Escândalo do Master desmoraliza STF e põe em xeque a liderança de Fachin

A reação de Fachin, a ironia do General e outras frases da semana | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Carolina Brígido
Estadão

O Supremo Tribunal Federal (STF) bem que tentou se distanciar do escândalo do Banco Master, mas foi arrastado de novo para os holofotes. A revelação de que Alexandre de Moraes trocou mensagens com Daniel Vorcaro no dia que o banqueiro foi preso pela primeira vez mostra que não há liderança capaz de segurar as rédeas de ministros e devolver credibilidade ao tribunal.

Antes, o Supremo era motivo de críticas pela conduta de Dias Toffoli, que conduzia as investigações e, ao mesmo tempo, tinha no histórico de sua empresa uma milionária movimentação financeira com fundo ligado a Vorcaro. A solução encontrada nos bastidores foi afastar o ministro da relatoria. Agora, a gravidade da situação não mostra uma porta de saída para a crise.

SEM SAÍDA – O presidente do STF, Edson Fachin, terá dificuldade para tirar o tribunal da crise de credibilidade que enfrenta. E Moraes está absolutamente enfraquecido. Não é relator do caso e sequer participará dos julgamentos sobre a fraude financeira, porque integra a Primeira Turma e o processo tramita no colegiado vizinho.

Ainda assim, a falta de reação do ministro diante de provas da relação próxima que mantinha com Vorcaro contamina o Supremo como um todo.

Os diálogos vazados, somados ao contrato milionário da esposa de Moraes com o Banco Master, dificultam ainda mais o trabalho de Edson Fachin. Para tentar limpar a imagem do tribunal, o presidente da Corte defendeu o afastamento de Toffoli da relatoria das investigações. A solução para tentar tirar o Supremo do novo capítulo de escândalos exige mais engenhosidade.

TENTAR EXPLICAÇÕES – E não é por falta de habilidade política de Fachin. De fato, que outro ministro do Supremo, se estivesse na presidência, conseguiria convencer Moraes a fornecer explicações plausíveis para o envolvimento dele com os negócios de Vorcaro?

A bandeira do código de conduta hasteada por Fachin ficou pequena. Se houvesse um código em vigor agora, ele provavelmente não teria sido capaz de impedir a ligação de Toffoli e Moraes com o Banco Master — o que aprofundaria a crise de credibilidade do tribunal.

Hoje, fica claro que o alto sigilo imposto por Toffoli às investigações protegeram Moraes.

VAZAMENTOS – Quando André Mendonça assumiu a relatoria, franqueou acesso ao material sigiloso a um número maior de pessoas. A decisão forneceu mais elementos para os investigadores avançarem nas descobertas. Por outro lado, aumentou a chance de vazamento de informações sensíveis.

Mendonça não parece disposto a retroceder — nem em relação ao sigilo, nem ao estilo de conduzir as investigações. Ele tem dito a pessoas próximas que não vai aliviar para ninguém, e isso inclui autoridades.

Pessoas com acesso às investigações atestam que há menções nos autos a pessoas com direito ao foro especial no Supremo. As suspeitas recaem, portanto, sobre integrantes do governo, do Congresso Nacional e do Judiciário.

IMPEACHMENT– E como isso termina? Com tantas autoridades envolvidas no caso Master, é pouco provável que haja disposição política para o Congresso Nacional abrir processos de impeachment contra Moraes e Toffoli.

A dupla, aliás, não está isolada no Supremo, longe disso. Flávio Dino e Gilmar Mendes são relatores de processos sobre cortes de penduricalhos que atingem os Três Poderes. Dino é relator de um processo sobre desvios de emendas parlamentares. A munição para o fogo cruzado está posta.

Pode até ser que, concretamente, não haja consequência alguma para a conduta dos ministros. O mais provável é que Fachin continue quebrando a cabeça para gerir um tribunal desgovernado, que padece dos impactos institucionais causados pelas escolhas individuais de seus ministros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA única saída para Moraes e Toffoli é a aposentadoria, único jeito de evitar o impeachment. Quanto aos processos que deverão movidos contra eles, isso é outro departamento, porque o corporativismo é uma chaga que desgraçadamente contamina todos os ministros do STF, a meu ver. De qualquer forma, comprem pipocas. (C.N.)

8 thoughts on “Escândalo do Master desmoraliza STF e põe em xeque a liderança de Fachin

  1. Nota nebulosa

    Explicações de esposa de Moraes não convencem advocacia, é hora de o ministro falar

    Durante muito tempo, Moraes se escorou na justificativa de que todo ataque a ele era um ataque ao STF. Neste episódio, esse ingrediente não está presente

    Avesso a críticas, Moraes vem buscando se desvencilhar das suspeitas de relações indevidas com Vorkaro – até agora sem sucesso.

    A mais nova tentativa é a nota de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, que confirmou o contrato milionário com o Banco Master e deu alguns detalhes dos serviços prestados.

    A coluna consultou cinco dos advogados mais renomados do País para que eles observassem as explicações prestadas e comparassem com a sua vivência. Todos foram unânimes em afirmar, sob reserva, que as condições do contrato, não fazem muito sentido. E que nunca viram algo assim.

    A hora trabalhada em um escritório de ponta varia entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Na nota explicativa, a esposa do ministro diz ter feito 94 reuniões de trabalho: 79 reuniões de três horas, 14 reuniões de duas horas. Calculando pela hora mais cara, chegamos a R$ 1,325 milhão.

    Os pareceres são mais complicados de calcular. É possível avaliar pela hora trabalhada, mas não há detalhamento, ou pelo valor unitário. Um parecer técnico custa cerca de R$ 50 mil. Se são 36 pareceres, nos levaria a R$ 1,8 milhão. Porém, há pareceres caríssimos.

    De toda maneira, para chegar em R$ 36 milhões, é um caminho e tanto.

    Outra dúvida também entre os advogados é qual era o escopo total do trabalho para chegar a um contrato num valor de R$ 129 milhões ao longo de três anos. Geralmente, contratos longos e caros envolvem objetivos finais, como, por exemplo, um IPO (Oferta Inicial Pública de Ações).

    O problema maior é que não é só a nota sobre o contrato que deixa dúvidas.

    Moraes também negou que o telefone que conversava com o banqueiro no dia de sua prisão seja dele, embora o Globo garanta que tenha checado o número. Saiu-se com uma justificativa complicada sobre relação entre contatos e caixas, refutadas por peritos criminais em todos os jornais.

    No Supremo Tribunal Federal, o clima é de preocupação de que um dos ministros mais importantes da Corte, símbolo da defesa da democracia no 8 de Janeiro, tenha se envolvido com as pessoas erradas.

    Durante muito tempo, Moraes se escorou na justificativa de que todo ataque a ele era um ataque ao Supremo. E muitas vezes sua figura foi utilizada pela direita como luta política. Neste episódio, esse ingrediente não está presente.

    Cresce a percepção de que ele precisa se acostumar com as cobranças e vir a público se explicar sem rodeios. Ou preservar o Supremo.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 09/03/2026 | 13h26 Por Raquel Landim

  2. “Delegado da PF ligado à Lava Jato ocupa cargo central no gabinete de André Mendonça no STF

    Thiago Marcantonio Ferreira passou por chefias na Polícia Federal, dirigiu a Inteligência da Seopi no governo Bolsonaro e hoje ocupa cargo CJ-3, o nível mais alto da assessoria de ministro, no gabinete de André Mendonça

    Por: Diego Feijó de Abreu

    Thiago Marcantonio Ferreira, delegado da Polícia Federal (PF) que, segundo fonte da corporação ouvida pela Fórum, é identificado internamente como um quadro do campo lavajatista, ocupa desde outubro de 2025 um cargo central no gabinete de André Mendonça, que assumiu a relatoria do Caso Master no lugar de Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal. Conforme consta na Portaria nº 220, de 24 de outubro de 2025, ele foi nomeado para o cargo em comissão de assessor de ministro, nível CJ-3, no gabinete de Mendonça.

    O nome chama atenção porque a trajetória de Marcantonio cruza áreas sensíveis da Polícia Federal, do Ministério da Justiça e, agora, do Supremo. Os registros oficiais mostram que ele já ocupava funções de chefia na PF em 2019, apareceu em 2020 nas agendas de autoridades do Ministério da Justiça e, no mesmo ano, foi nomeado por André Mendonça para a Diretoria de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas, a Seopi, conforme a Portaria nº 439, publicada no Diário Oficial de 5 de agosto de 2020….”

    https://revistaforum.com.br/revista-forum/delegado-da-pf-ligado-a-lava-jato-ocupa-cargo-central-no-gabinete-de-mendonca-no-stf/

  3. Vorcaro cita conversas com “donos de jornais e tv” e pessoa “municiando” a guerra midiática com Esteves

    Guerra midiática com o “senhor dos Exércitos”, como trata André Esteves, do BTG Pactual, é narrada por Daniel Vorcaro em trocas de mensagens e revela o cenário onde a sanha neoliberal da Faria Lima se encontra com os interesses dos donos da mídia corporativa.

    Por: Plinio Teodoro

    Aguerra midiática com o “senhor dos Exércitos” André Esteves, dono do BTG Pactual, é narrada de forma detalhada por Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, à namorada Martha Graeff e revelam uma paisagem obscura e pouco narrada do fio que liga a sanha neoliberal da Faria Lima aos interesses econômicos dos clãs que dominam os grandes grupos de comunicação no país.

    Nas trocas de mensagens, que a Fórum teve acesso, Vorcaro narra contato com jornalistas, conversas com diretores de jornais e donos de “jornais e TV” ao confrontar a “guerra” de narrativas de André Esteves, tratado por ele como “senhor dos Exércitos”, por liderar as tropas dos grandes bancos.

    13 de julho de 2024

    Nas mensagens, Vorcaro cita a guerra midiática contra Esteves pela primeira vez em 13 de julho de 2024, quando Vorcaro reclama de distorção da posição dele pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

    Na reportagem, a jornalista cita a destituição de 2 gerentes da Caixa Econômica Federal (CEF) “que se opuseram à compra de um lote de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master, consideradas arriscadas demais para os padrões do banco”, usando como fonte “um parecer sigiloso de 19 páginas obtido pela equipe da coluna”.

    https://revistaforum.com.br/politica/vorcaro-cita-conversas-com-donos-de-jornais-e-tv-e-pessoa-municiando-na-guerra-midiatica-com-esteves/

  4. Vorcaro deu boquinha de R$1 milhão mensais para Mantega a pedido do governo Lula

    Ex-ministro da Fazenda foi contratado após pedido do líder do governo Lula no Senado..””

    Jaques Wagner pediu emprego no Master para Guido Mantega…””

    Mantega chegou ao banco após mercado rejeitar indicação dele para a Vale. Tarefa era azeitar a venda para o BRB e salário era de R$ 1 milhão..

    E pensar que o azeite era usado excluivamente para a culinária e que no desgoverno do Narcola teve aumentos de mais de 300%….

    eh!eh1eh

  5. Carlos Newton

    Quem acompanha a “Tribuna da Internet” há mais tempo sabe que seu editor-chefe jamais demostrou a menor simpatia por Jair Bolsonaro, seja como militar, parlamentar ou governante.

  6. Os jacuzinhos petralhas, defensores de ladrões e narcotraficantes, começaram a grasnar: “o Xandão do PCC é gente nossa” … “fora Mendonça”.

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