Lula nomeia Feliciano como novo ministro do Turismo
Vera Rosa
Estadão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará nesta terça-feira, 23, dois movimentos importantes em busca de apoio para sua campanha à reeleição. O primeiro deles será na cerimônia de posse do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.
Ao entregar o cargo para mais um nome indicado pelo União Brasil, partido que não apenas anunciou o rompimento com o governo como expulsou Celso Sabino, o antigo ministro, Lula atrai um pedaço do Centrão para sua estratégia de 2026.
DECRETO – Com a eleição no radar, o presidente também promoverá o segundo afago do dia, desta vez dirigido aos evangélicos: vai assinar um decreto que reconhece a música gospel como patrimônio do Brasil.
Indicado para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, estará presente à solenidade, que contará com cantores gospel, no Palácio do Planalto.
Messias é diácono da Igreja Batista Cristã e tem ajudado o governo a se aproximar dos evangélicos, eleitorado que, em sua maioria, é refratário ao PT e apoia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
RESISTÊNCIA – Líderes desse segmento religioso tentam, por sua vez, diminuir a resistência a Messias em conversas com senadores. Para ser nomeado ministro do STF, o advogado-geral da União ainda terá de ser aprovado em sabatina no Senado, o que deve ocorrer somente em fevereiro, quando os parlamentares retornarem das férias de fim de ano.
Além do mau humor de parte do Senado com a indicação de Messias, Lula também enfrenta problemas com o Centrão. Embora uma ala do grupo tenha divulgado com pompa e circunstância o divórcio do governo, o bloco continua dividido e não entregou os principais cargos – nem a totalidade dos votos a projetos de interesse do Planalto no Congresso.
Agora, Gustavo Feliciano vai assumir o Ministério do Turismo porque a cúpula do União Brasil e 25 dos 59 deputados da bancada pediram a cabeça de Sabino no Ministério do Turismo. Detalhe: Sabino foi expulso do partido justamente por não sair do governo.
ENTRADA DE TARCÍSIO – O União Brasil está no grupo de partidos que, na sua maioria, não quer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como desafiante de Lula em 2026 e defende a entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no páreo presidencial.
Ao nomear Feliciano, Lula viu a oportunidade de atrair um pedaço do União Brasil para o seu lado e, de quebra, agradar a Hugo Motta (Republicanos-PB), com quem teve vários atritos neste ano. Feliciano é amigo de Motta e já foi secretário de Turismo na Paraíba, reduto eleitoral do presidente da Câmara.
1) Presidente Lula assinou hoje decreto regulamentando que “Gospel é Cultura e faz parte de nossa brasilidade”…
2) Ver informe da Agência Brasil…
3) Evangélicos vão gostar…
O descaminho da esquerde, será salvadora opção para crentes ou evangélucos?
Que espécie de pastores deixarão seus rebanhos serem.apanhados por lobos?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta terça-feira (23/12), um decreto que reconhece a música gospel como manifestação cultural brasileira. A iniciativa é interpretada como um gesto de aproximação do governo federal com o eleitorado evangélico, segmento que tem peso crescente no cenário político e social do país
P.Q.Pariu !!! Presidente Burro, assessoria idem.
A música gospel tem origem nas igrejas protestantes afro-americanas nos EUA, no início do século XX, evoluindo dos cânticos de trabalho e espirituais negros (Negro Spirituals) durante a escravidão, combinando temas cristãos com ritmos africanos e blues, sendo consolidada por pioneiros como Thomas Dorsey, o “pai da música gospel”, que misturou blues com letras religiosas, dando origem a um estilo que influenciou o jazz, R&B e rock, e que se popularizou globalmente, chegando ao Brasil através de missionários.
Negócios de Lulinha com Careca do INSS são dor de cabeça para Lula
A Operação Sem Desconto e seus desdobramentos na CPMI do INSS é corrosiva para a imagem de Lula e de grande risco eleitoral, por causa do suposto envolvimento de seu filho Lulinha com o operador central do esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas, Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
A blindagem institucional pode não eliminar o desgaste eleitoral e político: quanto mais o governo Lula atuar para conter o avanço da CPMI, maior será a impressão de que há algo a esconder, percepção que alimenta a narrativa da oposição e amplia o custo político do controle da comissão.
As investigações da Polícia Federal indicam um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, praticados entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado em até R$ 6,3 bilhões.
Trata-se de um crime que atinge diretamente aposentados e pensionistas, público historicamente associado à base eleitoral de Lula e do PT. Isso torna o episódio duplamente perigoso: pelo volume financeiro envolvido e pelo simbolismo político da vítima. O governo tomou medidas para reembolsar os lesados, e a Polícia Federal investiga os envolvidos.
Estava tudo sob controle na CPMI, até aparecerem indícios de que Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, teria negócios que envolveriam Lulinha, inclusive com transferências financeiras vultosas, empresas no exterior e projetos comerciais sensíveis.
Não será fácil para Lula impedir convocação, quebras de sigilo e aprofundamento de investigações na CPMI que mirem Lulinha.
Essa é a grande dor de cabeça do governo. A oposição encontrou uma oportunidade de associar a corrupção bilionária e os prejuízos a aposentados ao suposto favorecimento a familiares de Lula, narrativa de fácil comunicação com a opinião pública.
Fonte: Correio Braziliense, Nas Entrelinhas, 19/12/2025 – 05:54 por Luiz Carlos Azedo