Mendonça autorizou quebra de sigilo de Lulinha antes de decisão da CPI do INSS

Miinistro autorizou em janeiro a quebra de sigilo de Lulinha

Mariana Muniz
O Globo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou em janeiro a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após um pedido da Polícia Federal.

A quebra já havia sido autorizada antes que a CPMI do INSS tomasse a mesma decisão. A informação sobre a autorização dada por Mendonça foi publicada pelo site Poder 360 e confirmada pelo O Globo.

PACOTE DE REQUERIMENTOS – A CPI do INSS aprovou, nesta quinta-feira, um pacote de requerimentos que inclui a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Além deles, passaram pedidos de novas convocações e solicitações de informações a órgãos públicos e empresas investigadas. Ao todo, mais de 80 requerimentos foram colocados em votação e, por decisão do colegiado, apreciados de uma só vez em bloco.

CONFUSÃO – Após a aprovação, contudo, iniciou-se uma confusão no colegiado, com protesto de parlamentares governistas pela forma como a votação ocorreu, de forma simbólica — em que os votos de cada um não são computados individualmente. A sessão foi interrompida em seguida.

O presidente da CPI, Carlos Viana (PSD-MG), declarou que quem era contra o pacote de requerimentos teria que se levantar. Ele, então, contou sete parlamentares de um quórum de 31. E anunciou a aprovação dos itens da pauta, que incluía a quebra do sigilo de Fábio Luís, de uma empresária amiga dele, de uma ex-publicitária do PT e do ex-sócio do Banco Master.

10 thoughts on “Mendonça autorizou quebra de sigilo de Lulinha antes de decisão da CPI do INSS

  1. Se o cara é inocente, porque entraram em desespero?

    Apesar de virem assaltando o povo desde o Mensalão, parecem amadores.

    Ou talvez, acharam que sua proteção estava garantida!

  2. Mendonça: De terrivelmente evangélico a terrivelmente corporativista

    André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” ministro do STF nomeado pelo ex-mito, é também “terrivelmente corporativista” ao decidir dispensar os irmãos de Toffoli de depor na CPI do Crime Organizado.

    Outra coisa não se esperava dele depois do que disse na sessão secreta do tribunal que terminou com o afastamento forçado de Toffoli da relatoria do processo sobre o Caso Master. Mendonça disse:

    “Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli [com o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro]. Isso não existe. Está aqui claro que não existe relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa. Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado.”

    Disse também:

    “E a questão de eventos [dos quais Toffoli participou], se for considerada, todos nós somos suspeitos de tudo. […] Pode acontecer com qualquer um de nós [a investida da Polícia Federal]. Quero saber se vão dar esse tratamento para mim.”

    A sessão era para ser secreta, mas foi gravada. Até agora não se sabe por quem. Somente dois dos 10 ministros se negaram a defender Toffoli: Edson Fachin e Cármen Lúcia. Luiz Fux, que no ano passado votou para absolver o ex-mito dos seus crimes, foi o autor da fala mais curta:

    “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo.”

    Mendonça sucedeu a Toffoli na relatoria do processo sobre o Caso Master. E para ser coerente com a posição tomada antes de defendê-lo, estendeu sua proteção aos dois irmãos do colega convocados para depor na CPI do Crime Organizado.

    Ao fazê-lo, Mendonça mandou às favas a independência dos Poderes da República.

    De acordo com a Constituição, a Câmara e o Senado, ou ambos em conjunto, podem investigar fato determinado por força da sua função fiscalizadora. Possuem, portanto, poder de polícia. Convocados para depor numa CPI são obrigados a comparecer (…).

    Pelo visto, para Mendonça, isso só não seria suficiente. Então os irmãos de Toffoli foram dispensados de depor.

    A prevalecer tal entendimento, a independência do Congresso irá para o lixo e não haverá mais razão para que se instale uma CPI. De resto, a Constituição terá que ser reescrita.

    Mendonça deveria esclarecer o alcance de sua decisão. Ela só se aplicará a casos que envolvam ou possam envolver parentes de ministros de tribunais superiores? Ou valerá para todo mundo?

    Metrópoles. Opinião, 27/02/2026 05:30 Por Ricardo Noblat

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