“Pacote de bondades” de Lula divide juristas, mas não ameaça candidatura

Quaest mostra Lula e Flávio separados por um ponto a quatro dias da eleição

Flávio tem 45%, e Lula marca 44%

Caio Sartori
O Globo

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, a quatro dias do segundo turno, mostra distância de apenas um ponto percentual entre Flávio Bolsonaro (PL), que tem 45% das intenções de voto, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 44%. O levantamento foi contratado pelo O Globo e pela TV Globo. Considerando a margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos, os candidatos seguem em empate técnico.

Em comparação com a sondagem da última semana, Flávio oscilou um ponto para baixo, enquanto Lula permaneceu com o mesmo percentual. Os eleitores que dizem que vão votar em branco ou nulo se mantêm em 9%, e os indecisos são 2%, ante 1% na semana passada.

EMPATE NUMÉRICO – Na modalidade espontânea, aquela em que o entrevistado não é apresentado previamente aos nomes dos candidatos, os dois aparecem em empate numérico, com 40% cada. Esse formato é importante para medir quão convicto está o eleitor. O dado mais relevante da espontânea na nova rodada, inclusive, é o número de indecisos, que dobrou em uma semana e chegou a 14%.

A alta dos indecisos ocorreu em diferentes segmentos do eleitorado. Entre as mulheres, o posicionamento subiu de 8% para 17% Também cresceu na parcela de eleitores independentes, passando de 13% para 31%. Já entre beneficiários do Bolsa Família, houve aumento de 7% para 19%.

MOVIMENTOS DA CAMPANHA –  A nova pesquisa é a primeira do instituto depois de momentos importantes da campanha. Na semana passada, foi promulgado o fim da escala 6×1, bandeira eleitoral de Lula. Depois, os candidatos participaram das entrevistas da Globo e do debate da Band. Também cresceram, desde então, as mobilizações nas ruas e nas redes em prol dos candidatos.

Nos últimos dias, outra tendência que se acentuou foi o duelo de narrativas sobre o Bolsa Família. Baseada em declarações da coordenadora econômica de Flávio, Daniella Marques, a campanha de Lula passou a alegar que a vitória do filho de Jair Bolsonaro colocaria em risco o programa. O período de entrevistas do instituto, no entanto, não pegou tanto o auge dessas afirmações, que cresceram ontem.

O debate da Band foi considerado de péssimo nível pelas campanhas, que tentam agora modular a postura de Lula e Flávio para o encontro da Globo, na sexta. Pesquisas qualitativas também diagnosticaram que os eleitores não gostaram do primeiro embate.

APROVAÇÃO DO GOVERNO –  A pesquisa também mediu a percepção dos eleitores brasileiros em relação ao governo Lula. Segundo o levantamento, 47% desaprovam a atual gestão, enquanto 46% a aprovam. O cenário é de empate técnico, considerando a margem de erro.

O número de aprovação representa uma oscilação positiva de um ponto em relação à pesquisa anterior, do dia 14 de outubro, em que 45% dos eleitores aprovavam a gestão e outros 48% a desaprovavam. Outros 7% não souberam ou não quiseram responder, nas duas ocasiões. A pesquisa da véspera do primeiro turno havia mostrado a desaprovação do governo Lula em 49%.

A Quaest ouviu 2154 pessoas entre os dias 17 e 20 de outubro. Registrado na Justiça Eleitoral com o protocolo BR-08535/2026, o levantamento tem margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

O trem, nos encontros e despedidas de Milton Nascimento e Fernando Brant

Notas Musicais: Milton externa gratidão ao seu amigo e parceiro Brant em  texto no Facebook

Brant e Milton, grandes parceiros e amigos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, compositor e poeta mineiro Fernando Rocha Brant (1946-2015), na letra de “Encontro e Despedidas”, em parceria com Milton Nascimento, retrata o que sempre representou uma estação de trem, diariamente, na vida de qualquer cidade do interior. A música deu título ao LP gravado por Milton Nascimento, em 1985, pela Barclay/PolyGram.

ENCONTROS E DESPEDIDAS
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai querer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São dois lados da mesma viagem

O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar, é a vida

PDT avalia federação com PSB após ficar abaixo da cláusula de barreira

Farra de Lula com os gastos públicos mostra que não existe eleição limpa

O feirão de votos de Lula - HojePR

Compra de votos (Charge do HojePR)

Roseann Kennedy
Estadão

O uso ostensivo da máquina pública pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano expôs a falência das regras atuais da legislação eleitoral. Com a desaprovação do seu governo acima de 50% e a derrota sofrida no primeiro turno da corrida presidencial para o adversário Flávio Bolsonaro (PL), o chefe do Executivo acionou o orçamento para tentar reverter o quadro político a todo custo.

O petista lançou mão de “pacotes de bondades” em ritmo e prazos nunca vistos antes em outra tentativa de reeleição.

COMPRA DE VOTOS – Com o poder da caneta nas mãos, Lula explicitou que não há isonomia nas condições para os candidatos competirem no País, pois os cofres públicos serviram para uma espécie de supercompra de votos, institucionalizada e permitida pela falta de travas legais efetivas.

Portanto, passou da hora de o Congresso e a população iniciarem o debate para atualizar a legislação eleitoral e discutir o fim da reeleição.

O Planalto, obviamente, nega que as medidas adotadas este ano sejam eleitoreiras. Mas basta observar o calendário. Depois de três anos e meio sem reajustar o principal programa social do governo, faltando apenas duas semanas para o primeiro turno, Lula concedeu aumento de 15% no Bolsa Família. Além disso, mudou o calendário de pagamento para as pessoas receberem o benefício a menos de uma semana do segundo turno.

MAIS BONDADES – Com a campanha na rua, o presidente lançou o Desenrola 3.0, perdoou dívidas tributárias dos microempreendedores individuais (MEIs) e prometeu Pix de até R$ 5 mil para a categoria, canetas emagrecedoras pelo SUS e acabou com a “taxa das blusinhas” que ele mesmo havia criado. E esses são apenas alguns exemplos.

Na ferramenta “gastômetro” lançada pelo Estadão é possível verificar tantas outras e o tamanho do impacto nas contas públicas. Os gastos de Lula para tentar se reeleger já atingiram R$ 354 bilhões no terceiro mandato.

Mas, como o próprio presidente disse este ano, para ele a lei eleitoral é uma “papagaiada desgraçada”. A reclamação do petista foi por não poder fazer atos de inauguração de obras a partir de julho.

EXISTEM LEIS -A lei eleitoral proíbe o governante de conceder uma série de benesses nas vésperas da disputa, como fazer doações, pagar emendas parlamentares e participar da inauguração de obras.

Apesar das restrições, é comum presidentes abrirem os cofres em ano eleitoral para ampliar programas e gastos à população. A novidade este ano foi no volume e nas datas, dias antes do primeiro e segundo turnos, o que provocou reação de congressistas e partidos.

Como mostrou a Coluna do Estadão, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) apresentou nesta terça-feira, 20, um projeto de lei para impedir a concessão de “pacote de bondades” às vésperas das eleições.

PENA DE PRISÃO   A proposta estabelece restrições à criação de programas de transferência de renda, ampliação extraordinária de auxílios, concessão de subsídios, benefícios fiscais e perdão ou renegociação favorecida de dívidas. O texto prevê até quatro anos de prisão para agentes públicos que descumprirem as regras.

Elas valeriam para presidentes, governadores, prefeitos e demais agentes públicos responsáveis pela execução dessas medidas, independentemente de estarem concorrendo à eleição.

A iniciativa também busca impedir que as restrições sejam contornadas por medidas provisórias, decretos ou abertura de créditos extraordinários para custear vantagens não previstas anteriormente.

NA JUSTIÇA – Paralelamente, o partido Novo tende a encampar as discussões nessa linha e acionou a Justiça Eleitoral. A legenda protocolou no Tribunal Superior Eleitoral uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que pede a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin, além da inelegibilidade de ambos por oito anos por abuso de poder político.

O levantamento formulado pelo partido aponta 35 medidas de impacto financeiro aprovadas pelo governo em 2026, das quais 12 ocorreram durante o período oficial de campanha.

O Novo recorreu também ao Tribunal de Contas da União (TCU) para apurar os efeitos fiscais das medidas sobre as contas públicas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente artigo de Roseann Kennedy, uma jornalista de verdade. O texto demonstra a impressionante irresponsabilidade de Lula, que não se importa com o país e vai deixar um legado aterrador. Dados do Banco Central (BC) indicam que a dívida externa acumulada no governo Lula cresce mais do que reservas e o Brasil voltou a ser devedor internacional após 19 anos, embora Lula negue essa informação oficial de seu próprio governo. Como se vê, a falta de caráter dessa gente é uma arte, como diria Ataulfo Alves. (C.N.) 

Lula ganha confiança entre ministros do STF, mas ala ligada a Mendonça aposta em Flávio

Dentro do STF, eleição já é vista por dois ângulos opostos

Bela Megale
O Globo

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) alinhados a Alexandre de Moraes avaliam que é grande a chance de Lula conseguir superar Flávio Bolsonaro e vencer as eleições no segundo turno.

Magistrados afirmaram ver um movimento de reação de grupos alinhados a Lula após a derrota para Flávio no primeiro turno por menos de dois pontos percentuais. Para eles, a reação somada à série de iniciativas que o governo vem realizando na área econômica terão efeito nas urnas.

DIFERENÇA MENOR – O líder e presidente de um partido do centrão fez a mesma leitura de alguns ministros da corte de que o petista deve sair vitorioso com uma diferença menor da que teve em relação a Jair Bolsonaro em 2022, com cerca de 1 milhão de votos.

Lula tem mantido conversas discretas com alguns ministros do Supremo. Esses magistrados relataram que o presidente se mostrou surpreso ao chegar atrás de Flávio no primeiro turno da disputa. O grupo do STF alinhado a André Mendonça, no entanto, não enxerga chances de Lula reverter o cenário e dá como certa a vitória de Flávio.

A promessa de prosperidade de Flávio Bolsonaro e a conta que não fecha

Campanhas fortaleceram militância, mas esqueceram quem vai definir esta eleição

Flávio e Lula não conseguem conversar com quem irá definir as eleições

Radicalização assusta indeciscos, ao invés de atrair

Fabiano Lana
Estadão

Em um país simetricamente cindido em divisões formadas por milhões de eleitores, é muito fácil pregar para os adeptos – principalmente os fanáticos. Irão rapidamente para as redes, para as avenidas. Carregarão bandeiras, irão atormentar os integrantes de seus grupos de conversa, em busca de virar votos.

Mas a diminuta parcela de indecisos, em torno de 2%, que serão cruciais para determinar a vitória, segue como plano C ou D dos candidatos ou equipes de campanha. Não conseguem conversar com quem irá definir as eleições.

TUDO MUITO ÓBVIO – Os movimentos do petismo e do bolsonarismo foram óbvios nesse sentido de falar para os seus. Na primeira semana, enquanto Flávio Bolsonaro, embevecido pelo resultado preliminar, angariava apoios burocráticos, o PT deitou-se no divã da frustração.

Na segunda semana, houve a relargada de forte mobilização petista, com anúncios populistas, manifestações por todo o Brasil, pressão para pessoas públicas se posicionarem e a consolidação do tal exército do deputado André Janones, um político a quem pesam acusações comprovadas de machismo, de misoginia, mas a quem a maioria dos apoiadores de Lula perdoou em nome da vitória.

Flávio, por sua vez, parecia algo apático (fora anunciar outras medidas também de cunho “popular”, nos moldes de seu adversário).

NA RUA E NA TV – Na terceira semana, o bolsonarismo acorda com uma grande manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, e a participação bélica de Flávio Bolsonaro no debate Band/Estadão – com mentoria do coach Pablo Marçal.

Fora mais uma demagogia, como a antecipação do pagamento de parcela reajustada referente ao programa Bolsa Família, na véspera do pleito. Ainda não se sabe qual será a cartada final do petismo, ainda abalado com a pancaria do último domingo.

Trazer pessoas histriônicas e retoricamente agressivas para a campanha, como Janones e Marçal, chantagear personalidades a declarar votos, insistir em medidas eleitoreiras e imediatistas, investir em hostilidade em encontro presencial de candidatos, tudo isso espanta o tal indeciso. Até porque esse tipo de eleitor é de fato fugidio. Não está nas ruas com bandeira, pode não se manifestar nem mesmo entre a família, não acredita que declaração de voto seja prova de virtude. E, pasmem, talvez goste de fazer contas para saber se promessas cabem no orçamento.

DEBATE CHATO – O debate é uma porcaria – mas os eleitores querem algo diferente? De fato, é bastante difícil fazer campanha para essa minoria neste momento.

Teria de ser necessário, por exemplo, discutir projetos e propostas de maneira racional, o que parece inviável em conjuntura de histeria generalizada.

Exigiria sobriedade quando a onda é de contundência e assertividade. Seria algo considerado frio e calculista quando os grupos mobilizados pedem incêndios e fervuras. Mas poderia ser o caminho mais eficiente.

Juízes eleitorais atuam como advogados em processo nos tribunais superiores

História em quadrinhos alerta sobre assédio eleitoral no trabalho; veja revista

Reprodução do Arquivo Googlr

Hugo Henud
Estadão

Advogados que hoje ocupam vagas de juiz no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de todo o País aparecem como representantes de partes em pelo menos 3.880 processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O acúmulo das duas atividades é permitido pelas regras atuais, que autorizam esses profissionais a continuar advogando em outros ramos da Justiça durante o mandato, mas os impedem de atuar perante a própria Justiça Eleitoral.

EM TRAMITAÇÃO – O levantamento do Estadão cruzou os nomes dos advogados que atualmente integram o TSE e os 27 TREs com as bases processuais dos dois tribunais superiores, considerando apenas as ações ainda em andamento. A presença nesses processos, porém, não significa necessariamente que a atuação profissional tenha começado depois da posse na Justiça Eleitoral. Parte das causas pode ter sido assumida anteriormente e permanecido em tramitação durante o mandato.

Para especialistas, o modelo abre margem para conflitos de interesse ao permitir que profissionais responsáveis por julgar disputas eleitorais mantenham, simultaneamente, relações advocatícias com clientes privados. Também é alvo de críticas a ausência de quarentena após o mandato, o que permite aos ex-juízes voltar a advogar imediatamente, inclusive perante os tribunais dos quais fizeram parte.

“A advocacia conseguiu driblar qualquer tipo de iniciativa razoável de proibir que, enquanto um jurista é ministro do TSE, ele possa também advogar”, afirma o professor de Direito Constitucional da USP Conrado Hübner Mendes. “Por mais sério e honesto que essa pessoa seja, o exercício da advocacia em paralelo ao cargo cria conflitos”, acrescenta.

RESERVA – A presença de advogados nas cortes decorre da própria composição da Justiça Eleitoral, que reserva à classe duas das sete cadeiras titulares do TSE e duas em cada um dos 27 TREs, além de igual número de vagas para substitutos. Nomeados pelo presidente da República para mandatos de dois anos, renováveis uma vez, esses profissionais podem exercer a função de juiz por até quatro anos. Os titulares participam regularmente dos julgamentos, enquanto os substitutos são convocados nas hipóteses previstas pelas regras dos tribunais.

Fora da Justiça Eleitoral, a maior parte dos processos em que esses profissionais aparecem como advogados tramita no STJ. Dos 3.880 registros identificados pelo levantamento, 3.836, ou 98,9%, estão na corte responsável por uniformizar a interpretação da legislação federal. Ali chegam desde disputas empresariais e tributárias até processos criminais e controvérsias envolvendo a administração pública. Os outros 44 processos, equivalentes a 1,1% do total, tramitam no STF, responsável por julgar questões constitucionais.

Debate entre Lula e Flávio não resolve disputa pelo voto dos indecisos

Marçal manda aliados de Flávio evitar ataques a Lula e explorar medo dos eleitores

A bancada do centrão até encolheu, mas continua como dona da governabilidade

PT assina pedido de CPMI sobre Lulinha e cobra Flávio por comissão que mira senador

PT pressiona Flávio a apoiar investigação sobre INSS e Master

Bela Megale
O Globo

Lideranças do PT assinaram o pedido de abertura de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha.

Entre os signatários do documento estão o ex-ministro da Educação e líder do PT no Senado, Camilo Santana, a líder do governo no Senado, Tereza Leitão, e o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai.

DESAFIO – Em contrapartida, parlamentares do PT e ministros do governo lançaram o desafio a Flávio Bolsonaro e a aliados do senador para assinarem o pedido de CPMI que apura a ligação do presidenciável com os desvios do INSS e o escândalo do Banco Master, envolvendo Daniel Vorcaro.

A comissão tem como foco apurar o pagamento de US$ 24 milhões por Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro para o filme “Dark Horse”, além das relações do senador com o advogado Willer Tomaz, alvo de investigação da Polícia Federal. Nem Flávio, nem seus aliados assinaram o pedido de abertura da CPMI que mira o senador.

Flávio promete acabar com entraves ambientais e provoca reação de entidades

Coordenador da campanha de Lula diz que Lulinha vive na Espanha com padrão de classe média

Lulinha vive na Espanha de forma “modesta”, diz advogado

Poliana Santos
CNN

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou em entrevista exclusiva à CNN nesta segunda-feira (19) que o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, vive na Espanha de “forma modesta”, com um padrão de vida de classe média.

“Ele vive na Espanha, onde cria e educa seus filhos de forma digna, embora modesta. Uma vida de classe média, como resultado do seu trabalho”, disse o advogado.

PLANEJAMENTO – Marco Aurélio rebateu a possibilidade de Lulinha ter se mudado para a Europa como forma de fugir das investigações. Segundo ele, o planejamento da mudança para a Espanha começou antes, com o objetivo de “criar seus filhos na tranquilidade”.

“Ele achou que poderia criar os filhos com certa tranquilidade na Espanha, que ali não iria carregar o peso do sobrenome, de ser filho do presidente Lula, e que não iria sofrer as perseguições que costumeiramente sofre, em especial no período das eleições”, disse.

“Então, em 2024, ele começou a fazer a mudança, a matrícula, a escola. Em 2025, ele foi para a Espanha, onde vive de forma absolutamente compatível com o que recebe”, concluiu.

ÁREA PRIVADA – O coordenador explicou que Lulinha atua na área privada, com prestação de consultoria em ESG (ambiental, social e governança), sem relação “direta ou indireta com o governo brasileiro”.

O filho mais velho do presidente Lula é investigado em três inquéritos. As apurações miram suspeitas de tráfico de influência e corrupção em benefício de empresas junto ao governo federal. Lulinha nega irregularidades em sua atuação.

Ele entrou na mira das investigações após a divulgação de sua proximidade com a lobista Roberta Luchsinger, que foi alvo, em dezembro do ano passado, da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

R$ 5 bilhões em bets: Amigo de Flávio aparece como maior apostador do país

Lula ganha munição eleitoral com plano de Flávio para o Bolsa Família

Fala de Daniella Marques foi descrita como “ouro puro”

Bela Megale
O Globo

A campanha de Lula vai explorar o plano de Flávio Bolsonaro de implementar uma “regra de transição de dois anos” do programa Bolsa Família. Segundo entrevista da coordenadora do núcleo econômico da campanha do senador, Daniella Marques, à CBN Bahia, esse período servirá para que os beneficiários abram seus negócios ou aceitem empregos de carteira assinada. Caso não consigam nenhuma dessas oportunidades, teriam o benefício renovado de maneira automática.

A fala de Daniella Marques foi descrita como “ouro puro” por membros da campanha de Lula, que têm explorado que Flávio Bolsonaro acabará com o Bolsa Família e outros programas sociais, o que o senador nega.

 REGRA DE TRANSIÇÃO – “Vai ter regra de transição de dois anos [no Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada. Todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade”, disse Marques, em entrevista à CBN Bahia.

Danielle Marques disse que já existe a regra de transição e que o plano de Flávio é dobrar o período: “Existe uma regra hoje de um ano e nós vamos dobrar. Nosso objetivo é incentivar a pessoa a melhorar de vida, buscar um emprego ou abrir um negócio e mesmo assim ter a proteção do Bolsa Família, para poder dar o próximo passo sem medo. Não há desligamento algum. Quem diz isso está mentindo. É má-fé com quem mais precisa do apoio do Estado”. A fala da coordenadora da equipe econômica de Flávio será usada pelos petistas na busca de reforçar o discurso do medo com a eleição do candidato do PL.

Lula aciona TSE e acusa Meta de favorecer Flávio Bolsonaro com inteligência artificial

Flávio promete governo próprio, mas mantém Bolsonaro como principal conselheiro

Cariocas e vítimas da violência, vejam só o que Lula realmente pensa de vocês

Band vence Globo com debate Lula x Flávio Bolsonaro - 18/10/2026 - Outro  Canal - F5

Lula deu bobeira e chamou os cariocas de “malandros”

Rogério Pires
Revista TimeLine

Faltavam poucos minutos para o fim do primeiro bloco quando o presidente da República resolveu explicar ao Brasil o que pensa de quem nasceu no Rio de Janeiro. Diante das câmeras da Band, no primeiro encontro com Flávio Bolsonaro em toda a campanha, Lula chamou o adversário de “malandro carioca”.

Não foi escorregão de botequim. Foi escolha de palavra, em horário nobre, a uma semana do segundo turno. Eu estudei na Escola Técnica Visconde de Mauá, em Marechal Hermes. Saí de lá técnico em eletrônica e passei mais de vinte anos no serviço público ao lado de gente que pega trem lotado antes de o sol nascer e só volta para casa à noite. Professores, enfermeiras, vigilantes, estudantes que conciliam emprego e curso noturno. Conheço o carioca de perto. Malandro não é a palavra que me vem à cabeça.

DEFORMAÇÃO – Para o presidente, porém, o lugar de nascimento parece bastar como acusação. Ele colou a origem a um defeito de caráter, como quem repete piada velha em mesa de bar. Flávio abriu o bloco seguinte prestando solidariedade aos moradores do Rio. Fez o que qualquer representante do estado deveria fazer.

A segunda cena foi ainda mais reveladora. Ao falar de Dani Marques, coordenadora do programa econômico da campanha adversária, Lula não disse o nome dela. Chamou-a de “sua mulher da economia”.

Pense no peso dessa expressão. Daniella Marques nasceu em Barra Mansa, é economista formada pela PUC-Rio e presidiu a Caixa Econômica Federal, um dos maiores bancos públicos do país. Foi demitida pelo próprio Lula em janeiro de 2023. Ele conhece bem a trajetória dela. Escolheu apagar o nome e reduzi-la a um pronome possessivo, como se ela pertencesse a alguém.

“TOMAR TOQUE” – Flávio chamou a fala de machista e definiu Dani como uma profissional capacitada e gabaritada. E não é a primeira vez. No fim de setembro, a própria Dani classificou como abjeta outra declaração do presidente, aquela em que ele disse que as mulheres se acostumam a “tomar toque” desde pequenas.

Quantas vezes uma mulher competente precisa ouvir isso até alguém dizer basta? Não é deslize. É padrão. Quem acha que a noite de domingo foi um acidente não acompanhou os últimos 26 anos.

Em 2000, enquanto ajeitava a gravata do candidato do PT à prefeitura de Pelotas antes de uma gravação, Lula perguntou se aquela era uma “cidade-polo, exportadora de veados”. A piada virou capítulo obrigatório no catálogo de falas preconceituosas da política brasileira.

GRELO DURO – Em 2016, um grampo da Lava Jato registrou o então ex-presidente cobrando do aliado Paulo Vannuchi uma reação das deputadas do partido: “Cadê as mulheres de grelo duro do nosso partido?”

Em julho de 2023, em Cabo Verde, disse ter profunda gratidão à África por tudo o que foi produzido em 350 anos de escravidão no Brasil. Até a própria ministra da Cultura na época, Margareth Menezes, condenou e admitiu que a frase foi “mal colocada”.

Em fevereiro de 2024, numa fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, havia uma jovem negra no palco. Chamava-se Luiza Eduarda Leôncio, tinha 20 anos, estudava engenharia na Universidade Federal do ABC e acabara de ser eleita a melhor aprendiz da montadora, com direito a representar o Brasil num evento na Alemanha.

MÉRITO E COR – Lula olhou para ela e imaginou que fosse cantora. Depois explicou ao público por que pensou assim: “uma afrodescendente assim gosta de um batuque, de um tambor”. Luiza estava ali pelo mérito. O presidente só enxergou a cor.

Em julho de 2024, no Palácio do Planalto, comentou uma pesquisa que mostra o aumento da violência contra a mulher depois dos jogos de futebol. E soltou: “Se o cara é corintiano, tudo bem, como eu”. Quem respondeu à altura foi a ministra das Mulheres do governo dele, Cida Gonçalves, ao dizer que não aceita piadinha nem de presidente da República.

Em agosto de 2025, em Sorocaba, ao lançar unidades do Brasil Sorridente, Lula contou que mandou arrancar de uma revista oficial a foto de um senhor negro que sorria. A intenção declarada era condenar o preconceito da imagem. A frase que ele escolheu para isso foi “um cara sem dente e ainda negro”. Rendeu notícia-crime na PGR, protocolada pelo deputado Helio Lopes.

PRECONCEITUOSO -Seis episódios. Gays, mulheres, negros, vítimas da violência doméstica. Em todos, a mesma defesa: brincadeira, frase tirada de contexto, má vontade de quem ouviu.

E então veio o momento que vai ficar. No debate, pouco antes, Flávio havia citado casos de pessoas assassinadas por condenados que estavam fora da cadeia. Lula respondeu defendendo os bandidos condenados, sem a menor cerimônia ou qualquer sentimento ou ainda, preocupação com as vítimas.

Aí veio a pergunta que ele não queria ouvir. Por que quase três em cada quatro presos votaram nele no primeiro turno? O número é do TSE: 72,6% dos votos válidos nas seções dos presídios. Lula não explicou. Dobrou a aposta. “Eu quero que vote cem por cento.”

Em tom de deboche. E parte da plateia riu junto. Flávio, não. “Você foi eleito por aclamação nos presídios, você representa eles”, devolveu.

AULA DE CIVILIDADE – Na mesma noite em que defendeu quem cumpre pena, o presidente transformou o voto da cadeia em piada de palco. Duvido que as famílias das vítimas citadas minutos antes tenham achado graça.

Ao chegar à Band, Lula disse esperar que o debate fosse uma aula de civilidade. Saiu de lá tendo chamado o adversário de miliciano, de malandro carioca e de mentiroso contumaz. O clima esquentou tanto que, nas considerações finais, o debate precisou ser interrompido em meio aos gritos.

Propaganda eleitoral tem edição, trilha sonora e luz bonita. Debate ao vivo não tem. Por isso ele importa tanto. É ali que o candidato aparece sem filtro. E o Brasil viu, numa só noite, o que o presidente pensa do Rio de Janeiro, das mulheres que discordam dele e das vítimas da violência.

HAVERÁ REAÇÕES – Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A disputa segue aberta e se decide no próximo domingo, 25 de outubro.

Até lá, cada carioca que já foi tratado como suspeito por causa do CEP, cada mulher que já foi apresentada como “a mulher de alguém” numa reunião, cada jovem negro que já teve o mérito confundido com estereótipo e cada família que ainda espera justiça terá uma semana para pensar no que ouviu. Eu já pensei. E não vou esquecer.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente artigo, enviado pelo comentarista Mário Assis Causanilhas. Mostra que o maior inimigo de Lula chama-se Luiz Inácio. Cada vez que ele fala, o petista perde votos. (C.N.)