
Mendonça convoca a PF para nova reunião
Valdo Cruz
Fernanda Vivas
G1
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou nova reunião com a Polícia Federal nesta segunda-feira (23). O magistrado é o relator das apurações envolvendo supostas irregularidades do banco Master. O encontro deve servir para uma espécie de balanço das investigações e para tratar dos novos passos.
Mendonça foi sorteado para conduzir o caso no dia 12, após a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria. Em uma das primeiras medidas como relator, Mendonça fez uma reunião com investigadores no dia 13 para obter um panorama geral da investigação.
“FLUXO ORDINÁRIO” – Na última quinta-feira (19), o magistrado determinou a retomada do “fluxo ordinário” de ações de perícia e tomada de depoimentos nas apurações. Na prática, ele alterou a determinação anterior do ministro Toffoli, que chegou a indicar quais peritos da PF deveriam se debruçar sobre o material.
De acordo com o Instituto Nacional de Criminalística, a perícia do caso Master envolve cerca de 100 dispositivos eletrônicos, estimando-se que um único perito consumiria aproximadamente 20 semanas de dedicação exclusiva para a realização da extração dos dados.
A Polícia Federal havia pedido que essa análise seguisse uma distribuição regular das demandas entre peritos habilitados, conforme critérios técnicos e administrativos, como ocorre em outras investigações. Na última sexta-feira (20), Mendonça autorizou que a CPI do INSS tenha acesso às informações da quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, a segunda reunião entre o relator e a Polícia Federal deve ser de acompanhamento do trabalho dos investigadores e análise dos desdobramentos do caso.
https://aflcio.org/press/releases/declaracao-da-lideranca-da-afl-cio-sobre-o-encontro-com-lula
Melhor levar à Rubinho!
Mendonça apoiou a abertura do interminável inquérito das fake news
Mendonça tem um pecado original:o de ter apoiado a abertura do inquérito das fake news, em 2019, quando era advogado-geral da União.
Mendonça Fez ali o jogo do então presidente Bolsonaro, que vivia naquele momento um caso de amor com Toffoli, à época presidente do STF.
O sono da razão produziu, mais uma vez, um monstro, e é com este monstro que Mendonça tem agora de se haver:
– A hidra da onipotência, da arrogância, do autoritarismo, do arbítrio, de quem utiliza a mais alta corte do país como instrumento para a realização de ambições nada republicanas.
O ministro tem a relatoria de outro inquérito rumoroso, o que investiga as fraudes no INSS, que envolvem igualmente o banco de Daniel Vorcaro.
Na reunião fechada do STF cujos diálogos foram vazados, Mendonça se mostrou alinhado com o corporativismo do tribunal e contra a as ações da PF no caso Master. Mas, aparentemente, estaria mudando de posição.
Ampliou, por exemplo, o poder da PF no inquérito sobre as lambanças criminosas perpetradas por Vorcaro et caterva, anulando as restrições impostas por Toffoli, o suspeito que não é suspeito, em jabuticaba adicional produzida por nosso pomar inesgotável.
A PF poderá ter mais peritos examinando o material probatório recolhidos pela corporação, inclusive os celulares de Vorcaro e dos cúmplices do banqueiro, e liberdade para fazer o seu trabalho investigatório.
Não é liberdade completa, visto que a PF terá de pedir autorização de Mendonça para abrir outras frentes de investigação, mas ela está muito longe de ser a amarra imposta por Toffoli.
Notícia suplementar alvissareira, o ministro teria dito a interlocutores que o caso Master é definidor de como ele será considerado pela posteridade, e é salutar que alguém no Brasil ainda se preocupe com o que pensam os pósteros.
Ao fim e ao cabo, o país assiste à hora e à vez do ministro, todos de fôlego suspenso por razões certas ou erradas.
Fonte: Metrópoles, Opinião, 20/02/2026 11:10 Por Mario Sabino
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Observem o que estamos vivendo agora no Brasil, pois se trata de uma aula prática, um estudo de caso em tempo real: juízes federais estão ameaçando cruzar os braços porque não podem mais acumular vencimentos acima de R$ 46 MIL (quarenta e seis mil) por mês. São esses mesmos juízes que, em diversas ocasiões, negam legitimidade a paralisações de professores e trabalhadores do transporte em busca de reajustes básicos .