Governo terá de fazer “gatos” para evitar apagões precoces no gasto público

Como você pode associar a charge abaixo ao Absolutismo antigo sistema?​ -  brainly.com.br

Charge do Junião (Arquivo Google)

Vinicius Torres Freire
Folha

O que vai sair do pacote de medidas “estruturantes” e do catadão de dinheiros para cobrir o buraco das contas do governo em 2025 e 2026? Um troço desestruturado.

O governo declara que não quer conter o aumento de despesa. O Congresso, com cara-de-pau cínica, apenas cobra a contenção do gasto que frequentemente aumenta. Vão sobrar gambiarras a fim de manter a luz acesa em 2025. Para 2026, continua o risco de apagão, antes previsto para 2027.

PODIA SER PIOR – A revolta contra impostos, falta de pagamento de emendas parlamentares e a pré-campanha eleitoral vão depenar os planos do governo de aumentar impostos. Poderia ser pior.

Graças a Donald Trump, diminuiu o risco de a situação macroeconômica degringolar no Brasil, no curto prazo. O dólar ficou mais fraco pelo mundo e por aqui. A economia mundial em marcha mais lenta contém o preço de commodities como o petróleo.

A China, de resto praticamente em deflação, desova mais produtos baratos no mercado internacional. A grande safra no Brasil deve contribuir para a conter a carestia dos alimentos.

INFLAÇÃO – A inflação deste 2025 pode embicar na direção de 5%, muito acima da meta, mas desacelerando mais do que o previsto —poderia ser pior, com contaminação maior da inflação de 2026. As taxas de juros no atacadão do mercado de dinheiro estão mais contidas em seu nível ainda horrível.

Como a biruta do comportamento de Trump varia de acordo com os ventos de seus oportunismos e necessidades circunstanciais de seu projeto tirânico, não conviria contar com essa sorte provisória.

Por aqui, o problema crítico de 2027 nas contas públicas começou a brotar antes do que se esperava. Haddad diz que oposição faz ‘molecagem’, e bate-boca encerra comissão na Câmara.

COM GAMBIARRAS – Sem aumento de imposto, o governo apenas cumprirá as metas relaxadas do arcabouço fiscal por meio de gambiarras piores ou também de um arrocho agônico no que resta do dinheiro que já não está destinado a despesas obrigatórias.

A lambança do IOF não deve render mais do que um terço da receita prevista. O buraco seria compensado por um catatau de dinheiros a cobrar neste ano e por medidas “estruturantes”.

Já o risco de que passe apenas parte até do catado de dinheiros, composto de mais imposto sobre “bets”, sobre fintechs, juros sobre capital próprio e um boato sobre tributação de criptoativos, por exemplo, dinheiros que poderiam ser cobrados neste ano.

ALTERNATIVA VÃ – A medida “estruturante” que sobrou, que taparia o buracão fiscal de 2026, pode cair inteiramente. Trata-se da cobrança de IR sobre o ganho com aplicações financeiras ora isentas, tais como aquelas que financiam o agro, o setor imobiliário e, talvez, infraestrutura. Em si, essa tributação faz sentido. Mas serve agora apenas para cobrir contas no vermelho; quem a ela se opõe, em geral quer apenas manter o privilégio de sua isenção tributária.

No que resta, o governo deve bater na porta de estatais, pegando mais dividendos, aqueles que no início do Lula 3 seriam cortados de modo a haver mais investimento de “empresas estratégicas”.

PETRÓLEO – O governo deve tentar aumentar a arrecadação com o setor de petróleo, que por prevenção já reclama de quebra de contratos. A ideia seria antecipar receitas, um tipo de gambiarra histórica em desarranjos fiscais.

Mesmo assim, talvez falte ainda algum, sendo então necessário contingenciamento (contenção) extra de despesa.

Em resumo, o governo terá de fazer “gatos” fiscais a fim de evitar apagões na máquina pública e no investimento.

3 thoughts on “Governo terá de fazer “gatos” para evitar apagões precoces no gasto público

  1. Congresso já começa a tratar Lula como um “pato manco”

    O exemplo é a derrota acachapante nesta semana na Câmara, com a aprovação da urgência para derrubada do aumento do IOF, por 346 a 97 votos.

    Os “aliados” do Centrão votaram em massa contra o governo Lula, que ficou confinado ao campo minoritário da esquerda.

    As derrotas do governo Lula no Congresso são recorrentes, apesar de os partidos do Centrão ocuparem pastas importantes na Esplanada.

    Das 150 medidas provisórias (MPs) que editou no atual mandato, Lula viu pelo menos 92 perderem a validade, ou seja, 61% foram derrubadas.

    Há uma dissonância entre o Palácio do Planalto e sua base de sustentação no Congresso.

    A derrubada de medidas provisórias é o melhor termômetro. O governo Lula não é uma coalizão, é um arquipélago partidário, cujo centro é controlado pelo PT, que o considera “em disputa”.

    Como bem definiu o ex-ministro Zé Dirceu na terça-feira, a base do governo é de centro-direita.

    E o Congresso pôs o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de joelhos.

    Nesta semana, entre as decisões desfavoráveis ao governo, destaca-se a instalação de uma CPI Mista para investigar as fraudes do INSS. O escândalo somente veio à luz no terceiro ano de mandato e envolve dezenas de associações de aposentados, muitas dela de fachada.

    A demora para acabar com os descontos indevidos nas aposentadorias está sendo uma tragédia para a imagem do governo.

    Fonte: Correio Braziliense, Governo, 19/06/2025 – 08:17 Por Luiz Carlos Azedo

    • Os “aliados” do Centrão votaram em massa contra o governo Lula, que ficou confinado ao campo minoritário da esquerda.

      Na torcida para os canalhas, calhordas, crápulas do Corruptão, ops, Centraõ, acabar de vez com o que restou do Narco-Carniça X9….

      Bora, Centrão, arrebetem com o Narco-Latrocida….

  2. Para um governo que ainda nem começou, até que o Brasil vai bem. O problema vai ser se o Lula resolver governar. Aí o que já está ruim vai ficar muito pior. Deixem o senil bebum viajar bastante que assim ele incomoda pouco.

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