Argumentos de Gilmar para blindar Toffoli colocam o STF no lixão da História

Gilmar Mendes defende políticos e critica aplausos a seus algozes | VEJA

Gilmar deu uma ajuda a Toffoli que está muito deprimido

Mariana Muniz e Pepita Ortega
O Globo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta sexta-feira a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli.

A quebra fora determinada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, do Senado, e aprovada na quarta-feira. Os parlamentares deram aval para quebra de sigilo no período de janeiro de 2022 a fevereiro de 2026.

“ARGUMENTAÇÃO” – O decano do STF considerou que a CPI aprovou as quebras de sigilo da empresa de Toffoli “em manifesto e incontornável descumprimento dos limites” do objeto da apuração parlamentar. Segundo Gilmar, a justificativa para a “providência invasiva” é “destituída de idoneidade por completa e absoluta ausência de fundamentação válida”.

O ministro considerou que a CPI incorreu em desvio de finalidade. “O requerimento (de quebra de sigilo) apresenta narrativa e justificação falhas, imprecisas e equivocadas. Há, na espécie, um verdadeiro salto lógico e jurídico: sob o pretexto de combater o crime organizado, a Comissão decreta a quebra de sigilos e a produção de relatórios sem a indicação de um único elemento concreto que vincule a ora requerente aos fatos narrados no requerimento de criação”, pontuou.

ILEGALIDADE? – Gilmar anulou, então, a quebra de sigilo determinada pela CPI ao considerar que houve evidente a “flagrante inconstitucionalidade e ilegalidade” da decisão da Comissão de quebrar o sigilo da Maridt.

A decisão do decano atendeu a um pedido feito pela empresa da família de Toffoli no bojo de um processo que restringiu a quebra de sigilo determinada pela CPI da Covid contra a produtora Brasil Paralelo.

No despacho, Gilmar ressaltou como o caso da Maridt “corrobora preocupação” que ele externou no caso da CPI da Covid, sobre os limites para as diligências determinadas pelos parlamentares.

VIOLAÇÃO DE DIREITOS – Segundo o ministro, a defesa mostrou como o requerimento da CPI do Crime Organizado pode levar a uma “verdadeira devassa”. Assim, segundo ele a anulação visa “evitar a violação de direitos fundamentais”.

“Não se vislumbra, em suas razões, a exposição de qualquer fundamentação concreta ou o apontamento de suporte probatório mínimo que autorize a deflagração de tamanha ingerência na esfera privada dos investigados. O ato impugnado limita-se a conjecturas e fundamentação genéricas e ilações abstratas”, registrou.

A ordem é para que quaisquer órgãos e empresas destinatárias da ordem de quebra de sigilo se abstenham imediatamente de encaminhar informações da Maridt para a CPI. Gilmar anotou ainda que quaisquer dados que já tenham sido encaminhados devem ser imediatamente destruídos, sob pena de responsabilização penal e administrativa.

FAMÍLIA BLINDADA – O ministro frisou que o habeas corpus concedido à Maridt alcança não só a empresa da família de Toffoli, mas seus sócios – ou seja, o próprio ministro do STF – e seus irmãos. Gilmar chegou a citar a decisão do ministro André Mendonça que tornou facultativa a participação de Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli na CPI do Crime Organizado.

No início deste mês, Toffoli admitiu em nota que é sócio da Maridt, que vendeu uma participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, para um fundo do cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Toffoli disse que declarou à Receita Federal os valores recebidos na negociação e afirmou que nunca “recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

FORA DA RELATORIA – A empresa de Toffoli integrou a administração do resort até fevereiro de 2025. O ministro foi relator, na Corte, da investigação envolvendo o banco.

Ele pediu para deixar o caso após a Polícia Federal entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, o material encontrado no celular de Vorcaro, em que há menções a Toffoli. O ministro André Mendonça foi sorteado e assumiu a relatoria do processo.

O pedido foi aprovado em meio a uma série de requerimentos deliberados pela comissão. A CPI foi criada oficialmente para apurar a “atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no território brasileiro, em especial de facções e milícias”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A iniciativa de Gilmar Mendes é o último prego para a tampa do caixão do Supremo, que será sepultado no Lixão da História. Foi uma ação entre amigos, que estupra as regras do Direito, mas não soluciona o problema de Toffoli, apenas atrasa a investigação sobre ele. O abominável Gilmar Mendes inventou esse habeas corpus num processo arquivado, e usurpou os poderes do juiz natural, que é André Mendonça, que já havia despachado no caso Master/Maridt, e depois arquivou de novo o processo. Isso mostra que a sujeirada que envolve o Supremo não tem limites. É a lama, é lama, é lama, como diria Tom Jobim.. (C.N.)

5 thoughts on “Argumentos de Gilmar para blindar Toffoli colocam o STF no lixão da História

  1. Mendonça: De terrivelmente evangélico a terrivelmente corporativista

    André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” ministro do STF nomeado pelo ex-mito, é também “terrivelmente corporativista” ao decidir dispensar os irmãos de Toffoli de depor na CPI do Crime Organizado.

    Outra coisa não se esperava dele depois do que disse na sessão secreta do tribunal que terminou com o afastamento forçado de Toffoli da relatoria do processo sobre o Caso Master. Mendonça disse:

    “Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli [com o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro]. Isso não existe.

    Está aqui claro que não existe relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa. Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado.”

    Disse também:

    “E a questão de eventos [dos quais Toffoli participou], se for considerada, todos nós somos suspeitos de tudo. […] Pode acontecer com qualquer um de nós [a investida da Polícia Federal]. Quero saber se vão dar esse tratamento para mim.”

    A sessão era para ser secreta, mas foi gravada. Até agora não se sabe por quem. Somente dois dos 10 ministros se negaram a defender Toffoli:

    – Edson Fachin e Cármen Lúcia. Luiz Fux, que no ano passado votou para absolver o ex-mito dos seus crimes, foi o autor da fala mais curta:

    “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo.”

    Mendonça sucedeu a Toffoli na relatoria do processo sobre o Caso Master.

    E para ser coerente com a posição tomada antes de defendê-lo, estendeu sua proteção aos dois irmãos do colega convocados para depor na CPI do Crime Organizado.

    Ao fazê-lo, Mendonça mandou às favas a independência dos Poderes da República.

    De acordo com a Constituição, a Câmara e o Senado, ou ambos em conjunto, podem investigar fato determinado por força da sua função fiscalizadora.

    Possuem, portanto, poder de polícia. Convocados para depor numa CPI são obrigados a comparecer (…).

    Pelo visto, para Mendonça, isso só não seria suficiente. Então os irmãos de Toffoli foram dispensados de depor.

    A prevalecer tal entendimento, a independência do Congresso irá para o lixo e não haverá mais razão para que se instale uma CPI. De resto, a Constituição terá que ser reescrita.

    Mendonça deveria esclarecer o alcance de sua decisão.

    Ela só se aplicará a casos que envolvam ou possam envolver parentes de ministros de tribunais superiores? Ou valerá para todo mundo?

    Metrópoles. Opinião, 27/02/2026 05:30 Por Ricardo Noblat

  2. Cá, pra nós, o trem começou feio este ano pras oligarquais cleptopatrimonialistas conluiadas no Aparato Petista:

    – morte do sanguinário, bárbaro medieval,, misógino, homofóbico, o maior verme da atualidade, Khamenei,

    – prisão do narcotraficante torturador Maduro,

    – ministros do Supremo e figuras eminentes do Aparato atolados no escândlo do Master,

    – as capitanias hereditárias lulistas, com filho e irmão atolados até o pescoço no assalto dos aposentados,

    – empate do jacu de gaiola, Lula, com o picolé de chuchu, Flãvio,

    – imprensa deixando de passar pano pra vagabundagem,

    – a Sociedade começando a perceber as falcatruas, engalobações, corrupções e extorsão.

    E, ao que parece, o trem ainda nem bem começou.

    https://www.instagram.com/reel/DVR2vsTj8dF/

    Será que o engalobador-mor Lula, vai sair, de novo, impune de mais estes escândalos?

  3. O que estamos assistindo, não se trata de ação entre amigos ou mero corporativismo, é o abraço dos afogados.

    Não creio que a Sociedade irá aceitar mais um assassinato de uma operação, como fizera à época da Lava Jato.

  4. Gilmar levou menos de 14 horas para ‘ressuscitar’ ação e blindar família de Toffoli de CPI

    Ao anular a determinação da CPI do Crime Organizado de quebrar os sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa da família de Toffoli, Gilmar não apenas ressuscitou uma ação que ele mesmo havia mandado arquivar há três anos – mas também decidiu a jato, menos de 14 horas após a Maridt acionar o STF.

    O cronograma do caso chama a atenção.

    O pedido de blindagem da Maridt foi apresentado formalmente ao Supremo à 0h58 da sexta-feira (27), dentro de uma ação da qual a empresa não faz parte, mas que já estava sob a relatoria de Gilmar.

    A decisão do ministro, que atendeu aos interesses do clã Toffoli, foi divulgada às 14h41. Ou seja, em um intervalo inferior a 14 horas, a ação foi desengavetada e o pedido da Maridt, acolhido por Gilmar.

    (…)

    Fonte: O Globo, Política, Opinião, Brasília 28/02/2026 00h58 Por Rafael Moraes Moura/Malu Gaspar

    https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/02/gilmar-levou-menos-de-14-horas-para-ressuscitar-acao-e-blindar-familia-de-toffoli-de-cpi.ghtml

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