Candidatura de Flávio ao Planalto força PT a redesenhar estratégia contra Tarcísio

“Pressão” de ministro do TCU revela o grau de podridão no caso do banco Master

Vídeo: veja entrevista completa com o presidente do TCU, Vital do Rêgo

Vital do Rego neutralizou a manobra em favor do Master

Carlos Newton

Jamais se viu nada igual nas relações entre os três Poderes da República, que estão cada vez mais apodrecidas. Basta analisar a postura de Jhonatan de Jesus, um ex-deputado de trajetória controversa, digamos assim, e que em 2023 chegou ao Tribunal de Contas da União por indicação do todo-poderoso deputado Arthur Lira, então presidente da Câmara.

Não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, esse ministro Jhonatan de Jesus se julgou no direito de questionar a atuação do Banco Central no intrincadíssimo caso do Master, criando uma tremenda confusão.

PARCIALIDADE – Em pleno recesso, quando o TCU nem está funcionando, a voracidade com que o ministro tenta desmoralizar a atuação do Banco Central é altamente significativa., pois ele se comporta como se fosse advogado do Banco Master.

Exibe uma postura tendenciosa, parcial e indigna, porque nem ele nem qualquer outro ministro do TCU tem informações sobre o caso, porque a liquidação extrajudicial do Master corre em absoluto sigilo.

Mesmo assim, o irrefreável ministro Jhonatan de Jesus se acha no direito de criticar o Banco Central e exigir informações que não podem lhe ser oferecidas, segundo as normas que regem o funcionamento do BC.

INFORMAÇÕES – Na semana passada, o arrojado ministro do TCU abandonou o recesso para exigir que o BC lhe desse explicações sobre a liquidação do Master, embora o caso esteja sob sigilo processual.

Foi atendido pela diretoria do Banco Central, que lhe enviou uma Nota Técnica de 18 páginas, relatando as falcatruas cometidas, a gestão ruinosa, a iliquidez e a possibilidade de aumentar o prejuízo, calculado em cerca de R$ 40 bilhões, que atingirá fundos de pensão e investidores de toda espécie. Mas o ministro o TCU  não ficou nada satisfeito.

“Os pontos centrais afirmados na Nota Técnica – embora relevantes como narrativa institucional – não foram acompanhados de prova documental nos autos”, protestou Jhonatan de Jesus.

DISSE JHONATAN – “A Nota Técnica apresentada se limitou, em essência, à exposição sintética de cronologia e fundamentos, com remissão a processos e registros internos, sem que viesse acompanhada, nesta oportunidade, do acervo documental subjacente (peças, notas internas, pareceres e registros de deliberação) necessário à verificação objetiva das assertivas nela contidas”, destacou o ministro, que então determinou uma “inspeção técnica” do TCU no Banco Central, vejam a que ponto chega a insensatez dessa gente.

A situação ficou tão constrangedora que o presidente do TCU, Vital do Rego, foi obrigado a intervir. Com muita diplomacia, confirmou o pedido de inspeção feito por Jhonatan, porque assim o assunto passa automaticamente para a área técnica do TCU e o ministro-relator não terá condições de seguir atacando o Banco Central.

Portanto, a decisão de Vital do Rego favorece o BC, que já avisou que os técnicos do tribunal passarão pelo rigoroso sistema de controle exigido pela autoridade monetária.

Os técnicos do TCU deverão assinar  termos de confidencialidade, para terem suas consultas analisadas e respondidas pelo Banco Central, quando for o caso, porque o TCU não tem poderes para intervir em casos de liquidação ainda em andamento.

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P.S.
– Com impressionante habilidade, Vital do Rego neutralizou Jhonatan de Jesus, que não poderá ficar dando palpites sobre assunto que está na área técnica do TCU. Isso enfraquece o lobby montado pelo banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, que ficou preso durante apenas uma semana e foi libertado pelo ministro Dias Toffoli, que também tenta reverter a liquidação do banco. Mas quem se interessa? (C.N.)

Ouvido em audiência de custódia, na abertura do processo, Maduro se declara “inocente”

Charge do JCaesar: 5 de janeiro | VEJA

Charge do JCaesar (Veja)

Vicente Limongi Netto

O ditador Nicolas Maduro foi ouvido em “audiência de custódia” em Nova York. Fico com urticária quando ouço falar da pomposa expressão. O presidente venezuelano se declarou inocente, na primeira etapa de um processo judicial em território americano, que deve se prolongar por meses. 

Se o procedimento jurídico norte-americano for semelhante ao brasileiro, que passa a mão na cabeça de  assassinos, estupradores,  pedófilos e corruptos, geralmente punidos com multas, serviços comunitários,  ou são considerados inocentes,  equivale dizer que o facínora Maduro vai ser punido com passeio na Disney, com  ingressos para jogos da Copa do Mundo, tour na Casa Branca, com Trump de guia turístico.

E finalmente, quando já estiver enfastiado com a comida norte-americana, Maduro então  retorna a Venezuela com atestado de bons antecedentes, como  puro e imaculado cidadão. 

Sistema financeiro reage a inspeção do TCU e sai em defesa da independência do BC

Entidades reiteraram que depositam plena confiança no BC

Alexandro Martello
G1

Onze entidades do setor financeiro, bancário, de meios de pagamento e do mercado de capitais divulgaram nesta segunda-feira (5) nota de apoio aos processos de supervisão conduzidos pelo Banco Central, assim como à independência da autoridade monetária.

Neste início de ano, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo Filho, determinou uma inspeção técnica em documentos referentes ao banco Master em poder do Banco Central. A determinação do presidente do tribunal já vai ser cumprida logo, apesar de o tribunal ainda estar em recesso.

PLENA CONFIANÇA – Sem citar o caso do banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, as entidades signatárias do manifesto, que representam 757 Instituições Financeiras, 689 cooperativas de crédito e 15 associações vinculadas, reiteraram que depositam plena confiança nas decisões técnicas do BC nos seus âmbitos de atuação regulatória e de fiscalização.

Também defenderam que é imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do Banco Central, de forma a manter um dos pilares fundamentais de qualquer sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro; o Banco Central brasileiro exerce esse papel, que inclui uma supervisão bancária atenta e independente, voltada para a solvência e integridade, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante.

Entre as entidades que assinaram o manifesto, estão a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a Associação Brasileira de Câmbio (Abracam) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

SOB RISCO – Antes de ser liquidado no ano passado pelo BC, o banco Master já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.

Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.

Lula larga na frente, mas eleição de 2026 ainda é uma incógnita

Bolsonarismo aposta em Flávio, mas chega fragmentado à disputa de 2026

Na ONU, Brasil rejeita ação militar dos EUA na Venezuela e critica lógica da força

Embaixador Sérgio Danese afirmou que ação abre precedentes

Deu no G1

O Brasil condenou nesta segunda-feira (5) no Conselho de Segurança da ONU a intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. Segundo o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”.

Danese afirmou que esse raciocínio “carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos.” “O mundo multipolar do século XXI, que promova a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência”, pontou.

ALINHAMENTO – A declaração está alinhada à nota divulgada pelo governo brasileiro, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia da ação norte-americana. A informação foi adiantada pelo blog do Valdo Cruz. “O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, afirmou o embaixador.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, prosseguiu.

De acordo com o embaixador, a Carta das Nações Unidas estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas nela. Nesse sentido, Sérgio Danese ponderou que a aceitação de ações dessa natureza poderiam conduzir a um “cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo”.

ESCOLHA PELA PAZ –  Sérgio Danese ainda ressaltou que a América Latina e o Caribe fizeram a escolha pela paz e lembrou que as intervenções armadas do passado tiveram consequências profundamente negativas, pois produziram regimes autoritários e violações de direitos.

“O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos superados e coloca em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação, livre de conflitos armados, respeitosa do direito internacional e do princípio da não ingerência”, argumentou.

O embaixador do Brasil na ONU ainda frisou que o Brasil acredita numa solução que respeite a autodeterminação do povo venezuelano com foco na Constituição do país, e que a ação americana afeita a comunidade internacional. “Este e outros casos de intervenção armada contra a soberania de um país, sua integridade territorial ou suas instituições devem ser condenados com veemência. Cabe a este Conselho assumir sua responsabilidade e reagir com determinação, clareza e obediência ao direito internacional, a fim de evitar que a lei da força prevaleça sobre a força da lei”, afirmou.

Corina, líder da oposição, pede que a Venezuela seja devolvida ao seu povo

O que María Corina Machado disse a VEJA sobre uso da força para derrubar  chavismo | VEJA

Corina tenta evitar que os americanos “colonizem” o país

José Carlos Werneck

À luz dos preceitos do Direito Internacional, a única solução para a situação da Venezuela é a posse imediata de Edmundo González Urrutia, candidato escolhido pelos eleitores e que teve sua ascensão ao poder impedida pelo ditador Nicolás Maduro.

E esse é, também, o pensamento da líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, em seu primeiro pronunciamento oficial, após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro.

DIZ CORINA – A líder oposicionista reivindicou que Edmundo González Urrutia, adversário de Maduro nas eleições de 2024, assuma o poder em Caracas “imediatamente”.

Corina, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, publicou uma nota no início da tarde deste sábado, horas após o anúncio da ação americana pelo presidente dos EUA, Donald Trump, celebrando a chegada da “hora da liberdade”.

“Este é o momento dos cidadãos. Para aqueles de nós que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. Para aqueles de nós que elegeram Edmundo González Urrutia como o legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados que as compõem”, escreveu em nota publicada em seu perfil no X”.

VITÓRIA FORJADA – Nas últimas eleições presidenciais realizadas em julho do ano passado na Venezuela, María Corina, impedida de participar do pleito por inelegibilidade decretada em 2023, se aliou a González Urrutia para se opor ao presidente chavista.

Apesar da vitória forjada de Maduro, reeleito para o terceiro mandato, ter sido confirmada pelas autoridades eleitorais venezuelanas, a oposição rejeitou o resultado do pleito, demonstrando robustamente que as eleições teriam sido fraudadas sob o regime ditatorial de Maduro.

Grande parte da comunidade internacional aderiu ao posicionamento dos adversários do líder venezuelano e diversos países reconheceram González Urrutia como presidente legítimo do país, incluindo os Estados Unidos.

ESTÁ ASILADO – Diante das ameaças de prisão que recebeu do governo venezuelano após as eleições, o adversário de Maduro saiu do país em setembro em direção à Espanha, onde vive asilado desde então.

Em seu comunicado, demonstrando confiança numa possível posse do parceiro de chapa, María Corina pediu aos venezuelanos que se preparem para “implementar” algo que prometeu comunicar “em breve” por meio de seus canais oficiais.

“Hoje, estamos preparados para exercer nosso mandato e tomar o poder. Permaneçamos vigilantes, ativos e organizados até que a Transição Democrática seja alcançada. Uma transição que precisa de todos nós”, afirmou a líder oposicionista.

“Samba de Verão”, de Paulo Sérgio e Marcos Valle, fez sucesso no mundo inteiro

Tribuna da Internet | A viola enluarada dos irmãos Valle jamais será  esquecidaPaulo Peres
Poemas & Canções

Os irmãos cantores e compositores cariocas Paulo Sérgio Kostenbader Valle e Marcos Kostenbader Valle fizeram em parceria “Samba de Verão”, um dos maiores clássicos da Bossa Nova, que se tornou sucesso internacional, com grande número de regravações.  A canção foi gravada originalmente no LP “Braziliance: A música de Marcos Valle”, em 1967, pela Odeon.

A música chegou ao segundo lugar nas paradas de sucesso dos Estados Unidos, onde teve pelo menos 80 regravações.

SAMBA DE VERÃO
Paulo Sergio Valle e Marcos Valle

Você viu só que amor
Nunca vi coisa assim
E passou, nem parou
Mas olhou só pra mim
Se voltar vou atrás
Vou pedir, vou falar
Vou dizer que o amor
Foi feitinho prá dar

Olha, é como o verão
Quente o coração
Salta de repente
Para ver
A menina que vem

Ela vem sempre tem
Esse mar no olhar
E vai ver, tem que ser
Nunca tem quem amar
Hoje sim, diz que sim
Já cansei de esperar
Nem parei, nem dormi
Só pensando em me dar

Peço, mas você não vem
Bem, Deixo então
Falo só
Digo ao céu
Mas você vem
Deixo então
Falo só
Digo ao céu
Mas você vem

Lula chega a 2026 com pacote eleitoral travado e base instável no Congresso

Se Vorcaro fizer delação premiada, a terra vai estremecer em Brasília

Charge do Aroeira | Metrópoles

Charge do Aroeira (Metrópoles)

Roberto Nascimento

O presidente Edson Fachin está isolado na Côrte Constitucional. O projeto do Código de Conduta, proposto por ele antes do caso do Banco Master, conta com um único apoio – da ministra Carmem Lúcia, que é solteira, não tem irmãos nem filhos advogados.

Logo a seguir, com o escândalo do Marques, a credibilidade do Supremo Tribunal Federal junto à opinião pública. no final do ano despencou a quase zero.

APOIO A PARENTES – Mudaram a Lei para permitir que parentes de ministros tivessem autorização para advogar nos Tribunais Superiores nos processos em julgamento. Até Luiz Fux foi a favor, por causa do filho que enriquece advogando nos tribunais superiores.

Somente Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Carmem Lúcia e Rosa Weber votaram contra. É por essa razão que Luiz Fux está calado, com seu boi na sombra. Apenas Carmem Lúcia está fora dessa encrenca.

Agora, os ministros estão envergonhados com o supercontrato da esposa de Alexandre de Moraes para salvar o banco Master, somente Gilmar Mendes veio a público defender Moraes, enquanto Dias Toffoli entrava no esquema, e está trabalhando não somente para o Banco Master, mas também para a J&F, a antiga Friboi.

SONHO INÚTIL – Apesar da repercussão negativa do caso Master, o ministro Toffoli ainda acredita que tem condições de suspender a liquidação do Master, embora o efeito possa ser pior do que uma bomba atômica.

No Judiciário e no Congresso, muitos personagens temem a delação premiada de Vorcaro, alguns estão tremendo de medo.

A credibilidade do Brasil no Fundo Monetário Internacional, por causa de Moraes, Toffoli e de Jhonatan de Jesus, novo ministro do Tribunal de Conta da União, pode prejudicar o grau de investimentos no Brasil. E esse TCU, vale algum tostão furado, a não ser como cabide de emprego de parlamentares aposentados?

UM TURBILHÃO – O país está atônito com os fatos que vem sendo revelados.

Chego a sentir pena do ministro Alexandre de Morais. Ele está completamente desconfortável com tudo isso. Quanto a Dias Toffoli, sua frieza é impressionante. Não liga para nada, porque acha que está acima do bem e do mal.

Fachin está tão isolado, que perdeu as condições de agir no caso Master, enquanto Toffoli decretava segredo em fatos de interesse público e marcava acareação  antes dos depoimentos. Depois recuou, mas manteve as perguntas a Daniel Vorcaro (Banco Master), Paulo Henrique Costa (BRB) e Ailton de Aquino (Banco Central), através da delegada federal Janaina Palazzo.

DELAÇÃO NA MIRA – Tentam uma saída para Daniel Vorcaro, que ameaçou delação premiada e assustou gregos e troianos em Brasília. A delação desse fraudador e corrupto causaria um terremoto na capital da gastança.

Ibaneis Rocha, governador de Brasília, não consegue dormir, de tão preocupado. Cláudio Castro, governador do Rio, teme o fim da sua carreira política e vê sua candidatura ao Senado escapar pelos dedos.

Davi Alcolumbre também está metido nessa, através de seu apaniguado no Amapá, que torrou dinheiro no Master através do Instituto de Previdência. Uma delação pegaria todo mundo.

Entre a queda do ditador e o peso da força: a Venezuela no fio da navalha

América do Sul observa ações de Trump com apreensão

Pedro do Coutto

É difícil — para não dizer impossível — aplaudir a ação militar americana que resultou na prisão de Nicolás Maduro ao lado de sua esposa. A política internacional raramente oferece escolhas simples, e a Venezuela, hoje, está no centro de um dilema que preocupa não apenas seus cidadãos, mas todo o continente sul-americano.

A captura de Maduro não encerra a crise venezuelana; ao contrário, abre uma fase ainda mais delicada. A pergunta inevitável é: quais serão os próximos passos de Washington? A história recente da política externa dos Estados Unidos recomenda cautela. Intervenções realizadas em nome da democracia frequentemente produziram efeitos colaterais duradouros, instabilidade regional e dependência política.

“ADMNISTRAÇÃO” – O anúncio do presidente Donald Trump de que haverá uma “administração de transição” para conduzir o país rumo a uma solução democrática soa, no mínimo, vago. Não há prazos, não há um desenho institucional claro e tampouco garantias de que essa transição será, de fato, temporária.

O próprio Trump demonstrou incerteza ao falar sobre como essa administração funcionará e por quanto tempo permanecerá. Essa indefinição alimenta o temor de uma ocupação prolongada, ainda que não formal, em um país já devastado por anos de crise. A ausência de um cronograma e de compromissos objetivos com a soberania venezuelana fragiliza o discurso democrático e fortalece a narrativa, tão comum na região, de que a força se sobrepõe ao direito.

Há também o custo humano, frequentemente relativizado nos discursos oficiais. A operação militar que levou à prisão de Maduro deixou cerca de 40 mortos. Não se trata de um “dano colateral” abstrato, mas de vidas interrompidas em um país que já convive com escassez, migração em massa e trauma coletivo. Democracia alguma se constrói sobre cadáveres ignorados, e esse preço pesa sobre qualquer avaliação moral da ação.

PETRÓLEO – O petróleo, por sua vez, surge como um elemento central — talvez decisivo — nesse novo capítulo. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas do mundo, e Trump foi explícito ao afirmar que empresas americanas terão papel relevante na retomada do setor petrolífero.

Do ponto de vista econômico, é compreensível que os Estados Unidos busquem segurança energética e oportunidades para suas companhias. Do ponto de vista político, porém, isso torna o discurso humanitário mais frágil. Quando a democracia caminha lado a lado com interesses econômicos bilionários, a desconfiança se instala quase automaticamente.

SEM LEGITIMIDADE – O complexo petrolífero venezuelano é extremamente sensível. Qualquer mudança abrupta, sem consenso interno e sem legitimidade reconhecida pela sociedade, pode aprofundar tensões e gerar novos conflitos. A reconstrução institucional do país exige mais do que a substituição de um líder autoritário; requer pactos, inclusão política, eleições confiáveis e, sobretudo, protagonismo dos próprios venezuelanos.

A América do Sul observa esse processo com apreensão. O precedente é perigoso: um ditador cai, mas pela força externa; a promessa democrática existe, mas sem contornos claros; e os interesses estratégicos falam alto desde o primeiro momento. O risco é que a queda de Maduro, em vez de inaugurar uma era de estabilidade, acabe reforçando a lógica da tutela e da dependência.

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Crise na Venezuela vira munição eleitoral e reacende embate entre Lula, direita e EUA

Vorcaro montou um lobby fabuloso e tenta recuperar o Banco Master

Há imagens íntimas de políticos e membros do judiciário no celular de Daniel Vorcaro, afirma pré-candidato

Lobby de Vorcaro desafia o Banco Central e a Polícia Federal

Carlos Newton

Até os leitores mais distraídos já perceberam que está em curso um poderosíssimo lobby para tirar da liquidação o combalido Banco Master. A estratégia visa a transformar em “vítima” o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, para desmoralizar o trabalho dos especialistas do Banco Central e dos delegados e agentes da Polícia Federal.

O plano inclui, ainda, uma limpeza na imagem do ministro Alexandre de Moraes, que teria defendido causa nobre ao pressionar o Banco Central para impedir a liquidação do Master.

APENAS HEROISMO – Nessa nova narrativa, o relator do Inquérito do Fim do Mundo não teria visado ao lucro ao se intrometer nos assuntos de sua esposa. Pelo contrário, estaria movido por seu costumeiro e renomado “heroísmo”, para encontrar uma “solução de mercado” que evitasse prejuízos a investidores.

É claro que o lobby está fadado ao insucesso, trata-se de um sonho louco, praticamente impossível de ser concretizado, mas Vorcaro já mostrou ao mercado que é um criminoso de extraordinária audácia e não desiste nunca.

Preso e usando tornozeleira em São Paulo, longe de sua mansão de 7,5 mil metros em Brasília, onde recebia autoridades e políticos, entre eles o próprio ministro Moraes, o dono do Master é hoje incansável na armação do esquema de sua volta gloriosa.

NO SUBMUNDO – Dinheiro não falta a Vorcaro. Conhece como ninguém o submundo de Brasília e já colocou em sua folha de pagamento muitas autoridades e jornalistas de destaque, para espalhar a narrativa de que houve irregularidades no Banco Central.

Além de acusar o BC de haver impedido “uma solução de mercado”, sem sequer examinar a misteriosa proposta que teria sido feita, Vorcaro tenta repetir o golpe que destruiu a Lava Jato e hoje fortalece novamente os agentes da corrupção.

Desta vez, como não existem os hackers nem as gravações que destruíram o trabalho saneador de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, o banqueiro Vorcaro espalha que o BC fez exatamente a mesma coisa contra ele, ao agir em conluio com a Polícia Federal e com a 10ª Vara Federal do DF, que conduzia o inquérito da Operação Compliance Zero.

TRÍPLICE ALIANÇA – Como se vê, a narrativa é de que teria ocorrido uma tríplice aliança, destinada a liquidar propositadamente o Master e a mandar prender Vorcaro junto com o então presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, seu cúmplice na bilionária negociata dos títulos falsos.

A última tentativa de Vorcaro, na undécima hora, foi comunicar ao BC a “possibilidade” de venda do Banco Master para o Grupo Fictor, e disse que viajaria naquela mesma noite para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para assinar o contrato e anunciar a operação com os investidores estrangeiros que integrariam o novo bloco acionário.

Disse ainda que protocolaria os documentos da transferência de controle junto ao Banco Central naquele mesmo dia, e que esperava anunciar a venda de outras duas empresas do grupo: a Will Financeira e o Banco Master de Investimentos.

PIADA DO ANO – A fantasiosa versão de Vorcaro não tinha a menor solidez é foi desmentida pelo próprio grupo Fictor, ao anunciar a compra do Master, em 17 de novembro.

“A aquisição do Banco Master, liderada pela Fictor Holding Financeira, acompanhada de um aporte de R$ 3 bilhões, marcou a entrada definitiva do grupo no sistema bancário brasileiro”, disse a financeira, um dos braços do grupo, que também atua nos setores de alimentos e infraestrutura, mas administra um conjunto de ativos de apenas US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,33 bilhões, na cotação atual)

Para os especialistas do Banco Central, o grupo Fictor não tem a menor condição de resolver o grave rombo do Master, que se calcula chegar a R$ 40 bilhões.

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P.S.
Bem, este é um pequeno resumo da bagunça que o banqueiro falido Daniel Vorcaro tenta fazer, manejando um lobby que chega às raias do ridículo. Se ele acha que o apoio ocasional de Dias Toffoli e outras autoridades será suficiente para desmoralizar o Banco Central e a Polícia Federal, certamente precisa de tratamento especializado e de reabilitação, mas na cadeia isso non ecziste, como diria Padre Quevedo.
(C.N.)

Ano eleitoral esvazia Esplanada e leva ministros de Lula à debandada

Maioria dos chefes de ministérios deixará cargo até abril

Roseann Kennedy
Estadão

Nos primeiros dias de 2026, ministros do governo Lula têm feito uma brincadeira sobre a chegada do ano eleitoral: dizem que “o último a sair apaga a luz”. Isso porque a maioria deles deixará o cargo até abril para disputar votos nas urnas. Em outra frente, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, já avisou ao presidente Lula (PT) que deseja sair do cargo. A aposta é que o interruptor ficará, uma vez mais, com o ministro da Defesa, José Múcio, que também tenta abrir a porta de saída.

Lula tem planos para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tanto pode concorrer ao Senado por São Paulo como ao Palácio dos Bandeirantes. A titular da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, deve tentar a reeleição na Câmara.

DISPUTA PELO SENADO – Simone Tebet (MDB), do Planejamento, também deixará o posto. A intenção da ministra é concorrer novamente ao Senado, mas, desde que apoiou Lula, no segundo turno da campanha de 2022, perdeu votos em seu reduto no Mato Grosso do Sul, Estado conservador.

O chefe da Casa Civil, Rui Costa, é outro que sairá do governo: será candidato ao Senado pela Bahia. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, é incentivada pela primeira-dama Rosângela Silva a concorrer a deputada federal. Mas não são só eles que estão de saída da Esplanada. A maioria dos ministros deixará os postos para disputar eleições.

Pressionado por direita e esquerda, Hugo Motta vira alvo de ofensiva digital

CGU mira Abin de Bolsonaro e quer demitir agentes por uso político da Inteligência

Vorcaro, do Master, distribuía dinheiro abusivamente a advogados e políticos

O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso nesta terça (18) pela PF

Vorcaro, do Master, imitou o esquema do Banco Econômico

Elio Gaspari
Folha/O Globo

A Pasta Rosa foi achada em 1995, no gabinete do banqueiro e ex-ministro Ângelo Calmon de Sá, controlador do Banco Econômico. Com oito centímetros de espessura, ela continha a escrituração do ervanário despejado pela federação dos bancos e pelo Banco Econômico nas últimas eleições.

Era o sonho do investigador, a clientela da banca ia de Roberto Campos a Antônio Carlos Magalhães. Cerca de 50 políticos passavam pela pagadoria do Banco Econômico.

CERTEZAS ABSOLUTAS – Onde a investigação do Banco Master tem suspeitas e indícios de uma rede de proteção, no caso da Pasta Rosa eram certezas documentadas.

Nos seus dias de fama, a Pasta Rosa parecia instruir uma faxina nas relações dos políticos com a banca. Ilusão democrática.

Aos poucos, a Pasta Rosa foi sumindo do noticiário, até virar história.

VITORIOSOS – A taça foi para os advogados do banqueiro que ralavam, procurando brechas em sentenças ou erros em reportagens. Ao final eles foram os vitoriosos.

As investigações em torno da Pasta Rosa deram em nada. As investigações em torno dos poderes e das conexões de Daniel Vorcaro podem aprender a lição.

Mesmo antes de ser detonado, Vorcaro gastava centenas de milhões de reais com advogados.

HÁ 130 ANOS – Para quem acha que o aquecimento global é uma moda recente: Em 2026/ completam-se 130 anos do dia em que o cientista sueco Svante Arrhenius avisou que a queima de combustíveis fósseis jogava dióxido de carbono na atmosfera, provocando um aquecimento global.

Lula enfrenta custo político interno e crise externa em ano decisivo