Agora, só falta divulgar o conteúdo do misterioso celular de Vorcaro

Mensagens sugerem que Vorcaro coordenou ataques ao BC

Vorcaro negou a senha, mas a PF está abrindo o celular

Malu Gaspar
O Globo

Quando parecia que já não faltava mais nada para garantir ao caso Master o topo do pódio dos maiores escárnios produzidos na história dos escândalos financeiros nacionais, surgiram as milícias digitais.

Descobrimos nos últimos dias que influenciadores com milhões de seguidores receberam ofertas generosas, algumas até milionárias, para difundir a versão de que a liquidação do banco foi decretada de forma apressada pelo Banco Central.

MUITO ESTRANHO – A ideia era disseminar em perfis de direita a teoria conspiratória de que “algo muito estranho aconteceu” nos bastidores do BC ao decidir liquidar o banco de Daniel Vorcaro.

Tal teoria reforça a tese da defesa do banqueiro, segundo a qual sua prisão, por uma fraude de R$ 12,2 bilhões na venda de créditos ao Banco de Brasília (BRB), ocorreu justamente quando ele se preparava para vender o Master a investidores árabes que, até agora, não se sabe quem são.

A ofensiva digital, batizada internamente “Projeto DV”, visava a simular um clima de apoio popular ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus, um ex-deputado do Centrão que, da última vez que brilhou no noticiário, foi tentando explicar por que uma antiga BMW de sua mulher apareceu na garagem do Careca do INSS.

DEU 72 HORAS – Depois de passar meses desprezando pedidos de parlamentares e dos próprios técnicos do TCU para conferir se o BC não tinha demorado demais para tomar providências, Jhonatan decidiu, no fim de dezembro, dar 72 horas para a autarquia se explicar — mas não sobre a acusação de omissão, e sim sobre os “indícios de precipitação” em uma decisão tão “extrema”. E avisou: se não ficasse convencido, poderia simplesmente cancelar a liquidação do Master.

Assim que soltou o despacho, os agentes do “DV” começaram a acionar os influenciadores, que inundaram as redes de vídeos.

“Será que ninguém se interessa quando um banco desse tamanho entra em liquidação? Será que isso não vira oportunidade para muita gente grande?”, recitou um influenciador com mais de 4 milhões de seguidores que se apresenta como especialista em hipnose.

OUTRAS SAÍDAS? – “Se existiam outras saídas, por que escolheram logo a mais extrema? Por que tanta pressa? Essa história tá muito mal contada. A quem interessava a liquidação tão rápida do Banco Master?”

Não se tem notícia de que Vorcaro e seus advogados também tenham dotes psíquicos ou paranormais, mas é evidente que se julgam poderosos o suficiente para convencer qualquer um de qualquer coisa.

Não estão completamente errados. Mesmo sabendo que não tinham poder legal para cancelar a liquidação de um banco, o ministro Jhonatan e o presidente do TCU, Vital do Rêgo, se mantiveram firmes quanto puderam. Só recuaram e suspenderam a inspeção depois da revelação da milícia digital de Vorcaro e de sua impressionante coordenação com seus próprios movimentos.

BARREIRA NO STF – No Supremo Tribunal Federal (STF), por enquanto, a barreira do Master ainda resiste. Depois de colocar o processo em sigilo absoluto, o ministro Dias Toffoli convocou para o penúltimo dia de 2025 uma esdrúxula acareação entre Vorcaro, o ex-CEO do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino.

Em paralelo, preparou para cada um deles uma lista de perguntas que não deixava dúvidas sobre a intenção de lançar suspeitas sobre o BC e dar à negociação para a venda do Master aos árabes o ar de coisa concreta que nunca teve.

Algumas das questões foram divulgadas pelo GLOBO ainda durante a audiência, levando Toffoli a mandar excluir Aquino da acareação e a encurtar seu depoimento.

DE JATINHO – Embora já se saiba que Toffoli viajou de jatinho a Lima com o advogado de um dos investigados no mesmo dia em que pôs o processo sob sigilo, as razões para tanto malabarismo jurídico ainda não estão totalmente esclarecidas.

Para isso, seria necessário que se conhecesse a fundo o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, em poder da PF. O aparelho continha a cópia do contrato de R$ 130 milhões do Master com o escritório da mulher de Alexandre de Moraes, sobre o qual o ministro até hoje ainda deve explicações.

Até agora, a única coisa capaz de parar as iniciativas destinadas a blindar o Master foi o bom jornalismo. Só por isso ele tem sido tão atacado por milícias digitais, com métodos que o próprio Moraes outrora descreveu como ditatoriais e fascistas. É a velha tática de atacar o mensageiro. Muda de forma, mas nunca deixa de ser subterrânea. Uma vez exposta à luz do sol, perde força. O jornalismo está aí para isso. Contemos com ele.

Relator da Dosimetria invoca tradição de anistias e critica postura de Lula

Justiça reconhece fim do Auxílio Emergencial e evita novos gastos bilionários

Lupicínio Rodrigues, um grande compositor que tinha nervos de aço

In-Edit Brasil 2023 :: Encerramento da edição Porto Alegre contará com  filme sobre Lupicínio Rodrigues - Papo de Cinema

Lupicinio sabia o que é ter um amor, meu sinhô

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), Lupe, como era chamado desde pequeno, criou músicas que expressam muito sentimento, principalmente, a melancolia por um amor perdido. Foi o inventor do termo dor-de-cotovelo, que se refere à prática de quem crava os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pede uma dose e chora pela perda da pessoa amada.

Constantemente abandonado pelas mulheres, Lupicínio buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos. E “Nervos de Aço” não foge à regra.

Originalmente, “Nervos de aço” foi lançada em 1947, na Continental, pelo cantor paulista Déo (Ferjalla Rizkalla), mas pouco depois, Francisco Alves também gravou a música na Odeon, conseguindo um enorme sucesso. Mas recentemente, Paulinho da Viola gravou e de novo a canção foi muito aclamada.

NERVOS DE AÇO
Lupicínio Rodrigues

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Ao lado de um tipo qualquer

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nem um pedaço do seu pode ser

Há pessoas de nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que eu passo
Talvez não lhes venha qualquer reação
Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, é despeito, amizade ou horror
Eu só sei é que quando a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor           

No Brasil, políticos e instituições exibem fortes sinais de podridão

Tribuna da Internet | Que assuntos o STF trata com Lula e ministros no  escurinho de um jantar?

Charge do Zappa (humortadela.com)

William Waack
Estadão

O amargo sabor da nossa irrelevância internacional diante do que aconteceu na Venezuela vem acompanhado internamente pelo ácido sabor da podridão política diante do escândalo do Master. Há uma ligação abrangente entre os dois fenômenos: a noção de que não se vê remédio imediato para nenhum gosto ruim.

O caso do Master é de maior urgência, pois indica uma crise institucional de graves proporções. Essa crise não resulta do fato de uma instituição (por exemplo o TCU) averiguar o que outra (por exemplo o Banco Central) está fazendo ou não.

DESCRÉDITO GERAL – É preocupante realmente pois vem do fato de que já não se acredita que instituições de Estado estejam agindo como tais. Mas, sim, como ferramentas para exercer pressão política contra decisões que afetam interesses de grupos privados.

É generalizado o descrédito em relação às explicações dadas por STF e TCU para justificar as respectivas atuações no caso Master – para citar apenas o mais recente exemplo.

O problema é saber a que distância estamos de um tipping point, o ponto de inflexão sem volta. Esse momento nunca chega devido a uma ação isolada (como um só escândalo). Resulta ou torna-se visível sempre a partir de um conjunto de ocorrências que compõe uma tendência.

CRISE GRAVÍSSIMA – No caso brasileiro essa tendência é clara o suficiente para se afirmar que estamos numa crise institucional de consequências imprevisíveis, pois ela sugere que não há lideranças abrangentes com capacidade de “reverter” essa tendência.

Predominam variadas organizações setoriais – algumas são meras quadrilhas sob siglas políticas – agindo por conta própria e com sem-vergonhice inédita até para um País que achava ter visto tudo em matéria de corrupção.

Elas demonstram crescente capacidade de manipular alavancas de poder em descarado benefício próprio. Como um pedaço do TCU aqui, um pedaço do STF ali, fato em si indicativo de desagregação interna de instituições. No seu conjunto, isso leva à sensação real de dissolução do funcionamento delas, com rápida perda de confiança.

DESCRENÇA POLÍTICA – Aprofunda-se, por sua vez, a descrença na capacidade da política de trazer respostas, fenômeno que já começa pelo fato de não existirem partidos políticos dignos desse nome.

E, acentuando a dúvida, que se tornou existencial, se o País é capaz de gerar algum tipo de ação coletiva (em termos sociais, portanto políticos) para organizar saídas para qualquer de seus grandes dilemas – sociais, econômicos, políticos, geopolíticos.

Nesse sentido, irrelevância internacional e podridão política interna se combinam.

Ciro Nogueira sugere Zema como vice ideal de Flávio e cobra aceno ao centrão

O caso Banco Master e o limite das manobras financeiras

Decisão valida processo brasileiro em território norte-americano

Pedro do Coutto

A decisão da Justiça dos Estados Unidos de reconhecer a liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central do Brasil, expôs com clareza algo que já se desenhava nos bastidores: a tentativa deliberada de blindagem patrimonial conduzida por Daniel Vorcaro não resistiu ao escrutínio institucional internacional.

Ao negar o pedido apresentado nos tribunais da Flórida, o juiz Scott N. Juracy não apenas reafirmou a legitimidade da autoridade reguladora brasileira, como desmontou uma estratégia que buscava deslocar ativos para fora do alcance dos credores e da própria lei. Não se tratava de uma divergência técnica ou de uma controvérsia jurídica legítima, mas de um esforço sistemático para esvaziar o banco enquanto se tentava preservar fortunas no exterior.

PRESSÕES – O episódio ganha ainda mais relevância porque ocorre em um ambiente de elevada sensibilidade institucional. A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro pelo Banco Central, passou a sofrer pressões cruzadas — algumas explícitas, outras subterrâneas — envolvendo o Tribunal de Contas da União e setores do Supremo Tribunal Federal.

A reação, no entanto, foi quase unânime nos círculos técnicos e jurídicos mais experientes: qualquer tentativa de reverter a decisão do BC por vias políticas ou administrativas seria rapidamente derrubada pelo STF, dada a jurisprudência consolidada que protege a autonomia das agências reguladoras em matéria de estabilidade financeira. Não por acaso, a movimentação causou desconforto no próprio Palácio do Planalto, onde a percepção é de que o caso gera ruído desnecessário, instabilidade no mercado e riscos à credibilidade institucional do país.

Os fatos materiais reforçam essa leitura. Nos meses que antecederam a liquidação, empresas ligadas a Vorcaro realizaram aquisições imobiliárias vultosas nos Estados Unidos, especialmente em Miami, incluindo uma mansão de altíssimo padrão e escritórios milionários que sequer chegaram a ser ocupados.

QUESTIONAMENTOS – O volume e o timing dessas operações levantam questionamentos legítimos sobre a intenção de preservar patrimônio fora do alcance de credores, enquanto investidores, clientes e o próprio sistema financeiro ficavam expostos a prejuízos bilionários. A tentativa de impedir que o liquidante nomeado pelo Banco Central administrasse esses ativos no exterior foi, nesse contexto, mais um capítulo de uma estratégia que agora se mostra fracassada.

O reconhecimento da liquidação pela Justiça americana produz um efeito pedagógico poderoso. Ele sinaliza que fronteiras nacionais já não funcionam como refúgio automático para operações financeiras de má-fé e que a cooperação institucional, quando acionada corretamente, pode conter práticas que corroem a confiança no sistema.

Ao mesmo tempo, lança um alerta ao Brasil: permitir que disputas políticas ou interesses particulares enfraqueçam decisões técnicas do Banco Central seria abrir um precedente perigoso. O caso Banco Master não é apenas sobre um banco em colapso — é sobre os limites da tolerância institucional com manobras que tentam transformar o sistema financeiro em um jogo sem responsabilidade. Desta vez, ao menos, a Justiça falou mais alto.

Se os republicanos perderem esta eleição, Trump pode ser derrubado

Trump, o ditador do mundo e ladrão de petróleo. , Confira a Charge da Semana, por @elvisbragailustrador, exclusivo para o portal Panorama Real. 05/01/2026

Charge reproduzida do Arquivo Google

Júlia Sofia
Veja

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 6, que poderá enfrentar um novo processo de impeachment caso o Partido Republicano não vença as eleições de meio de mandato de 2026.

A declaração foi feita durante um encontro fechado com parlamentares republicanos da Câmara dos Representantes, em Washington, e soou como um alerta aos aliados sobre o risco político de uma eventual derrota nas urnas.

DISSE TRUMP – “Temos que ganhar as eleições de meio de mandato porque, se não ganharmos, eles vão encontrar um motivo para me destituir”, disse Trump.

“Eu vou sofrer um processo de impeachment”, afirmou o presidente, ao defender maior unidade do partido em torno de sua agenda. Durante o discurso, Trump também cobrou dos parlamentares uma atuação em temas como políticas de gênero, saúde e reformas eleitorais.

As eleições legislativas de novembro colocarão em disputa todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço do Senado, em um pleito decisivo para o futuro do governo.

MEIO DE MANDATO – Historicamente, o partido do presidente costuma perder força no Congresso nas eleições de meio de mandato. “Dizem que quando você ganha a presidência, você perde as eleições de meio de mandato”, disse Trump.

Apesar da forte deferência demonstrada até agora pelos republicanos da Câmara, que têm cedido espaço ao Executivo em temas como gastos públicos, começam a surgir sinais de atrito.

Ainda nesta semana, a Casa pode votar a derrubada de um veto presidencial que bloqueou projetos de infraestrutura hídrica no Colorado e em Utah, iniciativa que exigiria maioria qualificada de dois terços para prosperar.

Trump já foi alvo de dois processos de impeachment durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, ambos aprovados pela Câmara dos Representantes, então controlada pelos democratas.

As acusações envolveram abuso de poder no caso da Ucrânia e sua conduta antes da invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.

Em ambas as ocasiões, o Senado, dominado pelos republicanos, absolveu o presidente.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nos Estados Unidos, a alternância no poder é uma realidade. Neste final de ano, se as eleições deixarem Trump em minoria na Câmara e no Senado, ele pode mesmo ser derrubado, para benefício do Brasil e do mundo, digamos assim. (C.N.)

A irrefreável ascensão da inteligência artificial como força geopolítica

CPI do Master avança, mas Lula e PT vão dar um jeito de “enterrar”

A operação para salvar o Banco Master da bancarrota

“Pirâmide” do Banco Master (revista piauí)

Roseann Kennedy
Estadão

A liquidação do Banco Master, que já teve até cena de novela, com banqueiro sendo preso prestes a viajar de jatinho para o exterior, virou assunto popular nas redes. Mas não aleatoriamente. O que as investigações sobre o caso apontam é que houve uma ação coordenada para atacar instituições e autoridades, com pagamentos milionários.

Ou seja, o banqueiro Daniel Vorcaro contou com um verdadeiro gabinete do ódio agindo a seu favor.

APOIO À CPI – Essa descoberta deu fôlego para o pedido de uma CPI do Master, e o número de assinaturas cresceu nos últimos dias, indo para patamar recorde. Até esta sexta-feira, 9, havia endosso de 208 deputados e 37 senadores. Ou seja, número suficiente e pelo menos um fato determinado para garantir a instalação.

Congresso e governo, porém, darão um jeito de enterrar a CPI. Afinal, a quem interessa de fato, no meio político, investigar Vorcaro?

Um dos maiores temores entre os congressistas é que o banqueiro resolva fazer uma delação premiada, pois sobraria para todo lado, já que ele construiu uma rede de relacionamento com políticos das mais variadas colorações partidárias, ou sem coloração alguma – caso do Centrão.

ALCOLUMBRE É CONTRA – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), avisou nos bastidores não ter intenção em dar andamento à investigação no Congresso. Contudo, antes que se diga que tudo vira treta do próprio Legislativo, é preciso observar também o movimento do governo.

Até o momento, por exemplo, a base de Lula mantém distância do pedido. Segundo o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), responsável por coletar as assinaturas, nenhum petista assinou a CPI e apenas três integrantes de partidos governistas constam na sua lista: Tabata Amaral (PSB), Duarte Junior (PSB) e Marcos Tavares (PDT).

O Planalto, porém, tem um discurso ensaiado. Vai destacar que apoia investigação ampla sobre o Master – atinja quem tiver que atingir. Mas que falta “viabilidade pragmática” para o funcionamento da comissão, pelo provável esvaziamento do Congresso no ano eleitoral.

MARQUETEIRO – Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou o marqueteiro para dizer que acompanha o caso do Master com preocupação, e seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também.

Uma mudança de rota. Enquanto o tema envolvia embate de Tribunal de Contas da União e Banco Central, ou seja, sem chance de engajar o público em geral, Lula e seus ministros ficaram em silêncio.

Mas o escândalo dos influenciadores popularizou a pauta e chegou aos eleitores, disparando o alerta de que ficar calado poderia soar omissão.

Comunicador comunista é aposta do PSOL para eleger um deputado no Nordeste

Leitura, Smart TV e assistência religiosa: Moraes pede parecer da PGR sobre pedidos de Bolsonaro

Bolsonaro quer serviços de streaming na prisão

Daniel Gullino
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente manifestação sobre três pedidos da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): abater parte da pena por meio da leitura de livros, receber assistência religiosa e ter uma televisão na cela.

O prazo é de cinco dias. O órgão também deverá se posicionar sobre uma solicitação da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, para realizar uma visita institucional à Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde Bolsonaro cumpre pena.

REMIÇÃO DE PENA – Os três pedidos foram apresentados pela defesa de Bolsonaro na quinta-feira. Em um deles, os advogados solicitaram a inclusão no programa de remição de pena pela leitura, previsto na Lei de Execução Penal e regulamentado por resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Pelas regras do programa, cada obra literária lida e avaliada pode resultar na remição de quatro dias da pena, desde que o preso apresente um relatório escrito, que é submetido à análise de uma comissão responsável e, posteriormente, à homologação judicial.

ASSISTÊNCIA RELIGIOSA –  A defesa também pediu para o ex-presidente receber assistência religiosa regular enquanto permanecer preso. O pedido lista dois nomes indicados para o acompanhamento espiritual: o bispo Robson Lemos Rodovalho, fundador da igreja Sara Nossa Terra, e o pastor Thiago de Araújo Macieira Manzoni.

Os advogados ainda solicitaram que Bolsonaro tenha acesso a uma Smart TV (aparelho com conexão à internet), com o objetivo de acompanhar programas jornalísticos, incluindo no YouTube.

Como o Banco Master usou empresas de fachada e fundos para lavar bilhões

Veto à Lei da Dosimetria pode levar STF a novo confronto com o Congresso

Projeto da dosimetria deve ser questionado no STF

Mariana Muniz
O Globo

Com a mobilização do Congresso para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto da dosimetria, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que o tema será questionado e apreciado pela Corte.

Se o veto for derrubado, o texto será promulgado e beneficiará o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados pela trama golpista e os ataques do 8 de janeiro de 2023. Magistrados ouvidos pelo O Globo afirmam que, se isso ocorrer, o STF será provocado a se pronunciar sobre a legalidade da iniciativa.

ATRIBUIÇÃO – Em dezembro, porém, quando a proposta foi aprovada, uma ala de ministros da Corte avaliava que não caberia ao tribunal impor obstáculos ao texto aprovado, tendo em vista que esta é uma das atribuições do Congresso.

Parte do texto também teve o aval de integrantes do tribunal e foi elaborado pelos parlamentares. O projeto vetado por Lula altera os critérios utilizados pelo Judiciário para o cálculo das penas aplicadas.

Parlamentares da oposição e parte do Centrão já articulam o movimento contrário à decisão do presidente, anunciada nesta quinta-feira durante solenidade que marcou os três anos do 8 de janeiro. Em anos recentes, o tribunal se debruçou sobre a validade ou não de vetos presidenciais em algumas ocasiões.

Em 2023, Lula vetou parte da lei aprovada pelo Congresso que validava a tese do Marco Temporal das terras indígenas, declarada inconstitucional pelo Supremo no mesmo ano. Contudo, os parlamentares derrubaram o veto de Lula e partidos governistas acionaram a Corte pedindo a derrubada da tese — que acabou sendo declarada inconstitucional novamente em julgamento concluído no final de 2025.

ZONA FRANCA – Ainda em 2022, durante o governo Bolsonaro, o plenário decidiu, por exemplo, derrubar o veto do então presidente contra a proibição de empresas da Zona Franca de Manaus importarem petróleo e derivados com isenção de PIS e Cofins. Antes, em 2020, a Corte considerou inválido um veto de Bolsonaro que desobrigava o uso de máscaras em presídios durante a pandemia de covid-19.

Um dos principais pontos do texto vetado nesta quinta-feira por Lula muda a forma de somar as penas quando um réu é condenado por mais de um crime cometido no mesmo contexto, ao proibir a chamada soma material das condenações.

Na prática, quando crimes como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado fossem praticados conjuntamente, passa a valer apenas a pena mais grave, e não a soma das duas condenações, como ocorre hoje.

FLEXIBILIZAÇÃO – Além disso, o projeto flexibiliza as regras para progressão de regime nos crimes contra o Estado Democrático de Direito. O texto prevê a aplicação do menor tempo possível de prisão para a mudança de regime, sem levar em conta fatores como reincidência, uso de violência ou grave ameaça.

Dessa forma, condenados que apresentassem bom comportamento poderiam progredir para o regime semiaberto ou aberto após o cumprimento de ao menos 16,6% da pena. Atualmente, esse percentual é de 16%, mas a legislação em vigor prevê critérios mais rígidos para crimes dessa natureza, especialmente quando envolvem violência ou ataques às instituições.

Assassinato de mulher é um crime hediondo e requer penas rigorosas

Pandemia escancara o feminicídio e a subnotificação no Brasil e no mundo –  Agência Íntegra

Há constantes protestos, mas não são levados em conta

Vicente Limongi Netto

Números que humilham a vida. Em 2025, apenas no Rio de Janeiro, 99 mulheres foram mortas, vítimas de feminicídios. No Brasil inteiro, o quadro é assustador, perverso e dramático.  A escória de patifes não teme penas pequenas. Muitos dos ordinários não vão nem presos. Neste início de ano, ainda no Rio de Janeiro, um covarde já matou a ex-mulher.

Não se sabe mais a quem recorrer. Para conter estes absurdos a solução precisa ser prisão perpétua para esse tipo de crime hediondo, com obrigatoriedade de trabalhar na prisão, para seu sustento.

Nada indica que o novo ano seja menos violento e menos intolerante. É preciso orar e perseverar. De mãos dadas com corações fortes e esperançosos.

UM ANO MELHOR – Recebi do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-presidente da Suprema Corte, Marco Aurélio Mello:

“Limongi, jamais pare de escrever. O meu abraço e que 2026 seja um ano melhor para o Brasil”.

APRENDER FAZENDO – No fechamento das estatísticas do ano, o presidente do Sistema Fecomércio DF, José Aparecido Freire, destacou que a missão do Senac de educar para o trabalho está fortalecendo o desenvolvimento das 260 mil empresas de comércio, serviços e turismo, que geram 720  mil empregos formais”.

Por sua vez, o diretor regional do SESC-DF, Vitor Correa salientou, na linha de José Aparecido Freire, “aprender fazendo” é uma realidade a instituição.

“Podemos dizer o mesmo da preparação de nossos alunos nas habilidades socioemocionais. O modelo pedagógico próprio do Senac baseado na metodologia “ação-reflexão-ação” dá o tom”.

PAPEL DE OTÁRIO – Vini Junior entrou na pilha do argentino provocador, técnico do Atlético de Madrid. Bateram boca. Papel de otário, de tolo, de jogador principiante.

O mais grave, o Real Madrid estava vencendo e ganhou o jogo.

Ancelotti está vendo e certamente dará boa e merecida bronca no excelente atleta da seleção brasileira.

Piada do Ano! Defesa afirma que Vorcaro está sofrendo difamação…

Influenciadores que, juntos, somam milhões de seguidores nas redes sociais relataram terem sido procurados por interessados em difamar os envolvidos na liquidação do Banco Master, em especial o Banco Central (BC). O

Vários influenciadores foram procurados pelos lobistas

Gabriella Furquim
Metrópoles

Em meio a denúncias de que seria patrocinador de uma milícia digital formada supostamente para difamar o Banco Central (BC) e defender o Master, o banqueiro Daniel Vorcaro pediu ao Supremo Tribunal Federal que investigue notícias nas quais ele — Vorcaro — aparece como alvo.

Na petição, os advogados argumentam que Vorcaro não difamou e não contratou ninguém para difamar qualquer autoridade e que é o banqueiro que tem sido vítima de milícias digitais.

O caso ganhou repercussão após um influencer afirmar que foi procurado por interlocutores para participar da campanha difamatória.

COM TOFFOLI – Protocolada na tarde desta quinta-feira (8/1) e assinada pelos advogados Roberto Podval, Pierpaolo Cruz Botini e Sérgio Leonardo, a petição está endereçada ao ministro Dias Toffoli.

No documento, os advogados alegam que o banqueiro estaria sendo alvo de um “massivo ataque reputacional, da disseminação constante de fake news feita de forma orquestrada e coordenada”. Com base nesse argumento, os defensores pedem a apuração da origem das publicações.

O pedido ocorre no mesmo dia em que a Polícia Federal (PF) afirmou que analisa a abertura de um inquérito para investigar a suposta contratação de influenciadores digitais para defender o Banco Master e atacar o Banco Central após a liquidação da instituição financeira.

ALEGA A DEFESA – “Há muito o peticionário [Vorcaro] vê seu nome envolvido em inúmeras notícias veiculadas na mídia, sendo alvo permanente de campanha difamatória, com divulgação massiva de fake news contra si, lastreadas em correlações falsas e maliciosas, extrapolando o direito à informação, o que se intensificou nos últimos 12 meses – antes mesmo da deflagração da Operação Compliance Zero – inclusive compelindo-o a encaminhar diversas notificações extrajudiciais a veículos de imprensa e jornalistas sobre matérias falsas ou de tom pejorativo e ofensivo à sua honra”, dizem os advogados.

Em outro trecho do documento, ao qual o Metrópoles teve acesso, a defesa diz que “alguns sites, blogs e afins praticaram e praticam verdadeiro ‘cyberstalking’, com perseguição sistemática ao peticionário [Vorcaro], causando constrangimentos e prejuízos reputacionais indeléveis” e apresenta uma lista de links que comprovariam os ataques a Vorcaro.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os advogados estão perdidos no lance, porque na mesma quinta-feira já surgiam notícias sobre os contratos oferecidos, prevendo até a periodicidade das matérias a favor do banqueiro. Apareceram também, espontaneamente, influenciadores reclamando que foram procurados pelos lobistas, mas não tinham sido mencionados nas reportagens sobre as matérias pagas. Está ficando cada vez mais divertido. (C.N.)

Uma andorinha voa para Manuel Bandeira mostrando como a vida é fugaz…

Eu gosto de delicadeza. Seja nos gestos,... Manuel Bandeira - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968), conhecido como Manuel Bandeira,  em poucas linhas mostra como a vida pode ser fugaz. 

ANDORINHA
Manuel Bandeira

Andorinha lá fora está dizendo:
— “Passei o dia à toa, à toa!”
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa…

Ciro Nogueira afasta Tarcísio da corrida presidencial e aposta em Flávio Bolsonaro

A pergunta certa: por que Toffoli se empenha tanto em salvar o Master?

Toffoli e Banco Master: Sigilo em Processo Revelado

Charge reproduzida do Arquivo Google

Mario Sabino
Metrópoles

Mais do que em qualquer outro aspecto da vida, à exceção da medicina, o que importa no jornalismo é fazer a pergunta certa. E a pergunta certa a ser feita no caso do Banco Master é: por que Dias Toffoli parece empenhado em ajudar Daniel Vorcaro?

Se não, recapitulemos os passos do ministro nesse sentido, e não são poucos.

POBRES PRETEXTOS – Toffoli lançou mão de um pretexto mixuruca oferecido pela defesa do “banqueiro” — uma proposta de negócio imobiliário, encontrada na casa de Vorcaro, em que aparece o nome de um deputado federal — para puxar para a sua alçada no STF as investigações sobre as operações com títulos podres perpetradas pelo banco para obter bilhões de reais junto ao Banco Regional de Brasília (BRB), para o qual Vorcaro queria vender o Master.

Na sequência, no mesmo dia em que viajou a Lima na companhia do advogado de um diretor do Master, Toffoli decretou sigilo completo sobre as investigações e ordenou que nada prosseguisse sem a sua autorização.

Para completar, o ministro inventou uma acareação sem pé nem cabeça, antes que houvesse qualquer depoimento dos envolvidos, entre o investigado Vorcaro, o investigado ex-presidente do BRB e um diretor do Banco Central, que não deveria figurar em investigação nenhuma.

TUDO ERRADO – O espanto aumentou entre os já pasmos espectadores do imbróglio, porque não há nada de remotamente normal em o BC ter de prestar satisfação a um ministro do STF (ou a um ministro do TCU, estranheza adicional nessa história) sobre a liquidação de um banco.

A acareação foi vista pelo BC, pelo setor financeiro, bem como por brasileiros ainda capazes de ligar lé a cré, como intimidação contra a instituição que selou o destino do Master. A avaliação geral é que o ministro estaria fazendo pescaria para achar uma brecha que lhe permitisse anular a liquidação do banco.

Diante da repercussão negativa, com o BC tentando evitar o absurdo de ver um diretor seu colocado no mesmo plano dos investigados, Toffoli mudou de ideia e decidiu que a PF tomaria os depoimentos de todos antes de uma eventual acareação.

DEU CONFUSÃO – O atropelo do ministro é tamanho que houve confusão entre a delegada da PF responsável por conduzi-los e o juiz auxiliar do gabinete de Toffoli destacado para acompanhá-los. Ela ainda achava que a sua tarefa era acarear, porque a PF não foi informada com a devida formalidade da mudança determinada pelo ministro.

Diante do impasse, foi preciso ligar para Toffoli. Resolvido o ponto, o juiz auxiliar repassou à delegada perguntas formuladas pelo ministro.

Houve outro quiproquó, já que juiz não deveria fazer o papel de investigador, e delegados não podem funcionar como bonecos de ventríloquo de ninguém. Ocorreu, então, um segundo telefonema, agora para o diretor-geral da PF.

ESCULHAMBAÇÃO – A saída para mais essa esculhambação do sistema acusatório, teoricamente em vigor no país, foi fazer a ressalva de que as perguntas entregues à delegada pelo juiz auxiliar eram da lavra de Toffoli.

Finalmente tomados, os depoimentos trouxeram o esperado, com Vorcaro dizendo que é a alma mais honesta do Brasil, o ex-presidente do BRB afirmando que não havia nada de errado nos procedimentos que visavam à aquisição do Master, e o diretor do BC dizendo que a liquidação se justificava.

Ao final, houve apenas uma acareação de meia hora entre os dois primeiros, que mostraram ter “percepções distintas sobre os mesmos fatos”, segundo a defesa do ex-presidente do BRB.

PRÓXIMOS PASSOS – Não se sabe quais serão os próximos passos de Toffoli. Ele vai insistir no suposto objetivo de anular a liquidação do Master? Ou vai se concentrar apenas em garantir que um inocentíssimo Vorcaro não seja preso pelas fraudes que o seu banco perpetrou?

De qualquer modo, tais questões são decorrentes da pergunta certa a ser feita: por que Toffoli parece empenhado em ajudar Daniel Vorcaro?

É isso que a opinião tem direito de saber, antes de mais nada.

Controle econômico da Venezuela pelos EUA redefine poder, soberania e dependências