
Moraes e Toffoli são os mais indignos ministros do STF
Roseann Kennedy
Estadão
Na mesma semana, o Brasil registrou três sinais de fatos que podem pôr uma democracia em risco. Os casos ocorreram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
O País se deparou com a canetada desproporcional de um magistrado que tentou banir a comunicação de um presidenciável; assistiu à sua mais alta Corte ser arrastada para a lama sem fazer nada diante das suspeitas de corrupção, exploração de prestígio e advocacia administrativa que pesam contra um dos seus integrantes; e ainda viu o “inquérito do fim do mundo”, digo, inquérito das fake news, ser usado mais uma vez como instrumento de vingança.
SEM PRECEDENTES – Os episódios ocorreram em sequência, causando espanto a qualquer cidadão que prime pelas normas constitucionais. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli tomaram decisões sem precedentes contra “inimigos” que exigem explicações sobre suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Na Justiça Eleitoral, que tem, acima de tudo, o dever de garantir a lisura democrática, Dias Toffoli determinou a suspensão da campanha digital do candidato Renan Santos (Missão), sua participação em debates e também os repasses de recursos do fundo eleitoral para a candidatura.
Posteriormente, o ministro teve de recuar, ciente de que seria derrotado em plenário e visando a evitar uma decisão coletiva adversa sobre o caso.
RETALIAÇÃO – Para muitos, a decisão de Toffoli cheirava à retaliação pela crítica contumaz que Renan faz ao Judiciário e em razão dos questionamentos sobre as relações do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, no caso do Tayayá Resort, do qual foi sócio.
As relações com Vorcaro também expuseram diálogos nada republicanos com o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Como revelou o Estadão, os dois trocaram 51 mensagens em 21 dias, incluindo pedidos, cobranças e até uma consulta do banqueiro para saber se deveria fugir, dois dias antes da prisão.
O ministro relator do caso, André Mendonça, encaminhou o relatório da Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República e derrubou o sigilo.
GONET RECUOU – O procurador-geral Paulo Gonet, entretanto, achou melhor botar tudo para debaixo do tapete e pediu arquivamento do documento, como se fosse possível a população esquecer tudo que leu.
Primeiro, Moraes chamou Mendonça ao seu gabinete para indagar sobre o pedido o relator faria à PGR. Ora, como ficou sabendo antes? Recebeu alguma informação antecipada da Polícia Federal? Claro que sim.
Depois, fez de conta que não era com ele e nem sequer foi cobrado pelo presidente da Corte, Edson Fachin a dar explicações sobre o teor das mensagens. Moraes também não deixou dúvidas de que estava à vontade para ser fotografado rindo na cara de todos, no Supremo.
MORAES REVIDA – No dia seguinte, foi possível entender seu comportamento efusivo. O ministro já elaborava o plano para revidar, utilizando seu instrumento preferido de poder supremo: o inquérito das fake news.
Desta vez, tirou a peça da gaveta para acusar André Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
Enquanto isso, Alexandre de Moraes continua sem apresentar explicações convincentes sobre os pedidos, cobranças e até consulta que recebeu de Vorcaro sobre a data para tentar fugir do País.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Em tradução simultânea, Moraes quer manter a mesma estratégia se sempre, fingindo que não está acontecendo nada, enquanto a avalanche da corrupção está arrasando o Planalto para destruir seu castelo de areia. Sua infantilidade chega a ser constrangedora. Já deveria ter renunciado desde o início, quando se descobriu o contrato de R$ 129 milhões, que na verdade era de R$ 131,2 milhões. O resultado é que agora Moraes vai apodrecer em cena aberta, dia-a-dia, sob o olhar espantado do respeitável público, sonhando que ainda é um Napoleão de hospício, a da ordem unida aos outros pacientes. Não tenho pena dele, porque fez por merecer. (C.N.)








