Lula usa posse no Turismo e aceno aos evangélicos para redesenhar alianças

Lula nomeia Feliciano como novo ministro do Turismo

Vera Rosa
Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará nesta terça-feira, 23, dois movimentos importantes em busca de apoio para sua campanha à reeleição. O primeiro deles será na cerimônia de posse do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

Ao entregar o cargo para mais um nome indicado pelo União Brasil, partido que não apenas anunciou o rompimento com o governo como expulsou Celso Sabino, o antigo ministro, Lula atrai um pedaço do Centrão para sua estratégia de 2026.

DECRETO – Com a eleição no radar, o presidente também promoverá o segundo afago do dia, desta vez dirigido aos evangélicos: vai assinar um decreto que reconhece a música gospel como patrimônio do Brasil.

Indicado para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, estará presente à solenidade, que contará com cantores gospel, no Palácio do Planalto.

Messias é diácono da Igreja Batista Cristã e tem ajudado o governo a se aproximar dos evangélicos, eleitorado que, em sua maioria, é refratário ao PT e apoia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

RESISTÊNCIA – Líderes desse segmento religioso tentam, por sua vez, diminuir a resistência a Messias em conversas com senadores. Para ser nomeado ministro do STF, o advogado-geral da União ainda terá de ser aprovado em sabatina no Senado, o que deve ocorrer somente em fevereiro, quando os parlamentares retornarem das férias de fim de ano.

Além do mau humor de parte do Senado com a indicação de Messias, Lula também enfrenta problemas com o Centrão. Embora uma ala do grupo tenha divulgado com pompa e circunstância o divórcio do governo, o bloco continua dividido e não entregou os principais cargos – nem a totalidade dos votos a projetos de interesse do Planalto no Congresso.

Agora, Gustavo Feliciano vai assumir o Ministério do Turismo porque a cúpula do União Brasil e 25 dos 59 deputados da bancada pediram a cabeça de Sabino no Ministério do Turismo. Detalhe: Sabino foi expulso do partido justamente por não sair do governo.

ENTRADA DE TARCÍSIO – O União Brasil está no grupo de partidos que, na sua maioria, não quer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como desafiante de Lula em 2026 e defende a entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no páreo presidencial.

Ao nomear Feliciano, Lula viu a oportunidade de atrair um pedaço do União Brasil para o seu lado e, de quebra, agradar a Hugo Motta (Republicanos-PB), com quem teve vários atritos neste ano. Feliciano é amigo de Motta e já foi secretário de Turismo na Paraíba, reduto eleitoral do presidente da Câmara.

Explicação de Moraes deve ser considerada a ”Piada do Século”

Senado aprova Alexandre de Moraes como novo ministro do STF - 22/02/2017 -  Poder - Folha de S.Paulo

A nota esclarecedora de Moraes não esclarece nada

Carlos Newton

Como diria o senador e filósofo Romário, o ministro Alexandre de Moraes, calado, é um poeta. Depois de ter sua reputação e sua dignidade destruídas pela ambição e a ganância, o severo relator do Inquérito do Fim do Mundo vê o chão desabar sob seus pés.

A “nota oficial” que soltou deve ser considerada a Piada do Século, porque não explica nem justifica nada, apenas depõe contra o ministrp

DIZ A NOTA – “O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnistiky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú.

Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da FEBRABAN, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú.

Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito.”

ACUSA GALÍPOLO – Em tradução simultânea, Moraes esquece que a acusação contra ele foi confirmada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que não ficou só nisso, mas acrescentou que a instituição “documentou” tudo o que aconteceu em relação ao Banco Master.

Além dessa declaração, Galípolo se ofereceu para prestar maiores esclarecimentos às autoridades, e isso arrasará Moraes.

Na nota oficial, o ministro do batom criminoso disse que “recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú”. Mas o presidente do BC disse o contrário, que Moraes o procurou quatro vezes – três por telefone e uma pessoalmente.

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P.S.
– O velho ditado diz que é mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo. E Moraes não tem possibilidade de defesa. E a Piada do Dia é desejar um Feliz Natal para ele e sua esposa, dona Viviane, a advogada mais cara do país.  (C.N.)

No Supremo, a mulher de Moraes já está defendendo 31 processos

Mulher de cabelos loiros e vestido verde com estampa floral conversa com homem careca vestido com toga preta, em frente a parede de pedra com brasão oficial.

De uma hora para outra, Viviane virou uma superadvogada

Lucas Marchesini
Folha

Em foco desde a revelação de contrato com o Banco Master, a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, defende gigantes privados da educação e da saúde em casos que tramitam na corte.

Entre os clientes de 31 processos nos quais ela aparece como advogada estão a Hapvida, empresa de planos de saúde, e o SEB, grupo de educação que reúne escolas como Maple Bear, Pueri Domus e Concept e a universidade Unidombosco. As duas empresas estão entre as maiores do país em suas áreas de atuação.

APÓS A POSSE – A maior parte dos processos de Viviane no STF chegou ao tribunal após Moraes tomar posse, em 22 de março de 2017. Dos 31 processos, 22 começaram a tramitar no tribunal depois dessa data. Dos 8 restantes, 3 tinham Moraes como advogado; os outros 5 são de quando ele era ministro da Justiça, no governo Michel Temer (MDB).

Viviane aparece como parte em todos os casos da banca na corte e não há processos nos quais outro advogado da firma assina sem ela. Os dois filhos do casal também são sócios e aparecem entre os advogados em alguns dos casos.

Além do Barci de Moraes Sociedade de Advogados, sediado em São Paulo, Viviane abriu em 22 de setembro de 2025, como mostrou o jornal O Globo, o Barci e Barci Sociedade de Advogados, registrado em Brasília.

SANÇÕES NOS EUA – Naquela mesma data, o governo dos EUA aplicou sanções financeiras com base na Lei Magnitsky a ela e ao instituto Lex, que pertence à família.

Não há impedimento legal para que familiares de magistrados atuem em causas no STF, mas há o entendimento de que um ministro não pode julgar causas de seus parentes. Aquele que se julgar amigo ou inimigo do parente de um colega também pode se declarar suspeito.

O processo com atuação de Viviane para o SEB no STF é uma reclamação trabalhista de um ex-diretor que trabalhou na empresa entre 2018 e 2021, cujo valor total é de R$ 591 mil. Ela pediu uma liminar para suspender o caso no TST (Tribunal Superior do Trabalho). A decisão foi concedida pelo ministro André Mendonça.

OUTROS PROCESSOS – Viviane também atua para o dono da empresa, Chaim Zaher, em processos em outros tribunais.

No caso da Hapvida, o processo no STF é contra o estado do Amazonas, cuja Secretaria de Educação e Desporto rompeu um contrato de fornecimento de seguro saúde prestado pela companhia.

BANCO MASTER – A atuação do escritório de Viviane entrou em foco após o jornal O Globo revelar que o Banco Master contratou a firma por 36 meses, a partir do início de 2024, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões.

Com isso, o escritório ganharia, até o início de 2027, R$ 129,6 milhões da instituição financeira, caso ela não tivesse sido liquidada pelo Banco Central. Os valores são considerados acima dos praticados geralmente no mercado.

Se os pagamentos tiverem sido honrados até outubro de 2025, último mês antes da intervenção pelo BC, o contrato gerou ao escritório receita de R$ 79 milhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como dizia Tom Jobim, é a lama, é a lama, é a lama. (C.N.)

Flávio Bolsonaro, a cisão do PL e os dilemas da direita no Brasil rumo a 2026

Divisão de forças ameaça reduzir competitividade de Flávio

Pedro do Coutto

A decisão de Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente, de lançar sua pré-candidatura à Presidência da República para as eleições de 2026 acendeu uma nova discussão política que vai muito além da simples escolha de um nome para o pleito.

A configuração interna do Partido Liberal (PL), o principal bastião do bolsonarismo, reflete preocupações profundas sobre estratégia eleitoral, unidade partidária e o posicionamento da direita no Brasil, que hoje enfrenta um quadro de forte liderança do presidente Lula da Silva e uma divisão de forças que ameaça reduzir sua competitividade eleitoral.

CLÃ SOB PRESSÃO – A trajetória de Flávio — que anunciou sua pré-candidatura com o apoio explícito do pai, mesmo com o ex-presidente inelegível e detido — evidencia que, mais do que conquistar votos, a campanha tenta preservar a relevância política de um clã sob pressão judicial e de imagem.

A reação no PL e nas forças alinhadas à direita não foi unânime. A escolha de Flávio afastou, na prática, nomes que ainda mantinham apoio considerável dentro e fora do partido, como Ratinho Júnior (PSD), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Romeu Zema (Novo) e Eduardo Leite (PSDB) — todos percebidos por parte do eleitorado como alternativas mais moderadas ou competitivas contra Lula.

Pesquisas recentes mostram que, em um eventual segundo turno, Lula venceria Flávio por margens significativas, com o petista marcando cerca de 51% a 36% nas simulações do Datafolha, enquanto outros nomes de centro-direita teriam desempenhos relativamente melhores, embora ainda sem ameaça real à liderança do presidente.

DUPLO EFEITO – Essa escolha partidária provoca um duplo efeito: por um lado, consolida o núcleo bolsonarista do PL, que vê em Flávio uma continuidade da agenda política do pai e um símbolo de fidelidade à base; por outro, agrava a fragmentação das forças de direita, alimentando a polarização em um ambiente político já tenso.

A percepção de que Flávio levará a campanha até o fim é compartilhada por quase metade dos brasileiros, segundo pesquisa Genial/Quaest, que indicou que 49% acreditam que ele de fato seguirá na corrida eleitoral até o fim, e 38% veem sua pré-candidatura como instrumento de negociação política.

O desafio para a direita brasileira, portanto, não é apenas encontrar um candidato competitivo, mas articular uma estratégia que vá além da mera herança política bolsonarista. Em um cenário em que nomes como Tarcísio e Ratinho — mais bem avaliados em simulações de segundo turno — ficam de fora da liderança partidária, a polarização pode se acentuar sem necessariamente ampliar a base de apoio.

LIDERANÇA – Lula mantém liderança clara em diversas pesquisas, com vantagem significativa tanto no primeiro quanto em simulações de segundo turno, e sua candidatura mostra estabilidade mesmo diante de cenários fragmentados à direita.

A construção de alianças robustas e a mitigação de cismas internos parecem essenciais para um campo derrotado, em 2022, em um segundo turno acirrado. A aposta unicamente na figura de Flávio, com seu desempenho eleitoral — relativamente menor em comparação com outros nomes — e elevada rejeição em segmentos amplos do eleitorado, coloca o PL diante de um dilema: persistir em uma estratégia que pode consolidar identidade partidária ou remodelar sua plataforma para buscar maior atratividade e competitividade nacional.

No fim, a reação interna ao nome de Flávio Bolsonaro é mais do que uma disputa de egos ou de heranças: é o reflexo de uma direita em busca de um projeto político que transcenda narrativas familiares e que responda aos desafios de um Brasil em rápida transformação social e eleitoral. A forma como esse dilema for resolvido — se por um consenso interno ou por uma cisão mais clara — terá impacto direto no modelo de disputa que se descortina para 2026, e pode influenciar a disposição de votos de milhões de brasileiros que hoje ainda definem se a eleição será um embate de continuidade ou de ruptura.

Augusto Heleno deixa prisão militar e cumprirá pena em regime domiciliar

Não há dúvida de que Moraes precisa sofrer um impeachment

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes procurou o  presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para  fazer pressão em favor do Banco Master. Ao menos

Galípolo (à esquerda) contou que Moraes o pressionou

Merval Pereira

A revelação de que o ministro Alexandre de Moraes se encontrou com o presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, para fazer pressão a favor do banco Master é muito séria.

Para cada revelação que aparece sobre interesses privados envolvendo decisões do STF, a instituição perde a credibilidade, e mergulha o país numa insegurança jurídica monumental.

DESCONFIANÇA – O STF virou objeto de desconfiança do cidadão. À medida que o ministro Alexandre de Moraes não nega oficialmente que sua mulher tenha recebido milhões para trabalhar pelo banco do Vorcaro, e que ele ligou cinco vezes e convocou o presidente do BC para um encontro presencial para trabalhar a favor do banco Master, isso vira uma crise política, razão para impeachment.

Ele precisa explicar, se pronunciar e provar que não é verdade.

A jornalista Malu Gaspar tem a tradição de bem informar, é muito séria e não divulga leviandades. Ela divulgou com detalhes o valor que a mulher de Moraes recebia do banco Master e ninguém refutou.

SEM CREDIBILIDADE – Se ele tem como provar que não é verdade, precisa mostrar de maneira veemente, ou perde completamente a credibilidade.

E abre brecha para os que o atacam há anos, argumentando que ele sofre pressão política, que faz coisas simplesmente contra Bolsonaro e não a favor do país.

Ele tem que mostrar com provas que não é verdade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMerval Pereira foi preciso, conciso e objetivo. Em poucas palavras, traçou um retrato da gravidade da situação e apontou o desfecho final — o impeachment de quem não merece estar no Supremo. Apenas isso. (C.N.)

 

Flexibilização de Bolsonaro modernizou o arsenal do crime, mostra estudo

Lula transforma veto à anistia golpista em marco político pela defesa da democracia

Kast se Inspira em Pinochet, Trump e Bukele, numa nova guinada sul-americana

Vitória de Kast no Chile impulsiona extrema direita

Bernardo Mello Franco
O Globo

O sorriso de Augusto Pinochet voltou às ruas de Santiago no último domingo. Eleitores de José Antonio Kast exibiram retratos do ditador para comemorar a vitória do ultradireitista na eleição do Chile.

O novo presidente nunca disfarçou a admiração pelo velho general. Votou contra o retorno à democracia no plebiscito de 1988 e prometeu tirar da cadeia militares condenados por crimes contra a humanidade. “Se estivesse vivo, Pinochet votaria em mim”, garantiu Kast, na primeira campanha ao Palácio de La Moneda. Na terceira tentativa, ele chegou lá. Foi eleito com 58% dos votos em disputa com a comunista Jeannette Jara, apoiada pelo atual presidente Gabriel Boric.

ALTERNÂNCIA – Desde o fim da ditadura, o Chile alternava entre governos de centro-esquerda e centro-direita. Agora terá o primeiro líder que defende e cultua o passado autoritário.

Ultraconservador e pai de nove filhos, Kast se apresenta como um católico fervoroso. Já prometeu proibir a pílula do dia seguinte e limitar as hipóteses de aborto permitidas por lei. Na economia, reza pela cartilha do mercado: privatizações, corte de gastos e flexibilização de leis trabalhistas e ambientais.

O presidente eleito é filho de um alemão que pertenceu ao Partido Nazista e lutou no Exército de Hitler. Seu irmão mais velho foi ministro e comandou o Banco Central na ditadura pinochetista.

SÍMBOLO – Há seis anos, Kast fundou o Partido Republicano, com logotipo copiado da sigla de extrema direita francesa Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen. Depois adotou um novo símbolo inspirado no escudo do Capitão América.

Para vencer em 2025, o chileno suavizou a retórica conservadora e evitou temas como aborto e casamento homoafetivo. Preferiu apostar no discurso linha dura sobre imigração e segurança pública. Inspirado em Donald Trump e Nayib Bukele, prometeu militarizar as fronteiras, deportar estrangeiros sem documentos e endurecer regras nos presídios.

No segundo turno, recebeu a visita do ministro de Segurança Pública e Justiça de El Salvador, cujo governo é acusado de desrespeitar direitos humanos, perseguir opositores e fazer acordo com gangues para reduzir as taxas de homicídios.

ATAQUE – A vitória de Kast era esperada, mas não deixou de ser má notícia para o governo brasileiro. O chileno já atacou Lula e mantém laços com a família Bolsonaro. Seu triunfo reforça a guinada da América do Sul à ultradireita, iniciada na Argentina, e amplia a influência de Trump na região.

Na primeira viagem após a eleição, Kast visitou a Casa Rosada e segurou a motosserra dourada de Javier Milei. Depois disse apoiar uma intervenção militar dos Estados Unidos no continente, a pretexto de derrubar o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.

A semana indicou que o tom menos beligerante da campanha foi só estratégia de marketing. Mas quem comprou a tese do Kast moderado não deve se incomodar com a volta das fotos de Pinochet.

Confirmado! Moraes procurou o BC quatro vezes em defesa do Master

Alexandre de Moraes buscou Galípolo para interceder pelo Banco Master no  BC, diz jornal

Gabriel Galípolo, do BC, está disposto a “entregar” Moraes

Malu Gaspar
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master. Ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro.

Os relatos sobre as conversas foram feitos à equipe do blog por seis fontes diferentes nas últimas três semanas. Uma delas ouviu do próprio ministro sobre o encontro com Galípolo, e as outras cinco souberam dos contatos por integrantes do BC.

Na versão desses integrantes, Moraes fez pelo menos três ligações para saber do andamento da operação de venda para o BRB e, em julho deste ano, pediu que o presidente do BC fosse ao seu encontro.

AMIGO DO BANQUEIRO – Nessa conversa, de acordo com o que o próprio ministro contou a um interlocutor, ele disse que gostava de Vorcaro e, repetindo um argumento que o banqueiro usava muito, afirmou que o Master era combatido por estar tomando espaço dos grandes bancos.

Pediu, ainda, que o BC aprovasse o negócio com o BRB, que tinha sido anunciado em março, mas estava pendente de autorização da autarquia. Naquele momento, já se sabia em Brasília que havia um racha entre diretores do BC sobre decretar ou não intervenção no Master.

Galípolo, então, respondeu a Moraes que os técnicos do BC tinham descoberto as fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB.

TEVE DE RECUAR – Diante da informação, segundo os relatos, o ministro teria reconhecido que, se a fraude ficasse comprovada, o negócio não teria mesmo como ser aprovado.

Em 18 de novembro, enquanto a Polícia Federal prendia Vorcaro e outros seis executivos acusados de envolvimento com as fraudes, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master.

Procurados, nem Moraes nem o presidente do BC quiseram comentar.

SUPERCONTRATO – Conforme informou o blog, o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, tem um contrato de prestação de serviços com o Master que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais durante três anos a partir de janeiro de 2024, que renderia R$ 129,6 milhões no total.

O documento estipulava que a missão do Barci de Moraes Associados era representar os interesses do Master e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao Congresso Nacional.

Mas, segundo informação prestada via Lei de Acesso à Informação pelo Cade e pelo BC, nenhuma das instituições recebeu qualquer pedido de reuniões, petições ou quaisquer documentos do escritório em favor do banco de Vorcaro.

TOFFOLI INTERVÉM – Na última quarta-feira (17), duas semanas depois de decidir que a competência para investigar o Master é do Supremo, avocar para si o processo e ainda decretar sigilo total no caso, Toffoli deu à PF 30 dias para fazer as oitivas, sempre sob o acompanhamento dos juízes auxiliares de seu gabinete.

Os depoimentos ainda não foram marcados, mas há uma tensão entre os técnicos do BC sobre a possibilidade de serem chamados a depor, por temerem sofrer algum tipo de intimidação.

Conforme já publicamos, esses mesmos técnicos informaram aos investigadores do Ministério Público e da Polícia Federal que nunca tinham sofrido tanta pressão política em favor de um único banco como no caso do Master.

“EM ESPECIAL” – Por isso, na entrevista coletiva de final de ano concedida nesta quinta-feira na sede do Banco Central, Galípolo aproveitou uma pergunta sobre o Master para dizer que ele “em especial” está à disposição do Supremo para prestar todos os esclarecimentos sobre a investigação da autarquia sobre a fraude nos créditos repassados ao BRB.

“Eu, em especial, como presidente do Banco Central, estou à disposição pra ir lá prestar todo tipo de suporte e apoio ao processo de investigação”, disse Galípolo.

Em outro trecho encaixado propositalmente na fala sobre o Master, Galípolo afirmou que todas as movimentações no caso estão registradas.

PROVAS ABUNDANTES – “Documentamos tudo. Cada uma das ações que foram feitas, cada uma das reuniões, cada uma das trocas de mensagens, cada uma das comunicações, tudo isso está devidamente documentado” .

A ideia, de acordo com fontes que discutiram isso internamente com a cúpula do BC, foi mostrar que a instituição se blindou das pressões registrando todos os movimentos, não só dos técnicos mas também de outros interessados no caso do Master — como por exemplo os políticos.

A interlocutores do governo e do mercado, Galipolo também admitiu ter sofrido pressão, mas afirmou que sempre teve o apoio do presidente Lula para não interromper a apuração.

TCU SE METE… – Na sexta-feira (19), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus entrou no caso para determinar que o Banco Central (BC) envie esclarecimentos sobre o processo de liquidação do Banco Master. A instituição tem até a terça (23) para remeter os documentos ao TCU.

A decisão se deu por medida cautelar do ministro, no âmbito do processo que investiga uma possível omissão do BC em relação a operações do Banco Master.

A medida, porém, causou estranheza, já que o TCU não tem atribuição para atuar em discussões sobre transações entre instituições privadas do sistema financeiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Parabéns à jornalista Malu Gaspar, que corajosamente está mostrando quem é Alexandre de Moraes, o falso puritano que gosta de proteger criminosos da pior espécie, como Daniel Vorcaro. Daqui para a frente, Moraes deixará de ser Xandão e passará a ser Xandinho... (C.N

Ex-presidentes do STF defendem código de conduta e pressionam Corte por transparência

Apesar de divergências internas, STF não deve barrar PL que reduz pena de Bolsonaro

Anjos morenos sobrevoam o mar, no Natal abrasileirado de Murilo Mendes

Me insinuarei nos quatro cantos do... Murilo Mendes - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O notário e poeta mineiro Murilo Monteiro Mendes (1901-1975), no poema “Natal”, destaca o abrasileiramento do tema, com a presença de “anjos morenos” e a busca da paz de espírito anunciada pelo nascimento de Jesus.

NATAL
Murilo Mendes

Meu outro eu angustiado
desloca o curso dos astros,
atravessa os espaços de fogo
e toca a orla do manto divino.
O ser dos seres envia seu Filho
para mim, para os outros que
O pedem e para os que O esquecem.

Uma criança dançando segura
uma esfera azul com a cruz:
Vêm adorá-la brancos, pretos,
portugueses, turcos, alemães,
russos, chineses, banhistas, beatas,
cachorros e bandas de música.
A presença da criança transmite
aos homens uma paz inefável
que eles comunicam nos seus lares
a todos os amigos e parentes.

Anjos morenos sobrevoam o mar, }
os morros e arranha-céus,
desenrolando, em combinação
com a rosa-dos-ventos,
grandes letreiros onde se lê:
GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS
E PAZ NA TERRA
AOS HOMENS DE BOA VONTADE. 

Pagar boleto é peça-chave no estudo de qualquer sociologia materialista

ustração em técnica vetorial, com traço preto sobre fundo bege com textura de papel, em linguagem estilizada. À esquerda, há o contorno em traço de uma cabeça humana vista de perfil, voltada para a direita. No interior da cabeça, na região do cérebro, há um QR code quadrado em preto e branco. À direita da imagem, aparece o contorno , no mesmo traço, de um corpo humano visto de frente, sem cabeça, até a cintura. Quando no centro do tórax desse corpo, onde fica o coração, há outro QR code quadrado em preto e branco. As duas figuras estão lado a lado.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Dependendo de qual lugar você ocupa na cadeia alimentar, sua percepção de realidade pode mudar completamente. Trata-se aqui de um enunciado metodológico, ou, até mesmo, epistemológico, derivado de um marxismo um tanto selvagem. “Disclaimer”: óbvio que seu lugar na cadeia alimentar não esgota as causas ou fundamentos totais da sua percepção da realidade.

O que vale aqui como infraestrutura é a potência — alguém chique diria potência spinoziana — que brota do fato de você não acordar de manhã preocupado com pagamento dos boletos. Assim, o boleto é uma peça-chave de qualquer sociologia materialista.

CRER NA VIDA – Refiro-me aqui à potência para crer na vida. Há um otimismo que nasce da condição social e econômica. Há, claro, ricos deprimidos e otimistas pobres, como muitos evangélicos. Mas algum bolchevique raiz poderia chegar a propor que ricos deprimidos deveriam pagar um imposto específico elevado por poluir o ar social com um negativismo que deveria ser privilégio dos mais vulneráveis.

Num mundo bolchevique ideal não haveria depressão, mas, se houvesse, nunca seria direito de um rico ser deprimido. Ricos têm a obrigação de passar boas energias para o mundo. Deveriam pagar imposto sobre a contaminação social com suas emoções negativas indevidas.

Mas é bonito ver como alguns milionários creem na vida, no Brasil e na humanidade. Encanta-me a leveza com a qual discutem grandes problemas da humanidade, sempre com um sorriso na face e a crença inabalável no futuro da humanidade, do Brasil e do mundo, diria mesmo, da galáxia. Do ponto de vista bolchevique, seria proibido um rico falar de ética.

STATUS SOCIAL – Acho que um grande pecado da esquerda das últimas décadas foi se acostumar a comer em restaurantes étnicos estilo Nova York. Melando-se com o molho que indica status social. No caso dessa cidade, agora governada por um socialista populista mentiroso, como todo populista, que encantou hordas de idiotas, o fundamental para reduzir o custo dos restaurantes que a esquerda frequenta são os imigrantes ilegais.

“Não existe gente ilegal” é um desses slogans de revolucionários de butique, como se dizia. O grande segredo da xenofobia da direita com imigrantes ilegais é a sensação de que eles roubam seus postos de trabalho porque recebem muito menos do que os trabalhadores legais.

O grande segredo da defesa dos imigrantes ilegais por parte dos descolados é que estes não perdem empregos para aqueles. De novo, exemplo de materialismo social selvagem, mas nem por isso menos consistente.

CADEIA ALIMENTAR – Uma lei nesse assunto é que o seu lugar na cadeia alimentar determina sua percepção, cognição, episteme, afetos, tudo. Mesmo que não 100%, diria muito mais do que metade, talvez, dois terços? Sobra pouco. O sujeito é imensamente condicionado pelo lugar que ocupa na cadeia alimentar.

Santo Agostinho inventou a discussão sobre o livre arbítrio. É livre ou não é? Para ele, a discussão circulava ao redor da herança do pecado. Após a constatação de determinantes materialistas, entendemos que, no lugar do mal surgido do pecado original, ficou o mal surgido pela necessidade constante de grana para os boletos.

Na miséria que caracteriza o mundo atual, o boleto é uma entidade metafísica. Substância universal simples que determina toda a dinâmica ontológica. Uma espécie de pequeno primeiro motor infernal da ordem social e afetiva cotidiana. Claro que há pessoas que escapam desse determinismo, simplesmente porque são irresponsáveis e passam para os outros a pressão dos boletos. Toda família tem alguém assim, não é verdade?

CULPA DOS BOLETOS – Claro que não pensamos nisso o tempo todo, só se você estiver muito esmagado na cadeia alimentar. Existem os mentirosos de governos que dizem resolver isso distribuindo dinheiro para os esmagados, mas a principal função disso é angariar votos. Não há virtude possível na política quando você precisa angariar votos. Impasse estrutural da democracia. O boleto é o que faz as pessoas comuns colaborarem com regimes autoritários quando não são aderentes ao regime em si.

A pergunta que não quer calar —é possível escapar dessa dinâmica social? Sem muito dinheiro ou irresponsabilidade moral? Difícil. Isso quer dizer que a resposta filosófica para uma questão banal como essa é assim miseravelmente incapaz? Sim, é.

Quase todas as grandes questões da vida são insolúveis, o que fazemos é lidar com elas, minimizando seus efeitos mais deletérios, tentando escapar das suas armadilhas. A lucidez aqui é saber que a leveza fácil sempre custa muito dinheiro. O dinheiro é feliz. Mas o peso da ansiedade financeira é a lei para quase todos nós.

Direita reage e transforma Havaianas em símbolo da disputa ideológica

Eduardo e Nikolas enxergaram suposto viés ideológico

Deu no O Globo

O novo comercial da Havaianas, estrelado pela Fernanda Torres, gerou polêmica com políticos brasileiros de direita. Na propaganda, a atriz afirma aos espectadores que não deseja que eles comecem o próximo ano “com o pé direito”. O jogo de palavras com a conhecida expressão popular significou, para Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG), entre outros, uma indireta ao espectro político da direita.

“Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar: sorte não depende de você, depende de sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca, os dois pés onde você quiser. Vai com tudo, de corpo e alma, da cabeça aos pés. Havaianas, todo mundo usa, todo mundo ama”,  diz Fernanda, no comercial.

BOICOTE – O Globo procurou a Alpargatas, controladora da marca Havaianas, mas ainda não obteve resposta sobre a polêmica. Depois da divulgação do comercial, políticos de direita pediram um boicote à marca. Cassado por ultrapassar o limite de faltas na Câmara dos Deputados, o ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro jogou um par de chinelos no lixo para mostrar aos seguidores a indignação com a propaganda.

Pelas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro disse que vai começar o ano com o pé direito, mas não será de Havaianas.

“Eu achava que isso aqui era um símbolo nacional. Já vi muito gringo com essa bandeirinha do Brasil no pé, só que eu me enganei”,  disse Eduardo, antes de qualificar Fernanda Torres como alguém “declaradamente de esquerda”. Já Nikolas fez um trocadilho com o slogan da marca. “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”, escreveu o deputado federal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEmbora Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, aparentemente sem qualquer ocupação nesta semana natalina, tenham tentado transformar o trocadilho da Havaianas em mais uma “batalha ideológica”, a reação deles revela mais sobre sua necessidade permanente de fabricar crises do que sobre o conteúdo real da propaganda; ao invés de discutir pautas relevantes, como políticas públicas ou demandas sociais, optaram por elevar uma peça publicitária a símbolo de perseguição política, agindo de forma teatral e oportunista para mobilizar suas bases e gerar engajamento.

Jogar chinelos no lixo e convocar boicotes por um jogo de palavras expõe a superficialidade do debate que promovem: é um cálculo político centrado em indignação artificial e distração, que reduz a esfera pública a memes, ressentimentos e gestos simbólicos vazios — um reflexo de lideranças mais interessadas em palco do que em substância. (M.C.)

Hugo Motta e o preço político de acabar desagrando todos

Charge do Aroeira (Metrópoles)

Pedro do Coutto

A ascensão de Hugo Motta à Presidência da Câmara foi inicialmente recebida como a chegada de um articulador moderado, capaz de negociar com diferentes correntes e atenuar a escalada de polarização que marca o Legislativo desde antes de sua eleição.

Jovem, pragmático e com trânsito no Centrão, Motta tentou se projetar como uma figura de equilíbrio em um ambiente no qual a barganha política assume dimensão central e onde governabilidade depende, cada vez mais, de uma coreografia delicada entre interesses partidários, pressões regionais e expectativas do Executivo. No entanto, o que parecia ser uma estratégia de equilíbrio se transformou em um jogo de alto risco.

CRÍTICAS – Ao buscar uma posição equidistante entre campos ideológicos e lideranças poderosas, o deputado passou a enfrentar críticas da esquerda, que o acusa de leniência em pautas conservadoras, e da direita, que o vê como alguém incapaz de defender com firmeza agendas caras ao bloco oposicionista.

Essa sensação de isolamento político simbólico intensifica-se diante da evidente distância em relação ao seu antecessor, Arthur Lira, cuja habilidade em comandar o Centrão e influenciar votações com mão firme criou um modelo difícil de replicar.

O peso dessa comparação é inevitável em Brasília: enquanto Lira se consolidou como peça-chave de negociação durante o governo Bolsonaro e manteve protagonismo na transição para a nova gestão, Motta tenta provar que equilíbrio não é sinônimo de fraqueza, mas ainda não convenceu atores centrais do tabuleiro.

DILEMA – A crítica irônica publicada em O Globo traduz com precisão esse dilema: ao tentar não ser alvo de ataques diretos nem da esquerda nem da direita, Motta encontrou uma posição desconfortável, pois os dois espectros passaram a vê-lo como alguém sem assertividade suficiente.

Em um Congresso onde o diálogo é necessário, mas onde a ambiguidade costuma ser interpretada como ausência de liderança, o presidente da Câmara convive com uma crescente percepção de que tenta agradar a todos e, na prática, agrada a poucos.

A crise de representatividade dentro do próprio Centrão torna-se ainda mais evidente à medida que a base governista cobra avanços legislativos, a oposição denuncia supostos favorecimentos e a sociedade civil acompanha votações com crescente desconfiança sobre interesses por trás das articulações.

NEUTRALIDADE – O resultado é um cenário no qual Motta se torna protagonista não por dominar a cena, mas justamente por representar o risco de uma neutralidade que não encontra eco num país politicamente fragmentado.

O desafio que se coloca adiante é simples de formular e complexo de executar: ou o presidente da Câmara transforma sua busca por equilíbrio em liderança concreta, assumindo pautas com clareza e construindo alianças sólidas, ou continuará sendo percebido como um dirigente que tenta equilibrar-se numa corda bamba sem rede de proteção — e sem plateia disposta a aplaudir sua travessia.

Natal é tempo de compaixão e de reflexão sobre as dores do mundo

G1 - Solidariedade de Natal está ligada à pressão social, diz psicóloga do  AM - notícias em AmazonasVicente Limongi Netto

A alma da jornalista Ana Dubeux é florida. Em gestos e atitudes. Exorta união de bons corações, clama por mais amor. Em seu artigo de domingo, “Paz para quem faz”, a diretora de redação do Correio Braziliense é enfática:

“Amarga é a vida de quem espalha mentiras para se promover e busca a glória a partir da queda dos outros”.

DESIGUALDADES – Ana Dubeux lamenta as brutais desigualdades no mundo atordoado por insegurança, intolerância, má-fé, covardia, hipocrisia, truculência e guerras.

“Se somos dominados pelo dinheiro e pela ganância, viramos uma animação podre, carne e osso, apenas, sem alma ou aprendizado que garanta nossa paz de espírito”, constata Dubeux, que repudia a quadra atual de mesquinharias e desamor:

“Desejo intensamente paz para que, trabalha duro e para quem não desiste mesmo diante dos infortúnios. Não é leve a vida para quem se dispõe a olhar além do próprio umbigo. Mas também é muito gratificante”.

UM POEMA – Para terminar, vamos publicar mais um poema de autoria deste veterano jornalista, calejado pela dureza da realidade do mundo em que vivemos:

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MOLA DAS PLUMAS
 

Dores do peito
sufocam a garganta
saem pela boca e soluçam
fugindo da infelicidade.

Arrastam bocas e pernas
para o sarau dos bruxos
levantam o ar da escuridão
lavando os olhos sangrando
dos sonâmbulos noturnos
bailando com o suor do vento
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Casuísmo e conivência no acordo que oficializa a redução das condenações

Erro de Moraes reabriu o processo que poderá até absolver Bolsonaro

Supremo Tribunal Federal

Fux assume lugar de Moraes e terá de arrumar a bagunça

Carlos Newton

Pouquíssimas pessoas têm noção exata sobre o que está acontecendo no Supremo, após o processo sobre golpe de estado ter sido retirado da Primeira Turma e passado para a Segunda Turma, na sexta-feira, dia 19, último dia de funcionamento do Judiciário antes do recesso de Natal.

O recesso judiciário geralmente vai de 20 de dezembro a 6 de janeiro, com suspensão de prazos processuais até 20 de janeiro, mas com retorno gradual e funcionamento em plantão para urgências, sendo que os prazos de férias dos ministros e o expediente normal podem variar um pouco, com retorno pleno em fevereiro. 

OUTRO RECURSO – Quando o Supremo voltar a funcionar, a defesa de Bolsonaro e dos outros réus terá cinco dias para apresentar agravo contra a recusa de examinar embargos infringentes.

Esse agravo será examinado por Luiz Fux, que entrou na Segunda Turma na vaga estrategicamente aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Fux foi escolhido relator pelo sorteio eletrônico e vai ocupar o posto de Alexandre de Moraes, aquele ministro rigorosíssimo, que conduziu a condenação da mulher do batom a 14 anos de cadeia, enquanto sua própria mulher estava recebendo R$ 3,6 milhões mensais para evitar que o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro fosse para a cadeia.

REPRISE AO CONTRÁRIO – Agora vamos assistir à reprise do mesmo filme, só que ao contrário. Ao invés de Moraes condenando, teremos Fux absolvendo, usando os mesmos argumentos que lançou na Primeira Turma.

Em 429 páginas, Fux votou pela absolvição de Jair Bolsonaro, do almirante Almir Garnier, dos generais Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno, e dos delegados federais Anderson Torres e Alexandre Ramagem.

Mas pediu a condenação do delator, tenente-coronel Mauro Cid, e do general Braga Netto, alegando que contra eles realmente havia provas de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

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P.S.1
Como dizia Machado de Assis, a confusão é geral. Trata-se do processo mais importante e tumultuado da História do Supremo, pessimamente conduzido por Moraes, ao causar essa bagunça toda, que motivou a Lei da Dosimetria e uma crise institucional da maior gravidade.

P.S. 2 – Agora, a imprensa vai acordar e seguir as informações da Tribuna da Internet, que há meses vinha cobrindo o assunto sozinha, porque funciona sob o signo da liberdade e defende a aplicação da lei sempre de forma imparcial, não importa quem esteja no banco dos réus, como ensinavam Ruy Barbosa, Pontes de Miranda e tantos juristas de notável saber. (C.N.)

Candidatura de Moro racha federação e isola PP no Paraná, mas União Brasil insiste