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EUA cobram saída de funcionário brasileiro
Mariana Muniz
O Globo
Uma semana após a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, o governo de Donald Trump afirmou nesta segunda-feira ter identificado uma tentativa de “manipular o sistema de imigração do país” e apontou o envolvimento de um funcionário brasileiro. Em postagem nas redes sociais, a conta do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado, informou que esse servidor deverá deixar o país.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, diz a postagem, que não menciona o caso de Ramagem.
VISTO VENCIDO – Segundo o portal G1, a autoridade citada é o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE). A PF, contudo, informou não ter sido comunicada. Ramagem foi detido por autoridades migratórias americanas após ter o visto vencido. Na semana passada, a Polícia Federal afirmou que a prisão de Ramagem era fruto de colaboração com as autoridades americanas. Ele foi solto dois dias depois.
O ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é considerado foragido no Brasil desde que deixou o país após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 16 anos de prisão por participação na trama golpista, no ano passado. O registro da detenção chegou a ser incluído no sistema do condado de Orange, com foto (“mugshot”) e indicação de “immigration hold”, o que aponta para uma custódia de natureza migratória, sem acusação criminal local detalhada.
COOPERAÇÃO POLICIAL – No dia da detenção, a Polícia Federal divulgou nota atribuindo a prisão à cooperação policial que os dois países mantêm. Um servidor da coorporação atua no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) dos Estados Unidos para identificar situações como a de foragidos da Justiça brasileira.
“A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA. O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”, informou a PF em nota, na última segunda-feira.
Após a soltura, autoridades do ICE disseram que houve uma “decisão administrativa” no caso de Ramagem. Na conversa, o órgão americano comunicou o fato de o bolsonarista ter sido solto dois dias depois de ter sido detido na Flórida. Ainda de acordo com integrantes da PF, o ICE informou que Ramagem tem direito à permanência provisória no país.
DECLARAÇÃO DE LULA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que ficou sabendo na manhã desta terça-feira (21) do caso do delegado brasileiro implicado na prisão de Ramagem nos Estados Unidos, e que não sabe o que aconteceu. A declaração foi dada hoje em conversa com a imprensa, na porta do hotel em Hannover.
Lula também disse que, se houve abuso por parte do governo norte-americano, haverá “reciprocidade”. “Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, declarou.
O Ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira mostrou surpresa com o caso, “Essa notícia não tem fundamento. Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas”, disse.
Esse caso está se configurando como mais um revés externo de Barba e cumpanheiros.