A batalha pelo voto dos ausentes entra na reta final entre Lula e Flávio

Mais de 600 juristas fazem alerta contra concentração de poder às vésperas da eleição

Fim da escala 6×1 conquista 66% dos eleitores e atravessa a polarização política

Até entre bolsonaristas prevalece o apoio à mudança

Luciana Casemiro
O Globo

O apoio ao fim da escala de trabalho 6×1 ultrapassou a polarização política e alcançou 66,3% dos eleitores brasileiros. Segundo dados da pesquisa BTG/Nexus, 26,4% desaprovam e 7,3% não souberam ou não quiseram responder. É entre os classificados como “bolsonaristas convictos” que está a maior taxa de rejeição à medida: 48,1%.

A aprovação da nova jornada por esse grupo, no entanto, está longe de ser desprezível: é de 42,4%. A resistência recua entre os eleitores menos radiais, que veem “Bolsonaro como alternativa”. Nesse grupo o apoio à escala com duas folgas semanais salta para 60,9%, enquanto a desaprovação cai para 32,6%.

“LULISTAS CONVICTOS” – Os eleitores “lulistas convictos” são os que lideram o entusiasmo pela redução da jornada de trabalho, com 88,9% de apoio e apenas 8,9% de rejeição. Entre os brasileiros que se dizem “anti-Lula e anti-Bolsonaro”, segundo a pesquisa, 67,9% são favoráveis ao fim da escala 6×1.

— Embora a base bolsonarista mais radical resista à regulação estatal da jornada, seis em cada dez eleitores moderados de Flávio Bolsonaro aprovam a mudança. Trata-se de um tema capaz de furar bolhas partidárias na reta final do debate político — afirma Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

PAUTA HISTÓRICA – A mudança na escala é uma pauta histórica da esquerda brasileira, especialmente do PT, o que explica os maiores percentuais de aprovação da medida entre os eleitores alinhados a Lula, que é candidato do partido. Historicamente, a direita sempre se posicionou contrária à alteração da escala.

O senador Flávio Bolsonaro, inclusive, mudou seu posicionamento às vésperas da votação no Congresso, levando com ele a bancada do PL e dos partidos coligados, diante do risco de que um voto contrário à medida, que, como reforça a pesquisa, tem grande apoio popular, pudesse ter algum impacto nas urnas.

A Nexus — Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou, por telefone, 2.002 pessoas entre os dias 16 e 18 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%

Campanha de Flávio escala Deltan para analisar os sigilos de Lula, Lulinha e etc.

Homem de óculos e cabelo curto sorri amplamente enquanto aplaude com as mãos à frente do corpo. Ele veste suéter azul escuro e relógio com pulseira laranja. Fundo desfocado em tons de verde, azul e amarelo.

Deltan está vibrando com a possibilidade de pegar Lula

Fábio Zanini
Folha

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) designou o ex-procurador da Lava Jato e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) para examinar os documentos entregues pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) referentes a seus sigilos fiscal e bancário.

O petista se comprometeu a abrir seus dados, além dos de sua mulher, Janja, do seu filho Fábio Luís, o Lulinha, e de seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, entre outras pessoas ligadas ao presidente.

Deltan foi escalado para a tarefa por já ter examinado, durante a Lava Jato, questões que envolveram o filho de Lula.

PENTE FINO – A campanha diz que ele vai analisar “cada extrato e relatório para desconstruir a narrativa petista e rastrear inconsistências”.

“A campanha de Flávio Bolsonaro defende que a sociedade brasileira tenha acesso à verdade e que nenhuma promessa de transparência seja tratada como prova antes de uma análise criteriosa dos fatos”, diz em nota.

As duas campanhas se envolveram nos últimos dias em uma “guerra de sigilos”. Lula primeiro desafiou Flávio a que ambos abrissem seus dados, durante debate na Band, no domingo (18). Depois, o senador disse que concordava e rebateu, dizendo que o presidente deveria fazer o mesmo com familiares e assessores próximos, o que foi aceito pelo petista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Em sua ignorância “sesquipedal” (de cento e cinquenta pés), com dizia o general João Figueiredo, Lula caiu numa tremenda armadilha que algum idiota do PT sugeriu, e talvez a ideia tenha sido de sua própria mulher, Janja da Silva. Sabe-se que Flávio Bolsonaro não é flor que se cheire, porém é muito mais preparado em lavagem de dinheiro do que Lula. A quebra de sigilo dos dois será proveitosa ao país, mas é provável que jamais ocorra. Ou seja, eles ficarão embromando, embromando, e nunca entregarão realmente os dados. (C.N.)

Rejeição e disputa por protagonismo afastam Marçal da campanha de Flávio

Nordeste vira campo decisivo na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Batalha pelo Nordeste expõe estratégias opostas

Malu Gaspar
Rafael Moraes Moura
O Globo

Segunda região mais populosa do país, o Nordeste se transformou na arena mais disputada na reta final da campanha de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência da República. A região reúne 43,5 milhões de pessoas aptas a votar e concentra 27,42% do eleitorado, um contingente que pode fazer a diferença num cenário em que os dois presidenciáveis aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas.

Do lado de Lula, que já teve 63,77% dos votos válidos na região no primeiro turno, a meta é aumentar a dianteira para Flávio, aproveitando a base fornecida por governadores e senadores eleitos no primeiro turno. Nos últimos dias, o presidente da República visitou Bahia, Maranhão, Pernambuco e Sergipe.

IMPULSIONAMENTO – Além disso, a campanha aposta no impulsionamento de vídeos produzidos especificamente para a região. Muitas dessas peças sugerem que Flávio Bolsonaro quer acabar com o Bolsa Família – algo que o próprio senador nega que vá fazer –, enquanto Lula não só defende o programa social, como reajustou o valor do benefício.

Para Flávio Bolsonaro, que no primeiro turno já obteve 1,6 milhão de votos a mais do que o Jair Bolsonaro em 2022, a meta é tentar conquistar os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) – juntos, os três obtiveram mais de 5,6 milhões de votos.

Como não elegeu nem governador e nem senador nesses estados–chave onde Lula é forte, a campanha destacou para visitar a região deputados influenciadores que atraem público mesmo sem a presença de Flávio Bolsonaro e contratou trios elétricos para promover comícios e manifestações em formato de bloco de carnaval. Foram para estados como Piauí, Bahia e Pernambuco o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), os deputados federais eleitos Lucas Pavanatto (PL-SP) e Mariana Carvalho (PL-MA) e o senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) .

VISUALIAÇÕES – De olho no eleitor de direita e no indeciso do Nordeste, Nikolas também gravou um vídeo em que moradores da região manifestam desilusão com o que chamam de “promessas não cumpridas” de Lula. Até a noite de terça (20), ou seja, em poucas horas, o vídeo teve 108 milhões de visualizações no Instagram e 6,6 milhões no X.

O coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro e senador pelo Rio Grande do Norte, Rogério Marinho (PL), vai a Mossoró (RN) para um ato de campanha. O Rio Grande do Norte é o único dos nove estados nordestinos que terá segundo turno na disputa pelo governo estadual, entre o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil) e o ex-secretário de Fazenda Cadu de Lula (PT).

Lá, Lula obteve 59,75% dos votos válidos no primeiro turno, ante 34,77% de Flávio, uma diferença de aproximadamente 25 pontos percentuais, menos ampla que a registrada no Nordeste como um todo, que foi de 32 pontos percentuais.

Amigo de Flávio Bolsonaro pagou para retirar reportagens que ligavam advogado ao senador

Flávio tem 82% de chance de vencer, preveem especialistas internacionais

Pesquisa eleitoral📊 https://www.bbc.com/portuguese/articles/cm1dlv13yql9o O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece quatro pontos à frente do atual presidente ... - YouTube

Quem chega a frente no primeiro turno sempre vence

Deu na BBC News

A revista britânica The Economist publicou uma reportagem na quarta-feira (21) na qual afirma que o segundo turno da eleição brasileira será provavelmente o mais acirrado desde a redemocratização do país.

A reportagem questiona em seu título: “Será que Lula, agora um azarão, ainda tem um última carta na manga”.

O texto afirma que “nenhum candidato que perdeu o primeiro turno conseguiu, até hoje, vencer o segundo”, mas diz que Lula “se recusa a ser derrotado”, mesmo tendo ficado atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na votação do primeiro turno.

REVIRAVOLTA? – O senador aparece um ponto à frente do presidente nas intenções de voto para o segundo turno, de acordo com o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. “Será que ele consegue, agora, protagonizar uma reviravolta?”, questiona a Economist.

A revista afirma que, desde a derrota “desastrosa” no primeiro turno, Lula tomou “medidas drásticas”, como apoiar a redução da maioridade penal para crimes graves, pressionar o Congresso para aprovar o fim da escala 6×1 e prometeu o perdão da dívida de pequenas empresas e transporte público gratuito nos finais de semana.

Além disso, a revista lembra que o governo Lula reajustou o valor do Bolsa Família e proibiu as apostas esportivas.

FLÁVIO REAGE – A Economist afirma que pesquisas de opinião sugerem que as medidas estão tendo algum efeito, mas ressalta que “os institutos de pesquisa no Brasil têm falhado repetidamente em captar com precisão o sentimento de direita, inclusive antes do primeiro turno, em 4 de outubro, quando as pesquisas apontavam Lula com vários pontos de vantagem”.

Segundo a revista, Flávio Bolsonaro está reagindo às medidas de Lula. “Ele acabou votando a favor da redução da jornada de trabalho, embora antes a tivesse criticado. Em um debate no dia 18 de outubro, ele alegou que a criminalidade havia disparado durante

o terceiro mandato de Lula (na verdade, ela caiu). Dos quatro candidatos de direita eliminados no primeiro turno —que, somados, obtiveram 8% dos votos—, três declararam apoio a Bolsonaro.”

FLÁVIO FAVORITO – A revista afirma que, apesar de as pesquisas mostrarem uma disputa acirrada, a consultoria especializada em previsões eleitorais Le Millénaire, baseada em Paris, estima em 82% a probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro.

A Economist diz também que a campanha de Flávio Bolsonaro gastou mais do que a de Lula para impulsionar seu conteúdo online.

“Antes do primeiro turno da eleição presidencial, a campanha de Bolsonaro gastou pelo menos US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões) para impulsionar seu conteúdo online. A campanha de Lula gastou pouco menos de US$ 500 mil (cerca de R$ 2,5 milhões), embora tenha distribuído muitos adesivos com o seu rosto”, diz a Economist.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Aqui no Brasil, usam as pesquisas para manipular os eleitores, mas sempre deixam altos furos em suas armações. Tudo indica que Flávio já pode mandar fazer o terno da posse. (C.N.)

Lula e Flávio chegam à reta final com três fluxos de votos em disputa

Petição de Lula para abrir os sigilos é apenas marketing sem valor jurídico

Lula fez um gesto que qualquer pessoa compreende, mesmo aquelas com menor  escolarização ou capacidade intelectual, que são coisas distintas. Ao  propor que ambas as famílias abram seus sigilos bancár

Reprodução do Arquivo Google

Roseann Kennedy
Estadão

Na tentativa de reverter a desvantagem do primeiro turno das eleições, no qual saiu atrás na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizando a quebra de seus sigilos fiscal e telefônico e desafiando o adversário a fazer o mesmo. Sete pontos do documento, porém, expõem que a promessa de Lula não passa de um fato político sem nenhum efeito prático ou legal.

Uma análise feita por criminalistas confirma que o documento entregue ao TSE é uma jogada de marketing. Sem viabilidade técnica, a tendência é que seja arquivado sem decisão da Justiça Eleitoral. O caso está com relatoria do ministro André Mendonça, no TSE.

SEM EFEITO  – “A oferta de Lula de abrir seu sigilo e de seus familiares é gesto de efeito, sem conteúdo prático. O sigilo de Lulinha já foi quebrado por ordem do STF”, ressaltou à Coluna do Estadão o criminalista Sérgio Rosenthal.

“Relevante, de fato, seria que o presidente solicitasse a seu ex-chefe de gabinete e assessor pessoal (Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola) que admitiu ter recebido valores de Roberta Luchsinger, que abrisse seus próprios sigilos. E que seu filho, investigado em três inquéritos, deixasse a Espanha e viesse ao Brasil prestar esclarecimentos à Polícia Federal”, concluiu.

É de conhecimento público que Lula não tem celular, e seus intermediarios de contato telefônico sempre foram a primeira-dama Janja da Silva e seu assessor Marcola.

TROPRÇO JURÍDICO – Alexandre Zamboni, professor de Direito, também destacou as fragilidades jurídicas. Em seu perfil no Instagram, com mais de 500 mil seguidores, fez uma sequência de postagens partindo da seguinte observação:

“Antes de redigir qualquer petição, responda três perguntas: o que você quer que o juiz faça, com base em qual norma, e dentro de qual processo. A petição de Lula ao TSE sobre os sigilos dele e de Flávio Bolsonaro tropeça nas três”.

Lula não precisa do TSE para abrir os próprios dados: A lei garante que qualquer cidadão pode divulgar seus próprios extratos e declarações quando quiser, mas ninguém pode abrir sigilo de familiares. A petição foi assinada apenas por Lula, mas afirma que também vai expor dados da esposa e dos filhos. Juridicamente, uma pessoa não pode abrir mão de direitos fundamentais de terceiros sem uma autorização expressa;

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Em suma, apenas mais uma conversa fiada de Lula, que é um especialista em manter sob sigilo as informações que deveriam ser de conhecimento público. Mas quem se interessa?  No Brasil, todos sabem que Lula é uma farsante. Mesmo assim, continua na vida pública. E haja saco… (C.N.)

O voto evangélico revela a distância entre Lula e uma parcela decisiva do Brasil

Sigilo aberto de Lula poderá localizar R$ 70 milhões sumidos da conta dele

InfoMoney on X: "REPERCUSSÃO DO DEBATE DOS CANDIDATOS Jornais estrangeiros descreveram o primeiro debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite do último domingo (18) pela Band, como um

Charge reproduzida do Infomoney

Afanásio Jazadji

Segundo informações oficiais, o presidente Lula, que afirmava não gostar de ler livros e nem jornais, depois que deixou a Presidência da República, em 2011, passou a dar palestras a grandes construtoras e grupos econômicos ao preço de R$ 300 mil cada.

Entre 2011 e 2015, sua empresa, denominada LILS Palestras, Eventos e Publicações, faturou R$27 milhões de reais.

72 PALESTRAS – Para tanto, o então ex-presidente, que detém 98% das cotas da sociedade LILS, proferiu um total de 72 palestras remuneradas para cerca de 45 empresas e instituições no Brasil.

Os temas dessas caríssimas palestras, seu conteúdo e relação de participantes são “segredo de Estado”. Por cautela ou distração, não houve gravação desses eventos, em nome da famosa confidencialidade. E nem se conhece o local das conferências e nem os nomes desses privilegiados ouvintes.

O fotógrafo pessoal de Lula, Ricardo Stuckert, jamais tirou uma foto desses 72 eventos misteriosos, nem qualquer participante tirou uma selfie ao lado do palestrante petistas

COM CORREÇÃO – Fato é que a correção monetária estimada de R$27.000.000,00 pelo INPC (IBGE), no período de janeiro de 2015 a janeiro de 2026, resulta num valor total atualizado de aproximadamente R$ 46.880.000,00.

A inflação acumulada pelo índice para este intervalo de 11 anos girou em torno de 73,65%. Isso significa que a variação real foi de R$ 19.886.000,00., Incidindo-se juros de 6% ao ano, teremos um acumulado de 66%, que aplicados sobre os R$  46.880.000,00 já atualizados, resultariam em cerca de R$70.000.000,00.

Para onde foram destinados esses recursos estratosféricos, que simplesmente sumiram?

INFORME AO TSE – É preciso explicar o sumiço do dinheiro, já que o agora presidente Lula em sua obrigatória informação patrimonial, como candidato ao quarto mandato, informou ao Tribunal Superior Eleitoral que seus bens e contas bancárias não ultrapassam a quantia de R$ 5 milhões?

Os pagamentos recebidos pela LILS foram escrutinados pela Polícia Federal e pela Receita Federal, tendo a defesa de Lula sustentado a legalidade dos contratos celebrados com as empresas interessadas em ouvi-lo, inclusive, com a emissão de notas fiscais.

Acho que a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico de Lula, por certo, abarcará as atividades da LILS Palestras, Eventos e Publicações, cujo capital social não passa de míseros R$ 50.000,00. Ou mudou para mais?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Sensacional o  artigo de Afanásio Jazadji, jornalista, advogado e ex-deputado estadual em São Paulo por cinco
legislaturas. A informação sobre os R$ 70 milhões é importantíssima para os filhos de Lula, porque a esposa dele, dona Janja, decidiu que eles devem receber a herança com Lula ainda em vida. Os filhos não gostaram nada disso, estão unidos contra Janja, mas nada podem fazer, porque na mansão dos Lula da Silv, o dinheiro sempre fala  mais alto. (C.N.)

Voto direto nos partidos despenca e bate recorde negativo nas eleições de 2026

A conta do Estado social chega à França — e o Brasil deveria prestar atenção nesta crise

Nó do impasse na França está na Previdência

Solange Srour
Folha

Por décadas, a França construiu um amplo modelo de bem-estar social. Serviços públicos abrangentes, uma previdência generosa e uma rede de proteção que sustentaram um elevado padrão de vida. Hoje, a capacidade de financiar esse arranjo está em xeque. O envelhecimento pressiona a previdência e a saúde enquanto a economia cresce pouco e a produtividade avança lentamente. Sem uma correção crível e politicamente sustentável, o país pode ser obrigado a fazer um ajuste abrupto e socialmente mais custoso.

A credibilidade fiscal da França importa para a estabilidade do euro. Uma crise de confiança em sua dívida teria implicações sistêmicas e colocaria o Banco Central Europeu diante do desafio de conter uma escalada dos juros, como na crise da dívida europeia, de 2010 a 2012.

CONSENSO POLÍTICO – Naquele episódio, países como Grécia, Portugal, Irlanda e Chipre adotaram programas de consolidação fiscal e reformas em troca de assistência financeira. Uma intervenção monetária similar poderia aliviar a pressão dos mercados, mas não enfrentaria o problema fundamental: a falta de consenso político e social sobre medidas capazes de conter o avanço dos gastos.

Os investidores já cobram por esse impasse. O rendimento do título francês de dez anos se aproximou de 5%, maior nível desde 2002, enquanto o diferencial em relação ao título alemão passou de 0,4 a 0,5 ponto percentual para mais de 1,4 ponto percentual. Essa reprecificação acompanha o quadro fiscal: a dívida, inferior a 100% do PIB em 2019, deve superar 120% em 2026. Nesse contexto, a redução do déficit proposta pelo atual governo, de 5,4% para 5% do PIB, é claramente insuficiente para estabilizar essa trajetória.

O nó do impasse francês está, em grande medida, na previdência. A idade mínima permanece em 62 anos e nove meses, apesar do aumento da longevidade. A tentativa de ajustar essa regra desencadeou meses de protestos, avançou sem maioria parlamentar e acentuou a fragmentação política após as eleições de 2024. O episódio expôs uma dificuldade que vai além da França: sem respaldo político e percepção de equilíbrio na distribuição dos custos, reformas necessárias acabam adiadas.

REAVALIAÇÃO – O Brasil deveria olhar essa experiência com lupa. A reforma previdenciária de 2019 fixou idades mínimas de 65 anos para homens e 62 para mulheres, mas as transições ainda permitem aposentadorias precoces e preservam diferenças entre regimes, regras especiais e benefícios rurais. Com o envelhecimento da população, será necessário rediscutir idade mínima, convergência de regras e tempo de contribuição.

A assistência também merece atenção. Em 15 anos, o custo dos programas sociais passou de 1,3% para 2,7% do PIB, sem melhora proporcional na qualidade do gasto. Previdência e programas sociais representam quase 60% da despesa, comprimindo investimento e custeio. O BPC cresceu a taxas de dois dígitos nos últimos três anos, impulsionado por critérios frágeis, judicialização e controles insuficientes. Já benefícios pouco focalizados, como o abono salarial, seguem fora do debate.

MEDIDAS – A legitimidade social também será decisiva no Brasil. Uma solução crível e politicamente aceitável não pode se resumir a cortes de benefícios. Deve combinar redução de supersalários no funcionalismo, maior controle das emendas parlamentares, revisão de subsídios e programas mal focalizados, integração de cadastros, combate a fraudes e proteção aos vulneráveis. O objetivo não é enfraquecer a proteção social, mas tornar o gasto público sustentável e eficiente.

A experiência francesa mostra que a crise se agrava quando o mercado duvida da capacidade política de definir prioridades. Com juros reais muito altos, a reação pode ser mais rápida e custosa. Preservar o Estado de bem-estar exige reformá-lo antes que o financiamento imponha escolhas que a política preferiu adiar.

Fachin defende equilíbrio no STF e alerta contra tribunal que queira governar por juízes

Kassio Nunes Marques aposta na vitória de Flávio para sobreviver politicamente

Nunes Marques suspendeu canal de Janones

Caio Junqueira
CNN

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, tomou uma decisão que pode ser lida como uma aposta na vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e na própria sobrevivência política.

A avaliação em Brasília é de que é isso que está por trás da decisão de suspender o canal “exército de Lula”, organizado por André Janones, que a campanha de Flávio aponta como disseminador de fake news.

ESTRATÉGIA ANTIGA – Não que não haja disseminação de notícias por parte dos apoiadores de Flávio ou de Lula. Fake news é algo tão antigo em campanhas eleitorais como juízes acusados de ter lado político.

A diferença é que, agora, a urna vai ditar quem vai matar e quem vai morrer, do ponto de vista político, claro, nas cortes superiores do Brasil. Já é sabido, por exemplo, que Alexandre de Moraes, acossado por suas relações com Daniel Vorcaro, deve cair se Flávio vencer.

A lógica é a mesma para Kassio Nunes Marques que, também acossado pela proximidade com Daniel Vorcaro, deve cair se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer. O debate sobre Fake News, seu alcance e quem as produz é, aqui, lateral. O que está em curso é a guerra interna do Supremo sendo importada pelo TSE.

Lula e Flávio preparam nova mudança de estratégia para o último debate

Lula deve focar mais em propostas e Flávio em perfil moderado 

Isabel Mega
CNN

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pretendem reavaliar estratégias para o segundo e último debate da eleição de 2026, programado para a sexta-feira (23), na Rede Globo.

Após um debate repleto de ataques, as duas campanhas devem apostar mais em pontos que possam chamar atenção do eleitorado moderado. A ideia é falar mais sobre a vida concreta da população e em como melhorar a vida do eleitor.

MODERAÇÃO –  Aliados de Flávio pontuam que o senador precisa ser mais moderado para conquistar mais 4% de votos que podem ser conquistados. A avaliação é de que Lula errou mais que Flávio, mas que o senador pode melhorar a performance para o próximo confronto.

Do lado de Lula, a visão é de que o presidente deve falar mais sobre propostas e se colocar como o “adulto na sala”. A ideia é não deixar vácuo no debate de segurança e trabalhar melhor as propostas para a área, porque é onde Flávio Bolsonaro cresce.

Alguns bolsonaristas pontuaram sob reserva que, quando Flávio não quiser responder a alguma pergunta provocativa, deveria adotar um tom mais sóbrio e dizer que não irá cair em provocação porque quer falar de futuro e de propostas.

DESPREPARO – Os petistas apontam que, pelas pesquisas qualitativas feitas internamente, Flávio deixou um saldo de “despreparado, agressivo, pirracento e infantil” em alguns momentos. Admitem, no entanto, que o senador se saiu bem na proposta de segurança.

Aliados de Flávio afirmam ainda que, por várias vezes, não foi possível entender o que Lula falava por causa da dicção do petista. Outra crítica foi sobre posicionamentos do presidente em defesa da saidinha de presos e ao chamar Flávio de “malandro carioca”.

Já para aliados de Lula, a defesa da quebra de sigilo de Flávio foi um dos pontos altos. Outra avaliação é de que Lula consegue se destacar quando fala sobre economia e seus impactos para a população.

“Pacote de bondades” de Lula divide juristas, mas não ameaça candidatura

Quaest mostra Lula e Flávio separados por um ponto a quatro dias da eleição

Flávio tem 45%, e Lula marca 44%

Caio Sartori
O Globo

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, a quatro dias do segundo turno, mostra distância de apenas um ponto percentual entre Flávio Bolsonaro (PL), que tem 45% das intenções de voto, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 44%. O levantamento foi contratado pelo O Globo e pela TV Globo. Considerando a margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos, os candidatos seguem em empate técnico.

Em comparação com a sondagem da última semana, Flávio oscilou um ponto para baixo, enquanto Lula permaneceu com o mesmo percentual. Os eleitores que dizem que vão votar em branco ou nulo se mantêm em 9%, e os indecisos são 2%, ante 1% na semana passada.

EMPATE NUMÉRICO – Na modalidade espontânea, aquela em que o entrevistado não é apresentado previamente aos nomes dos candidatos, os dois aparecem em empate numérico, com 40% cada. Esse formato é importante para medir quão convicto está o eleitor. O dado mais relevante da espontânea na nova rodada, inclusive, é o número de indecisos, que dobrou em uma semana e chegou a 14%.

A alta dos indecisos ocorreu em diferentes segmentos do eleitorado. Entre as mulheres, o posicionamento subiu de 8% para 17% Também cresceu na parcela de eleitores independentes, passando de 13% para 31%. Já entre beneficiários do Bolsa Família, houve aumento de 7% para 19%.

MOVIMENTOS DA CAMPANHA –  A nova pesquisa é a primeira do instituto depois de momentos importantes da campanha. Na semana passada, foi promulgado o fim da escala 6×1, bandeira eleitoral de Lula. Depois, os candidatos participaram das entrevistas da Globo e do debate da Band. Também cresceram, desde então, as mobilizações nas ruas e nas redes em prol dos candidatos.

Nos últimos dias, outra tendência que se acentuou foi o duelo de narrativas sobre o Bolsa Família. Baseada em declarações da coordenadora econômica de Flávio, Daniella Marques, a campanha de Lula passou a alegar que a vitória do filho de Jair Bolsonaro colocaria em risco o programa. O período de entrevistas do instituto, no entanto, não pegou tanto o auge dessas afirmações, que cresceram ontem.

O debate da Band foi considerado de péssimo nível pelas campanhas, que tentam agora modular a postura de Lula e Flávio para o encontro da Globo, na sexta. Pesquisas qualitativas também diagnosticaram que os eleitores não gostaram do primeiro embate.

APROVAÇÃO DO GOVERNO –  A pesquisa também mediu a percepção dos eleitores brasileiros em relação ao governo Lula. Segundo o levantamento, 47% desaprovam a atual gestão, enquanto 46% a aprovam. O cenário é de empate técnico, considerando a margem de erro.

O número de aprovação representa uma oscilação positiva de um ponto em relação à pesquisa anterior, do dia 14 de outubro, em que 45% dos eleitores aprovavam a gestão e outros 48% a desaprovavam. Outros 7% não souberam ou não quiseram responder, nas duas ocasiões. A pesquisa da véspera do primeiro turno havia mostrado a desaprovação do governo Lula em 49%.

A Quaest ouviu 2154 pessoas entre os dias 17 e 20 de outubro. Registrado na Justiça Eleitoral com o protocolo BR-08535/2026, o levantamento tem margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

O trem, nos encontros e despedidas de Milton Nascimento e Fernando Brant

Notas Musicais: Milton externa gratidão ao seu amigo e parceiro Brant em  texto no Facebook

Brant e Milton, grandes parceiros e amigos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, compositor e poeta mineiro Fernando Rocha Brant (1946-2015), na letra de “Encontro e Despedidas”, em parceria com Milton Nascimento, retrata o que sempre representou uma estação de trem, diariamente, na vida de qualquer cidade do interior. A música deu título ao LP gravado por Milton Nascimento, em 1985, pela Barclay/PolyGram.

ENCONTROS E DESPEDIDAS
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai querer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São dois lados da mesma viagem

O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar, é a vida