
Alcolumbre sabe que pode ser a próxima vítima do Master
Carlos Newton
Os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes contavam – e ainda acham que contam – com o apoio do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para estancar a sangria e evitar o agravamento da crise do Supremo, como se isso fosse possível.
O presidente do Congresso fez o que pode, mas tudo tem limite, até porque ele tem enorme telhado de vidro e o apoio a envolvidos em corrupção ameaça atingi-lo na sequência, envolvido no próprio caso Master.
SEM CPI – Sentado em cima do Regimento Interno do Congresso, Alcolumbre está evitando a convocação da CPI do Master, mas não tem como impedir que o assunto domine as discussões no Congresso, especialmente no Senado, que tem a prerrogativa de aprovar impeachment de ministros do Supremo.
Na semana passada ele fez o possível para evitar que a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), presidida por Renan Calheiros (MDB-AL), criasse um grupo de trabalho para acompanhar o caso Master.
CRIME ORGANIZADO – Para Alcolumbre, o pior mesmo é a CPI do Crime Organizado, comandada por três senadores com atuação livre de influências político-partidárias – Fabiano Contarato (PT-ES), presidente; Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice-presidente; e Alessandro Vieira (MDB-SE), relator.
Eles contam com apoio da maioria da CPI e vão fazer um estrago, convocando para depor o banqueiro Daniel Vorcaro e os irmãos e o primo de Dias Toffoli, entre outros envolvidos no escândalo do Master.
Alcolumbre é um dos parlamentares mais corruptos do atual Congresso e chegou a presidência do Senado por causa do apoio irrestrito do presidente Lula da Silva, que atende a todos os pedidos dele e tem garantid0 a liberação de cada vez mais emendas parlamentares, apesar do fim do chamado orçamento secreto. No ano passado, o total bateu recorde – mais de R$ 50 bilhões em emendas de senadores e deputado.
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P.S. – Alcolumbre não tem saída e será obrigado a apoiar as decisões da CPI do Crime Organizado. Ele já está consciente que é um risco tentar proteger Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, porque o alvo seguinte do caso Master pode ser ele, responsável pela nomeação de seu cúmplice Jocildo Lemos na presidência do Fundo de Pensão dos Servidores do Amapá, que a pedido do próprio Alcolumbre “investiu’ R$ 500 milhões no Master. Por tudo isso, não esqueçam de comprar pipocas. (C.N.)
De onde vem a fortuna de Toffoli e para onde vai a de Vorcaro?
Toffoli sai da relatoria do caso Master, mas a crise no Supremo continua e tende a piorar, embolando novas revelações contra o ministro com o constrangimento de Moraes, a posição delicada de Mendonça, as divisões internas, a crise com a PF e a guerra política.
Tudo isso com a corte sob um comando, digamos, difuso. Quem manda?
Só faltava gravarem clandestinamente a reunião fechada que selou a saída de Toffoli. Não falta mais.
Quem leu os trechos entre aspas no site Poder 360 não tem dúvida de que se trata de uma degravação. Logo, alguém gravou e vazou e esse alguém só pode ser um dos ministros. Um escândalo dentro do escândalo.
Pedra cantada aqui, as próximas fases das investigações passam pela “busca aos tesouros”, com as “novidades” continuando a surgir aos borbotões, claro, pela mídia tradicional e independente.
No Estadão, os repórteres Aguirre Talento e Eduardo Barretto estão entre os que caminham a passos largos.
Talento informa que, segundo a PF, com base nos celulares apreendidos, Daniel Vorcaro teria repassado R$ 35 milhões para o resort Tayayá, que teve a família Dias Toffoli entre seus sócios e o próprio ministro do STF entre seus frequentadores, inclusive em festas de fim de ano com dezenas de convidados e nenhuma comanda.
Já Barretto fez uma pesquisa básica e chegou a uma conta aritmética que não fecha:
– Se Toffoli é funcionário público (entre AGU e STF) há vinte anos e recebeu um total de R$ 8 milhões nesse tempo, como pôde ser sócio de um resort de alto luxo? Sem contar, claro, o que gastou em imóveis, festanças, viagens…
Vorcaro poderia estar dando gargalhadas, mas ele não tem nada a ganhar, só a perder, com a crise no Supremo. Primeiro:
– Se Toffoli tinha que sujar tanto as mãos como relator, é porque tinha muita sujeira que continua vindo à tona. Segundo:
– Se a origem da fortuna de Toffoli está sendo esmiuçada, o destino da de Vorcaro também. Alguém acredita que ele saiu dessa sem um tostão?
Curioso é o PP e o União Brasil, agora de mãos dadas numa federação partidária, lançarem nota pública em defesa de Toffoli e de ataque ao que consideram “injustiça” contra o ministro.
Pois não é que a nota é assinada pelos presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do UB, Antônio Rueda, sempre citados no escândalo Master? Detalhe: a nota saiu numa sexta-feira, 13. Azar de quem?
O foco está em André Mendonça, que foi nomeado para o STF pelo ex-mito e acaba de ser sorteado (sic) para a relatoria do caso Master. Esses sorteios do Supremo são mesmo interessantes, passando a sensação de escolha por conveniência ou “por exclusão”.
Fachin é Presidente, Carmen Lúcia já preside o TSE e é relatora do Código de Ética, Moraes está na linha de fogo, Dino tem guerra aberta com o Congresso, Gilmar é explosivo, Nunes Marques não é considerado confiável e Fux está isolado.
Sobravam Cristiano Zanin, ex-advogado de Barba, e Mendonça, ex-ministro da Justiça do ex-mito.
Trocar Toffoli por Zanin seria manter a mira em Barba e, por mais técnico e correto que fosse, seria acusado de favorecer o presidente candidato em tudo o que fizesse ou dissesse.
Como Zanin, Mendonça também é discreto, cuidadoso, não entra em bolas políticas divididas e conquistou o respeito de seus pares e da PF. Há dúvidas se vai ou não enviar o inquérito para a primeira instância, mas não se ele tentará ser impecável. É sua biografia que está em jogo.
A expectativa, pois, é que o inquérito entre nos eixos. E o Supremo?
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 14/02/2026 | 21h36 Por Eliane Cantanhêde
Se as oligarquias patrimonialistas conluiadas no Aparato Petista conseguirem submeter a PF aos interesses escusos, já era.
Embora creia que uma venezuelização do Brasil, dado sua importância geopolítica, não seja possível.
Mas que desejam um Estado Cleptocratico Policial, está muito claro.
Com o sigilo imposto ao escândalo do Master, Toffoli levou a crise para dentro do STF
No dia 2 de dezembro, o ministro Dias Toffoli impôs o grau máximo de sigilo às investigações sobre o escândalo do Banco Master. E centralizou em seu gabinete o curso das investigações.
Má ideia, coisa de poderosos de Brasília.
Esqueceu-se de combinar com a PF e em menos de um mês o ministro virou um braço das tramas do banqueiro Daniel Vorcaro e de sua rede de intere$$e$.
E seus pares tiraram-no da relatoria do caso.
Sabe-se lá o que Toffoli achava, mas o sigilo virou um veneno. Ele levou a crise para dentro do tribunal, logo nos dias em que seu presidente defende a adoção de um código de conduta.
O sigilo tornou-se um panelão de acusações. É sabido que o recurso ao sigilo (leia-se censura) transforma-se numa usina de boatos.
O sigilo transformou a reputação de Toffoli num terreno baldio, no qual atiram-se quaisquer coisas.
Seu estilo foi o de dobrar as apostas, até que ficou sem cartas.
Fonte: O Globo, Opinião, 15/02/2026 03h30 Por Elio Gaspari
Os ministros do STF vão anular a investigação sobre Toffoli feita pela PF?
Do advogado e professor Davi Tangerino, sobre a reunião dos dez ministros do STF que selou a saída de Dias Toffoli da relatoria do Caso Master:
— As críticas à PF feitas pelos ministros dão a chave: VÃO ANULAR A INVESTIGAÇÃO SOBRE DIAS TOFFOLI.
O Globo, Opinião, 14/02/2026 10h22 Por Lauro Jardim
A situação de Dias Toffoli no STF continua insustentável
E ele poderá ser o primeiro-ministro do Supremo a ser impichado pelo Senado.
Porque Toffoli chamou a si e colocou o máximo de sigilo em todo o processo do Master? Porque queria esconder suas relações com Vorcaro.
Os trechos publicados pelo site Poder 360 revelando parte das discussões havidas na reunião supostamente secreta dos 10 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que resultou na saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master revelam um espírito de corpo que não condiz com o papel institucional que o órgão representa.
Afirmar como ponto de vista da instituição que Toffoli não tinha por que declarar-se impedido, mesmo diante do relatório da Polícia Federal que mostrou no mínimo um conflito de interesses na relação do ministro com o réu, é superar em muito a interpretação da lei.
A traição implícita na gravação da reunião já mostra que o Supremo passa por uma crise interna grave, e não é com posições extremadas (…) que vai ser resolvida.
Ministros alegam que os elogios e a lealdade dedicadas a Toffoli foi uma maneira de induzi-lo a aceitar se afastar do caso (…).
E a situação dele agora continua insustentável, não sei se pode continuar como ministro do Supremo, inclusive porque a suspeita de que ele tenha gravado a reunião é quase uma certeza dentre seus colegas. A saída mais quase honrosa para ele seria se aposentar.
Ao que parece, porém, o sentimento dos ministros não é de que o STF precisa se salvar desta crise. Ao contrário, eles continuam achando que são inocentes em tudo, que são corretíssimos e todos se declararam amigos de Toffoli. Corporativismo não combina com a institucionalidade.
A crise é seríssima e atinge uma instituição importantíssima para o país. A prioridade não pode ser agradar o ministro. Parece que a decisão de tirá-lo da relatoria foi mais para abafar o caso do que para aprofundar a investigação.
Mas a PF vai continuar investigando e Facchin não vai impedir, como gostariam alguns dos seus.
Muito mais coisa vai acontecer e este sentimento corporativo do STF não é um bom sinal.
Se continuar nesse tom, é possível que Dias Toffoli venha a ser o primeiro ministro do Supremo a ser impedido pelo Senado.
Fonte: O Globo, Opinião, 15/02/2026 04h30 Por Merval Pereira