Charge do Tim Cotrim (Arquivo Google)
Ricardo Corrêa
Estadão
Eleitores de todo o País que vão às urnas neste domingo, 25, para decidir entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro estarão com as mentes povoadas de sentimentos que podem ser resumidos em uma disputa do cansaço contra o medo. Essa sensação atinge, em especial, os independentes e indecisos que estão fora da polarização.
Considerando os resultados das pesquisas, o nível de mobilização dos indecisos na reta final terá papel decisivo para o resultado.
CANSAÇO DO PT – De um lado, os que agora pendem para Flávio Bolsonaro estão cansados dos mesmos personagens e discursos para enfrentar os problemas do País. Consideram que Lula, após três mandatos, pouco tem a acrescentar nas batalhas difíceis de vencer para garantir um crescimento sustentável do Brasil.
Acham que o País gasta mal e demais e dão ao governo parcela de responsabilidade até pelos erros que veem nos outros Poderes, em especial um Judiciário sem controle.
Por essas e outras, muitos independentes preferem dar mais quatro anos ao bolsonarismo, com a esperança de que algo novo seja entregue. Eles veem o Brasil estagnado ou caminhando lentamente na direção da melhora de suas condições de vida. E querem algum tipo de ruptura com a ordem que está hoje estabelecida.
MEDO DO MITO – De outro lado, os que preferem ir com Lula têm medo do que pode se transformar um novo mandato para o bolsonarismo. Preocupam-se com o risco de uma nova aventura antidemocrática como a que levou à tentativa de golpe de 8 de Janeiro. E temem o excesso de poder que pode advir do controle simultâneo do Executivo e das Casas do Congresso.
Esses eleitores preocupam-se com eventual perda de direitos a partir de um discurso de redução da máquina pública e de menor regulamentação. Acham que a postura pode afetar a educação e a saúde públicas. Temem que o negacionismo que se espalhou na pandemia volte a ser alimentado. E se assustam com os efeitos da pregação a favor de mais armamento nas mãos da população.
DESCONFIANÇA – Com o abismo entre esses sentimentos, qualquer resultado levará a uma forte desconfiança de parte expressiva da população. E não há no horizonte qualquer sinalização de que haverá trégua ou pacificação.
Com tantas promessas difíceis de cumprir feitas ao longo da campanha, um novo sentimento tende a crescer durante no próximo governo: a desilusão em relação aos partidos políticos.
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