Na falácia do “narcoterrorismo”, rótulo eleitoral não enfrenta o crime

Proposta abre caminho a intervenções militares no Brasil

Bernardo Mello Franco
O Globo

A direita descobriu uma fórmula mágica para acabar com o tráfico: rotular as facções criminosas como organizações terroristas. A proposta já passou pela Comissão de Segurança da Câmara, dominada pela bancada da bala. Agora pode ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça, com apoio de governadores bolsonaristas.

A ideia parte de uma premissa verdadeira para chegar a uma conclusão falsa. A verdadeira: os bandidos são violentos, oprimem as comunidades e precisam ser combatidos. A falsa: isso exigiria equipará-los a terroristas.

ENQUADRAMENTO – Uma resolução da ONU descreve o terrorismo como a prática do terror com fins políticos. A lei brasileira exige que o crime seja motivado por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça ou religião. Nenhuma dessas definições se aplica a bandos que atuam no país, como Comando Vermelho e PCC.

Classificar facções como organizações terroristas pode satisfazer eleitores assustados com a violência, mas teria duas consequências nocivas. A primeira, no front doméstico, seria justificar ações ainda mais violentas do Estado em favelas e bairros populares.

Se uma região é dominada pelo terror, as forças de segurança não precisariam seguir regras ou protocolos para ocupá-la. Vítimas inocentes de operações desastradas se tornariam meros “danos colaterais”.

SANÇÕES – No front internacional, a mudança abriria caminho a sanções econômicas e intervenções militares em território brasileiro. É o que tem feito o governo Trump ao bombardear embarcações venezuelanas no Caribe, a pretexto de punir o narcoterrorismo. Foi o que desejou o senador Flávio Bolsonaro ao sugerir um ataque americano na Baía de Guanabara.

As facções visam ao lucro e atuam como máfias. Têm ramificações na política e no meio empresarial. Controlam distribuidoras de gasolina, infiltraram-se no agronegócio e lavam dinheiro na Faria Lima.

Combatê-las exige método, cooperação e inteligência. Não é tarefa que se resolva com retórica de guerra e ações espetaculosas — como se a PM estivesse prestes a libertar o Alemão da Al-Qaeda ou a Penha do Talibã.

6 thoughts on “Na falácia do “narcoterrorismo”, rótulo eleitoral não enfrenta o crime

  1. É narvoterritismo mesmo e não tem outra definição. Talvez quem critica essa classificação não sofre na pele o que os moradores sofrem nas mãos desses terroristas

  2. Há “dendos”, em:
    “Professor de Diplomacia Russo Prediz que os EUA se Dividirão em Seis Partes, Devido ao Declínio Econômico e à Degradação Moral.”
    “Existe realmente um plano para dividir a América do Norte em seis zonas de patrulhas militares!”
    https://www.espada.eti.br/n2327.asp
    PS. Tal “fórmula” khazariana, está sendo aplicada mundialmente por locupletos APÁTRIDAS, “para tanto arregimentados e alçados!

  3. Seja lá o rótulo que se venha a dar a esta gente, a verdade é que o combate a organizações criminosas deve ser total.
    Estes delinquentes só conhecem como verdade uma violência igual ou maior que a deles.
    Essa cantilena de “inteligência”, é só para que nada seja feito.
    Quem vive da espada, morre pela espada, sempre foi e não vai mudar.
    “Se vis pacem, para bellum, diziam o santigos romanos sabiamente.
    A paz só existira nas áreas conflagradas, quando estes bandidos forem todos aniquilados.
    Sem guerra, não haverá paz.

  4. O narcoterrorismo vai ser encarado e tratado como narcoterrorismo pelo mundo independentemente da nomenclatura doméstica, porque seus “negócios” têm efeitos globais.

    CV, TCP, PCC, Sindicato do Crime atuam com métodos idênticos aos da Al Quaeda.

    Dominam e controlam territórios.

    Não adianta fechar os olhos.

    Foi o que fizemos por décadas, enquanto eles se fortaleciam

    Empurrar com a barriga.

    Tapar o sol com a peneira.

    É tudo o que continuará sendo feito.

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