Após ser obrigado a sair do caso Master, Toffoli assume papel-chave no TSE

Toffoli mais uma vez estará sob os holofotes no TSE

Rafael Moraes Moura
O Globo

Depois de deixar a relatoria do caso Master em meio à revelação das conexões pessoais de sua família com o executivo Daniel Vorcaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli vai atuar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as próximas eleições presidenciais – quando mais uma vez vai estar sob os holofotes num pleito em que o escândalo do banco deve ocupar o centro do debate político.

Durante o período de campanha eleitoral, que começa em 16 agosto, os ministros do TSE costumam decidir sobre pedidos de coligações e candidatos para retirar do ar peças publicitárias de adversários ou cobrar direito de resposta, o que pode obrigar Toffoli a enfrentar novamente as investigações do Master, mas sob o ponto de vista da propaganda política.

VAGA DE TITULAR – Toffoli vai assumir a vaga de ministro titular do TSE com a saída da atual presidente, Cármen Lúcia, conforme o esquema de rodízio de vagas da Corte Eleitoral, formada por três representantes do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e outros dois juristas escolhidos pelo presidente da República.

Tal troca pode ser um motivo de alívio para os políticos encrencados. Na avaliação de especialistas em direito eleitoral, Toffoli tem um perfil mais “político” e “menos intervencionista” do que Cármen, sendo muito comedido em relação às competências do Legislativo e do Executivo, o que indicaria uma menor predisposição em cassar mandatos ou invadir o que seriam atribuições de outros poderes.

A saída de Cármen e a chegada de Toffoli também deve impactar a correlação de forças do tribunal, que será presidido durante as eleições por Kassio Nunes Marques, com André Mendonça, o atual relator do caso Master, na vice-presidência. Kassio e Mendonça foram os únicos ministros do STF indicados pelo então presidente Jair Bolsonaro ao cargo. O atual corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, é ligado aos dois.

ÓRBITA PETISTA – Por outro lado, os ministros da classe de juristas, Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques são mais próximos da órbita petista e dos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, respectivamente. “Toffoli não tem um perfil padrão. Não se pode dizer que é durão nem liberal”, disse um ex-ministro do TSE ouvido em caráter reservado. “Da composição do Supremo, será o único a já ter no currículo o exercício da Presidência do TSE, numa eleição complexa como a de 2014.”

Na avaliação de um interlocutor de Toffoli, o contexto político atual é muito diferente do de 2014. “O Toffoli que foi no passado não me parece se aplicar hoje. Podemos esperar qualquer coisa, ou seja: é imprevisível”, afirmou.

Toffoli deixou a relatoria do caso Master após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, um documento de 200 páginas listando indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli que poderiam levar à sua suspeição – como por exemplo o pagamento de R$ 35 milhões do banco de Vorcaro por uma fatia do resort Tayaya, do qual o ministro admitiu ser sócio. O relatório levou Toffoli a renunciar à relatoria do caso Master, após uma reunião secreta em que os outros ministros o pressionaram a sair.

CALENDÁRIOCármen vai deixar a presidência em junho deste ano, quando termina o período de dois anos de sua gestão – tempo máximo de duração para cada administração, conforme previsto no regimento interno do TSE. Mas em tese a ministra pode permanecer na Corte Eleitoral até o fim de agosto, quando termina o seu segundo biênio. Isso porque cada ministro do Supremo que atua no TSE pode ficar até quatro anos no tribunal.

“Esse assunto é o que mais se debate nos corredores. A aposta é a de que Cármen não ficará até agosto, até porque no mês de julho não tem sessão de julgamento”, disse um integrante do TSE ouvido em caráter reservado.

PRESIDÊNCIA DO TSE –  Indicado ao cargo pelo presidente Lula em seu segundo mandato, Toffoli já presidiu o TSE entre maio de 2014 e maio de 2016, período que incluiu as turbulentas eleições presidenciais de 2014, vencidas por Dilma Rousseff por uma diferença de apenas 3,5 milhões de votos sobre Aécio Neves (PSDB).

Na época,o TSE negou um pedido do PSDB de formar uma comissão para fazer auditoria sobre aquele pleito, mas autorizou que os tucanos tivessem os dados solicitados, como acesso a programas utilizados nas urnas eletrônicas e os boletins de urnas emitidos após as eleições.

“A pretensão do partido político, tratada com certo estardalhaço, não constitui em solicitação que não tenha sido previamente garantida por esse tribunal com grande antecedência em relação à data das eleições. Muito embora o partido não tenha se manifestado em momento exato, esta Corte não se omite em fornecer os dados”, afirmou Toffoli na ocasião. A ofensiva do PSDB de lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral acabou servindo de munição para Jair Bolsonaro tentar colocar em xeque a credibilidade das urnas eletrônicas.

10 thoughts on “Após ser obrigado a sair do caso Master, Toffoli assume papel-chave no TSE

  1. Barba articula nos bastidores licença de Toffoli e eventual renúncia dele do STF

    Barba vem trabalhando para tentar convencer Toffoli a se licenciar do STF sob o pretexto de evitar o surgimento de novas denúncias contra ele.

    De acordo com interlocutores do presidente ouvidos pela reportagem, Barba tem pedido a pessoas próximas de Toffoli que o convençam a se afastar alegando motivos de saúde e, no médio prazo, a deixar o Tribunal em definitivo.

    O presidente tem dito a pessoas próximas ter sido informado de que o que já se tornou público até agora a respeito da relação de Toffoli com o grupo de Vorcaro, dono do Banco Master, seria apenas um aperitivo do que ainda pode vir à tona.

    Ao justificar sua intenção de fazer Toffoli se afastar, Barba tem dito que a PF já sabe de vários outros episódios que podem complicar a vida do ministro e, por tabela, arrastar o STF de volta para o epicentro da crise.

    (…)

    Fonte: O Globo, Opinião, 18/03/2026 04h01 Por Malu Gaspar

    • Barba vai sacrificar Toffoli para salvar Moraes? Ou para tentar se livrar da crise?

      De olho no impacto da crise do STF para a sua campanha à reeleição, Barba estaria tentando convencer Toffoli, indicado por ele ao Supremo, a se licenciar do cargo.

      O afastamento ocorreria por alegado motivo de saúde e culminaria em um pedido de renúncia no médio prazo.

      O afastamento de Toffoli é visto pelo Palácio do Planalto como uma forma de aliviar a pressão sobre a Corte e ajudar o petista a blindar Moraes, a quem Barba teria gratidão.

      Barba não planeja se distanciar de Moraes por dois motivos: o primeiro é a condução da ação penal do golpe, que resultou na prisão do ex-mito e integrantes da cúpula do governo anterior.

      O segundo é a associação criada entre o governo Barba e o ministro do STF.

      Para o petista, o agravamento da crise no STF, com Moraes no centro dela, irá refletir em seu governo e, consequentemente, na eleição.

      Fonte: O Antagonista, Opinião, 18.03.2026 08:06 Por Redação

      • Uma “Operação Salva Moraes” está em curso em Brasília

        É um óbvio ululante que está em curso uma “Operação Salva Moraes” em Brasília. No tabuleiro do caso Master, a peça do STF a ser sacrificada em troca da salvação de Moraes é, obviamente, Toffoli, ao que tudo indica um caso perdido diante das novas provas que a PF supostamente tem contra ele. (…)

        Um dos muitos espantos causados pelo caso Master é que, diante do que já veio à tona, Toffoli e Moraes não vejam problema nenhum em continuar como juízes do Supremo, proferindo veredictos em nome do que é justo e certo, acrescidos de lições de moral.

        E, como se não bastasse, ainda há o Barba querendo blindar um deles.

        Fonte: Metrópoles, Política, Opinião, 18/03/2026 11:21 Por Mario Sabino

  2. Estadão rifa Barba e defende prisão domiciliar para o ex-mito

    O precário estado de saúde do ex-mito exige serenidade institucional: cumprir a lei, mas reconhecer que a prisão domiciliar é a medida jurídica mais adequada – e mais humana.

    (…)

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 18/03/2026 | 03h00 Por Editorial

    Não estaria o ‘humanitário’ jornal prevendo Flávio eleito e já ‘fazendo média’ à iminência de um novo governo bolsonarista?

    • Assim como o Estadão, o Globo também rifa Barba e quer o ex-mito transferido para prisão domiciliar

      Seria um gesto de sensatez e humanidade do STF a transferência do ex-mito ao regime domiciliar de prisão.

      Dado seu quadro clínico sensível, o ex-mito receberia mais atenção se pudesse ser transferido para casa.

      Fonte: O Globo, Política, Opinião, 18/03/2026 00h10 Por Editorial

      Não estaria também este outro ‘humanístico’ jornal prevendo a eleição de Flávio e já ‘fazendo média’ à iminência do novo governo bolsonarista?

  3. O jacu de gaiola começou o processo de censura e óbice do avanço das forças produtivas tecnológicas, usando o escudo moral de proteção das criancinhas, pra censurar e concentrar as informações dos cidadãos.

    https://www.instagram.com/reel/DV_x_SaCjbu/?igsh=NjZ1cnM5NzBuNA==

    Esperar o que dá junção do jacu de gaiola com o panguá Felca.

    Que que voltemos pra Era da Máquina de Escrever e ser jumento digital, igual ele.

    Com um quarto mandato deste jacu, sairemos de 50 pra 100 anos de solidão digital.

    Ele faz mal pro Brasil!

  4. Traduzindo a presença dessa alma penada no TSE. As próximas Eleições já estão em Suspeição de A a Z . É a mesma coisa de convidar Raposa para tomar conta de carne.

  5. Tá aí , já que o juiz do STF Dias Toffoli vai atuar no TSE nas eleições 2026 , bem que ele poderia se limpar , impedindo que criminosos das mais diferentes extirpes , se inscrevam e se candidatem a quaisquer cargos eletivos nas administrações das três esferas dos poderes da república , ou seja , executivo , legislativo e judiciário nas eleições 2026 e demais eleições , mesmo que não tenham ido á juízo , quem sabe funcione como atenuante em seu favor e benefício .

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