Outubro longe, mas Lula não esconde o nervosismo e anda chutando o vento 

Altos índices de rejeição deixam Lula nervoso e irritadoVicente Limongi Netto

Lula anda dando coices em aliados pertos ou distantes. Fez check-up recentemente, nada de doenças graves, apenas catarata, já removida. Mas os 80 anos nas costas desde já fazem parte do vasto arsenal de maldades dos adversários contra ele.

Bolsonaro doente, perto de cumprir pena em casa. Petistas, aliados, seguidores, correligionários, admiradores e o próprio Lula pedem a Deus para o ex-presidente doente não partir agora para outro plano da vida. 

VÍTIMA E MÁRTIR – Se morrer antes das eleições, Bolsonaro será uma dor de cabeça ainda maior para Lula, porque vira vítima e mártir.  Há  poucos dias, frisei e lamentei aqui na Tribuna que Lula, no Rio, foi duro sem necessidade com Bolsonaro.

Deu tiros no próprio pé, liquidando o tal contraditório que defendo, julgo indispensável, sensato e justo, porque, muito doente, Bolsonaro não pode retrucar os insultos de Lula. Os filhos respondem por ele. Levam Lula para as cordas do ringue.

Impossível negar, as eleições estão nas ruas. Palanques bons e ruins montados. Quem for podre que se quebre. PT joga duro. Mas os adversários não temem mais repudiar as agressões do petista.

Cunhado de Vorcaro injetou R$ 48,5 milhões em empresa usada para pagar ‘Sicário’

Zettel foi diretor da empresa entre 2021 e 2024

Vinícius Cassela
Vladimir Netto
G1

O empresário Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez uma aplicação na Super Empreendimentos no valor de R$ 48,5 milhões em 2022, de acordo com a declaração de Imposto de Renda.

A Super é uma empresa apontada pela Polícia Federal como sendo utilizada pelo grupo para “prática de crimes financeiros e lavagem de dinheiro” para a “turma”, que seriam as pessoas que faziam o trabalho miliciano de Vorcaro, como os que eram prestados pelo “Sicário”, Luiz Felipe Mourão. De acordo com a Junta Comercial do Estado de São Paulo, Zettel foi diretor da empresa entre 2021 e 2024.

DECLARAÇÃO DO IR – A informação consta na declaração de Imposto de Renda de 2022 feita pelo próprio Zettel. O documento foi solicitado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado à Receita Federal.

Na declaração, Zettel informa que fez o aporte de R$ 48,5 milhões na forma de um adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC). Na prática, ele transferiu dinheiro para a empresa sem precisar pagar o imposto sobre transações financeiras (IOF), cobrado quando o envio de dinheiro do sócio é para aumento do patrimônio social da empresa, por exemplo. O G1 entrou em contato com as defesas de Vorcaro e Zettel, mas nenhuma delas respondeu.

PATRIMÔNIO –  A declaração do Imposto de Renda de Zettel ainda aponta que, em 2022, ele tinha um patrimônio de R$ 189 milhões. Os bens eram constituídos, principalmente, de imóveis e participações em empresas, como a Super. Só naquele ano, adquiriu R$ 15 milhões em relógios e joias. A declaração ainda mostra que o patrimônio dele quase que triplicou entre 2021 e 2022, saltando de R$ 67,4 milhões para R$ 189,7 milhões.

A declaração ainda diz que o pastor faturou R$ 139 milhões naquele ano por meio de lucros em seu escritório de advocacia e que doou R$ 5 milhões para as campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

“SICÁRIO”Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, ficou conhecido como “Sicário” de Vorcaro, após ser preso na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. As investigações apontam que “Sicário” tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.

Os investigadores mencionam também uma “dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e Mourão”, e indica que ele atuaria como ‘longa manus’ (expressão do contexto jurídico que indica um agente que atua em nome de outro) da prática das práticas violentas atribuídas à organização.

O relatório fala, ainda, da existência de fortes indícios de que Mourão recebia a quantia de 1 milhão de reais por mês de Vorcaro como remuneração pelos “serviços ilícitos”.

Ratinho Jr. desiste de disputar Presidência em 2026 e diz que cumprirá mandato no PR

Governador filiado ao PSD disse que tomou decisão no domingo

Sérgio Quintella
Samuel Lima
O Globo

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), desistiu de concorrer à Presidência da República nesta segunda-feira, 23. Em nota enviada pela Secretaria de Comunicação de sua gestão, o político disse que tomou a decisão no domingo à noite “após profunda reflexão com sua família”. Ele já teria comunicado a decisão ao presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Segundo o colunista Lauro Jardim, o favorito para a vaga agora é o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

A decisão do governador ocorre quatro dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República, informar que decidiu apoiar o lançamento como postulante ao governo do estado o nome do senador Sergio Moro (União), que deverá se filiar ao PL em breve. “O Ratinho é um grande quadro, inegavelmente, com uma boa avaliação, mas cada partido tem direito de lançar seus pré-candidatos. A informação que nós temos é que ele será o candidato pelo PSD, portanto, temos que tomar decisões a partir do posicionamento dele”, disse Flávio.

FAVORITISMO – Como mostrou O Globo na semana passada, Ratinho era o favorito para ser o escolhido entre um trio de governadores presidenciáveis do PSD, que contava, além de Caiado, com o gaúcho Eduardo Leite. Era quem, dos três, estava filiado há mais tempo à sigla de Kassab.

O paranaense também aparecia numericamente melhor colocado do que a dupla em pesquisas como o Datafolha, no início deste mês, em que marcou 7% das intenções de voto — mas ainda distante dos favoritos ao segundo turno, o presidente Lula (PT), com 46%, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), do Rio de Janeiro, com 43%, em cenários com margem de erro de dois pontos percentuais.

ANTECIPAÇÃO – Kassab deve anunciar quem será o candidato a presidente da sigla ainda esta semana, possivelmente na próxima quarta-feira, 25, mas a assessoria evita dar detalhes do evento. Inicialmente, a ideia era definir a questão até dia 15 de abril, mas os pré-candidatos pressionaram pela antecipação, alegando que era preciso reduzir a distância para o prazo de desincompatibilização dos cargos.

Ratinho Júnior é filho do apresentador de televisão Carlos Massa, o Ratinho, que fez carreira no SBT e possui outorgas de radiodifusão no Paraná e em São Paulo. O político diz que, após concluir o mandato em dezembro deste ano, presidirá o Grupo Massa, retornando ao setor privado.

NOTA:

“O governador Ratinho Junior decidiu concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano. Portanto, ele deixa de participar da discussão interna do PSD (Partido Social Democrático), que escolherá um candidato disposto a concorrer às eleições presidenciais deste ano. A decisão foi tomada na noite deste domingo, 22, após profunda reflexão com sua família. O fato foi levado ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta segunda, 23.

Ratinho está convicto que deve manter o compromisso selado com os paranaenses nas eleições de 2018 e não pode interromper o projeto que tem garantido o ciclo de crescimento econômico do Paraná. Sob a gestão de Ratinho Junior, que alcançou 85% de aprovação, o Estado se consolidou como a melhor educação do Brasil, obteve os menores índices criminais dos últimos 20 anos, o maior investimento em infraestrutura da história, e conquistou, por quatro vezes consecutivas, a excelência em sustentabilidade no Brasil.

O governador do Paraná continuará à disposição do PSD para ajudar o Brasil virar a página do atraso, criar perspectivas mais otimistas para os jovens, ser destravado com menos burocracia, endurecimento de leis criminais e tenha o agronegócio brasileiro como trunfo na competição global entre nações. Eleito com quase 70% dos votos válidos em 2022, Ratinho permanecerá pautando a sua vida para ajudar o Brasil a partir do Paraná, ao defender um estado menor e mais eficiente, que tem a educação como instrumento para melhorar a vida de jovens e apostando na pacificação e no diálogo como alicerces do Estado Democrático de Direito.

Carlos Massa Ratinho Júnior nasceu numa família humilde em Jandaia do Sul. Mudou para Curitiba ainda criança, onde o pai chegou desempregado na década de 80. A trajetória simples do governador permitiu que ele jamais fosse contaminado pelas benesses do Poder.

Ao encerrar em dezembro essa fase de sua vida, Ratinho Júnior pretende voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho”.

CGU abre investigação contra ex-diretores do BC por ligação com Daniel Vorcaro

Servidores  estão sendo investigados na esfera criminal

Camila Bomfim
Márcio Falcão
Isabela Camargo
G1

A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu nesta segunda-feira (23) uma investigação interna para apurar a conduta de ex-diretores do Banco Central apontados como “consultores” do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A investigação mira atos e decisões tomadas por Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, no período de 2019 a 2023. O objetivo da investigação é apurar a conduta administrativa de ambos. Na esfera criminal, eles já estão sendo investigados.

SANÇÕES – O Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) vai durar dois meses e, se confirmadas as suspeitas, vai levar a sanções no serviço público. A depender da gravidade das condutas apuradas, o processo pode resultar em advertência, suspensão ou até mesmo na demissão do serviço público.

No caso de Paulo Sérgio, as investigações se baseiam na suspeita de simulação de operações societárias e patrimoniais, incluindo a possível venda fictícia de uma fazenda para uma empresa ligada ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.

IRREGULARIDADES – Já com relação a Belline Santana, as suspeitas têm relação com supostas irregularidades na prestação de consultoria privada para o Leonardo Palhares, um dos alvos da Operação Compliance Zero. A empresa dele, a Varajo Consultoria,é apontada como “conta de passagem” para ocultar a origem ilícita dos pagamentos.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master, descreveu os funcionários do Banco Central como uma espécie de consultores privados de Daniel Vorcaro.

Sem Bolsonaro, comando da direita vira campo de batalha entre Michelle e Flávio

Michelle assume articulação no DF após desgaste de Ibaneis

Luísa Marzullo
O Globo

O avanço das investigações sobre o Banco Master no Distrito Federal e a nova internação de Jair Bolsonaro produziram, em poucos dias, um deslocamento no comando do bolsonarismo.

No DF, onde o escândalo atingiu o entorno do governador Ibaneis Rocha e desmontou o principal eixo de organização da direita local, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ocupar o espaço de articulação e a interferir diretamente na definição de candidaturas. Ao fazer isso, entrou no mesmo terreno de Flávio Bolsonaro e transformou uma disputa até então restrita aos bastidores em conflito concreto sobre os palanques de 2026. Procurados, Michelle e Flávio não comentaram.

BANCO MASTER – O ponto de inflexão foi a crise envolvendo o Banco Master e sua relação com decisões do governo local, especialmente no caso do BRB, banco estatal de Brasília. O desgaste se agravou após a revelação de que o escritório de advocacia de Ibaneis firmou um contrato de R$ 38 milhões relacionado à venda de honorários de precatórios a um fundo ligado à Reag, gestora investigada pela Polícia Federal por participação no esquema associado ao banco de Daniel Vorcaro.

A reação foi imediata: o PL protocolou na Câmara Legislativa um pedido de CPI para apurar a atuação do BRB e cobrar explicações do governo. Na prática, o movimento selou o rompimento com Ibaneis, até então aliado do bolsonarismo e interessado em disputar o Senado com apoio da sigla.

Sem o governador como polo organizador, a articulação no DF mudou de mãos. Parlamentares passaram a procurar diretamente Michelle, que assumiu a interlocução com pré-candidatos e passou a dar aval próprio a cenários eleitorais. Esse avanço ocorreu ao mesmo tempo em que Flávio mantinha, a partir de Brasília, a condução da estratégia nacional do partido, baseada na montagem de palanques mais amplos.

INCOMPATIBILIDADE  – No Distrito Federal, a divergência já se traduz em projetos incompatíveis. Michelle passou a sustentar uma chapa ao Senado com seu nome e o da deputada Bia Kicis e a defender a candidatura da vice-governadora Celina Leão (PP) ao Buriti. O desenho é visto por aliados como mais conectado à base bolsonarista e ao eleitorado evangélico, mas enfrenta resistência de dirigentes que veem risco de contaminação eleitoral pelo desgaste do governo Ibaneis.

— A Michelle se manifestou publicamente já várias vezes, desde o meu pré-lançamento no dia 11 de novembro, como pelas redes sociais dela várias vezes. Vamos ter agendas em breve, depois da internação do ex-presidente — afirmou Bia Kicis.

ALTERNATIVA – Do outro lado, aliados de Flávio trabalham para viabilizar o nome do senador Izalci Lucas como alternativa de centro-direita capaz de reduzir a exposição do grupo ao caso Master. A hipótese é rechaçada pelo entorno de Michelle:

— Até agora nada apareceu diretamente ligado a ela e acho que ela tem chances reais de ser eleita. Izalci é muito preparado, bom parlamentar, mas Celina é a melhor opção. Celina já passou pelo Executivo antes. Celina será nossa governadora — disse a ex-ministra e senadora Damares Alves (Republicanos).

REARRANJO – A carta escrita por Jair Bolsonaro durante a prisão, no início do mês, reforçou esse rearranjo. No texto, o ex-presidente pede que aliados parem de pressionar Michelle, critica ataques vindos da própria direita e afirma que orientou a ex-primeira-dama a se envolver mais diretamente na política apenas após março. A mensagem foi lida no partido como um sinal verde para que ela assumisse protagonismo.

O protagonismo de Michelle pode ser reforçado se a prisão domiciliar para Bolsonaro for concedida. Aliados relatam que a eventual concessão do benefício é vista como ponto de virada para sua atuação política. Fora do hospital e com Bolsonaro em casa, ela ganharia margem para intensificar agendas, organizar encontros e retomar a articulação de forma mais sistemática.

PESO POLÍTICO – Michelle acompanha de perto o tratamento à pneumonia que o marido contraiu, organiza a rotina do ex-presidente e mantém o envio diário de refeições preparadas por ela, encaminhadas por intermédio de seu irmão de consideração, Eduardo Torres. No entorno do PL, esse papel deixou de ser visto apenas como pessoal e passou a ter peso político: é ela quem controla o acesso, o ritmo e, em parte, a própria capacidade de Bolsonaro de voltar a se inserir no debate.

Enquanto isso, Flávio concentrou-se na interlocução institucional e chegou a se reunir com o ministro Alexandre de Moraes na terça-feira para fazer um apelo à domiciliar. Michelle abriu uma frente própria e acionou aliados como o governador Tarcísio de Freitas, que esteve com ministros do Supremo na quinta-feira e levou o tema à mesa.

PONTO DE RUPTURA –  O Ceará virou o caso mais explícito do choque entre as duas estratégias. Flávio decidiu retomar a aproximação com Ciro Gomes e planeja viajar ao estado em abril para tentar fechar o apoio do PL ao ex-ministro. A negociação envolve a composição da chapa majoritária, com discussão sobre a vice, e espaço ao partido na disputa pelo Senado. A aposta do senador é usar a aliança para abrir caminho no Nordeste, onde o PL ainda tem dificuldade de estruturação. O movimento, porém, encontrou resistência direta de Michelle.

Alinhada ao senador Eduardo Girão (Novo) e a nomes do PL local, como a vereadora Priscila Costa, a ex-primeira-dama passou a atuar contra o acordo. Nos bastidores, a avaliação é que ela considera a associação com Ciro incompatível com a base bolsonarista e tem pressionado para que o partido mantenha um palanque próprio ou alinhado a nomes mais identificados com o eleitorado conservador.

Apesar da resistência, a tendência dentro do partido é que o movimento de Flávio avance. O senador tem viagem prevista para a primeira semana de abril ao Ceará, quando deve anunciar o apoio a Ciro.

ALIANÇA –  Em Minas Gerais, o conflito aparece no desenho do palanque. Flávio tenta estruturar uma chapa competitiva com o senador Cleitinho (Republicanos) e ampliar interlocução com setores do empresariado, incluindo o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe. Michelle, por sua vez, mantém proximidade com o deputado Nikolas Ferreira, que prefere o vice-governador Mateus Simões (Novo).

Em São Paulo, a disputa se concentra no tamanho do espaço que o PL deve ocupar no principal palanque da direita no país. Flávio tem pressionado para ampliar a presença do partido na chapa de Tarcísio de Freitas, com foco na vice-governadoria, hoje ocupada por Felicio Ramuth (PSD). Interlocutores relatam que o senador passou a defender, nas últimas semanas, a substituição do vice por um nome do PL, como André do Prado, ou a filiação de Ramuth à legenda.

CRISE – Michelle atua na direção oposta. No entorno da ex-primeira-dama, o argumento é que a vontade de Tarcísio deveria ser respeitada. O governador argumenta que mexer na vice pode abrir uma crise desnecessária com o PSD e desgastar um palanque que hoje funciona.

No Paraná, a reaproximação com Sergio Moro foi conduzida diretamente por Flávio e por Valdemar Costa Neto, sem participação de Michelle. O episódio reforçou, entre aliados da ex-primeira-dama, a percepção de que decisões relevantes vêm sendo tomadas sem sua participação. A madrasta de Flávio não tem participado de nenhuma das reuniões que ele tem conduzido na sede do PL e no QG da campanha, no Lago Sul. Publicamente, contudo, o discurso é de unidade:

— Quando o presidente Bolsonaro fez a escolha, automaticamente teve outra pessoa que preferia ter outra escolha. Mas como a gente tem um líder, a gente tem que seguir o líder. E daí já está tudo resolvido, 100% dos apoiadores do presidente Bolsonaro estão com o Flávio Bolsonaro — disse o deputado Cabo Gilberto Silva.

PGR muda posição e apoia prisão domiciliar para Jair Bolsonaro por razões de saúde

Decisão será do ministro Alexandre de Moraes

Mariana Muniz
O Globo

A Procuradoria Geral da República (PGR) se manifestou nesta segunda-feira a favor da concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Esta é a primeira vez que a PGR é favorável à mudança de regime mais benéfica para o ex-presidente.

“Ao ver da Procuradoria-Geral da República, está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro”, diz a manifestação.

FLEXIBILIZAÇÃO – Ainda de acordo com a PGR, a evolução clínica de Bolsonaro, nos termos como exposto pela equipe médica que o atendeu no último incidente, “recomenda a flexibilização do regime, em linha com o que admite o Supremo Tribunal em circunstâncias análogas”.

“Aqui também se impõe conciliar o regramento genérico da legislação infraconstitucional com as características peculiares do caso concreto, sob o enfoque das exigências elementares que decorrem dos princípios constitucionais da preservação da vida e da dignidade da pessoa humana”, apontou Gonet.

Segundo o procurador-geral da República, atualmente existe um quadro em o atendimento do que é postulado pelo ex-presidente “encontra apoio no dever dos Poderes Públicos de preservação da integridade física e moral dos que estão sob a sua custódia, até como projeção concretizadora dos fundamentos estruturantes do Estado Democrático de Direito”.

ATENÇÃO CONSTANTE – “Está demonstrado que o estado de saúde do postulante da prisão domiciliar demanda a atenção constante e atenta que o ambiente familiar, mas não o sistema prisional em vigor, está apto para propiciar”, escreveu.

A manifestação foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada. O ministro abriu prazo para manifestação após o envio, pelo Hospital DF Star, de informações detalhadas sobre a internação do ex-presidente.

Bolsonaro foi transferido para a unidade de saúde no último dia 13, depois de apresentar um mal-estar na cela onde está custodiado, no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília.

CONCESSÃO – Na quarta-feira, a defesa do ex-presidente havia solicitado a concessão de prisão domiciliar humanitária, alegando o quadro clínico de Bolsonaro. Diante do pedido, Moraes determinou que o hospital encaminhasse, em até 48 horas, o prontuário médico completo, incluindo exames realizados, medicações administradas e avaliação das condições gerais de saúde.

Com o recebimento dos documentos, o ministro decidiu ouvir a PGR antes de analisar o pedido da defesa. Caberá ao órgão se manifestar sobre a eventual concessão da domiciliar, à luz das informações médicas apresentadas.

REGIME FECHADO – Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, após condenação em ação penal julgada pelo STF. A análise do pedido de prisão domiciliar ocorre em meio a avaliações dentro da Corte sobre os impactos jurídicos e políticos de uma eventual mudança no regime de cumprimento da pena.

Como mostrou O Globo, um grupo de ministros do STF avalia que a eventual concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente pode funcionar como uma forma de proteção institucional da própria Corte, diante do agravamento de seu quadro de saúde e dos possíveis desdobramentos políticos do caso. Integrantes do governo e do PT também têm considerado, sob reserva, que a piora clínica indica que chegou o momento de o ex-presidente voltar a cumprir pena em casa.

O Brasil aprendeu muito com a Arte Matuta do poeta Patativa do Assoré

PATATIVA DO ASSARÉ, O POETA QUE CANTAVA "AS VERDADES DAS COISAS DO  NORDESTE" - Cariri é IssoPaulo Peres
Poemas & Canções 

Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme podemos perceber no poema “Arte Matuta”.

ARTE MATUTA
Patativa do Assaré

Eu nasci ouvindo os cantos
das aves de minha serra
e vendo os belos encantos
que a mata bonita encerra.
Foi ali que eu fui crescendo
fui vendo e fui aprendendo
no livro da natureza
onde Deus é mais visível
o coração mais sensível
e a vida tem mais pureza.

Sem poder fazer escolhas
de livro artificial
estudei nas lindas folhas
do meu livro natural
e, assim, longe da cidade
lendo nessa faculdade
que tem todos os sinais,
com esses estudos meus
aprendi amar a Deus
na vida dos animais.

Quando canta o sabiá
Sem nunca ter tido estudo
eu vejo que Deus está
por dentro daquilo tudo.
Aquele pássaro amado
no seu gorgeio sagrado
nunca uma nota falhou,
na sua canção amena
só canta o que Deus ordena
só diz o que Deus mandou.

Jingle de Flávio Bolsonaro ataca Centrão e chama terceira via de “sequelada”

Primeira derrota no STM amplia risco de Bolsonaro ter cassada a patente de capitão

Às vésperas da prisão, Daniel Vorcaro buscou na internet quem julgava seu caso

Jogo de poder por trás do silêncio de Vorcaro indica uma delação sob medida

Vorcaro tenta organizar delação em “capítulos”

Pedro do Coutto

O avanço das negociações para a delação premiada de Daniel Vorcaro revela mais do que um escândalo financeiro de grandes proporções — expõe, sobretudo, a tentativa de controle narrativo em uma das crises mais sensíveis do sistema político-institucional brasileiro recente.

Em artigo publicado simultaneamente no O Globo e na Folha de S.Paulo, o jornalista Elio Gaspari toca num ponto central: a delação não é apenas um instrumento jurídico, mas também uma disputa estratégica sobre o que será dito — e, principalmente, sobre o que ficará de fora.

“EM CAPÍTULOS” – Vorcaro, no epicentro do colapso do Banco Master, tenta organizar sua colaboração em “capítulos”, separando os eixos de corrupção que teriam sustentado o esquema que levou à quebra da instituição. Não se trata de mero detalhe técnico. Trata-se de um movimento calculado para compartimentar responsabilidades, diluir conexões e, eventualmente, proteger áreas mais sensíveis de sua atuação.

O problema é que a própria natureza do escândalo dificulta qualquer tentativa de isolamento narrativo. As investigações da Polícia Federal apontam para uma estrutura complexa, com múltiplos núcleos — financeiro, político, institucional e até de obstrução de justiça — operando de forma interligada . Em outras palavras, não há “capítulos independentes” quando o enredo é sistêmico.

Enquanto isso, a Polícia Federal ainda assimila o volume de informações e tenta reconstruir o fluxo das operações que, segundo estimativas, podem configurar a maior fraude bancária da história do país . Nesse intervalo, Vorcaro busca reposicionar-se: de operador central do esquema a colaborador-chave capaz de direcionar o foco das investigações.

INEDITISMO – Essa tentativa de pautar a própria delação não é inédita na política brasileira, mas ganha contornos mais delicados quando envolve relações com o Judiciário e o núcleo do poder em Brasília. Há indícios de conexões com autoridades e movimentações que ultrapassam o campo estritamente financeiro, alcançando zonas de influência institucional .

É nesse ponto que o alerta de Gaspari se torna particularmente relevante. Ao discutir decisões e movimentos no âmbito do Supremo Tribunal Federal, o colunista sugere que a forma como certos processos são conduzidos — inclusive com eventuais bloqueios de acesso a informações — pode reforçar a percepção pública de opacidade e seletividade. Não se trata apenas de legalidade, mas de legitimidade.

A delação de Vorcaro, caso homologada, terá efeito cascata. Poderá abrir novos inquéritos, fortalecer investigações em curso e atingir figuras que hoje orbitam fora do alcance direto das apurações . Mas esse potencial explosivo depende de um fator essencial: a integridade do conteúdo revelado.

RISCO DE RUÍDO – Se o acordo nascer fragmentado, guiado por interesses de sobrevivência política e jurídica, corre-se o risco de produzir mais ruído do que esclarecimento. Se, por outro lado, vier acompanhado de provas consistentes e sem blindagens seletivas, poderá reconfigurar o tabuleiro político nacional.

O Brasil já assistiu a esse roteiro antes. A diferença, agora, é a escala — e o nível de interdependência entre os atores envolvidos. O caso Banco Master não é apenas um escândalo financeiro. É um teste de resistência das instituições. E, como todo teste dessa natureza, seu resultado dependerá menos do que se sabe até aqui — e mais do que ainda se tenta evitar que venha à tona.

Na História da Humanidade, é preciso cultuar heróis como Daniel Ellsberg

Morre aos 92 anos Daniel Ellsberg, que vazou os 'Papéis do Pentágono' e  expôs a verdade sobre a Guerra no Vietnã

Sozinho, Ellsberg enfrentou o governo dos EUA e venceu

Deu no site
Estudos Históricos

Outubro de 1969. Daniel Ellsberg estava em um escritório emprestado, depois da meia-noite, passando documentos confidenciais por uma copiadora, página por página. Cada folha era um crime federal. Cada cópia podia significar prisão por toda a vida.

Ele não era um radical. Nem imprudente. Era um ex-fuzileiro naval, doutor por Harvard, analista de alto nível do Pentágono. Tinha acesso aos maiores segredos do país. E acabara de ler 7 mil páginas que provavam que seu próprio governo mentia há 25 anos.

PAPÉIS DO PENTÁGONO – Os documentos ficaram conhecidos como Pentagon Papers — um histórico confidencial da participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, encomendado pelo secretário de Defesa Robert McNamara.

O que revelavam era devastador. Quatro presidentes — Truman, Eisenhower, Kennedy e Johnson — sabiam que a guerra era impossível de vencer. E ainda assim enviaram jovens para morrer. Diziam ao público que a vitória estava próxima, enquanto, em privado, admitiam que nunca viria. Em 1969, mais de 40 mil americanos já haviam morrido.

Ellsberg tinha uma escolha: proteger sua carreira, sua liberdade, sua família… ou expor a verdade. Ele escolheu a verdade.

TOP SECRET – Mas copiar 7 mil páginas sozinho, durante a noite, era lento e angustiante. Qualquer carro passando poderia ser o fim. Então ele tomou uma decisão extraordinária: chamou seus filhos para ajudar: Robert, 13 anos. Mary, 10.

Enquanto o filho operava a copiadora, Mary se sentava no chão com uma tesoura, cortando cuidadosamente os carimbos “TOP SECRET” de cada página.

Anos depois, ele explicaria que esperava ser preso em breve. Queria que seus filhos vissem que ele fazia algo necessário — com calma, consciência e propósito. Queria que entendessem que, às vezes, a consciência exige sacrifício.

CAMINHOS OFICIAIS – Durante dois anos, tentou os caminhos “oficiais”. Procurou senadores, congressistas. Todos recusaram. Então, em 1971, entregou os documentos ao The New York Times.

Quando começaram a ser publicados, o governo reagiu com fúria. Pela primeira vez na história dos EUA, tentou impedir judicialmente um jornal de publicar informações. O bloqueio ao NYT veio.

Ellsberg respondeu entregando os documentos ao The Washington Post, depois a outros jornais. A verdade se espalhou mais rápido do que podia ser censurada. O então presidente Richard Nixon não queria apenas conter o vazamento. Queria destruir Ellsberg.

INVASORES – Criou uma unidade secreta chamada “Plumbers”, que invadiu o consultório do psiquiatra de Ellsberg em busca de algo que pudesse desacreditá-lo. Não encontraram nada. Mas cruzaram uma linha.

Ellsberg foi acusado de espionagem, roubo e conspiração. Enfrentava até 115 anos de prisão. O julgamento começou em 1973. Mas, aos poucos, os abusos do próprio governo vieram à tona: invasões ilegais, manipulação, tentativa de suborno do juiz.

O caso desmoronou. Em 11 de maio de 1973, todas as acusações foram anuladas por má conduta governamental. Ellsberg saiu livre. O impacto foi gigantesco. Os documentos confirmaram o que muitos suspeitavam: o governo mentiu sistematicamente sobre a guerra.

WATERGATE – A confiança pública foi abalada. A pressão aumentou. O rumo do conflito começou a mudar. E houve uma consequência inesperada. A mesma equipe que invadiu o consultório de Ellsberg esteve envolvida depois no escândalo de Watergate — que acabaria derrubando Nixon.

Ellsberg não apenas expôs mentiras sobre a guerra. Ajudou, indiretamente, a revelar a corrupção no coração do poder.

Ele viveu até 2023, aos 92 anos, como ativista contra a guerra e defensor de denunciantes. Nunca se arrependeu. E aquelas crianças que o ajudaram? Cresceram entendendo algo raro, que ser cidadão, às vezes, exige coragem.

UMA LIÇÃO ETERNA – Aquelas duas crianças aprenderam que fazer o certo nem sempre é fazer o seguro. Que o pai delas escolheu a consciência acima do conforto — e elas viram isso de perto.

Os Pentagon Papers não acabaram imediatamente com a guerra. Mas mudaram para sempre a forma como as pessoas enxergam o poder.

Porque, às vezes, o ato mais patriótico não é obedecer ordens. É dizer a verdade — mesmo quando o próprio governo chama isso de traição.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Aqui na Tribuna da Internet não costumamos publicar textos sem assinaturas. Sempre procuramos identificar o autor, mas desta vez não conseguimos. O texto foi enviado por José Guilherme Schossland, sempre atento, que o extraiu do Facebook, no site Estudos Históricos. É uma lição emocionante, que mostra a importância da dignidade e do espírito público, que precisam ser valorizados neste mundo tão confuso, injusto e desigual. (C.N.)

Depois do Prerrogativas, site petista também ataca TV Globo e GloboNews

Relação dos ligado a Vorcaro está revoltando os petistas

Listagem dos ligados a Vorcaro está revoltando os petistas

Lucas Vasques
Fórum

Após a emissora de notícias das Organizações Globo, a Globo News, ter levado ao ar na tarde desta sexta-feira (20) uma ilustração sobre o escândalo do Banco Master distorcendo fatos e omitindo e minimizando o papel de personagens que seriam centrais no caso, diversas críticas têm sido feitas ao grupo de comunicação.

O formato utilizado pela emissora remete ainda ao PowerPoint utilizado pelo ex-procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol, que apontava o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como centro da suposta organização criminosa investigada pela força-tarefa. Pela apresentação, Dallagnol foi condenado pela Justiça a pagar R$ 146 mil em indenização por danos morais a Lula.

LULA E MANTEGA – Embora o escândalo do Banco Master tenha implicado até agora praticamente só nomes da direita e figuras ligadas ao bolsonarismo, a peça feita pela emissora mostrava próximos ao banqueiro Daniel Vorcaro, no centro da imagem, fotos do presidente Lula, do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, do “PT da Bahia” e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda que tenha sido na gestão de Roberto Campos Neto, nomeado por Bolsonaro, que Vorcaro tenha conseguido autorização para assumir o controle do Banco Máxima, que posteriormente se tornou o Banco Master.

O ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sergio Neves de Souza, também da gestão de Campos Neto, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana, foram apontados pela Polícia Federal (PF) como “funcionários” ou “consultores informais” de Vorcaro. E o Master firmou convênio com o INSS para operar o crédito consignado em 2020, também no governo Bolsonaro.

MUITO GRAVE – Nada disso pareceu fazer com que a Globo fizesse a equivalência correta na sua ilustração. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) classificou como “muito grave” o episódio.

“É muito grave o que a Rede Globo fez, o novo PowerPoint. Sinceramente, eu achei que depois do PowerPoint do Dallagnol, a gente não teria tão cedo outra tentativa tão grotesca de manipulação da opinião pública através da criação de uma narrativa através de um PowerPoint”, declarou, em vídeo publicado nas redes sociais.

“As duas campanhas do Brasil que receberam mais dinheiro nas últimas eleições foram as campanhas do Bolsonaro e do Tarcísio de Freitas. E eles não aparecem, não aparecem no PowerPoint da Rede Globo”, acrescentou, mencionando alguns nomes omitidos pela emissora.

PRÁTICA COMUM – Não é a primeira vez em que as Organizações Globo são acusadas de interferirem em processos eleitorais ou pré-eleitorais. A extrema direita costuma tecer teorias conspiratórias, mas os fatos apontam que é a esquerda quem foi alvo de coberturas enviesadas, falsificações e distorções.

Um dos casos emblemáticos envolve as primeiras eleições diretas para governador durante o processo de abertura política, no fim da ditadura iniciada com o golpe de 1964. No Rio de Janeiro, a empresa Proconsult, que contava com militares em sua direção, venceu a licitação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para totalizar os votos no estado, mesmo sem contar com nenhuma experiência no setor.

O professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, Mauro José de Souza Silveira, analisava no trabalho “O caso Proconsult” os embates na apuração das eleições para o governo fluminense em 1982 a diferença entre a cobertura do Jornal do Brasil e do grupo Globo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A reportagem cita também outras distorções políticas e eleitorais das Organizações Globo, como a “edição” manipulada do debate entre Collor e Lula, feita pelo jornalista Alberico Souza Cruz, a campanha movida contra Brizola em toda a gestão, e a omissão da cobertura da emenda Dante de Oliveira e do movimento Diretas Já. Esse ataque por parte do Fórum, um site intersindical apoiado pelo governo Lula, vem se somar às acusações do Grupo Prerrogativas para abrir, em ano eleitoral, uma desnecessária guerra contra as Organizações Globo, que deste o início vinha apoiando e poupando Lula e agora terá de mudar de lado, por óbvio. (C.N.).

Tudo por dinheiro! PF investiga um genro de Silvio Santos, envolvido no caso Master

PGR pede reabertura de inquérito contra Fábio Faria por propinas da Odebrecht – CartaCapital

Fábio Faria atuava no STF em defesa de Daniel Vorcaro

Carlos Newton

A política brasileira está cada vez mais surrealista, devido à abrangência do escândalo do banco Master, que incrimina autoridades dos Três Poderes, incluindo dois ministros do Supremo – Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. E as apurações a cargo da Polícia Federal estão enveredando por cenários verdadeiramente inesperados.

É o caso da investigação sobre o ex-deputado Fábio Faria (PP-RN), casado com Patrícia Abravanel, apresentadora de programas no SBT. Segundo a força-tarefa que apura o escândalo, o genro de Silvio Santos era íntimo do banqueiro Daniel Vorcaro e aparece diversas vezes nas mensagens dos celulares do dono do Master.

FARIAS OU FARIA? – O ex-deputado Fábio Faria é filho do político Robinson Farias, que passou a assinar “Faria” para simular parentesco com Wilma Faria, então governadora do Rio Grande do Norte, e ganhar votos dos eleitores dela. Com essa manobra, cresceu na política como deputado, presidiu a Assembleia, foi eleito vice-governador e depois tornou-se governador.  

Robinson Farias (ou Faria) elegeu seu filho Fábio deputado federal em 2006 e lhe garantiu mais três mandatos. Em 2022, porém, Robinson sentiu que perderia a eleição ao Senado e decidiu se candidatar à Câmara, fazendo com que o filho abandonasse a política e passasse a se dedicar exclusivamente aos interesses da família Farias (ou Faria).

Na Câmara, Fábio foi um fracasso e só conseguiu aprovar um projeto que considera relevante – a lei 13.111, em 2015, obrigando as agências a informar ao comprador a situação de regularidade dos carros e motos usados, como eventuais multas, impostos e taxas a pagar etc. E era chamado de galã, devido a seu sucesso com mulheres famosas, como a atriz Priscila Fantin e as apresentadoras Adriane Galisteu e Sabrina Sato, antes de se casar em 2017 com Patrícia Abravanel.

TUDO EM FAMÍLIA – A Polícia Federal já levantou que Fábio operava diretamente para o Master representando não somente o pai, mas também o tio, Ricardo Mesquita de Faria (ou Farias), responsável pelos nebulosos negócios empresariais da família, que incluem projetos conjuntos com Vorcaro, como a empresa Super Empreendimentos e Participações S/A.

Esta sociedade anônima é sediada em São Paulo, atua no setor de participações societárias e era administrada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, embora esteja registrada em nome dos diretores Leonardo Augusto Furtado Palhares e Ana Claudia Queiroz de Paiva.

Os peritos da Polícia Federal já decifraram mensagens entre Fábio Faria e Vorcaro, que comprovam a atuação do ex-deputado como operador do banqueiro no Supremo e revelam sua intimidade também com o ministro Dias Toffoli. E surgem cada vez mais informações sobre a família Faria (ou Farias)

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P.S. –
É difícil saber se a arte imita a vida ou se ocorre o contrário, com a vida imitando a arte. Nesse intrigante episódio, é certo que vida e arte se misturam, com Fábio Faria demonstrando admiração enorme por Silvio Santos, a ponto de dar o nome de Senor Abravanel a um de seus filhos e também seguir o lema “Tudo por Dinheiro”. (C.N.)

Delirante, Vorcaro acha que vai mandar na delação e poupar ministros do STF

Daniel Vorcaro comandou 'organização criminosa' no Banco Master, diz PF Relatório citado em decisão do ministro Dias Toffoli revela que os crimes na mira do inquérito do STF envolvem uma longa lista

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Elio Gaspari
O Globo

Daniel Vorcaro é uma pessoa audaciosa e o que ele fez com o banco Master comprova essa característica. Da cadeia, ele sinalizou que partirá para a delação. Até aí, tudo bem, mas em apenas uma semana ele soltou sinais de fumaça, indicando que pretende ser o maestro do espetáculo.

Quando estava solto e tentava ser recebido pelo ministro Fernando Haddad, ele avisava: “Eu preciso falar para ele o que pode acontecer se algo acontecer comigo”.

PARECE BIPOLAR – Enquanto a Polícia Federal digere o conteúdo de seus oito celulares, os primeiros sinais revelaram-no simultaneamente ameaçador e conciliador. Ameaçou revelar suas conexões com o PT e levantou uma bandeira branca para as ligações com magistrados, revelando que não pretende envolver o Supremo Tribunal Federal na sua delação.

Vorcaro achou que controlaria o Banco Central dando capilés a pelo menos dois funcionários. Depois acreditou que paralisaria o BC indo a Lula com o consigliere Guido Mantega.

Quando deu tudo errado e o Master entrou em regime de liquidação, valeu-se de uma patrulha de blogueiros para intimidar o BC. Deu errado de novo e ele acabou preso pela segunda vez. Só então partiu para a delação, mas acredita que pode pautá-la.

UMA BOA PIADA – Vorcaro dizendo que não quer envolver magistrados com sua colaboração é uma piada. Uma delação controlada pelo delator é uma inversão dos papéis. Quem controla esse processo são funcionários da Viúva. Eles podem influir na fixação do tamanho da multa que será imposta a Vorcaro, bem como a extensão da pena que cumprirá.

Vorcaro tem um fraco por espetáculos, quer pelas suas festas, quer pelos seus patrocínios de farofas enfeitadas por parlamentares e magistrados. O melhor que pode lhe acontecer é transformar sua colaboração num espetáculo, colocando-se no papel principal.

Em 2013, quando a Receita dos Estados Unidos detonou a rede de roubalheiras no futebol, o empresário brasileiro José Hawilla foi preso e passou a colaborar com a polícia federal americana. Ele gravava conversas e era acompanhado por Jared Randall, um agente do FBI.

MULTA PESADA –  A certa altura depois de ter sido fixada uma multa de US$ 20 milhões a José Hawilla, garantida por um depósito de US$ 5 milhões, Randall sentiu-se na obrigação de lembrar ao colaborador: “Eu não sou teu amigo”.

O instituto da delação premiada não existe para fazer amizades/ e a colaboração de Vorcaro não pode avacalhar o processo.

Agora vai-se ver o que acontece com Vorcaro falando.

TSE barra ofensiva do PL contra Lula por fazer campanha no desfile do carnaval

Para se candidatar, Simone Tebet sai do MDB, mas no partido ninguém sentirá falta

Tebet: O Brasil não só tem tudo pra dar certo, como vai dar certo — Secretaria de Comunicação Social

Simone Tebet será uma ausência que preenche uma lacuna

Vicente Limongi Neto

É preciso ter grandeza para fazer política. Mas nem todo mundo entende isso. Simone Tebet deixa o MDB. Não fara a menor falta. Não deveria nem ter entrado no partido de Ulysses Guimarães, José Sarney, Mário Covas, Teotônio Vilela e Renan Calheiros. Como ministra do Planejamento, foi zero à  esquerda e à direita.

Simone cospe no prato que comeu e se lambuzou. No MDB, Tebet ganhou visibilidade. Que sirva de lição para o partido, que precisa passar a ser mais seletivo em suas escolhas.

A REBOQUE – Com mais de 800 prefeituras, não pode ficar eternamente a reboque do PT que tem menos de 300 prefeituras. O MDB precisa manter a dignidade e a grandeza, conquistadas em lutas democráticas.

Arrogante, dissimulada e pretensiosa, Simone Tebet foi para o PSB. Com apenas 15 prefeitos dos 645 em São Paulo. Não aparece nem com traço nas pesquisas para o senado. Mostra o que sempre foi.

Nas eleições para presidente do Senado, Renan Calheiros era o virtual eleito. Tebet disputou com Renan e perdeu na votação da bancada. No plenário, traiu Renan, que acabou perdendo para Davi Alcolumbre. O PSB, ao abrigar Simone Tebet, ganhou oceânico presente de grego. Bom proveito.

ELES TAMBÉM ACHAM… – Escrevi na Tribuna e reitero que, sem Neymar na seleção, o hexacampeonato fica ainda mais difícil.
Fico contente porque craques sem aspas, que deram glórias ao Brasil, como Romário, Ronaldo Gaúcho e Djalminha, também são taxativos e dizem que, sem Neymar, é melhor o Brasil nem ir  à Copa do Mundo.

Canetada de Fux trava nomes da direita e entrega vantagem a Paes na eleição indireta

“Bandeira branca” fracassa e desconexão no STF se aprofunda sob comando de Fachin

Contador preso é acusado por esquema de acesso a dados fiscais de 1.819 contribuintes

Moraes determinou a prisão de Washington Travassos 

Deu no O Globo

O contador Washington Travassos de Azevedo, preso no Rio por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), foi apontado, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), como um dos responsáveis pelo esquema de acesso de “dados constantes de DIRPF (Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física) de 1.819 contribuintes, incluindo pessoas vinculadas a ministros do STF, ministros do TCU, deputados federais, ex-senadores da República, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública”. A informação consta do despacho que embasou a prisão.

Em nota, o STF afirmou que Washington foi apontado pela Polícia Federal como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional”. A Corte disse ainda que o esquema envolveu “download das declarações” de Imposto de Renda dessas pessoas, que são informações protegidas por sigilo fiscal.

REGISTRO ATIVO – Washington está inscrito como contador no Rio, com registro ativo, de acordo com o Conselho Federal de Contabilidade. Além de uma firma de contabilidade na capital fluminense aberta em 2015, ele também abriu recentemente uma empresa em São Paulo.

O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a prisão dele, por suspeita de participar do vazamento de dados sigilosos envolvendo membros da Corte e outras autoridades. A prisão foi noticiada primeiro pela Folha de S. Paulo, neste sábado, e confirmada pelo O Globo.

Documentos do governo do Rio levantados pelo O Globo mostram que Washington foi preso no último dia 13, no presídio José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte da capital fluminense. Na quinta-feira, dia 19, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária comunicou que o contador estava apto a ser transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu), na Zona Oeste. A transferência, de acordo com a secretaria, ocorreu por abertura de vagas em Bangu. Procurada, a defesa de Washington não quis se manifestar neste sábado.

SIGILO VIOLADO – A PF já havia deflagrado operação, no início de março, que cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária contra suspeitos de vazamentos de dados. Uma das linhas de investigação é de que funcionários da Receita Federal teriam violado ilegalmente o sigilo fiscal do ministro do STF e seus parentes.

Já a prisão de Washington ocorreu uma semana depois dessa operação, e também foi realizada pela PF, que o conduziu para o sistema prisional do Rio. Segundo a Folha de S. Paulo, o contador admitiu ter acessado dados fiscais de forma ilegal.

Em nota, o STF afirmou que a prisão de Washington ocorreu no dia 14 — embora os documentos do governo do Rio apontem sua entrada no sistema prisional no dia 13 — e disse que a “audiência de custódia foi regularmente realizada no mesmo dia”.