seria um erro de análise. Para os eleitores de Lula, o presidente terá saído fortalecido; para os apoiadores de Flávio, o senador terá preservado sua posição. As duas perceções podem coexistir porque o debate produz impressões, não resultados eleitorais.
RESULTADO – Se Lula vencer, seria incorreto atribuir o resultado exclusivamente ao desempenho de sexta-feira. Se Flávio vencer, também será equivocado dizer que o debate confirmou antecipadamente sua vitória. O resultado será consequência de uma campanha inteira, das avaliações dos dois candidatos, das alianças, das rejeições e da capacidade de mobilização de cada campo.
O debate terminou. A campanha chegou ao fim. Agora, pesquisas, comentaristas e candidatos deixam o protagonismo e a decisão passa ao eleitor. Em uma eleição tão apertada, qualquer tentativa de antecipar o resultado corre o risco de confundir expectativa com realidade. O confronto final pode ter influenciado alguns votos, mas não explica sozinho o destino de uma eleição construída durante toda uma campanha. Só a apuração permitirá saber quem conseguiu transformar discurso em voto e vantagem nas pesquisas em maioria efetiva. Até lá, a única certeza é que a eleição continua em aberto.
Só o Sr Pedro do Coutto não leu as pesquisas divulgadas no sábado 24 de outubro? Perdeu Mané, o Flávio ganha de 52×48 do Ladrão. Bem, numa coisa o jornalista pode ter razão, pois embora o Flávio seja eleito, a eleição não garante a posse. O Golpe já foi planejado e pode ser executado a qualquer momento. A questão está no destino do Lula, que não sendo eleito, provavelmente vai fazer companhia ao Maduro a partir de 1°/01/27
O mais difícil é chegar à terceira e última idade e ser obrigado a aceitar que o povo tem razão em dizer que sob o teto da república do militarismo e do partidarismo, e seus tentáculos velhaco$, em permanente estado de revanchismo entre os me$mo$, muda-se quanto muito apenas as moscas mas a merda continua a mesma, cada vez mais insuportável, infelizmente.
Uma eleição incabível e inaceitável entre o substituto de um morto e um vivente, ora pois, diria Nhô Vitor, segundo:
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PS. O TSE deverá apurar e extinguir esse complô armado para tão somente “Estancar Sangrias” e perpetuar poder!
Aspirações comungadas!
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