Flávio, Michelle e Tarcísio: a direita se devora antes da largada

BC desconfia da acareação de Toffoli e pede revogação, mas ele nega

Tribuna da Internet | Decisão de Toffoli ficou ainda pior com o documento de cooperação da Suíça

Charge do Kacio (Metrópoles)

Andreia Sadi
g1 Política

O ministro do Supremo Dias Toffoli negou um pedido do Banco Central e decidiu manter a data da acareação no caso Master: será na próxima terça-feira (30). Neste sábado (27), entidades do setor financeiro saíram em defesa do Banco Central; exaltaram o papel independente e técnico da instituição.

O Banco Central (BC) tinha enviado nesta última sexta-feira (dia 26) ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), embargos de declaração solicitando esclarecimentos sobre o pedido de acareação feito pelo magistrado no caso da liquidação do Banco Master.

A instituição alegou que não estava se recusando a cumprir a decisão, mas pedia que fosse esclarecida exatamente qual é a exigência, para evitar o que chamou de “armadilhas processuais”.

SEM EXPLICAÇÃO – O argumento é que a determinação do Supremo não explicava qual é a divergência concreta de versões que justificaria uma acareação entre o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, e o dono do Master, Daniel Vorcaro. Também foi convocado o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.

O BC também queria saber se o diretor Ailton Santos vai participar na condição de testemunha, investigado ou pessoa ofendida e se ele irá representando a instituição ou apenas a si próprio.

O BC pedia que, caso não fossem esclarecidos esses pontos, o STF então revogasse ou ajustasse a decisão.

O QUE HOUVE – No dia 24, Dias Toffoli, relator no STF do caso do Banco Master, agendou para a terça-feira (30) uma acareação entre os diretores do banco e o diretor de Fiscalização do BC.

O ministro tomou a decisão por meio de ofício, ou seja, não houve um pedido prévio, como de praxe, enviado à Polícia Federal (PF) ou Procuradoria-Geral da União.

Ao fazer essa determinação e comunicá-la aos três indicados, o ministro Dias Toffoli não deu qualquer explicação ou justificativa. Neste sábado, ao rejeitar o recurso do Banco Central, também não deu explicação sobre seu objetivo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O único ponto em comum entre os três acareados é que todos eles apoiaram e ainda apoiam a criminosa venda do Banco Master para o BRB. Assim, ao que parece, o ministro Dias Toffoli ainda não entendeu direito o que significa a palavra acareação, ou então se trata de mais uma Piada do Ano, com tiro no pé. (C.N.)

O custo social de uma política monetária restritiva no Brasil

Charge do Cazio (Blog do AFR)

Pedro do Coutto

O mais recente levantamento do Banco Central, divulgado em reportagem de Bruna Alessa, Vinícius Néder e Letícia Rafaela, em O Globo, expõe um retrato preocupante da economia doméstica brasileira. O endividamento das famílias voltou a crescer, enquanto a concessão de novos empréstimos recuou de forma significativa. No centro desse desequilíbrio está uma variável bem conhecida, mas ainda subestimada em seus efeitos sociais e políticos: a taxa de juros.

Com a taxa básica da economia mantida em 15% ao ano, em um contexto de inflação estimada em 4,1%, o Brasil opera hoje com juros reais em torno de 11%. Trata-se de um patamar extremamente elevado quando comparado a padrões internacionais, inclusive entre países emergentes. Essa escolha de política monetária, embora justificada pelo discurso do controle inflacionário e da credibilidade fiscal, cobra um preço alto da sociedade — especialmente das famílias de renda média e baixa.

ENDIVIDAMENTO – Os dados são eloquentes. Em outubro, o endividamento das famílias alcançou 49,3% da renda anual, enquanto o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas chegou a 29,4%. Em outras palavras, quase um terço do rendimento médio das famílias brasileiras está sendo consumido pelo serviço da dívida. Não se trata apenas de números frios: é menos comida na mesa, menos investimento em educação, menos capacidade de planejamento e mais insegurança cotidiana.

O quadro se agrava quando se observa a dinâmica do crédito. A concessão de novos empréstimos caiu cerca de 6,6%, sinalizando retração da atividade econômica e maior cautela — tanto de bancos quanto de tomadores. O crédito às empresas, fundamental para sustentar investimentos, emprego e crescimento, sofreu quedas ainda mais expressivas, superiores a 30% em termos proporcionais à renda anual média. Esse estrangulamento do crédito produtivo compromete a recuperação econômica e reforça um ciclo de baixo crescimento.

CUSTO DO CRÉDITO – Mas talvez o aspecto mais chocante — e politicamente sensível — seja o custo do crédito ao consumidor. Os juros do cartão de crédito rotativo, quando financiados, chegam a absurdos 440% ao ano. Não há racionalidade econômica, tampouco justificativa moral ou social, para taxas dessa magnitude. Elas estão fora de qualquer padrão aceitável de normalidade e revelam falhas estruturais graves no sistema financeiro, na regulação do crédito e na proteção ao consumidor.

É importante destacar que os salários não têm acompanhado a inflação de forma consistente. Mesmo com índices inflacionários relativamente controlados, a renda real das famílias permanece pressionada. O resultado é previsível: para manter o padrão mínimo de consumo, muitas famílias recorrem ao crédito caro, aprofundando um processo de endividamento que se retroalimenta.

DILEMAS – Do ponto de vista político, esse cenário impõe dilemas claros. Uma política monetária excessivamente restritiva pode até conter pressões inflacionárias no curto prazo, mas produz efeitos colaterais relevantes: desaceleração econômica, aumento da inadimplência, concentração de renda no sistema financeiro e desgaste social. O debate sobre juros, portanto, não é apenas técnico — é profundamente político.

Fontes de alta credibilidade como o Banco Central do Brasil, o IBGE e o próprio O Globo ajudam a iluminar esse diagnóstico, mas a decisão sobre os rumos da política econômica exige algo além dos modelos: sensibilidade social e visão estratégica de desenvolvimento. Persistir em juros reais tão elevados significa aceitar, como custo colateral, o empobrecimento relativo das famílias e a asfixia do setor produtivo.

A pergunta que se impõe é simples e incômoda: a quem serve uma economia que remunera tão bem o capital financeiro, mas empurra milhões de famílias para o limite do endividamento permanente? Enquanto essa questão não for enfrentada com coragem e equilíbrio, os números continuarão piorando — e a fatura social, inevitavelmente, chegará às urnas.

Defesa e aliados dizem que Zambelli sofreu agressões na prisão da Itália

Preso ao próprio reflexo, o bolsonarismo se aprisiona na sucessão familiar

Movimento sequer consegue unificar a própria direita

Marcelo Copelli
Revista Fórum

A decisão de Jair Bolsonaro de avalizar a pré-candidatura presidencial do filho, o senador Flávio Bolsonaro, não se limita a um gesto de continuidade política. Ela revela um erro estratégico profundo: a crença de que o bolsonarismo se confunde com o país — e de que seus votos são automaticamente transferíveis para além do próprio núcleo ideológico. Não são.

O movimento ocorre em um contexto de retração evidente. Bolsonaro está juridicamente impedido, politicamente fragilizado e institucionalmente isolado. Diante disso, sua reação não é ampliar alianças ou reconstruir pontes, mas fechar o jogo e concentrar poder. Ao optar pela sucessão familiar, transforma capital político em patrimônio privado, como se liderança fosse bem transmissível. A política, no entanto, não opera segundo a lógica do testamento — sobretudo quando identidade é confundida com maioria eleitoral.

CIRCUSTANCIAL – Desde 2018, o bolsonarismo consolidou uma base fiel, ruidosa e altamente mobilizada. Mas essa base nunca correspondeu à totalidade da direita brasileira, tampouco funcionou como bloco homogêneo. Parte relevante dos votos que levaram Bolsonaro ao Planalto resultou de circunstâncias específicas: rejeição ao sistema, antipetismo conjuntural e ausência de alternativas viáveis naquele momento. Eram votos voláteis — e a volatilidade não se transfere por sobrenome.

Ao ungir Flávio Bolsonaro como sucessor, Bolsonaro parece acreditar que o nome da família basta para manter unido um campo que sempre foi plural, competitivo e atravessado por disputas internas. A decisão ignora um dado central do tabuleiro político: o bolsonarismo possui votos próprios, mas a direita brasileira abriga projetos distintos, ambições concorrentes e lideranças que aguardavam a abertura da corrida presidencial. Ao fechar essa possibilidade, Bolsonaro não agrega — fragmenta.

A imposição de um herdeiro não organiza a direita; tensiona-a. Ao substituir o debate por lealdade e a competição por obediência, o bolsonarismo converte aliados potenciais em dissidências silenciosas. O resultado tende a ser menos convergência e mais dispersão: candidaturas paralelas, projetos regionais autônomos e um campo conservador dividido entre fidelidade pessoal e viabilidade eleitoral.

CONTROLE – A escolha do filho tampouco se ancora em densidade programática ou trajetória nacional consolidada. Fundamenta-se na confiança absoluta e no controle. Em um movimento moldado pela desconfiança permanente das instituições, da imprensa e da política profissional, a família surge como último espaço de previsibilidade. O problema é que previsibilidade interna não gera, por si só, competitividade externa — especialmente em um país complexo, desigual e exausto de confrontos permanentes.

O gesto também evidencia o esgotamento de um projeto de expansão. Em vez de disputar hegemonia dentro da própria direita, o bolsonarismo prefere preservar-se como identidade fechada. Em vez de dialogar com correntes conservadoras não radicalizadas, opta por submetê-las ou descartá-las. Em vez de formular respostas para desafios estruturais do país, reafirma a fidelidade como critério central de pertencimento político. O efeito não é fortalecimento, mas redução do campo.

Do ponto de vista eleitoral, trata-se de uma escolha defensiva. Bolsonaro sabe que carrega rejeições profundas, acumuladas por uma gestão marcada pelo conflito institucional, pelo desprezo às políticas públicas e pela retórica autoritária. Transferir o protagonismo ao filho é uma tentativa de manter mobilizado o núcleo mais fiel, ainda que isso implique perder capacidade de articulação com outros setores da direita.

ESPÓLIO –  Flávio Bolsonaro recebe o espólio do bolsonarismo, mas não o conjunto do campo conservador. Parte com uma base leal, porém limitada. Ganha visibilidade, mas também carrega passivos políticos e simbólicos: investigações, controvérsias e a associação direta a um projeto que fracassou em produzir consensos mínimos e respostas duradouras às crises do país. O peso do legado acompanha o nome.

Ao antecipar a sucessão, Bolsonaro tenta ainda interditar o debate sobre o esgotamento do bolsonarismo como projeto nacional. Em vez de refletir sobre as perdas de apoio, o isolamento internacional e a incapacidade de converter retórica em políticas públicas estruturantes, o movimento escolhe reafirmar a obediência como valor político supremo.

MEDO DA DISPERSÃO – O gesto não expressa força, mas receio. Medo da dispersão, do esquecimento e da irrelevância. Medo, sobretudo, de que o bolsonarismo seja lembrado não como um projeto político consistente, mas como um surto de mobilização sustentado por uma figura mítica — mais ruidosa do que dirigente, incapaz de organizar maiorias duradouras.

Quando um movimento político passa a confundir sua base com o país — e sua família com o futuro — deixa de disputar consensos e passa apenas a administrar limites. Projetos que abdicam de convencer para se dedicar a controlar não constroem legado: sobrevivem por inércia, até que o mito se desgaste, a base se reduza e reste apenas o registro de um poder que falou alto, mas nunca soube governar o tempo.

 

Galípolo está acovardado e quer recuar das acusações que fez contra Moraes

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. #bancomaster #master #moraes #stf #banco #brasil #Natal #papainoel #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc *digital

Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Newton

O Brasil não pode aguardar o término do recesso parlamentar e do Supremo Tribunal Federal, ou de uma CPI a se iniciar somente a partir de fevereiro, para que providências de toda ordem sejam implementadas no caso do Banco Master.

Essa desmoralização envolvendo integrante da mais alta cúpula do Poder Judiciário não pode prosseguir por mais tempo sem conclusão.

ACOBERTAMENTO – Se o presidente do BC, Gabriel Galípolo, recebeu telefonemas nada republicanos, pedidos de informações sobre decisões a serem proferidas pela autarquia pública, que não devem ser compartilhadas com outros poderes, por que continua acobertando improbidade administrativa e reprovável advocacia administrativa por parte de quem tem por missão entregar Justiça em nome do Estado?

Alexandre de Moraes não vai produzir prova contra si mesmo, sua esposa e filhos. É o que está disposto na Constituição, mas Galípolo comete grave ilícito profissional se continuar se desobrigando de relatar o que Moraes conversou com ele por telefone ou presencialmente, além das alegadas consequências da aplicação da Lei Magnitsky.

Isso, sem esquecer que o próprio presidente da República, como divulgado, teria sido informado sobre essas ocorrências.

VOLTANDO ATRÁS – Quem fez a denúncia foi o próprio Galípolo. Na festa que reuniu os jornalistas que cobrem o Banco Central, no dia 18, ele próprio tomou a iniciativa de dizer que havia sofrido pressões intensas para facilitar a venda do Banco Master. E revelou, orgulhoso, que sua equipe no BC tinha documentado tudo.

A jornalista Malu Gaspar, que não passa paninho em corrupção, confirmou no Banco Central, com seis fontes diferentes, que tinha havido as pressões. Ao mesmo tempo, o jornalista Lauro Jardim apurou que a mulher de Alexandre de Moraes tinha um contrato de R$ 129,6 bilhões com o Banco Master, para defendê-lo e assessorá-lo em praticamente todo tipo de situação.

Seis fontes diferentes revelaram a Malu Gaspar que houve as pressões e que um dos assediadores era justamente Alexandre de Moraes. Ela publicou em O Globo e a notícia ganhou asas, reproduzida nacional e internacionalmente.

GALÍPOLO RECUA – O que ninguém esperava é que o presidente do Banco Central se acovardasse e agora venha com a conversa fiada de que os insistentes telefonemas de Moraes (houve seis, num dia só) foram motivados pela Lei Magnitsky, uma Piada do Ano.

Isso é muito perigoso. Vivemos hoje sob “ditadura do Judiciário”, conforme constatado por observadores internacionais da OEA. E ninguém duvide que o ministro Alexandre de Moraes e sua família venham a reivindicar vultosa indenização moral e material a ser paga pelos divulgadores originais de seus ilícitos, se provas cabais das denúncias não vierem à tona.

O mesmo de se dizer do silêncio comprometedor do presidente do Banco Central, ao ficar em cima de um muro que já desabou.

ESCOLA BASE – Lembrem as criminosas reportagens produzidas sobre a “Escola Base” de São Paulo, causadas pela irresponsabilidade de um delegado de polícia que afirmou ter provas de abusos a crianças. Era tudo mentira. Uma família de educadores foi destruída.

Naquela época nem havia internet. Hoje, os efeitos são milhares de vezes mais nefastos. A Organização Globo, que teve seu furo repercutido por toda a mídia, não pode obrigar Mau Gaspar a revelar suas seis fontes. Ela está protegida pelo inciso XIV, do artigo 5º. da Constituição Federal: “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.

Quem deve cumprir o dever de revelar o escândalo que ele próprio descortinou é o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O povo quer saber se há gravação de mensagens telefônicas, documentos escritos ou outras provas robustas além de indícios?

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P.S. –
Para os juristas do Supremo, contrato de prestação de assessoria jurídica celebrada por parente de ministro não gera condenação. Mas os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar estão tranquilos e apoiados pela Redação de O Globo e por funcionários da cúpula do Banco Central, que a qualquer momento podem vazar alguma prova. Assim, tudo indica que essa novela pode se prolongar muito. Comprem pipocas. (C.N.)

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BC receia que Toffoli suspenda a intervenção no banco Master

O amigo do amigo do meu pai pediu essa chargeFábio Pupo
Folha

Atuais membros da direção do Banco Central avaliam que estão sob ataque após terem decretado a liquidação do Banco Master. Em meio a questionamentos de outras autoridades sobre o processo, os integrantes calculam os próximos passos a serem dados.

A autarquia se prepara para um embate jurídico sobre as decisões tomadas no escopo da fiscalização sobre o Master e até para uma eventual tentativa de transformar o BC em investigado.

FRAUDE BILIONÁRIA – Apesar disso, dirigentes demonstram confiança no processo por terem verificado números do Master que, segundo eles, confirmariam uma fraude bilionária nos balanços.

Os investigadores afirmaram que o Master teria fabricado cerca de R$ 12 bilhões em créditos falsos, depois repassados ao BRB (Banco Regional de Brasília). Procurados por meio da assessoria de imprensa, BC e Master não comentaram.

O Banco Central decretou a liquidação do Master em 18 de novembro por encontrar no banco tanto problemas de liquidez como “graves violações” às normas do sistema financeiro. Os problemas estavam sobretudo em ativos na parte de crédito do balanço, que na prática foram vistos como inexistentes.

NOVOS COMPRADORES – A análise pelo BC demandou meses de discussão e diversas reuniões com representantes do Master.

A liquidação foi anunciada um dia depois que Vorcaro se reuniu com a autarquia e comunicou que viajaria ao exterior para fechar negócio com novos compradores para o banco: a Fictor, empresa pouco conhecida no setor, em conjunto com investidores dos Emirados Árabes cuja identidade não foi revelada.

Vorcaro foi preso no mesmo dia da reunião com o BC, quando tentava embarcar em um jatinho. Segundo a defesa do banqueiro, a viagem seria para assinar o negócio com os árabes. Para a PF, era um modo de facilitar a fuga do país. Após dez dias, ele foi solto por uma juíza federal.

HÁ AMEAÇA – Mesmo certos da decisão e dizendo ter todos os elementos que comprovariam a correta atuação no caso, diretores do BC veem a possibilidade de uma tentativa de questionar a liquidação, sob o argumento de que haveria um plano de reestruturação pronto e apresentado, o que tornaria a medida desnecessária. Pesam contra essa argumentação, porém, as fraudes apontadas pelos investigadores.

O BC se vê hoje diante da necessidade de explicar a decisão ao STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro Dias Toffoli marcou uma acareação entre representantes do caso para a próxima terça-feira (30).

Uma convocação já era esperada, em parte, uma vez que um despacho do magistrado em 15 de dezembro já havia determinado oitivas de investigados e do BC em até 30 dias. A diretoria da autarquia até citava, em conversas informais, que o compromisso poderia alterar planos e viagens para o fim do ano.

CAUSOU ESTRANHEZA – Na véspera de Natal, no entanto, Toffoli surpreendeu ao marcar uma acareação, o que causou estranheza entre juristas por ser um instrumento usado para confrontar versões diferentes após depoimentos anteriores. Toffoli não colheu depoimentos individuais dos envolvidos.

A acareação será feita entre Vorcaro; Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC; e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília, estatal do Distrito Federal que negociou a compra do Master, barrada pelo BC).

O ministro determinou a acareação dentro de um processo sigiloso pelo qual é responsável no tribunal. Desde o começo de dezembro, diligências e medidas ligadas à investigação sobre o Master e Vorcaro têm que passar pelo crivo de Toffoli, por decisão do próprio magistrado.

MUDANÇA DE ALVO – Conforme publicou a Folha, a acareação terá como um de seus focos justamente a atuação do BC. A audiência pode levar o órgão regulador para o centro das investigações.

Toffoli teria indicado a integrantes de seu gabinete que pretende esclarecer o momento em que o BC tomou conhecimento das suspeitas sobre o Master, as medidas na fiscalização do mercado de títulos bancários e determinar eventuais responsáveis por falhas nesse processo. Até o momento, ele não teria dado sinais de que pretende anular a liquidação do banco.

O assunto Master chegou ao STF após pedido da defesa do banqueiro. A solicitação foi feita após um envelope com documentos de DDD Carlos Bacelar (PL-BA) ter sido encontrado em uma busca e apreensão.

MORAES EM CENA – O caso Master tem colocado em xeque a atuação de ministros do STF no caso. No fim de novembro, no mesmo dia em que a Justiça mandou soltar o banqueiro da prisão, Toffoli embarcava em jatinho para Lima junto com o advogado de um diretor do Master para ver um jogo de futebol. Além disso, o escritório ligado à família de Moraes tem contratos milionários com o banco.

Paralelamente, o TCU (Tribunal de Contas da União) também analisa o caso. O ministro Jhonatan de Jesus determinou que o BC se explicasse sobre o caso e sugeriu que a decisão do BC pode ter sido extrema e precipitada. O questionamento não recebeu objeções de outros ministros do tribunal por enquanto.

Segundo o despacho, a ação da autoridade monetária sugere que o BC pode ter demorado para buscar alternativas de mercado para o Master. Além disso, avalia que o BC poderia ter considerado soluções menos onerosas. O BC já formulou sua resposta ao TCU.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Comprem pipocas, o ministro Toffoli tomou a direção do espetáculo e está querendo salvar o falido Master e o fracassado Vorcaro, num só golpe de cena. Mas o Banco Central vai resistir e a novela se prolongará. (C.N.)

Cora Coralina, em sua poética pureza, nos ensina como se deve viver

O que vale na vida não é o ponto de... Cora Coralina - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

A poeta Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), nasceu na cidade de Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano, conforme o belo poema “Saber Viver”, no qual a sabedoria de Cora Coralina ensina que a vida não tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

SABER VIVER
Cora Coralina

Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos
O coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura…
Enquanto durar 

No próximo ano, precisamos de mais amor e solidariedade, menos opressão

Frases de solidariedade que mostram a importância de ajudar - PensadorVicente Limongi Netto

Quero ver em 2026 mais união, mais amor.  Mais emprego, menos sofrimento. Mais ternura, menos opressão. Mais sinceridade, menos hipocrisia. Mais fartura, menos fome. Mais solidariedade, menos agressão. Um basta nos covardes feminicídios, cadeia dura para os assassinos.

Mais abraços, menos destemperos. Fim dos intoleráveis e insuportáveis penduricalhos para políticos e magistrados. Menos tragédias na saúde pública, melhor acolhimento profissional. Mais prudência e responsabilidade nas rodovias. Mais tolerância, menos despudor. Menos promessas dos governantes, mais ações pelo coletivo. 

FORÇA DO NATAL– Ex-senador, ex-deputado federal constituinte e ministro aposentado do Tribunal de Contas da União (TCU), cearense de nascimento e brasiliense por amor e adoção, Valmir Campelo é extraordinário cidadão. Impecável no trato e grandioso nas atitudes.

Católico praticante, Valmir considera o Natal um acontecimento marcante. Mais relevante ainda porque no dia 25 de dezembro nasceu Jesus.

Enfatiza Valmir Campelo que “o Natal nos ensina que os verdadeiros gestos transformadores não nascem do poder, mas da entrega; não surgem da ostentação, mas da generosidade, não brotam da soberba, mas do acolhimento”. Grande vascaíno Valmir Campelo.

A democracia não precisa de falsos heróis, como Alexandre de Moraes

Moraes se movimentava no coração do poder

Malu Gaspar
O Globo

O ano de 2025 vai terminando amargo para muita gente que acreditou nos julgamentos dos vândalos golpistas do 8 de Janeiro e dos articuladores da intentona para impedir a posse de Lula como salvação da democracia.

Tudo por causa do enredo que começa no contrato da mulher de Alexandre de Moraes com o banco Master, prevendo o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos por serviços até agora desconhecidos, e segue com a pressão do ministro sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pela aprovação da venda do Master ao BRB, banco estatal de Brasília.

SUPERCONTRATO – Enquanto salvava a democracia, Moraes se movimentava no coração do poder de uma forma que não é preciso código de ética para considerar imprópria. O contrato de sua mulher foi fechado em janeiro de 2024 e continuava válido em julho de 2025, quando Moraes esteve com o presidente do BC.

Uma vez que as conversas foram reveladas, Moraes disse que se reuniu, sim, com Galípolo, mas não falou sobre o Master, só sobre as sanções da Magnitsky aplicadas pelos Estados Unidos contra ele. Fez o mesmo que o colega Dias Toffoli.

Como se sabe, Toffoli viajou no jato de um empresário a Lima com o advogado de um investigado do caso Master no mesmo dia em que chamou para si o controle da investigação sobre o banco e decretou sigilo máximo sobre o caso — mas garante que não conversou sobre o assunto com o vizinho de poltrona, só mesmo sobre o jogo do Palmeiras a que assistiriam.

GALÍPOLO RECUA – Galípolo, que andava assertivo, dizendo estar à disposição do Supremo e de Toffoli para todos os esclarecimentos e afirmando ter documentado todos os contatos, mensagens e discussões a respeito do Master, passou a adotar um comportamento errático.

Primeiro, negou “em off” a alguns veículos ter sido pressionado, mas admitiu que, nas conversas com Moraes, se falou sobre o caso Master. Procurou jornalistas para afirmar não ter sido pressionado, mas pediu que não publicassem ter dito isso. Mas se não houve pressão, por que não dizer em público, alto e bom som?

Oficialmente, o BC divulgou uma nota de duas linhas confirmando apenas que houve reuniões para discutir as sanções da Magnitsky. Mas essas reuniões também não constam da agenda pública de Galípolo. Ninguém explicou nem quando nem onde ocorreram, por que não foram registradas, nem se nessas conversas se falou, afinal, de Master.

MORAES NEGA TUDO – Por fim, depois de muito questionamento, Moraes ainda disse que sua mulher não trabalhou para o Master na negociação com o BRB.

Fica, então, a pergunta: se o escritório de Viviane não atuou pelo banco de Vorcaro na operação mais relevante da história da instituição, o que seu escritório fez, afinal?

Os esclarecimentos que nada esclarecem imediatamente passaram a servir de munição ao Fla-Flu das redes, dando aos “mitodependentes” combustível para recorrer ao velho argumento da perseguição e das fake news contra o herói da democracia.

TIPO LAVA JATO – Não faltou quem argumentasse haver uma campanha de ataques contra Moraes, orquestrada pelo bolsonarismo e/ou pelo “lavajatismo”.

A Lava-Jato acabou em descrédito e foi completamente desmontada em razão das mensagens mostrando que Moro cruzou o balcão para orientar o Ministério Público nas ações contra o megaesquema de corrupção montado no governo Lula. Sob essa régua, como classificar as atitudes de Moraes e Toffoli?

A investigação sobre as fraudes que avalizaram a cessão de créditos no valor de R$ 12,2 bilhões pelo Master ao BRB, embora tutelada por Toffoli, continua.

CELULAR COBIÇADO – O processo de liquidação do banco está em curso e, se for sério, fará o escrutínio de todos os contratos e pagamentos, incluindo os R$ 500 milhões a consultorias e escritórios de advocacia que o Master informou no balanço de 2024.

O conteúdo do telefone celular de Vorcaro, apreendido no dia em que ele e outros cinco acusados foram presos, também está trancafiado em diferentes versões e locais. Pode nunca vir à tona, mas permanecerá como fantasma sobre todos os que, de alguma forma, se envolveram nos rolos do Master.

Nesse contexto, o ideal seria que tudo fosse apurado e exposto à sociedade. Não é o que se desenha, a julgar pela reação dos envolvidos e pelo silêncio dos que deveriam agir — aí, sim — pelo fortalecimento da nossa democracia.

PASSAR PANINHO – O mais provável é que toda essa história acabe tragada pela dinâmica da polarização e pela disputa eleitoral de 2026, para depois ser soterrada por algum outro escândalo mais picante.

Independentemente do que aconteça, duas lições estão evidentes para quem quiser aprender. A primeira é que cada um pode acreditar no que melhor lhe aprouver, mas crenças ideológicas nunca foram capazes de apagar os fatos.

A segunda: numa sociedade que idolatra heróis (ou mitos) e despreza instituições, a democracia sempre estará em xeque. Preservá-la é a missão não de falsos heróis, mas de uma sociedade inteira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Maravilha de artigo. Corajosa e incisiva, Malu Gaspar enfrenta o ministro Alexandre de Moraes, confirmando as denúncias contra ele e esclarecendo que as acusações foram feitas pelo próprio presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, que agora está tentando recuar, covardemente, mas não conseguirá salvar Moraes. (C.N.)

Datafolha mostra desalinhamento ideológico entre petistas e bolsonaristas

Bolsonaro sela a sucessão, enquadra o PL e redefine o jogo da direita

Bolsonaro busca preservar seu capital político 

Pedro do Coutto

A carta aberta divulgada por Jair Bolsonaro pouco antes de se submeter a uma nova cirurgia não pode ser lida como um gesto improvisado, emocional ou meramente familiar. Em política, especialmente na política brasileira recente, timing é substância. E o momento escolhido pelo ex-presidente foi tão eloquente quanto o conteúdo do texto. Ao formalizar apoio à candidatura presidencial do próprio filho, hoje senador da República, Bolsonaro não apenas fez uma declaração de preferência: ele decretou uma linha sucessória e impôs uma ordem interna ao bolsonarismo.

A repercussão imediata confirmou o alcance do movimento. A grande imprensa, com destaque para O Globo, tratou o episódio como um divisor de águas dentro do Partido Liberal. Não por acaso. Ao tornar público e inequívoco seu apoio, Bolsonaro esvaziou, de uma só vez, qualquer tentativa de construção de alternativas presidenciais no interior do PL. Governadores, parlamentares influentes ou quadros técnicos que eventualmente sonhassem com protagonismo nacional foram colocados em posição secundária — quando não descartados.

MOVIMENTO PERSONALISTA – O bolsonarismo, desde sua origem, sempre funcionou menos como uma corrente ideológica plural e mais como um movimento personalista, organizado em torno da figura de seu líder. A carta apenas explicitou essa lógica. Ao sinalizar que o candidato do grupo tem sobrenome e DNA político definidos, Bolsonaro reafirma que, no seu campo, a lealdade precede o debate e a obediência estratégica se sobrepõe à construção coletiva. Não há espaço para prévias, ensaios ou dissensos públicos. O recado foi direto: quem quiser permanecer sob o guarda-chuva bolsonarista deve seguir Bolsonaro — e ponto final.

Esse gesto também precisa ser analisado à luz das limitações que hoje cercam o ex-presidente. Fora do jogo eleitoral direto, pressionado por investigações e juridicamente impedido de disputar cargos, Bolsonaro busca preservar seu capital político por meio de um herdeiro. Trata-se de uma tentativa clara de transferência simbólica de liderança, fenômeno conhecido e estudado em democracias frágeis ou altamente personalizadas. Não é novidade na história política mundial, nem tampouco na brasileira, marcada por clãs, dinastias regionais e heranças eleitorais.

Ao escolher o filho, Bolsonaro reduz riscos. Garante fidelidade absoluta, controle do discurso e continuidade da narrativa. Um aliado externo, por mais próximo que fosse, sempre carregaria a possibilidade de autonomia futura. Um filho, ao menos em tese, preserva o projeto, o estilo e o antagonismo que sustentam a identidade bolsonarista. Nesse sentido, a carta não é apenas um apoio: é um mecanismo de autopreservação política.

SIMBOLOGIA – Há também um componente simbólico relevante. O contexto de saúde confere à mensagem uma carga emocional que não pode ser ignorada. Ao escrever às vésperas de uma cirurgia, Bolsonaro se coloca novamente no papel que tão bem explorou ao longo dos últimos anos: o do líder que resiste, sofre e luta contra adversidades em nome de seus seguidores. Essa narrativa, amplamente analisada por estudiosos do populismo contemporâneo, reforça vínculos afetivos e dificulta questionamentos racionais dentro da base.

Do ponto de vista partidário, o PL sai momentaneamente mais coeso, mas não necessariamente mais forte. A imposição de um nome pode conter disputas internas no curto prazo, porém cobra seu preço no médio e longo prazos. Ao fechar portas para lideranças emergentes, o partido corre o risco de limitar sua capacidade de renovação e ampliar sua dependência de uma única figura política — ainda que essa figura esteja formalmente fora da disputa.

REDEFINIÇÃO – Por fim, a carta de Bolsonaro redefine o debate no campo da direita brasileira. Ela antecipa o conflito central da próxima eleição: não apenas entre governo e oposição, mas entre a manutenção de um projeto personalista e a tentativa de construção de uma direita mais institucional, menos centrada em um único líder. Ao deflagrar sua posição partidária de forma tão explícita, Bolsonaro deixa claro que não pretende abrir mão do controle do movimento que criou — mesmo à distância.

Resta saber se o eleitorado aceitará essa transferência automática de liderança e se o bolsonarismo, ao optar pela sucessão familiar, conseguirá dialogar para além de sua base mais fiel. A carta resolveu uma disputa interna, mas abriu uma questão maior: até que ponto um movimento político consegue sobreviver quando se confunde, de maneira tão profunda, com o destino de um único sobrenome.

Procurador-geral Paulo Gonet silencia sobre as escândalos do banco Master

Gonet pede ao STF para reabrir inquérito de suposta interferência de Bolsonaro na PF - JuriNews

Gravidade da crise deixou Gonet sem saber o que fazer

Rafael Moraes Moura
O Globo

Um detalhe tem chamado a atenção dos envolvidos nas investigações sobre a fraude do Banco Master: o silêncio da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as decisões do relator Dias Toffoli no caso.

 Além de avocar para si a condução do caso, Toffoli ainda reforçou o sigilo das investigações, o que provocou mal-estar tanto na Polícia Federal (PF) como no Ministério Público.

GONET CALADO – Mas, apesar de o próprio Toffoli ter pedido à PGR para se manifestar no caso, o procurador-geral, Paulo Gonet, segue inerte.

“O silêncio de Gonet é eloquente”, diz um subprocurador-geral da República ouvido reservadamente pelo blog.

Gonet tem como marca centralizar os processos e agir lentamente. Nesse caso, já faz alguns dias que ele recebeu o processo para manifestação (como o processo tramita sob sigilo máximo, não é possível saber exatamente quando isso ocorreu).

ANTIBOMBA – “No melhor cenário, Gonet pode estar igual ao PM do esquadrão antibomba que age bem cautelosamente para fazer a coisa certa”, diz o subprocurador.

Procurada pelo blog, a assessoria da PGR informou que “não vai se manifestar porque o processo é sigiloso”.

Detalhe: tanto Toffoli quanto Gonet já participaram de eventos com patrocínio do Banco Master. Em abril do ano passado, os dois compareceram ao I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, organizado por uma empresária bolsonarista que já criticou “cidadãos de toga” e o “canetaço” do Supremo Tribunal Federal.

OUTROS MINISTROS – Além de Toffoli e Gonet, também participaram do evento os ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes – cuja mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, foi contratada pelo Master com a previsão de pagamento de R$ 129 milhões ao longo de três anos, conforme revelou o blog.

Em novembro, Gonet ganhou mais dois anos à frente da PGR na votação mais apertada no Senado Federal de um procurador-geral da República desde a redemocratização – foram 45 votos favoráveis (apenas quatro a mais que os exigidos pela Constituição) e 26 contra.

O resultado ficou abaixo da projeção do relator da indicação de Gonet, senador Omar Aziz (PSD-AM), de 48 a 52 votos favoráveis.

NOTA DA REDAÇÃO – Nota-se, claramente, que está em curso uma tentativa de passar um paninho no caso Master, para salvar o ministro Moraes, porém é inútil. Sua queda é irreversível. Após o recesso, o pedido de seu impeachment, já apresentado pela senadora Damara Alves (Republicanos-DF), entrará em discussão, com muita chance de ser aprovado. Moraes ultrapassou todo os limites e será punido. (C.N.)

Piada do Ano! Fachin mira penduricalhos e abre frente contra supersalários

Estudo será apresentado pelo CNJ em 2026

José Marques
Folha

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça), presidido pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, faz um levantamento para filtrar quais são as verbas indenizatórias legítimas pagas à magistratura em todo o país e quais podem ser enquadradas como pagamentos abusivos.

O estudo será apresentado no ano que vem e deve ajudar o conselho a fazer um filtro no pagamento de penduricalhos em todo o país. O ideal é que também haja um teto remuneratório desses benefícios, que por serem de natureza indenizatória não sofrem descontos.

GRATIFICAÇÕES – Entre os exemplos mencionados de pagamentos legítimos estão as gratificações por acúmulo de função —se um juiz de vara cível também assume uma vara eleitoral, por exemplo— ou diárias pagas por uma viagem.

Em seu discurso de encerramento do ano do Judiciário, Fachin, que também preside o STF, elencou as discussões sobre remuneração da magistratura como uma das prioridades para o próximo ano. “Reiteremos: transparência é a chave quanto às modalidades de remuneração. Nosso respeito intransigente à dignidade e valorização da carreira, irá na mesma medida conter abusos”, disse o ministro.

Apesar de ser um dos assuntos mais importantes da gestão Fachin, o tema também pode gerar polêmica no CNJ e sofrer pressões de associações que representam a magistratura.

TEMA DE DEBATE – Os penduricalhos pagos pelo Judiciário e pelo Ministério Público têm sido tema de debate nos últimos anos, tanto no Judiciário como no Congresso Nacional. O antecessor de Fachin na presidência do STF, Luís Roberto Barroso, disse em entrevista à Folha que era favorável ao Legislativo limitar indenizações, mas com ressalvas. “Sou a favor de o Congresso dizer quais verbas podem ultrapassar o teto legitimamente e acabar com os penduricalhos que são dados indevidamente”, disse.

Em maio, o CNJ aprovou uma resolução que proíbe os órgãos do Poder Judiciário, como tribunais de Justiça, de reconhecer e pagar novos benefícios ou vantagens por decisão administrativa. A partir de então, esse tipo de reconhecimento somente poderá ser realizado a partir do trânsito em julgado de decisão judicial em ação coletiva, ou de precedente qualificado dos tribunais superiores.

A norma, porém, deixa brechas e não resolve o problema dos supersalários de magistrados, segundo entidades especializadas em transparência e gastos públicos. Para as entidades, o conselho pôs um freio nas despesas, mas a iniciativa tem pouca efetividade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSão duas Piadas do Ano. Fachin não vai conseguir moralizar o Supremo com seu Código de Conduta, tampouco evitará os supersalários. É só conversa fiada, para desviar a atenção que deveria haver sobre os excessos do Judiciário, que contaminam os outros dois podres poderes, como diz Caetano Veloso. (C.N.)

Globo tem provas do envolvimento de Moraes no caso do banco Master?

Xandão não se dobrou pra Trump, imagina se vai se curvar pra Malu Gaspar e Lauro Jardim e os jornalões da imprensa golpista

Charge do Nando Motta (Brasil 247)

Carlos Newton

Ao longo dos últimos anos, nenhuma autoridade mereceu tão elevada cobertura da mídia como o ministro Alexandre de Moraes, que presidiu o inquérito, relatou e julgou no Supremo os crimes relacionados com a trama golpista de 8 de janeiro de 2023. Seu nome foi destaque na imprensa internacional e até na Casa Branca, que o puniu por meio da Lei Magnitsky, em sanção depois revista.

Nas duas últimas semanas, o ministro voltou a ser notícia em todos os blogs, sites, jornais, emissoras de rádio e de televisão, mas desta vez o acusado é ele.

APOIO À VENDA – Segundo os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, de O Globo, o ministro Moraes, fora de suas funções institucionais, teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, diversas vezes, para demonstrar seu apoio ao empresário Daniel Vorcaro no caso da venda do falido Banco Master ao BRB – Banco Regional de Brasília, controlado pelo governo do Distrito Federal.

O Master, com golpes de gestão temerária, inescrupulosamente acarretou prejuízo a milhares de investidores, deixando rombo de R$ 19 bilhões a ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito.

A desastrada e ilegal intervenção do ministro Moraes junto ao BC não surtiu efeito, e a instituição de Vorcaro foi liquidada pela autarquia federal. Seus controladores foram presos e depois liberados sob vigilância da Polícia Federal e do Poder Judiciário (prisão domiciliar).

SUPERCONTRATO – Nesse contexto, a situação ética e disciplinar de Moraes, se é que algum ministro do STF está sujeito a alguma lei, complicou-se de vez quando os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, de O Globo, corajosamente revelaram que o interesse do juiz no Master incluía a prestação de assessoria completa a um banqueiro sem escrúpulos.

O contrato com o Master foi  celebrado em janeiro de 2024 pela mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 129,6 milhões, em prestações de R$ 3,6 milhões.

No escritório de advocacia da família, Viviane e seus dois filhos deveriam, entre outras missões profissionais, defender os interesses do banco Master junto ao Banco Central, CADE, Receita Federal, Congresso Nacional, Judiciário etc.

QUATRO LINHAS – O contrato é missão impossível para um escritório com tão poucos e jovens advogados, carentes de maior experiência. A não ser que forças extrajudiciais estivessem atuando fora das quatro linhas.

Tão graves, inimagináveis e comprometedoras atitudes, relacionadas a insuportáveis pressões que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, teria sofrido por parte de Moraes, sem dúvida, denigrem a imagem da STF e de seus membros.

Essas demolidoras reportagens jamais teriam sido publicadas com autorização do diretor-presidente de O Globo, o empresário João Roberto Marinho, que dirige toda a Organização Globo. Ou seja, mais do que indícios, O Globo deve ter as provas. Então, por que não as divulga para que o caso tenha logo um desfecho e não se eternize essa desmoralização do STF? 

P.S. –  Se os jornalistas não tivessem as provas, já teriam sido demitidos de O Globo, que não compra briga com autoridade sob hipótese alguma. Amanhã, voltaremos a esse palpitante assunto. (C.N.)

OEA diz que Supremo deve acatar as leis e suprimir as medidas de exceção

Alexandre de Moraes deveria ser exonerado do Supremo Tribunal Federal -  Combate Racismo Ambiental

Charge do Latuff (Frente Brasil Popular)

Deu no Infomoney

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) publicou nesta sexta-feira, 26, o Relatório especial sobre a situação da liberdade de expressão no Brasil. Embora afirme que o País possui “instituições democráticas fortes e eficazes”, o documento faz alertas sobre o uso de medidas de caráter excepcional pelo Poder Judiciário e seus possíveis efeitos sobre a liberdade de expressão.

O relatório é resultado de uma visita que a Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão, da CIDH, fez ao Brasil em fevereiro de 2025, a convite do governo federal, no contexto da tentativa de golpe do 8 de janeiro.

USO ABUSIVO – Relatório da organização sugere descriminalizar desacato e frear uso abusivo da Justiça após análise do cenário pós-8 de Janeiro

Chefiada pelo relator especial Pedro Vaca Villarreal, a delegação percorreu Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo entre os dias 9 e 14 de fevereiro, ouvindo representantes de diferentes setores, entre eles, opositores do atual governo, parlamentares de todo o espectro político, defensores dos direitos humanos, organizações não governamentais e jornalistas.

Logo na introdução, o documento registra que as autoridades brasileiras, com o apoio de certos setores da sociedade civil, às vezes se mostram relutantes à autocrítica e a questionamentos da compatibilidade das restrições à liberdade de expressão com os padrões interamericanos:

TIPO CENSURA – “A defesa da democracia não pode ser alcançada por meio de restrições exageradas que equivalem à censura. Ao mesmo tempo, a liberdade de expressão não deve ser usada para minimizar o imperativo de que se alcance verdade, justiça e responsabilização pelas tentativas de alterar a ordem constitucional em 2023.”

Embora reconheça que o Supremo Tribunal Federal (STF) desempenhou um “papel fundamental” ao iniciar procedimentos para investigar os ataques às instituições, a CIDH demonstra preocupações de que essas medidas constituam uma concentração de poder.

“Há o risco de transformar uma solução temporária, destinada a ser excepcional, em um problema duradouro, ao criar precedentes que podem ser usados em benefício de regimes potencialmente autoritários no futuro”, afirma a delegação, para quem mitigar esse risco requer o reconhecimento de “quaisquer excessos na ação do Estado”.

MEDIDAS DE EXCEÇÃO – O relatório observa que movimentos que contestavam os resultados eleitorais e as próprias instituições democráticas brasileiras exigiram do Poder Judiciário o uso de ferramentas consideradas “extraordinárias”, consideradas decisivas para preservar a institucionalidade.

Mesmo assim, a CIDH insta todos os órgãos do Estado a garantir que essas iniciativas, seja para a defesa da democracia ou para qualquer outro objetivo legítimo, não se prolonguem para além do necessário.

O documento alerta que, embora a organização de crimes graves exija uma resposta do Estado, o Poder Judiciário deve ter cuidado para não expandir o escopo destas limitações extraordinárias a ponto de “sancionar opiniões políticas legítimas”.

DESAFIOS – “Nesse contexto, a Relatoria chama a atenção para os desafios de longa data do Brasil, em distintos órgãos do Poder Judiciário, no que diz respeito às restrições à expressão de pessoas defensoras de direitos humanos, jornalistas e ativistas políticas”, afirma o relatório.

Segundo o texto, esses problemas são anteriores às investigações sobre a tentativa de golpe, e o Judiciário deve se esforçar para criar precedentes que diferenciem de forma clara condutas ilícitas de “críticas legítimas”.

Para a delegação, a gravidade dos eventos que ameaçaram a democracia brasileira nos últimos anos reforça a necessidade de que quaisquer restrições à liberdade de expressão “sejam mais, e não menos, compatíveis com os parâmetros internacionais de proteção e restrição da liberdade de expressão”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, não partem apenas dos Estados Unidos as preocupações com a liberdade de expressão no Brasil. O recado da OEA é claro: mandar parar com as medidas de exceção, com o Supremo acima da lei e da ordem. É hora de refluir. (C.N.)