Após ataque a Moraes, Tarcísio admite fim do papel de interlocutor com STF

Distanciamento já vinha ocorrendo antes fala de Tarcísio

Bela Megale
O Globo

O discurso de Tarcísio de Freitas no 7 de Setembro, no qual chamou Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “tirano”, afastou ainda mais o governador e o ministro, segundo aliados de ambos. O distanciamento já vinha ocorrendo alguns meses antes do episódio, mas, depois da fala de Tarcísio, eles não conversaram mais.

A aliados, Tarcísio classificou seu pronunciamento como uma “questão de momento”, já que o ato na Avenida Paulista ocorreu às vésperas do início do julgamento de Jair Bolsonaro no STF. O governador nega, porém, que tenha deixado de ser uma pessoa afeita ao diálogo e repete que buscará os integrantes do STF sempre que precisar tratar de temas importantes para São Paulo.

INTERLOCUÇÃO – A integrantes de seu governo, Tarcísio admite, porém, que não faz mais o papel de interlocutor entre a corte e Bolsonaro que já desempenhou no passado, especialmente junto a Moraes. Se em 2024 os dois mantinham conversas regulares, hoje o clima é outro.

Ao descrever sua relação com o ministro para interlocutores, o governador diz que eles nunca tiveram proximidade, que sempre tratou de questões institucionais de São Paulo e que, às vezes, entrou em campo para ajudar Bolsonaro.

FALA DURA – Tarcísio também nega que sua fala dura contra Moraes no 7 de Setembro tenha tido cálculo político com o objetivo de se cacifar na disputa pela Presidência, e repete que seu plano é concorrer à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Nos bastidores, admite, porém, que a pressão sobre ele era elevada naquela ocasião e lembrou que políticos também precisam de votos.

O governador tem repetido que decidiu concorrer ao cargo em São Paulo, em 2022, por insistência de Bolsonaro, que lhe deu essa “missão”. Conta que se desincompatibilizou do posto de ministro da Infraestrutura faltando cerca de dez dias para o prazo vencer, e que o plano era uma vaga no Senado por Goiás. Com isso, busca mostrar que não tem como foco a Presidência da República.

Juristas alertam para erosão da autoridade do STF e sugerem Código de Conduta

Ao menos no papel, EUA agora reforçam à tese da “paz em dois Estados”

Palestinian Authority withdraws from Qatar funding scheme for Gaza - Qatari envoy | Reuters

Gaza era muito próspera antes de ser destruída por Israel

Demétrio Magnoli
Folha

“O plano de 20 pontos para encerrar a guerra em Gaza é tudo com que os israelenses sonharam —ou mesmo fantasiaram. Às vezes, parece mais uma lista de exigências de Israel do que compromissos diplomáticos” (Roy Schwartz, editor senior do jornal Haaretz). “Netanyahu obteve quase tudo que queria, graças a Trump” (Mohamad Bazzi, professor de jornalismo da New York University). Equivocam-se os dois: se aplicado, o plano dissolveria a utopia genocida do Grande Israel.

A aposta fácil é no fracasso do plano, porque: a) quase tudo termina em desastre na Terra Santa; b) seu caráter genérico exige complexas negociações a cada etapa, abrindo as portas para manobras de sabotagem de Netanyahu e do Hamas.

DOIS ESTADOS – Contudo, quem está no negócio da análise política, não no das apostas, precisa reconhecer o principal: os EUA retornaram, ao menos no papel, ao princípio da paz em dois Estados.

Netanyahu assumiu o programa da ala extremista de seu gabinete, que prega a limpeza étnica da Faixa de Gaza e o enterro da ideia de um Estado Palestino. Trump impulsionou tal programa ao delinear a visão da “Riviera do Oriente Médio”.

Num giro de 180 graus, porém, seu plano afirma o direito dos palestinos viverem em Gaza e, ainda, seu direito a um Estado independente. Nada disso é invenção do atual presidente americano: são propostas apresentadas no passado pelo governo Biden e inscritas num esboço recente formulado por Macron junto com os sauditas.

OUTRO PROTETOR – O giro de Trump foi deflagrado pelo bombardeio de Doha por Israel. Os países do Golfo beneficiam-se da proteção estratégica dos EUA. Se essa proteção perde valor, tenderão a procurar outro protetor —isto é, a China.

Não por acaso, foi da Casa Branca que Netanyahu enviou suas desculpas ao primeiro-ministro do Qatar. A vaidade, bússola maior de Trump, desempenha papel protagonista: o presidente americano, que sonha com o Nobel da Paz, colocou-se na posição de chairman do Conselho da Paz, órgão de supervisão geral do plano.

Netanyahu diria não, se pudesse. Disse não a Biden, pois sabia que seu interlocutor jamais abandonaria Israel. Diante de Trump, só sabe que tudo pode acontecer.

ROLETA RUSSA – O inédito isolamento internacional do Estado judeu proíbe-lhe brincar de roleta russa com o governo dos EUA. Por esse motivo, tenta reinterpretar o plano, sugerindo falsamente que ele não contém a promessa, lá no fim do arco-íris, da autodeterminação estatal palestina. Mas o sucesso de sua sabotagem exigiria uma negativa do Hamas, o parceiro tácito de sempre.

O Hamas encontra-se na encruzilhada. Seus dirigentes exilados inclinam-se a aceitar o plano, pois são cativos do Qatar, que opera junto com Trump. Por outro lado, os dirigentes em Gaza, que controlam o destino dos reféns israelenses, tendem a recusá-lo, pois o desarmamento extinguiria sua influência política. Uma rejeição reabriria o cenário da limpeza étnica, com o beneplácito de Trump. Seu sim condicional evidencia uma completa falta de opções.

Sobram motivos para objeções palestinas. Inexistem garantias firmes sobre a retirada israelense. O Conselho da Paz e a força internacional de estabilização configurariam um novo protetorado. O “caminho crível” rumo ao Estado Palestino aparece como mera declaração de intenções. O Hamas compartilha com o governo de Netanyahu uma oposição absoluta à paz em dois Estados. O plano de Trump encurrala os dois inimigos-irmãos.

Declaração de Gilmar Mendes aciona ofensiva de aliados de Bolsonaro nos EUA

“Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar…”

Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira

Hermínio Bello de Carvalho, grande compositor

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. Junto com o poeta Hermínio Bello de Carvalho, compôs “Timoneiro”,  um de seus sambas mais bonitos, em que os dois parceiros usam o mar como parábola do sentido de destino que orienta nossas vidas. Este samba foi gravado por Paulinho da Viola, em 1996, no CD Bebadosamba, pela BMG.

TIMONEIRO
Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho da Viola

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

E quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno do mar

Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar:
– Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar

E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

A rede do meu destino
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor

Vivo num redemoinho
Deus bem sabe o que ele faz
A onda que me carrega
Ela mesma é quem me traz

Piada do Ano! Gilmar acha (?) que Lei Magnitsky não atinge bancos brasileiros

O dilema da isenção para R$ 5 mil: entre alívio fiscal e armadilhas políticas

Charge do Nando Motta (brasil247.com)

Pedro do Coutto

A aprovação do projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês trouxe alívio imediato para milhões de brasileiros, mas também abriu uma série de questionamentos sobre justiça tributária e cálculo político. Como bem destacou a jornalista Vera Magalhães em artigo publicado em O Globo, a medida reforça a posição de Lula para a disputa eleitoral de 2026, dando ao presidente uma narrativa de compromisso com os assalariados de baixa e média renda.

De fato, há forte apelo popular nesse tipo de medida, já que grande parte da população brasileira recebe salários abaixo do patamar estipulado. No entanto, a forma como a regra foi desenhada gera distorções: um trabalhador que ganhe R$ 5.100, por exemplo, perde o direito à isenção e volta a ser tributado integralmente, situação que produz desigualdade e quebra o princípio de progressividade.

EFEITOS – Esse detalhe técnico, aparentemente menor, pode provocar efeitos perversos e precisa ser corrigido no Congresso para que a política tributária seja de fato justa. Ao mesmo tempo, a medida carrega peso político inegável. Ao ampliar a faixa de isenção, Lula fortalece seu discurso social e solidifica apoio em segmentos que sentirão diretamente o benefício.

Isso ajuda a explicar por que adversários como Ratinho Júnior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, apesar de governarem estados importantes, ainda não conseguem decolar no cenário nacional. A ausência de nomes fortes e competitivos, somada à decisão de Tarcísio de Freitas de disputar a reeleição em São Paulo, reforça o isolamento de Lula no topo das pesquisas.

CONVERSÃO EM VOTOS – O bolsonarismo, embora continue presente como força de oposição, não se converte automaticamente em votos ou em liderança eleitoral consolidada. O problema é que, enquanto o debate sobre o Imposto de Renda se mantém no campo político, outras crises corroem a confiança da população: do envenenamento de bebidas com metanol, que já provocou mortes e queda abrupta no consumo, até esquemas de corrupção em concursos falsos, revelados pela Polícia Federal.

Esses episódios reforçam a percepção de que o país continua vulnerável a fraudes e práticas criminosas em várias frentes, exigindo uma resposta enérgica do Estado. O desafio, portanto, é transformar a vitória política da isenção em uma política tributária consistente, transparente e progressiva, sem que ela se torne apenas mais um instrumento de barganha eleitoral.

Lula colhe, no presente, os frutos de uma medida popular, mas sua durabilidade dependerá da capacidade do governo e do Congresso de corrigirem distorções e de não deixarem que a justiça fiscal se perca no meio do jogo político.

Mandato por um fio: Câmara aguarda STF para decidir destino de Zambelli

Lula é realmente “mais do mesmo” e a oposição não sabe escolher candidato

COM OITO PALAVRAS, BORIC DESMONTOU DISCURSO DE LULA SOBRE VENEZUELA  (Bernardo Mello Franco – OGlobo) | Jornal Contato

Charge do Chico Caruso (O Globo)

William Waack
Estadão

As eleições de 2026 parecem neste momento abertas em boa parte pelo fato do que se chama de direita achar que um bom poste funcionaria. Um poste vistoso, pintado com as cores certas do bolsonarismo.

Há crises que fazem surgir lideranças em função da volatilidade, perigo, abrangência e imprevisibilidade dos fatos. É justamente a crise que o Brasil hoje enfrenta, com inéditos componentes geopolíticos nas questões até aqui “exclusivamente” domésticas.

MAIS DO MESMO – Mas a crise não está projetando lideranças. Lula é a expressão acabada de mais do mesmo, apesar da fantasia mal ajambrada de estadista que lhe foi emprestada pelo adversário político. O grande problema do lado oposto do espectro não é a falta de nomes, mas de estaturas.

Reina em elites brasileiras econômicas uma dupla sensação de desamparo. A primeira por cortesia de Donald Trump, que através do tarifaço exibiu sua vulnerabilidade e a falta de inteligência estratégica internacional. A segunda sensação de desamparo surge do quadro político doméstico.

Embora Lula acredite que a conta do assistencialismo acrescida de inflação comportada lhe garanta a eleição, parece esquecer de seu maior adversário.

VISÃO EXAURIDA – Trata-se de um pervasivo sentimento de que as coisas estão andando errado, que o “sistema” de instituições funciona contra quem trabalha. E do cansaço frente a uma figura política velha que não vende mais sonhos.

O resultado geral é uma subjetiva sensação que se poderia chamar de “claustrofobia política”.

A expressão vem sendo utilizada pelo escritor americano Robert Kaplan para descrever cenários em sistemas políticos bastante diferentes entre si na Europa, Estados Unidos e América Latina, mas sofrendo da mesma percepção generalizada de que os caminhos conhecidos não levam mais a lugar algum.

PALPÁVEL ANSIEDADE – No Brasil esse fenômeno (a tecnologia da informação tornou o mundo um lugar bem pequeno) é acrescido de uma palpável ansiedade. O debate político está distante, para se dizer o mínimo, dos problemas mais abrangentes. E sem foco preciso.

Essa seria, por definição, a função clássica de lideranças, não só no campo da política. É verdade que boa parte dos impasses institucionais no Brasil vem de um desequilíbrio dos poderes e da falência do sistema político cuja evolução é longa na linha do tempo.

Mas que está se agravando sem que se consolidem correntes, linhas ou movimentos capazes de criar um sentido de conjunto, especialmente naquilo que se poderia chamar de direita. Parece parada, incapaz de galvanizar um eleitorado reconhecidamente de centro direita. Está amarrada a um poste.

PF perde tempo atrás de “ação orquestrada de ameaças contra Dino e delegado Shor

Em-ministro de Bolsonaro tenta virar a página das joias das Arábias

Almirante Albuquerque foi indiciado em junho do ano passado

Igor Gielow
Folha

Circulando nos altos escalões da indústria nuclear, o ex-ministro Bento Albuquerque quer deixar o caso das joias sauditas de seu ex-chefe Jair Bolsonaro no passado. “É uma página virada”, disse à Folha durante o maior evento do setor, a Semana Atômica Mundial, em Moscou.

Ex-titular das Minas e Energia, o almirante Albuquerque, 67, foi indiciado em junho do ano passado pelo episódio em que tentou desembaraçar joias dadas pelo governo saudita na volta de uma visita ao reino desértico, em outubro de 2021. Em depoimento, disse entender que um conjunto de colar e brincos de diamantes seriam para a mulher de Bolsonaro, Michelle, e outro de caneta e relógio, para o então presidente.

SEM DENÚNCIA – A explicação não convenceu a Polícia Federal, mas até agora não houve denúncia da Procuradoria-Geral da República sobre o caso, que envolveu outras joias que segundo a acusação foram desviadas para lucro do ex-mandatário.

“Desde meu depoimento [em 2023], nunca mais me procuraram”, afirmou numa conversa rápida após sua palestra no lendário fórum de eventos da era soviética VDNKh, no norte da capital russa. O evento é promovido pela Rosatom, a gigante russa que é um dos principais atores do campo nuclear.

Em julho, a Comissão de Ética da Presidência aplicou uma censura a Albuquerque pelo caso, o que não tem efeito prático. “Isso não me preocupa. Foi uma decisão política, absurda”, desconversou.

CONSULTORIA – Em sua nova encarnação, após quase cinco décadas de Marinha e três anos em meio no governo Bolsonaro, o almirante tem reputação estelar. Desde 2024 é consultor da área nuclear da Diamante Energia —o irônico nome da empresa, no contexto, foi retirado de seu principal negócio, o parque termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina.

A empresa não é imune a envolvimento em enredos políticos. Ela é comandada pelo sobrinho do mandachuva do PSD, Gilberto Kassab, Pedro, ao lado do empresário Jorge Nemr. Ambos estão em Moscou com Albuquerque e outros integrantes da Diamante.

A empresa é beneficiária de um projeto aprovado em 2022 que estendeu até 2040 a obrigatoriedade da compra de energia da poluente matriz do carvão, que tem no complexo de Jorge Lacerda a maior instalação do país. “Não há nenhum conflito de interesse”, disse Albuquerque. Segundo ele, quando políticos catarinenses apresentaram sua demanda em apoio ao projeto, o parque ainda era controlado pela Engie Brasil, que vendeu a operação ao fundo que formou a Diamante em 2021.

JABUTIS – O nome da empresa voltou ao noticiário em duas reportagens deste ano na Folha. Uma mostrava que jabutis embutidos em projetos no Congresso poderiam facilitar a instalação de uma termelétrica a gás na região de Brasília, uma iniciativa da Diamante e do empresário Jorge Suarez. Outra, que o governo contratou compra de energia obrigatória gerada em Jorge Lacerda por preços 62% acima da média paga por outros consumidores.

Em ambos os casos, a empresa nega quaisquer favorecimentos de natureza política no setor, cujo atual ministro é Alexandre Silveira, do PSD de Kassab —que, por sua vez diz não tem nada a ver com os negócios do sobrinho, que não quis conversar com jornalistas em Moscou.

PAINEL  – A palestra de Albuquerque, proferida em inglês, foi em um painel sobre os chamados reatores nucleares modulares, usinas atômicas miniaturizadas que podem ser colocadas em barcaças e levada a regiões distantes.

A Diamante associou-se à russa Rosatom, que opera a primeira usina flutuante do mundo e já demonstrou interesse em ampliar seu espaço no mercado brasileiro. Um projeto de R$ 60 milhões, R$ 35 milhões bancados pela agência pública Finep, pretende montar no Brasil microrreatores nucleares, ainda mais práticos para o emprego em comunidades distantes.

Presidente da frente parlamentar do setor nuclear, o deputado Julio Lopes (Progressistas-RJ) defende uma mudança urgente na legislação para facilitar a parceria com os russos e outros atores do mercado.

RECEIOS – “Não há impedimento para a participação de minoritários, mas o mercado tem receios. É preciso um decreto sobre o tema, uma medida provisória. O ministro Silveira irá anunciar isso nos próximos dias”, afirmou ele em Moscou. Tocando na mesma oitava, Albuquerque disse: “Precisamos de regulação clara”, disse.

Seu périplo no mundo nuclear o fez interlocutor do argentino Rafael Grossi, presidente da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), ligada à ONU. Na semana passada, eles estiveram juntos em Viena, sede do órgão, e Grossi também está em Moscou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBento Albuquerque é mais um canalha que desonra as forças armadas e a sociedade civil. Um péssimo militar, para dizer o mínimo. (C.N.)

Sob Alcolumbre, Comissões-fantasmas no Senado consomem verba sem funcionar

Bolsonaro aceitará apoiar Tarcísio,  se Michelle for vice, dizem aliados

Pesquisa Quaest: Tarcísio e Michelle lideram para substituir Bolsonaro

Michelle reforçará Tarcísio junto aos eleitores evangélicos

Ranier Bragon
Folha

Aliados de Jair Bolsonaro (PL) dizem que o ex-presidente afirmou que aceita apoiar Tarcísio de Freitas (Republicanos) como seu candidato à Presidência da República em 2026, mas com duas condicionantes: a de que Michelle Bolsonaro (PL) esteja na vice e a de que o governador de São Paulo se mostre capaz de unir os partidos de centro e de direita.

Ainda há vários obstáculos nessa direção, entretanto, incluindo a resistência de siglas ao nome da ex-primeira-dama e incertezas sobre a disposição de Tarcísio.

VISITAS – O governador paulista visitou na segunda-feira (29) Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília e está inelegível. Na saída, disse à imprensa que é candidato à reeleição em São Paulo em 2026. O ex-presidente também tem recebido visitas de outros políticos aliados desde agosto.

Até pouco tempo atrás Bolsonaro resistia à ideia de revelar apoio a Tarcísio, sob o argumento de que ele próprio poderia ser deslocado para um segundo plano em meio ao julgamento da trama golpista. Também demonstrava contrariedade com a ideia de colocar a esposa na chapa presidencial.

De acordo com relatos, porém, o ex-presidente quer ver o seu sobrenome na chapa e diz acreditar que Michelle representaria bem o papel ao percorrer o país e manter viva a militância em torno dele.

ENTRA NO PL? – Caso se dê essa configuração, o compromisso é que Tarcísio troque o Republicanos pelo PL até dezembro. Mas um dos obstáculos na articulação de uma chapa ao Planalto é que Michelle tem sido cotada para uma candidatura ao Senado no Distrito Federal.

Nem ela nem outro familiar de Bolsonaro agradam, no papel de vice, à maioria dos partidos de centro e de direita que o ex-presidente manifestou querer ver ao redor de Tarcísio.

Políticos desse grupo sempre torceram por uma candidatura de Tarcísio com o apoio de Bolsonaro, como forma de angariar seu capital eleitoral —mas sem alguém da família na chapa para tentar amenizar a também alta rejeição associada ao sobrenome.

DISPUTA DA VICE – O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), é um dos que trabalham para ser vice em eventual candidatura de Tarcísio. Políticos do centrão dizem, entretanto, que cresce na bolsa de apostas o nome da ex-ministra e senadora Tereza Cristina (PP-MS).

Além da disputa de bastidores no centrão e no entorno de Bolsonaro, a própria candidatura de Tarcísio a presidente é colocada em dúvida.

Ele tem dito a pessoas próximas que acontecimentos recentes, como a oposição de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) à sua candidatura e a atuação do presidente Lula diante do tarifaço de Donald Trump, têm lhe dado desânimo em embarcar na disputa nacional, até pelo amplo favoritismo na eventual tentativa de se reeleger.

OUTRO TEMA – Segundo relatos da visita de Tarcísio a Bolsonaro, o governador afirmou que está bem em São Paulo e discutiu com o ex-presidente as candidaturas ao Senado no estado no próximo ano.

Embora políticos digam avaliar que isso pode ser uma estratégia para Tarcísio sair dos holofotes e da artilharia governista, há também o fato de que Lula conseguiu surfar uma maré positiva que aplacou o clima de governo em frangalhos observado poucos meses atrás.

O Datafolha mostrou que, em meio ao julgamento da trama golpista e dos ataques de Trump, a aprovação do governo subiu no mês passado para 33%, melhor índice do ano, aproximando-se da reprovação, de 38%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enfim, uma matéria de qualidade sobre a sucessão. Retrata com fidelidade o momento político e traz a possibilidade de Michelle ser candidata a vice, uma circunstância que garantiria muitos votos evangélicos a Tarcísio. Aliás, os seguidores das seitas pentecostais continuam a aumentar e serão decisivos nestas eleições. (C.N.)

Lula já mapeia favoritos diante de possível aposentadoria de Barroso no Supremo

Saída antecipada de Barroso movimenta Planalto

Mariana Muniz
O Globo

A possibilidade de uma aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso reacendeu as articulações políticas em torno de uma nova indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Embora a saída esteja prevista apenas para 2033, quando Barroso completará 75 anos, ministros da Corte e interlocutores do governo já monitoram os movimentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante dos sinais sucessivos de que o magistrado pode deixar o cargo antes do previsto.

Nos bastidores, quatro nomes despontam como favoritos para ocupar a cadeira de Barroso, caso ele oficialize sua saída. O mais forte é o do advogado-geral da União, Jorge Messias, considerado homem de confiança de Lula e com perfil técnico e político alinhado ao governo. Messias tem 45 anos e, se indicado, poderia permanecer na Corte por até três décadas.

ALIADO – Outro nome com força é o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado e aliado próximo de ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Pacheco é visto como uma escolha que agradaria a setores do Judiciário e do Legislativo, mas Lula ainda avalia mantê-lo como candidato ao governo de Minas Gerais em 2026, o que poderia adiar sua ida ao STF.

Também estão no radar o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, que tem bom trânsito político e é próximo ao Planalto, e o ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius Carvalho, que ganhou destaque pela atuação em temas de integridade pública.

A movimentação em torno da sucessão ocorre em meio à saída de Barroso da presidência do STF, assumida por Edson Fachin. Em evento público, Barroso afirmou que ainda avalia sua permanência na Corte e que pretende fazer uma “reflexão profunda” sobre o futuro após um “retiro espiritual” em outubro.

COMPROMISSOS – “Estou há 12 anos e mais de três meses e posso ficar ainda mais oito anos. É muito difícil deixar o Supremo, que é, para quem gosta do Brasil, tem compromissos com o Brasil, como eu tenho, é um espaço relevante. Mas há outros espaços relevantes na vida brasileira, de modo que eu estou considerando todas as possibilidades, inclusive a de ficar”, disse Barroso.

Ministros da Corte apontam, de forma reservada, que Barroso vem dando “sinais sucessivos” de que estaria considerando deixar a Corte. Integrantes do STF apontam como indícios de uma aposentadoria próxima de Barroso o aumento expressivo de processos de sua relatoria pautados por ele — tanto no plenário virtual quanto no presencial — e a votação de temas sensíveis, como o pleito do ministro aposentado Marco Aurélio sobre segurança vitalícia para ministros aposentados.

Ratinho Júnior acelera e vira aposta da direita após recuo de Tarcísio

Ratinho Júnior tenta ocupar vaga de candidato da direita

Iander Porcella
Estadão

Enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), recua na ideia de disputar a Presidência, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), continua em plena campanha para ocupar a vaga de candidato da direita ao Palácio do Planalto. Depois de apostar em reuniões com o empresariado, em resultados econômicos do Estado e na pauta da segurança pública, o paranaense agora tem um novo trunfo: investimento turbinado no agronegócio.

Ratinho foi o governador que mais aplicou recursos para o agro no primeiro semestre de 2025. De acordo com números do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), do Tesouro Nacional, o Paraná destinou no período R$ 730,91 milhões ao setor, à frente de Rio Grande do Sul (R$ 570 milhões), Santa Catarina (R$ 534 milhões) e São Paulo (R$ 438 milhões).

AGRONEGÓCIO –  Do total, R$ 333 milhões foram para ações de fortalecimento das cadeias produtivas regionais e promoção da segurança alimentar. Outros R$ 106,9 milhões, para abastecimento. “O agronegócio é o carro-chefe da economia paranaense, responsável por cerca de 36% do PIB e, como temos nele a nossa grande vocação, nada mais justo do que valorizar esse segmento”, afirma Ratinho Júnior.

Como mostrou a Coluna, até mesmo aliados de Tarcísio passaram a ver mais espaço para Ratinho se fortalecer como o nome de presidenciável da direita. Além disso, resultados econômicos recentes do Paraná passaram a ser vistos como uma vitrine na eleição.

Em julho, o governador paranaense se reuniu com um grupo de empresários em São Paulo. O objetivo foi atrair investimentos ao Estado e, de quebra, reforçar a busca por apoio no setor privado para disputar a Presidência do Planalto. Antes, em maio, fez barulho com ações do governo na segurança pública, que tende a ser um dos principais temas da eleição de 2026 ao Planalto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Eita! é o tipo de matéria que o Planalto adora. Monta uma ambiente superfavorável à vitória de Lula, que na verdade só é ameaçado por Tarcísio de Freitas. No caso do Ratinho Jr. ser candidato a presidente, é preciso pintar um bigode preto no rosto dele e sair na rua, apresentando-o a cada eleitor, e depois arranjar um programa no SBT. Ratinho Jr. não tem a menor chance contra Lula, nem pedindo ajuda ao Tom & Jerry. (C.N.)

Eduardo cobra espaço e recursos no PL para ter chance de suceder o pai

Sidônio Palmeira diz que comunicação tem que chegar antes da mentira

O drama do nordestino, na visão de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Maior acervo digital de Luiz Gonzaga ganha nova versão no aniversário de  109 anos do cantor - Brasil de Fato

Gonzaga cantava o drama do nordestino na seca

Paulo Peres
Poemas & Canções

O sanfoneiro, cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), o popular Rei do Baião, compôs em parceria com o advogado, compositor e poeta cearense Humberto Cavalcanti Teixeira (1915-1979) a toada “Asa Branca”, um dos maiores clássicos da MPB, cuja letra traz uma visão romântica, poética, mas realista do cenário do Nordeste brasileiro.

A seca, que por ser muito intensa, obriga o seu povo a migrar, assim como as aves também, a exemplo da asa branca, que é um tipo de um pombo (columba picazuno) que quando bate asa do sertão anuncia a seca. 

Essa música foi composta em 1947, a seca castigava o Sertão, fazendo aflorar o êxodo rural, conhecido também como retirantes ou flagelados. Luiz Gonzaga gravou a toada “Asa branca”, pela RCA Victor, foi um de seus maiores sucessos e uma das canções mais conhecidas e veneradas da música popular brasileira, regravada dezenas de vezes ao longo das décadas.

ASA BRANCA
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de plantação
Por falta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Por farta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Até mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu, meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu meu coração

Desigualdade no número de deputados na Câmara é problema sempre adiado

A decisão de Fux se deu baseada no âmbito de ação judicial

Bruna Rocha
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) atendeu ao pedido do presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil–AP), e determinou que a distribuição de vagas na Câmara dos Deputados não seja alterada para as eleições de 2026.

O pedido foi feito após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetar o projeto aprovado pelo Legislativo que criava novas cadeiras na Câmara, com o objetivo de evitar a perda de representantes por parte de alguns Estados.

A decisão de Fux se deu baseada no âmbito de ação judicial que determinou que o Congresso deveria definir, até 30 de junho, uma nova distribuição das 513 cadeiras da Câmara com base na população de cada Estado. “Defiro o pedido cautelar para sustar a aplicação dos efeitos da decisão de mérito proferida nesta ADO às eleições legislativas federais de 2026, até que seja concluído o devido processo legislativo, cujo resultado poderá ser aplicado, com segurança e clareza, a partir das eleições legislativas de 2030”, disse Fux.

JUSTIFICATIVA – O argumento da solicitação realizada ao STF é que segundo o Censo de 2022 do IBGE, sete Estados perderam população e, por isso, correm o risco de perder cadeiras na redistribuição. Para evitar que Estados perdessem representantes, a Câmara e o Senado aprovaram um projeto que criava 18 novas cadeiras na Câmara dos Deputados, elevando o total de 513 para 531. As novas vagas seriam distribuídas entre nove Estados, preservando a atual representação de todos os entes federativos.

No entanto, o governo Lula vetou a proposta, sob a justificativa de que ela geraria aumento de despesas públicas. O veto foi uma derrota para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), principal articulador do projeto.

O ministro Fux, ao acolher o pedido de Alcolumbre, ressaltou o princípio constitucional da anualidade eleitoral e suspendeu a decisão anterior do STF que exigia ação imediata do Congresso. Ele determinou que a nova lei só poderá valer a partir das eleições de 2030 e convocou uma sessão virtual extraordinária do Plenário para confirmar a medida cautelar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA culpa é do Congresso e da Constituinte. Por demagogia, jamais foi realmente enfrentado o problema do número de deputados, uma distorção que beneficia os Estados de menor população. Hoje, quem manda no país são as bancadas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Juntas, com mais deputados do que o Sudeste e o Sul, aprovam o que bem entendem, porque dispõe de maioria absoluta (metade mais um). No Senado, a distorção é ainda maior. Mas quem se interessa? (C.N.)

Após PEC da Bandidagem, Congresso decide aumentar o ‘Fundão’

Fundão Eleitoral | quem são os 23 parlamentares que votaram para aumentar o gasto | Planeta Folha

Charge do Casso (Arquivo Google)

Iander Porcella
Estadão

Lideranças do Congresso querem aprovar um aumento do “Fundão Eleitoral” para 2026 mesmo após o desgaste sofrido com a tentativa de emplacar a PEC da Blindagem.

A ampliação dos recursos para as campanhas eleitorais no ano que vem tem sido discutida no âmbito da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), relatada pelo deputado Gervásio Maia (PSB-PB). O projeto tramita na Comissão Mista de Orçamento (CMO) e pode ser votado nos próximos dias.

R$ 4,9 BILHÕES – Nas eleições municipais de 2024, o fundo eleitoral foi de R$ 4,9 bilhões, mesmo valor de 2022. O Legislativo tinha a intenção de turbinar a verba do ano passado pelo menos com a correção da inflação, mas teve de recuar após pressão popular. Mesmo com esse revés, o Centrão vai fazer agora uma nova tentativa

A articulação pelo “Fundão” maior tem irritado deputados do baixo clero que não querem colocar a digital em mais um tema impopular. Esses parlamentares resistem a embarcar na jogada porque se sentiram enganados pelas cúpulas partidárias ao votarem a favor da PEC da Blindagem para depois a proposta ser enterrada no Senado.

Deputados preveem novas manifestações de rua contra o “fundão”, como as realizadas no fim de semana passado contra a PEC da Blindagem nas principais cidades do País. O temor é que essa mobilização social acabe impactando votos nas eleições de 2026.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Congresso não tem o menor comprometimento com o interesse público nem com a opinião pública. Mas se interessa muito  pelos bilhões do Fundão Eleitoral, que está previsto para R$ 1,13 bilhão e deve subir para os R$ 4,9 bilhões, vejam que país rico é outra coisa (C.N.)