Kassab vai se reunir com Leite antes de anunciar Caiado como pré-candidato

Leite se reúne com PSD e confirma pré-candidatura à Presidência

Kassab pedirá que Eduardo Leite se candidate ao Senado

João Paulo Alexandre
Jornal Opção

Após encontro com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ocorrido nesta terça-feira, 24, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab deve se reunir com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, na manhã desta quarta-feira, 25.

Em seguida, ele pretende se encontrar com membros do conselho do partido para, então, fazer a oficialização de Caiado como pré-candidato à Presidência da República. A previsão é que isso ocorra até sexta-feira, 27. As informações foram confirmadas ao Jornal Opção por pessoas próximas ao governador.

REUNIÃO – Mais cedo, o Jornal Opção mostrou que, após a desistência de Ratinho Jr., o pré-candidato Ronaldo Caiado foi a São Paulo para se reunir com Kassab. O encontro teria como objetivo acertar os pontos finais para o lançamento da pré-candidatura do pessedista.

Segundo o Jornal O Globo, a conversa perpassou por vários temas, como verbas até alianças políticas.

Na segunda-feira, fontes do PSD disseram que não viam o governador do Paraná motivado para a disputa e avaliaram que Ronaldo Caiado tem mais experiência durante sua trajetória política.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tudo indica que o escolhido será Ronaldo Caiado. E somente Kassab pode explicar o motivo da preferência, que é inescrutável. Pode ser até problema sexual. Como se sabe, Kassab vai fazer 66 anos, continua solteiro e jamais foi visto acompanhado por alguma mulher. Durante a campanha eleitoral de 2008, após questionamentos sobre sua vida pessoal, ele abordou o assunto publicamente para esclarecer que não é homossexual. Quer dizer, seria assexuado, se é que vocês me entendem, porque vou parar por aqui. (C.N.)

Sem acordo com Alcolumbre, Lula vê indicação de Messias ao STF ser travada

Moraes permite compartilhamento de provas na investigação contra Eduardo Bolsonaro

Polícia Federal vai poder usar provas de processo

Pepita Ortega
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou que a Polícia Federal use, no procedimento administrativo disciplinar contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, provas do processo em que o ex-parlamentar é réu por ter atuado nos Estados Unidos em favor de sanções a autoridades brasileiras.

A Polícia Federal pediu as provas para abastecer um procedimento que foi aberto para apurar supostos atos de improbidade administrativa atribuídos ao ex-deputado. A corporação investiga Eduardo, na seara administrativa, por “ameaçar e expor servidores da Polícia Federal com o propósito de constrangê-los e intimidá-los, em razão de suas atuações nas investigações supervisionadas pelo Supremo Tribunal Federal”.

COMPARTILHAMENTO – Ao analisar o pedido da PF, Moraes considerou que o compartilhamento seria “útil, razoável, adequado e pertinente”. O ministro ainda destacou o parecer da Procuradoria-Geral da República, que concordou com o pedido da PF, destacando que a investigação é pública e que o compartilhamento seria importante para a ” economia da máquina pública e eficiência administrativa”.

Eduardo Bolsonaro é réu por coação no processo que foi compartilhado com a PF. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o ex-deputado e o blogueiro Paulo Figueiredo Filho atuaram pelas sanções como forma de atrapalhar o andamento do processo conduzido pelo STF que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.

Com tornozeleira, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar sob regras de Alexandre de Moraes

Ex-presidente ficará ao menos por 90 dias em casa

Pepita Ortega
Mariana Muniz
O Globo

A prisão domiciliar concedida ao ex-presidente Jair Bolsonaro, até a recuperação de sua broncopneumonia, deverá ser cumprida seguindo uma série de regras, a começar pelo uso de tornozeleira eletrônica.

Em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), houve também a determinação de que o ex-chefe do Executivo não poderá usar o celular, nem acessar a internet, tampouco gravar vídeos ou áudios.

SEM VISITAS – Além disso, Bolsonaro ficará pelo menos 90 dias sem receber visitas, com exceção dos filhos, de sua mulher Michelle Bolsonaro, de seus advogados, médicos e fisioterapeuta. Para as visitas autorizadas, celulares deverão ficar em depósito com os agentes policiais que estiverem realizando a segurança.

A suspensão das visitas, segundo Moraes, visa “resguardar o ambiente controlado necessário” para a recuperação, evitando “risco de sepse e controle de infecções”. Visitas a outros moradores da casa do ex-presidente também foram vedadas e deverão ser autorizadas judicialmente.

Ao conceder a prisão domiciliar humanitária a Bolsonaro, Moraes frisou que o descumprimento das regras fixadas levará à revogação da medida, com o retorno do ex-presidente à Papudinha ou a um hospital penitenciário.

NOVA ANÁLISE – O ministro salientou que, após os 90 dias da prisão domiciliar, vai voltar a analisar os requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica, se for necessário.

O despacho assinado nesta tarde ainda fixou uma série de regras de segurança a serem seguidas pelos policiais que acompanharão a prisão domiciliar do ex-presidente. Elas deverão ser seguidas pela Polícia Militar do Distrito Federal, que vai elaborar relatórios semanais sobre a prisão de Bolsonaro. Os PMs ainda deverão informar Moraes imediatamente sobre qualquer descumprimento das medidas impostas.

VISTORIA – Os PMs terão de vistoriar os porta-malas de todos os veículos que saírem da casa de Bolsonaro. Também vão monitorar a área externa da casa, na divisa com outros imóveis.

Moraes ainda proibiu acampamentos, manifestações ou aglomerações em um raio de um quilômetro da casa de Bolsonaro. A realização de uma vigília na porta do condomínio do ex-presidente foi um dos motivos que levou o ministro do STF a impor a prisão preventiva a Bolsonaro, em novembro – decisão que levou o ex-chefe do Executivo à custódia da Polícia Federal do Distrito Federal.

Jingle contra o Centrão força freio na campanha de Flávio e revela tensão com aliados

“Amar você é coisa de minutos”, dizia o revolucionário poeta Paulo Leminski

O amor, esse sufoco, agora a pouco era... Paulo Leminski - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O crítico literário, tradutor, professor, escritor e poeta paranaense Paulo Leminski Filho (1944-1989) escreveu belíssimos poemas românticos, como “Amar Você é Coisa de Minutos”.

AMAR VOCÊ É COISA DE MINUTOS
Paulo Leminski

Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo.
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado.
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim.
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não.
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos.
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama.
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha.
Sim, eu estarei aqui              

Delação de Vorcaro será bombástica e os ministros terão que ser investigados

A nova decisão de Moraes que reforça precedente desfavorável para Bolsonaro  – CartaCapital

Moraes está sendo investigado e não tem como escapar

Merval Pereira
O Globo

Tenho a impressão de que Daniel Vorcaro está numa segunda fase da delação. A primeira é quando se acha possível enganar a polícia denunciando alguns bagrinhos para ganhar as vantagens. Isso ele já descobriu que não adianta, porque a PF tem um dossiê imenso de informações, saído dos próprios celulares dele.

Então, terá que fazer muito esforço para contar para a PF tudo o que ela não sabe e não saberá mesmo depois que abrir todos os celulares. E ele já mandou recado de que não vai livrar ninguém.

CONTAR TUDO – Aí vem a segunda fase, e, evidentemente, para contar tudo, tem que explicar a relação com Dias Toffoli, a compra do resort Tayayá, e a história do contrato da mulher de Alexandre de Moraes, por exemplo.

Vai ter que aprofundar esta relação e, de uma maneira muito clara, denunciar todos os que comprou, ou a delação não será validada.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já demonstrou claramente que não está disposto a ir em frente nesta questão, e como tem uma disputa com a Polícia Federal, provavelmente caberá ao ministro relator André Mendonça decidir o que fazer.

Como ele sabe de tudo, porque tem acesso direto à PF, Vorcaro terá que indicar muitas novas pistas a serem investigadas, quer o procurador queira ou não.

Acredito que a delação será bombástica, ou ele não vai se livrar. Vai chegar a um ponto em que os ministros terão que ser investigados. Não sei como será a reação deles, mas será difícil vetarem a investigação, devido aos vestígios muito fortes de relacionamento com Vorcaro.

Pesquisa mostra que Gilmar Mendes tem motivos para chorar no plenário do STF

Em nome do tribunal”, Gilmar chora e homenageia o advogado de Lula (veja o vídeo)

Gilmar chorou no plenário ao chamar Moraes de “herói”

Fabiano Lana
Estadão

Os olhos do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, encheram-se de lágrimas, na semana passada, ao se referir ao seu colega Alexandre de Moraes, “em virtude de sua irretocável, proba e sacrificante atuação”.

Gilmar tem razão em se lamentar, não exatamente por seu enrolado companheiro da bancada no Supremo, mas com a instituição na totalidade, vista com desconfiança pela maioria da sociedade, de acordo com a pesquisa AtlasIntel/Estadão.

PAPEL DO STF – É preciso fazer uma ponderação. Ser popular não é objetivo, papel ou tarefa do Judiciário. Em tese, cabe a esse Poder cumprir a lei e pronto. Mas aí que está o grande problema atual.

A queda da aprovação do Supremo e dos seus ministros tem a ver com a impressão popular de que não estão garantindo a Constituição, mas cuidando de interesses próprios. Pior, teriam relações para lá de perigosas com gente do mundo do crime.

Hoje, 60% dos brasileiros não confiam no STF. Em agosto do ano passado, eram 51%, segundo a pesquisa. O que isso significa? Que mesmo durante o auge do processo de condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, a sociedade estava dividida entre os que apoiavam ou não a corte.

MENDONÇA CRESCE – Com o inacreditável caso Master, o endosso ao Supremo desaba. 77% dos brasileiros acham que há “muita influência externa” no julgamento do Banco Master no STF;  e 66% acreditam que os ministros estão envolvidos diretamente no caso.

Hoje, o brasileiro não acha que o Supremo defenda a democracia, não acha que obedeça à Constituição, não acha que respeite o Poder Legislativo, não acha que defenda os direitos individuais.

Quando se pergunta nome por nome, o relator do caso Master, André Mendonça, é o mais popular do Brasil. Cabe perguntar se há um risco de ele se tornar um novo Sérgio Moro. Outro que encontrou uma veia popular foi o ministro Flávio Dino, que, ao determinar o fim dos penduricalhos, encontrou o apoio de 72% da população.

OUTRAS INSTITUIÇÕES – Para não dizer que o STF está de mal a pior, existem as instituições avaliadas de maneira ainda mais negativa pela sociedade. Os governos estaduais, o Exército e as Forças Armadas e o Congresso. Por outro lado, para mostrar que o brasileiro não está para brincadeira e apresenta viés punitivista, a Polícia Federal, a Polícia Civil e a Polícia Militar são as instituições mais admiradas. Ou seja, o povo adora polícia, quem não gosta é intelectual (e, eventualmente, jornalistas).

Alexandre de Moraes ainda conserva algo de sua força com 37% de apoio. Não será nenhuma surpresa que o abono a Moraes coincida com o eleitorado de Lula. Afinal, Moraes é ainda o algoz de Bolsonaro – tornou-se uma espécie de ídolo da esquerda.

Mas Dias Toffoli está completamente na chuva, com avaliação positiva de apenas 9% da população. O penúltimo em popularidade, aliás, foi o opinioso Gilmar Mendes, com 20% de endosso. A depender da continuidade do caso Master, mais lágrimas vão rolar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente artigo, analisando uma pesquisa que está muito próxima à realidade dos fatos. Aliás, daqui para a frente o ministro André Mendonça vai dominar a cena. E já percebeu que, para ser amado pelo povo, basta cumprir a lei e fazer o que é certo, conforme é o lema da Tribuna da Internet. E não esqueçam: comprem muitas pipocas, porque o preço do milho vai aumentar, com a crise mundial. (C.N.)

Polícia Federal precisa evitar os excessos que marcaram a Lava Jato e o Supremo

Pressão institucional, guerra global e disputa interna: o Brasil entra em uma semana decisiva

CPI do INSS entra em sua fase mais sensível

Pedro do Coutto

A semana que se inicia em Brasília carrega um peso que vai além da rotina política. A chamada CPI do INSS entra em sua fase mais sensível, não apenas pelos fatos que investiga, mas sobretudo pelo ambiente institucional que a cerca. O atrito crescente com o Supremo Tribunal Federal revela uma tensão que não é nova, mas que agora ganha contornos mais delicados: até onde pode ir uma comissão parlamentar de inquérito? E onde começam os limites impostos pelo Judiciário?

A disputa sobre quebras de sigilo e a obrigatoriedade de depoimentos expõe uma fricção clássica entre Poderes — mas, desta vez, com potencial de transbordar para o centro da estabilidade política.

PRORROGAÇÃO – Nos bastidores, já se considera praticamente inevitável a prorrogação dos trabalhos da comissão. E isso não é um detalhe técnico: é um indicativo de que há material sensível ainda por vir. A possibilidade de novos depoimentos, inclusive de figuras próximas ao poder, amplia o risco político para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda que nomes centrais possam evitar comparecimentos diretos, o histórico recente da política brasileira mostra que, muitas vezes, o conteúdo revelado — e não apenas quem depõe — é o que produz maior impacto. O fantasma de delações e vazamentos paira sobre Brasília como um elemento imprevisível e potencialmente explosivo.

ESCALADA DE TENSÕES – Enquanto isso, fora do eixo institucional, o país sente os efeitos de uma conjuntura internacional cada vez mais instável. A escalada de tensões envolvendo Estados Unidos e Israel, somada a conflitos já em curso, pressiona cadeias logísticas e eleva custos globais.

No Brasil, esses reflexos deixam de ser abstrações geopolíticas e se traduzem em dificuldades concretas, como as registradas no Rio Grande do Sul, onde dezenas de municípios enfrentam problemas de abastecimento que afetam diretamente o transporte e a economia regional. A guerra, ainda que distante no mapa, começa a se manifestar no cotidiano.

DISPUTA POLÍTICA –  Esse cenário externo adverso se soma a uma reconfiguração interna da disputa política. O tabuleiro eleitoral de 2026 começa a ganhar forma com a multiplicação de candidaturas no campo da centro-direita. Nomes como Romeu Zema, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite se movimentam, ampliando a fragmentação de um espectro político que ainda busca unidade. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro tenta consolidar seu espaço como herdeiro direto do capital político do bolsonarismo, o que adiciona uma camada extra de disputa dentro do próprio campo conservador.

O resultado é um ambiente político marcado por múltiplas pressões simultâneas. De um lado, uma CPI que pode se estender e produzir novos desgastes institucionais; de outro, um cenário internacional que impacta diretamente a economia e a percepção de estabilidade; e, ao fundo, uma eleição que, embora ainda distante no calendário, já se mostra inevitável no horizonte político. Em momentos assim, o risco não está apenas nos fatos isolados, mas na convergência deles.

A história recente ensina que crises raramente se desenvolvem de forma linear. Elas se acumulam, se cruzam e, em determinado momento, explodem em efeitos difíceis de conter. O Brasil, mais uma vez, parece caminhar sobre essa linha tênue — onde investigações, tensões institucionais e pressões externas deixam de ser episódios separados e passam a compor um mesmo quadro de incerteza.

Kassab aposta em Caiado para frear Flávio Bolsonaro e disputar o centro contra Lula

Imagem do Supremo desce ladeira abaixo, como ocorreu com as Forças Armadas

Credibilidade dos militares despenca no Brasil - CTB

Charge do Thiagão (Arquivo Google)

Francisco Leali
Estadão

A notícia de um resort de luxo que une os nomes Dias Toffoli e Daniel Vorcaro e a revelação de que o banqueiro do Master também contratou a mulher de Alexandre de Moraes circulam há algum tempo e o retrato do estrago está posto. A imagem do Supremo Tribunal Federal vai ladeira abaixo, como aponta pesquisa AtlasIntel/Estadão.

A série histórica do levantamento grita: mostra que a curva descendente da confiança no Supremo disparou em agosto do ano passado. Naquela época, já se sabia das ligações de Vorcaro com a família Moraes. Depois vieram as notícias de o banqueiro também às voltas com os Dias Toffoli

REMÉDIO AMARGO – Com a polícia no encalço do dono do Master, descobriu-se nos seus celulares muita coisa. Tanta que a situação só piorou. O STF experimenta então o mesmo remédio amargo já degustado pelas Forças Armadas.

Levantamento da AtlasIntel havia mostrado que os militares, tradicionalmente reconhecidos como parte de instituição respeitada, perderam a confiança do brasileiro a partir do 8 de Janeiro. As alianças com o ex-presidente Jair Bolsonaro e a adesão de parte da caserna à tentativa de golpe dragaram as Forças Armadas junto com o capitão, hoje condenado e preso.

Há que se lembrar que pesquisas indicam os ânimos do momento. O problema é quando o que era para ser um retrato instantâneo começa a se consolidar nas mentes e o respeito à instituição fica sob abalado. Para reparar essa situação, leva tempo, quando repara.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O artigo é verdadeiro, mas as pesquisas são duvidosas, porque a desmoralização da Suprema Corte deveria estar sendo muito mais radical do que a dos militares, que planejaram um golpe, mas não concretizaram. No caso do STF, desde a libertação de Lula e a anulação de suas condenações unânimes, em três instâncias, os ministros estão mostrando que as leis não precisam mais ser cumpridas, apenas interpretadas, de acordo com o freguês. Como diria a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, a lei agora é apenas um detalhe. (C.N.)

Fábio Faria se arriscou no Caso Master operando para o seu tio, que chefia o clã

Ricardo Faria, chefe do clã, só é fotografado de surpresa

Carlos Newton

Causam estarrecimento as revelações do conteúdo do primeiro celular do banqueiro Daniel Vorcaro a ser periciado, por exibir suas ligações com políticos e autoridades dos três Poderes. A expectativa é enorme e ainda faltam ser examinados outros sete celulares, inclusive o telefone usado pelo capanga Sicário, que morreu ou foi suicidado na Polícia Federal de Belo Horizonte, digamos assim, porque até hoje as imagens dele não foram exibidas, embora não haja o menor motivo para sigilo.

Conforme informamos aqui na Tribuna da Internet nesta segunda-feira, dia 23, um dos políticos citados pela Polícia Federal é o ex-deputado federal Fábio Faria (PP-RN), cujos diálogos mostram ser íntimo do dono do banco Master.

ENORME REPERCUSSÃO – As notícias do envolvimento do ex-parlamentar estão tendo enorme repercussão no Rio Grande do Norte, porque a família de Fábio Faria é uma das mais atuantes e poderosas da política estadual, rivalizando na direita com os tradicionais Maia, Rosado e Alves, enquanto a esquerda é dominada pelo PT.

O chefe do clã é o empresário Ricardo Mesquita de Faria, tio de Flávio, que nas últimas décadas comanda o espantoso enriquecimento da família.

Para garantir influência política, em 1986 Ricardo elegeu o irmão Robinson, pai de Flávio, como deputado estadual. Foram sete mandatos seguidos, até Robinson conquistar o governo estadual em 2015, enquanto o filho Flávio se elegia deputado federal em quatro legislaturas.

NA ERA SARNEY – As informações que recebemos aqui na Tribuna são de que o enriquecimento começou lá atrás, no governo Sarney, quando o empresário Ricardo Faria tornou-se diretor financeiro da Embratur, presidida por João Dória, e a gestão deles acabou sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União. Aliás, por coincidência, é claro, Dória também é ligado a Vorcaro e aparece no celular dele.

Assim, a família Faria sempre esteve envolvida em corrupção e escapou por pouco da Lava Jato, quando foi investigada por determinação do procurador-geral Rodrigo Janot. Nas planilhas da Odebretch, Fábio era apelidado de “Bonitão”, e seu pai Robinson aparecia como “Bonitinho”.

Na mesma época, o Ministério Público Estadual chegou a denunciar Robinson Faria por desvios e lavagem de dinheiro, mas ele também conseguiu escapar. Receosa, a família então passou a operar cada vez mais discretamente, o chefão Ricardo Faria mudou-se para o eixo Rio-São Paulo, raramente volta a Natal e não gosta de ser fotografado.

COM VORCARO – O grande erro da família foi essa ligação com Daniel Vorcaro. A perícia no primeiro celular exibe diversas conversas com Fábio Faria, que se mostra íntimo do banqueiro e também de Dias Toffoli, a ponto de se oferecer para fazer a reaproximação entre os dois, que estavam meio agastados desde a negociação do resort Tayayá.

Nas mensagens, Vorcaro diz que Toffoli poderia mudar o voto numa ação indenizatória da usina Alcídia, que pertence à Odebrecht.

“Quem foi esse cara que te falou que o Toffoli mudou?”, perguntou Fábio Faria, e o banqueiro então citou o advogado Carlos Vieira, filho do atual presidente da Caixa Econômica Federal, vejam a que ponto de promiscuidade chegamos.

PROPINA DA JBS – Em Natal, o jornalista Rafael Duarte, da agência Saiba Mais, diz que as acusações à família Faria se acumulam. Ele conta que, em meio ao escândalo protagonizado por Joesley Batista durante o governo Temer, em 2017 o delator Ricardo Saud revelou o acerto de uma propina de R$ 10 milhões para o então deputado Fábio Faria.

Em troca, segundo a delação, uma empresa do grupo JBS privatizaria a empresa estadual de água e esgotos (CAERN).

No Supremo, a ministra Rosa Weber arquivou a questão, alegando falta de provas, porque o negócío não se concretizara, embora o próprio Joesley Batista tenha confirmado em juízo a propina, que fora feita num jantar em sua casa, em São Paulo, que ele ofereceu a Fábio, sua mulher Patrícia Abravanel e o pai dele, Robinson Faria, então governador.

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P.S. –
A conclusão de tudo isso é que Fábio Faria é um pobre menino rico, casado com uma mulher mais rica ainda. Portanto, não tem o menor motivo para se corromper, mas se arrisca a ser incriminado nessa investigação do Master, enquanto seu tio, Ricardo Mesquita Faria, que leva a maior parte da pilhagem, acredita que nunca poderá ser alcançado pela lei. (C.N.)

Supremo falha no quesito transparência e TCU decide que não há problema

Testemunha do caso do golpe, ex-chefe da FAB rejeita Lula e Flávio Bolsonaro em 2026

Brigadeiro Baptista Júnior defende reforma na Defesa

Marcelo Godoy
Estadão

O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, de 65 anos, está preocupado. Diante do conflito no Oriente Médio e na Ucrânia e da ação do governo de Donald Trump na Venezuela, o homem que comandou a Força Aérea Brasileira (FAB) deu a primeira entrevista a um jornal desde que deixou o comando da Força, ao término do governo de Jair Bolsonaro.

Tornou-se, então, uma das principais testemunhas sobre a tentativa de golpe, que levou o ex-presidente e outros 16 militares à condenações que, somadas, chegam a 348 anos e 7 meses de prisão. BJ, como é conhecido, manifestou-se após os chefes das Forças Armadas terem entregado ao governo um plano de investimentos de R$ 800 bilhões para até 2040, para o Ministério da Defesa enfrentar a era dos drones.

UNIFICAÇÃO – Disse que só investimentos não bastam e apontou a necessidade de um comando unificado na guerra moderna, como o adotados pelos EUA em 1986. Durante a entrevista, o brigadeiro tratou da nova estratégia americana para a Segurança Nacional e o uso das Forças Armadas no combate ao narcotráficos.

Também tratou do processo no STF, de suas relações com oficiais do Exército para impedir o golpe e contou sua avaliação sobre o papel dos militares na República, inserindo nela a atuação de alguns personagens, em 2022.

POSTURA DE GARNIER – Ele defendeu a legalidade, a hierarquia e a disciplina e revelou o que mais o preocupou na tentativa de golpe em 2022: a postura do almirante Almir Garnier, que rompeu a unidade dos comandos das três Forças. Garnier foi condenado a 24 anos de prisão. Baptista Júnior também tratou dos ataques ordenador pelo general Walter Braga Netto à sua família. E defendeu a revisão de algumas condenações, como a do general Paulo Sérgio de Oliveira.

O ex-comandante da FAB definiu-se como um liberal, um homem de direita. E anunciou: vota em 2026 em qualquer candidato, menos em Lula e em Flávio Bolsonaro. “É preciso romper com os populismos.”

O presidente Lula citou os riscos à soberania nacional pela falta de investimentos na área e o senhor o criticou. Qual é a parcela de responsabilidade dele e do Congresso na atual condição da Defesa Nacional?
O presidente Lula tem uma característica de adequar o discurso à audiência. Nessa reunião com o presidente da África do Sul ele combateu a ideia que, para se ter a paz, é preciso se preparar para a guerra. E, logo depois, ele falou em dissuasão. Realmente, eu acho que o papel do Brasil tem de ser de dissuasão. Como o próprio Celso Amorim, quando era ministro da Defesa, falou: “Nós podemos ser um tigre manso, mas não desdentado”.

A dissuasão é muito importante e o ponto focal do problema, para mim, é a percepção de ameaça, porque o brasileiro não tem a percepção de ameaça, a classe política e o governo não têm. É muito difícil, a partir de um orçamento que tem apenas 8% de despesas discricionárias e entre elas, R$ 50 bilhões são para emendas parlamentares. O que sobra para as Forças Armadas e para os outros ministérios, logicamente, é muito pequeno.

A partir desse orçamento engessado, vejo com muita felicidade iniciativas como, por exemplo, a do ministro José Múcio, tentando de alguma forma vincular as despesas da Defesa a algum índice. Fala-se em 2% do PIB, ou 2% da da Receita Corrente Líquida. Isso é muito importante. O fato é que nós estamos – as três forças, o sistema de defesa brasileiro – em uma situação descendente preocupante já há algum tempo, e não é deste governo, é nos últimos 30 anos. Outro fator tão importante quanto o dinheiro é o tempo. Há os projetos estratégicos já em andamento e ações que devem ser empreendidas.

O que mudou para que algumas autoridades estejam buscando soluções para a atual situação das Forças Armadas?
Certamente, a percepção de ameaças à soberania brasileira. A América do Sul tem sido caracterizada como uma região de paz prolongada, com exceções de conflitos fronteiriços bilaterais e esporádicos. No Brasil, nosso último conflito armado foi a Guerra da Tríplice Fronteira, ocorrida em meados do século 19. Tal fato desenvolveu em nossa população, inclusive em grande parte de nossos militares, uma baixa percepção de que o País poder ser ameaçado por outra nação ou atores não estatais ou transnacionais.

Junte-se a isso o entendimento das enormes carências sociais da população brasileira, e teremos o resultado atualmente bastante visível: nossas Forças Armadas não estão preparadas adequadamente para o cumprimento de sua missão-fim. Em síntese, nossa capacidade militar está, já há algum tempo, incompatível com o bem maior que deve proteger: o Brasil.

Essa mudança em busca de soluções foi iniciada ainda durante a campanha presidencial nos Estados Unidos, com as ideias expansionistas do então candidato Trump, como podemos exemplificar pelas propostas relacionadas ao México, Canadá e Groenlândia. Já após tomar posse, o presidente Trump, quase que em uma reedição da Doutrina Monroe – A América para os Americanos, emitiu a nova Estratégia de Segurança Nacional 2025. O documento é descrito por analistas como uma “declaração de missão” pessoal do presidente, focada no realismo ofensivo. Ele ignora o tom diplomático tradicional e foca em resultados transacionais imediatos, refletindo muito mais a visão direta da ala mais fiel ao America First do que o consenso burocrático das agências de inteligência.

Some-se a isso a operação feita em território venezuelano, para captura do ditador Nicolás Maduro, os ataques ao Irã e os primeiros movimentos para uma nova guerra ao narcotráfico na América Latina, e temos nos ofuscando uma “luz vermelha” nos lembrando que “a guerra é a continuação da política por outros meios”, como ensinou Carl von Clausewitz.

O que significa esta “luz vermelha”?
A difícil constatação de que nossas Forças Armadas não estão minimamente preparadas para os conflitos modernos. Que o grau de dissuasão militar está muito reduzido.

O senhor acredita que o País tem essa percepção de ameaça?
Não, o Brasil não tem. Inclusive, muitos oficiais e oficiais-generais não têm. Então, se nós não tivermos essa percepção de que o ticket deste seguro chamado Forças Armadas tem que ser compatível com o bem que nós estamos protegendo, a área de defesa jamais terá a prioridade necessária. Sei que o Brasil está cheio de carências sociais, né? E é muito difícil convencer as pessoas sobre essa “luz vermelha”, mas é necessário e urgente.

O senhor está falando sobre um possível conflito com uma grande potência?
No caso brasileiro, a emissão da Estratégia Nacional de Defesa de 2008 trouxe uma evolução na doutrina de emprego das Forças Armadas brasileiras, que deixaram de planejar para “hipóteses de guerra” para confrontos diretos com vizinhos para “hipóteses de emprego”, base para a obtenção das capacidades necessárias a diversas características do emprego das Forças Armadas. A partir do processo de “planejamento baseado em capacidades” e da disposição do governo em aportar mais recursos para as Forças Armadas, certamente, iremos melhorar a situação atual, mas penso que outras decisões são pré-requisitos para uma aplicação eficiente dos recursos e do tempo disponível.

O Exército apresentou um plano ao governo de investimentos de R$ 456 bilhões. Ao todo, a Defesa afirma que seriam necessários R$ 800 bilhões até 2040. Mas o senhor diz que não basta só dinheiro. O que precisa mudar na estrutura das Forças Armadas?
Servi dois anos como Chefe de Operações Conjuntas no Ministério da Defesa, podendo constatar que, a exemplo do processo ocorrido nos Estados Unidos, a partir de 1986, precisamos de alterações na estrutura de Defesa do Brasil, na qual cada Força ainda detém poderes da época anterior à criação do Ministério da Defesa, em 1999, quando tínhamos quatro ministérios militares. Arrisco-me a dizer que, em muitos aspectos, as forças individualmente têm mais poder do que o próprio Ministério da Defesa.

Sei da contrariedade que muitas dessas minhas visões causam nos oficiais-generais da ativa e da reserva, de todas as Forças, mas a subordinação da Marinha, do Exército e da Força Aérea a um Estado-Maior Conjunto seria a primeira e mais importante modificação. O chefe deste Estado-Maior deveria ter precedência sobre todos os demais militares do Brasil.

Em segundo lugar, é preciso definir de forma precisa as missões das Forças Armadas, que, ao meu ver, seriam apenas de organizar, treinar e equipar nossa Marinha, Exército e Força Aérea; elas não teriam mais nenhuma missão de emprego, que passariam a ser executadas por comandos operacionais conjuntos permanentes.

Outro ponto a ser resolvido como pré-requisito à alocação de novos recursos é a discussão das capacidades necessárias de cada Força, decididas com base nos interesses do emprego, do tempo necessário, das possibilidades de inclusão das indústrias nacionais como beneficiárias de acordos de offset. Precisamos sentar os almirantes, generais e brigadeiros em um mesmo ambiente, a fim de priorizar projetos estratégicos como o submarino, o Sisfron, sistemas de defesa antiaérea, mísseis hipersônicos ou para aviões de reabastecimento aéreo e aeronaves de alerta aéreo.

Diante do que observamos na Ucrânia e no Oriente Médio, a antiaérea não seria uma necessidade urgente?
Em 1995, definiu-se que a defesa antiaérea no Brasil seria de responsabilidade do Exército, cabendo à Marinha e à FAB a autodefesa de seus pontos sensíveis. Ouço que a FAB pensa em comprar o sistema alemão, e o Exército, o italiano. Mas, antes de escolher qual sistema e quais camadas ele terá, é necessário decidir se essa defesa será de dentro para fora ou de fora para dentro, quais áreas sensíveis ela vai proteger, se ela servirá para atacar os meios ou os armamentos em si, como mísseis e drones? Se é melhor ter um Gripen lá na fronteira, ou ter uma antiaérea de grande alcance? Porque o Brasil é muito grande.

Primeiro temos de rediscutir e redefinir as responsabilidades de cada Força antes de pensar quais são as infraestruturas críticas, o que a gente vai defender. Só dinheiro não resolve o problema. É preciso que haja entendimento entre as três Forças. É preciso definir as hipóteses de emprego e quais inimigos se pretende dissuadir. Trata-se de uma ameaça regional de médio porte, por exemplo? Você tem o Plano de Defesa Aeroespacial do Brasil. Esse plano não é um plano só do Exército; é um plano do Comando de Operações Aeroespaciais, um comando conjunto responsável pelo comando da defesa do espaço aéreo brasileiro, que utiliza meios das três Forças Armadas.

A experiência do senhor no Ministério da Defesa o convenceu da necessidade de um Estado-Maior Conjunto?
É necessário redistribuir o poder em diversas decisões que ficaram nas forças e colocá-lo embaixo de uma pessoa. Uma vez dei uma palestra aqui no Comando Militar do Planalto e eu falei isso. Era uma sexta-feira. Quando cheguei em casa, o general Fernando, que era o ministro, me ligou e falou: “Pô, BJ, faz um favor, alguém apresentou um troço lá, que três ex-comandantes da Marinha já me ligaram para reclamar”. Falei: “De quê?” “Negócio de subordinação, das Forças”. Eu falei: “Não precisa, fui eu que falei de verdade”. “Ah, então tá bom, então eu não quero saber nada não.” Então, essa é uma discussão muito difícil. Mas eu acho que a gente tem de encarar isso, sabe?

Nessa minha experiência no CHOC (Comando de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa), eu vi que é muito mais fácil. Era eu e o general José Eduardo (Pereira), depois, ele foi comandante aí em São Paulo, grande amigo. Ele era meu vice e depois ele virou CHOC. Nós cunhamos o slogan de que “juntos somos mais fortes” e fizemos isso porque não tínhamos absolutamente nenhum problema de tenente-coronel para baixo. Mas a força institucional, a dificuldade do oficial general entender que juntos nós somos mais fortes era um problema que foi, talvez, o que um general americano quis dizer para mim sobre esse mesmo processo, que eles enfrentaram nos anos 1980: ele só acaba quando aquele cara que entrou na Academia Militar antes da mudança for embora. É um problema cultural.

Apesar disso, o senhor acha que a interoperabilidade das Forças Armadas evoluiu com o Ministério da Defesa?
Certamente esse é o ponto de maior destaque nesta fase após 1999, quando foi criado o MD. Entretanto, há dois aspectos que gostaria de destacar: a maior integração e crença no lema de que “juntos somos mais fortes” entre os oficiais de menor patente em comparação aos oficiais generais e a grande importância aos recursos que os exercícios e operações conjuntas podem representar para a sobrevivência de cada Força. Necessário, entretanto, serem integrados não apenas a doutrina de planejamento e emprego, mas equipamentos, como rádios e IFF (Identification Friend or Foe, sistema de identificação para evitar fogo amigo), sistemas de comando e controle e processos decisórios sem os quais as decisões poderão não ser as melhores para o todo, mas para uma determinada Força Armada. A falta de recursos não favorece a confiança mútua.

Ao mesmo tempo que buscam mais recursos, as Forças têm procurado fabricantes nacionais para garantir autonomia e desenvolver a base industrial da Defesa. Como o senhor analisa esse movimento?
Essa pergunta me exige fazer uma análise inicial sobre o papel da SEPROD (Secretaria de Produtos de Defesa), do MD (Ministério da Defesa). A SEPROD foi criada na reestruturação do Ministério da Defesa, pelo então ministro Nelson Jobim, com base na Direction Générale de l’Armement (DGA). A DGA é a agência governamental francesa responsável pela aquisição de equipamentos de defesa, desenvolvimento de novas tecnologias e exportação de armamentos. Diversos países têm, em suas estruturas estatais, agências similares à DGA francesa. Infelizmente, e após mais de quinze anos, a SEPROD não conseguiu se contrapor ao poder decisório das Forças Armadas, não tendo atingido, até o momento, os objetivos vislumbrados por Nelson Jobim. São 27 anos de Ministério da Defesa. Não é pouco. Essa reestruturação depende de um poder político para impor isso às Forças, pois ninguém abre mão do poder facilmente.

O que seria necessário para FAB garantir um mínimo de dissuasão?
Eu não falo em nome da FAB, mas acredito que o número adequado de Gripens seria de 66 aviões, divididos em três bases, com 22 aeronaves cada. No caso da FAB, isso significa um poder de dissuasão. Mas ele depende de inteligência operacional, de sensoriamento remoto e de aviões reabastecedores. Se temos poucas aeronaves, quanto mais tempo elas puderem permanecer em voo sem gastar tempo para reabastecer no solo, melhora o uso do caça. Em razão disso, o Brasil precisa priorizar os aviões de reabastecimento, além de caças e aviões de patrulha. Outro ponto que devemos enfrentar é a visão e percepção das missões subsidiárias. As Forças não devem ter a preocupação de usar seus recursos para aquisição de meios para essas missões.

Comandante, um outro tema está consumindo o debate no País: a nova estratégia nacional de defesa dos EUA que priorizou a segurança do hemisfério ocidental e transformou o narcotráfico em ameaça à segurança nacional, tratando-o como organização terrorista. Isso pode ter consequências para o Brasil. O que o senhor acha da pressão para que as Forças Armadas da América Latina sejam usadas no combate ao crime?
A FAB já abateu diversos aviões do narcotráfico. Um deles vinha do Peru. No governo Obama, todo mês de outubro, o governo americano emitia um documento dizendo que o nosso processo era muito bom. Nós nunca acertamos um avião errado. Até porque nós temos uma inteligência e uma proximidade com a Polícia Federal muito boa. É um procedimento com radar, com inteligência. Você imagina isso numa estrada no interior do Mato Grosso, ou seja, é muito preocupante colocar as Forças Armadas no nível de combate ao narcotráfico mais baixo, por problemas de corrupção, por problemas de perda da visão de missão. A Força Aérea, na verdade, não combate o narcotráfico, ela combate a utilização ilegal do espaço aéreo, tanto que, se o avião pousar, a Força Aérea não pode atirar no avião que está no chão.

Além de não ser apropriado esse uso das Forças Armadas, como por exemplo o México fez, esse desejo americano também é uma política que não interessa ao Brasil?
No sentido de uso do instrumento não. É evidente que a gente tem que combater o narcotráfico. E acho que nós ficamos refém da interpretação que os Estados Unidos possam dar de nossa decisão com consequências ruins para o Brasil. Porque ele pode usar essa ou outra lei no dia que acertar um alvo errado ou no dia em que não houver erro, entendeu? Acho que podemos ficar refém da aplicação de sanções com base em leis americanas, não ao bel prazer do governo dos Estados Unidos, mas por questões políticas e não técnicas. Mas o principal seria que nossos militares perderiam o foco de qual é a missão deles, que é a defesa da Pátria. Mas o Brasil tem sabido como tratar essa situação e será respeitado.

Seria quase que a transformação das Forças Armadas em forças policiais?
Sim, em forças policiais.

Comandante, agora, sobre o processo do STF. Sei que o senhor pode dizer: “tudo o que tinha para dizer, já disse no Supremo”. Mas eu queria saber qual o custo pessoal desse processo para o senhor e o custo para as Forças Armadas de todo esse processo que o senhor vivenciou? Foi um processo doloroso?
Eu vou falar sobre isso, mas vou falar de uma pessoa só. Eu não sei te precisar, mas vou dizer que foi um processo que durou uns 6 meses… Logicamente, que todos nós vemos o que acontece no Brasil. E eu fui reler o livro – e até botei na minha mídia aqui – 1889. Reli muito nesse ano passado, sabe? Porque eu precisava refletir sobre tudo o que aconteceu. Então, li alguns livros: li 1889, li A Democracia na América e um livro maravilhoso: O Soldado Absoluto.

Sobre o marechal Lott?
Sim. Porque eu precisava degustar isso. Eu precisava digerir isso. Há uns seis meses – acho que no programa do William Waack – esteve o presidente da Atlas/Intel. E aí, no meio da discussão, ele estava apresentando uma pesquisa e trouxe um número preocupante porque mostra como está a nossa sociedade. Ele disse que tinha um número que nunca havia divulgado, que naquele período, que nós estamos tratando aqui, de novembro e dezembro de 2022, 30% da população adulta do Brasil não encararia qualquer artifício que fosse usado pelo ex-presidente Bolsonaro para se manter no poder como um golpe de Estado. Isso é muito sério. Se tivesse decretado Estado de Sítio, Estado de Defesa, GLO (Garantia de Lei e Ordem), qualquer coisa para não passar o poder no dia 1.º de janeiro. Veja: 30% da população adulta não encarava isso como algo inconstitucional. Isso para mim foi, de tudo o que eu vivi, o mais perigoso, porque 30% é muita gente. O risco é identificar uma parcela com o povo. Povo não é bolsonarista, não é lulista, não é esquerda, não é católico. Povo somos nós: 212 milhões.

A palavra povo passou a ser usada por todas essas bolhas, como se este ou aquele representasse o povo. O povo somos nós todos, que, como diz aqui Locke, fizemos um contrato social para a gente viver em sociedade. E olha que você sabe, você me criticou algumas vezes sobre isso, eu era muito alinhado com os princípios, que eu sou um homem de direita…

O senhor sabe que lembrei do exemplo do brigadeiro (José Ribeiro) Meira (de Vasconcelos), que sofreu muito em razão da invasão da política nos quartéis da FAB depois de voltar pluriconderado da guerra na Itália…
Sim. Meira era amigo de Moreira Lima, de Rui Moreira Lima (brigadeiro, também veterano do 1º Grupo de Aviação de Caça e condecorado na Itália, Lima foi cassado pelo regime militar, em 1964). O próprio Nero Moura (comandante do 1º Grupo de Avição de Caça, na Itália), que deixou de ir à Santa Cruz (Base Aérea), falou: “Enquanto uns que combateram na minha ala não puderem entrar numa base aérea, eu também não entro”. Não entrou. Meu pai morreu no dia 13 de janeiro (brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, que comandou a FAB de 1999 a 2003). E meu pai é um grande exemplo da minha vida. Isso aqui é a dedicatória que ele escreveu nesse livro (o brigadeiro abre o livro 1889) assim: “1889, o modo pelo qual o Exército brasileiro foi entronizado como Poder Moderador da República Federativa do Brasil”. Então, 30% queriam um golpe.

E eu tinha o meu limite. Algumas coisas, a maneira como nós três (almirante Almir Garnier, general Paulo Sérgio de Oliveira e o brigadeiro) assumimos estará no livro que estou escrevendo, a maneira como foi trocado o general Fernando (Azevedo e Silva, então ministro da Defesa, e os 3 chefes das Forças foram demitidos por Jair Bolsonaro em 29 de março de 2021), cada um tem a sua leitura.

O senhor está escrevendo um livro?
Comecei a rascunhar aqui… Mas, então, 30% queriam. Então, tinha muita gente que queria. Como disse lá no meu depoimento, mantive o Alto Comando informado do que estava acontecendo, entendeu? Falei (aos brigadeiros): “Vou dar um exemplo do meu pai. Meu pai, na Revolução de 64, estava no Congo e o comandante do esquadrão sumiu. E nós não podemos sumir. Então, eu quero saber o que vocês acham de cada coisa.”

Eu tinha muito bem estabelecido qual era o meu limite como cidadão, como legalista. E eu tinha deixado isso muito claro em algumas entrevistas que eu dei para Andrea Jubé, logo no início do meu comando, depois para Tânia Monteiro e no final, acho que deixei muito clara a minha posição numa entrevista que eu dei para o Igor Gielow, cujo título foi: “Brig Baptista Jr – Militares vão prestar continência a Lula ou a qualquer outro”.

Eu acho que a partir desse momento, todo mundo sabia a minha opinião, inclusive os demais comandantes. E que, isso daí, essa discussão, começou desde que Lula foi solto, foi “descondenado”. Então, esses 30% fizeram muita pressão, a reserva fez muita pressão. Recebo muitos ataques até hoje, inclusive em grupos com membros de oficiais da reserva e da ativa, com mais antigos dando péssimos exemplos aos mais novos. São, em sua maioria, viúvas do golpe que sonharam e apoiaram pelas suas telas de celular, que pensam representar todos os patriotas do País. Outros, são apenas “bobos da corte”, míopes quanto ao seu poder de influenciar os que se mantêm nos limites legais, acreditando no sistema democrático de freios e contrapesos.

Como é que foi conviver com isso e como o senhor imagina que isso impactou as Forças?
Eu falei que eu fui reler alguns livros aqui, né? Algumas coisas me incomodavam. Você já leu A Trincheira Tropical, do Ruy Castro? Foi o melhor livro que eu li no ano passado. Uma pena que meu pai já estava no hospital. O primeiro capítulo fala do movimento integralista. O capítulo 2 fala da Aliança Libertadora Nacional. Aí eu falo com os bolsonaristas radicais, o que vocês acham que era a história do movimento integralista, baseado no fascismo? Você sabe como é que eles se chamavam? Os patriotas. Vocês sabem como era o lema deles? Deus, Pátria e família. Eu fui ler alguns livros, como a biografia do Eduardo Gomes. E eu digo para você que não consigo, baseado em hierarquia e disciplina, ler este livro e ver até 1930, o papel e a maneira como oficiais de diversos níveis hierárquicos se imiscuíram na política, patrocinaram quarteladas, como foi a Proclamação da República.

E os 18 do Forte, depois de 1924, e isso vai até 1932. Esses tenentes que saíram do Forte de Copacabana atacaram o Exército. E os dois que não foram mortos, Eduardo Gomes e Siqueira Campos, não foram porque se jogaram na areia da praia.

Em 1955, era Exército contra Exército. A Revolta da Armada, as revoltas que oficiais da Aeronáutica promoveram em Jacareacanga e Aragarças, tudo. Essas coisas, a gente tinha de ter estudado mais, sabe? Eu fico com vergonha ao estudar a segunda revolta da Armada, Aragarças e Jacareacanga.

E agora eu vou voltar para 2022: eu falei para você que ia citar uma coisa que me machucou. Nenhum desses ataques me incomodou a ponto de ter qualquer fissura nas convicções sobre o que eu fiz. Era eu que estava lá. E a posição foi muito clara. Lógico que a ação contra minha a família me machucou, mas o que mais me incomodou – e eu não vou falar da Marinha, pois estou falando de uma pessoa –, porque isso é tão sério, foi a tentativa de quebrar a unidade de pensamento das três Forças. Isso para mim foi o mais sério de todo esse processo.

Eu estou falando de uma pessoa. Você nunca me ouviu falar que a Marinha era a favor de qualquer coisa errada. Eu nunca falei da Marinha. Mas a tentativa de romper o consenso, a unidade de pensamento das Forças e dos seus comandantes, isso para mim é um problema. Eu acho que isso é muito sério. Tão sério como a Revolta da Armada, como os 18 do Forte do Exército ou de Jacareacanga e Aragarças: o papel do Garnier (Almir Garnier, então comandante da Marinha).

Eu pensava que o senhor ia falar do Braga Netto, em função daqueles ataques à sua família?
Eu tinha relação pessoal; eu, ele, meu pai, a família.

Como é que fica isso, brigadeiro, dentro da família militar?
Eu trabalhei na presidência do Fernando Henrique, no projeto Sivam. Minha mesa era do lado dele (Braga Netto). É lógico que sinto. Acho que algumas punições, só que eu não sou juiz, mas posso achar, foram exageradas. E acho que isso aí vai acabar sendo repensado, revisado. Eu nunca achei que o Paulo Sérgio (de Oliveira, ex-ministro da Defesa) tivesse queda para qualquer virada de mesa. Eu temo que o Paulo Sérgio seja injustiçado, porque em todas as relações que nós tivemos, ele foi para baixar a bola, foi para acalmar.

Brigadeiro, o caso dele seria diferente de quem executou a operação psicológica para tentar encurralar o Alto Comando do Exército? Algo que o camarada sabe desde o momento que entra por aquele portal, ali em Resende (Academia Militar das Agulhas Negras), que isso ele não pode fazer?
O sujeito não pode. Não. Eu fui ler esses livros aqui porque fiquei abismado de ver todos esses movimentos. Se você olhar o tenentismo era isso, era um tenente conspirando para derrubar o coronel. Isso é muito sério. Hierarquia, é isso aí. Passou no portal, é hierarquia e disciplina.

Ou seja, isso não tem relação com o sujeito ser de esquerda ou de direita. Isso tem relação com a instituição militar, com você querer degradar ou não a instituição?
Exatamente. Você sabe que eu tinha muita preocupação dessa não unanimidade. As Forças Armadas precisavam de unanimidade. Para mim, isso sempre foi muito claro. O Exército é muito grande. Eu conheço mais a Força Aérea, sentava na cabeceira daquela mesa e olhei nos olhos de todos eles e tivemos uma conversa. Por isso que, quando acabou meu depoimento na Polícia Federal, lá em março de 24, o delegado perguntou: “O senhor quer adicionar mais alguma coisa?” Eu falei: “Quero. Quero que o senhor deixe aí registrado que foi uma posição minha e unânime do Alto Comando da Força Aérea”. Eu acho que isso eu devia a eles e à nossa unanimidade. E, logicamente, eu escutava essas coisas do Exército. Sei que o Exército é muito grande, é muito espalhado e tem um uma postura mais subjetiva.

Vou usar agora a expressão do (cientista político Samuel) Huntington que você usa: o Exército tem uma subordinação mais subjetiva ao Poder Civil. São culturas diferentes, entendeu? E, então, acho que a dita não unanimidade do Alto Comando do Exército, isso me preocupava bastante. Porque eu sei que lá, em 64, muitas pessoas foram traídas, caíram, foram cassadas, não sabia nem onde que estava. Mas eu conversei com alguns oficiais, logicamente além do Freire Gomes (general Marco Antonio Freire Gomes, comandante do Exército), como o (Valério) Stumpf (então chefe do Estado-Maior do Exército), o (Guido) Amin (então integrante do Alto Comando do Exército) e com uma outra pessoa que eu tenho muito respeito, o general (Sérgio) Etchegoyen (ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional). Conversei umas duas vezes longamente com ele (Etchegoyen) e eu sei que ele conversava com oficiais do Exército e me deixou muito tranquilo.

E em relação ao senhor, aos ataques ao senhor naquela época?
Acho que o que ajuda a levar porrada são as suas convicções. No STF, fui depor no processo do núcleo do (ex-major) Ailton Barros, aquele que o Braga Netto manda mensagem sobre mim. Ele me arrolou como testemunha de defesa dele. Foi uma página triste, mas só para ficar claro: aprendi que o que faz os Estados Unidos serem os melhores são duas palavrinhas: law enforcement (cumprimento da lei). Isso serve para (Daniel) Vorcaro, serve para STF, serve para qualquer um de nós, no trânsito ou sentado em um tribunal.

Recentemente o senhor afirmou em uma rede social que votaria em qualquer candidato da direita, menos no filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Por quê?
É porque eu acho que ele não está preparado para ser presidente. Aí também alguém me atacou. Eu acho que o Flávio é o mais ponderado dos filhos do Jair Bolsonaro. Talvez, durante o governo dele, eu achasse que o que tinha mais potencial – não acho mais – era o Eduardo. Hoje eu acho Flávio o mais ponderado. A esposa dele foi dentista da Força Aérea. Eu tenho, ou tinha, não sei, uma relação boa com ele. Como o próprio (Mauro) Cid (tenente-coronel) falou lá atrás, ele foi ponderado nesse período, nunca foi de inflamar para fazer nada de errado. Mas acho que nós temos de sair desses dois populismos (lulismo e bolsonarismo).

Eu pessoalmente acho que o Brasil tem de se livrar desses populismos que estão parasitando nossa sociedade. Porque o populismo é antes de mais nada, o populista é egoísta. Não há interesse público, há só o interesse deles, o interesse político de manutenção de poder, de roubar.

Acho que o Brasil merecia um outro. O Flávio tem um sobrenome que leva a gente a não sair dessas bolhas, sabe? Eu acho que quem perde são os 212 milhões (de brasileiros). Então, eu acho (Ronaldo) Caiado um bom candidato, Ratinho (Júnior), um bom governador, assim como o do Rio Grande Sul (Eduardo Leite) e o de Minas, o Romeu Zema. Acho que temos bons candidatos e uma boa oportunidade para não sermos algozes e vítimas do nosso futuro.

Mendonça enfrenta Alcolumbre (e Lula) e manda que CPI do INSS seja prorrogada

André Mendonça é relator do pedido de prorrogação e da investigação sobre irregularidades no INSS.

Mendonça está mostrando que é um ministro de verdade

Levy Teles
Estadão

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), faça a leitura do pedido de prorrogação dos trabalhos da CPI do INSS. Mendonça deu 48 horas para Alcolumbre atender a determinação.

Caso não o presidente do Senado não faça a leitura prorrogando os trabalhos da comissão, Mendonça determinou que a CPI ficará autorizada a continuar os trabalhos. A decisão do magistrado diz que a prorrogação deverá observar o tempo que a minoria no Congresso considerar necessário para concluir as investigações.

120 DIAS – No pedido de prorrogação da comissão, o presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG) sugeriu 120 dias, para ter mais segurança. No entendimento dele, porém, o prazo de mais 60 dias já poderia ser o suficiente para a conclusão dos trabalhos.

A aliados, Alcolumbre disse que a prerrogativa de adiar os trabalhos ou não é dele. Ele irá aguardar a comunicação formal para decidir o que fará. Viana inicialmente protocolou o pedido de prorrogação da CPI a Alcolumbre. O presidente do Congresso optou por não se posicionar sobre o tema, causando queixas de Viana.

No começo deste mês, Viana deu um ultimato a Alcolumbre: ou ele analisava o pedido ou o presidente da CPI iria pedir para que o STF agisse. Sem posição do presidente do Congresso, o senador foi à Suprema Corte na semana seguinte ao ultimato.

OTIMISMO NA CPI – Tanto Viana como o relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), manifestavam otimismo com a prorrogação após Mendonça ter sido confirmado como relator do pedido de prorrogação da CPI.

No cronograma inicialmente previsto, Viana determinou esta quarta-feira, 25, para a leitura do relatório e o dia seguinte para a votação. Mas o otimismo era tamanho que ele planejava até mesmo interromper da leitura do relatório de Gaspar para anunciar a continuidade dos trabalhos se a decisão chegasse ao mesmo tempo.

Com a prorrogação, Viana apresentará um novo calendário para a CPI, dando continuidade a requerimentos já aprovados, como as oitivas do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do ex-chefe da autarquia Roberto Campos Neto.

PT TENTA MELAR – Nesta segunda-feira, 23, o governo já tentava engatar negociações com o relator. O líder do grupo, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que planeja um relatório paralelo para derrotar o parecer do relator, conversou com Viana e Gaspar.

Gaspar trabalha intensamente na elaboração do relatório final. Ele permaneceu em Brasília neste final de semana para revisar o documento ainda em elaboração, que já tem mais de 5 mil páginas.

Servidores que trabalham com o relator dizem que o texto já tem mais de 200 indiciados. Gaspar, porém, analisa cada um deles para saber se poderão ser acusados de algum crime no documento final.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O objetivo do Planalto é evitar a incriminação de Fábio Luís, o Lulinha, filho de Lula, e de Frei Chico, que é irmão do presidente. Mas há evidências de que os dois realmente se envolveram na fraude sinistra e impiedosa, que desviou dinheiro de aposentados e pensionistas. Vamos aguardar. (C.N.)

Outubro longe, mas Lula não esconde o nervosismo e anda chutando o vento 

Altos índices de rejeição deixam Lula nervoso e irritadoVicente Limongi Netto

Lula anda dando coices em aliados pertos ou distantes. Fez check-up recentemente, nada de doenças graves, apenas catarata, já removida. Mas os 80 anos nas costas desde já fazem parte do vasto arsenal de maldades dos adversários contra ele.

Bolsonaro doente, perto de cumprir pena em casa. Petistas, aliados, seguidores, correligionários, admiradores e o próprio Lula pedem a Deus para o ex-presidente doente não partir agora para outro plano da vida. 

VÍTIMA E MÁRTIR – Se morrer antes das eleições, Bolsonaro será uma dor de cabeça ainda maior para Lula, porque vira vítima e mártir.  Há  poucos dias, frisei e lamentei aqui na Tribuna que Lula, no Rio, foi duro sem necessidade com Bolsonaro.

Deu tiros no próprio pé, liquidando o tal contraditório que defendo, julgo indispensável, sensato e justo, porque, muito doente, Bolsonaro não pode retrucar os insultos de Lula. Os filhos respondem por ele. Levam Lula para as cordas do ringue.

Impossível negar, as eleições estão nas ruas. Palanques bons e ruins montados. Quem for podre que se quebre. PT joga duro. Mas os adversários não temem mais repudiar as agressões do petista.

Cunhado de Vorcaro injetou R$ 48,5 milhões em empresa usada para pagar ‘Sicário’

Zettel foi diretor da empresa entre 2021 e 2024

Vinícius Cassela
Vladimir Netto
G1

O empresário Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez uma aplicação na Super Empreendimentos no valor de R$ 48,5 milhões em 2022, de acordo com a declaração de Imposto de Renda.

A Super é uma empresa apontada pela Polícia Federal como sendo utilizada pelo grupo para “prática de crimes financeiros e lavagem de dinheiro” para a “turma”, que seriam as pessoas que faziam o trabalho miliciano de Vorcaro, como os que eram prestados pelo “Sicário”, Luiz Felipe Mourão. De acordo com a Junta Comercial do Estado de São Paulo, Zettel foi diretor da empresa entre 2021 e 2024.

DECLARAÇÃO DO IR – A informação consta na declaração de Imposto de Renda de 2022 feita pelo próprio Zettel. O documento foi solicitado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado à Receita Federal.

Na declaração, Zettel informa que fez o aporte de R$ 48,5 milhões na forma de um adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC). Na prática, ele transferiu dinheiro para a empresa sem precisar pagar o imposto sobre transações financeiras (IOF), cobrado quando o envio de dinheiro do sócio é para aumento do patrimônio social da empresa, por exemplo. O G1 entrou em contato com as defesas de Vorcaro e Zettel, mas nenhuma delas respondeu.

PATRIMÔNIO –  A declaração do Imposto de Renda de Zettel ainda aponta que, em 2022, ele tinha um patrimônio de R$ 189 milhões. Os bens eram constituídos, principalmente, de imóveis e participações em empresas, como a Super. Só naquele ano, adquiriu R$ 15 milhões em relógios e joias. A declaração ainda mostra que o patrimônio dele quase que triplicou entre 2021 e 2022, saltando de R$ 67,4 milhões para R$ 189,7 milhões.

A declaração ainda diz que o pastor faturou R$ 139 milhões naquele ano por meio de lucros em seu escritório de advocacia e que doou R$ 5 milhões para as campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

“SICÁRIO”Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, ficou conhecido como “Sicário” de Vorcaro, após ser preso na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. As investigações apontam que “Sicário” tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.

Os investigadores mencionam também uma “dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e Mourão”, e indica que ele atuaria como ‘longa manus’ (expressão do contexto jurídico que indica um agente que atua em nome de outro) da prática das práticas violentas atribuídas à organização.

O relatório fala, ainda, da existência de fortes indícios de que Mourão recebia a quantia de 1 milhão de reais por mês de Vorcaro como remuneração pelos “serviços ilícitos”.

Ratinho Jr. desiste de disputar Presidência em 2026 e diz que cumprirá mandato no PR

Governador filiado ao PSD disse que tomou decisão no domingo

Sérgio Quintella
Samuel Lima
O Globo

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), desistiu de concorrer à Presidência da República nesta segunda-feira, 23. Em nota enviada pela Secretaria de Comunicação de sua gestão, o político disse que tomou a decisão no domingo à noite “após profunda reflexão com sua família”. Ele já teria comunicado a decisão ao presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Segundo o colunista Lauro Jardim, o favorito para a vaga agora é o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

A decisão do governador ocorre quatro dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República, informar que decidiu apoiar o lançamento como postulante ao governo do estado o nome do senador Sergio Moro (União), que deverá se filiar ao PL em breve. “O Ratinho é um grande quadro, inegavelmente, com uma boa avaliação, mas cada partido tem direito de lançar seus pré-candidatos. A informação que nós temos é que ele será o candidato pelo PSD, portanto, temos que tomar decisões a partir do posicionamento dele”, disse Flávio.

FAVORITISMO – Como mostrou O Globo na semana passada, Ratinho era o favorito para ser o escolhido entre um trio de governadores presidenciáveis do PSD, que contava, além de Caiado, com o gaúcho Eduardo Leite. Era quem, dos três, estava filiado há mais tempo à sigla de Kassab.

O paranaense também aparecia numericamente melhor colocado do que a dupla em pesquisas como o Datafolha, no início deste mês, em que marcou 7% das intenções de voto — mas ainda distante dos favoritos ao segundo turno, o presidente Lula (PT), com 46%, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), do Rio de Janeiro, com 43%, em cenários com margem de erro de dois pontos percentuais.

ANTECIPAÇÃO – Kassab deve anunciar quem será o candidato a presidente da sigla ainda esta semana, possivelmente na próxima quarta-feira, 25, mas a assessoria evita dar detalhes do evento. Inicialmente, a ideia era definir a questão até dia 15 de abril, mas os pré-candidatos pressionaram pela antecipação, alegando que era preciso reduzir a distância para o prazo de desincompatibilização dos cargos.

Ratinho Júnior é filho do apresentador de televisão Carlos Massa, o Ratinho, que fez carreira no SBT e possui outorgas de radiodifusão no Paraná e em São Paulo. O político diz que, após concluir o mandato em dezembro deste ano, presidirá o Grupo Massa, retornando ao setor privado.

NOTA:

“O governador Ratinho Junior decidiu concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano. Portanto, ele deixa de participar da discussão interna do PSD (Partido Social Democrático), que escolherá um candidato disposto a concorrer às eleições presidenciais deste ano. A decisão foi tomada na noite deste domingo, 22, após profunda reflexão com sua família. O fato foi levado ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta segunda, 23.

Ratinho está convicto que deve manter o compromisso selado com os paranaenses nas eleições de 2018 e não pode interromper o projeto que tem garantido o ciclo de crescimento econômico do Paraná. Sob a gestão de Ratinho Junior, que alcançou 85% de aprovação, o Estado se consolidou como a melhor educação do Brasil, obteve os menores índices criminais dos últimos 20 anos, o maior investimento em infraestrutura da história, e conquistou, por quatro vezes consecutivas, a excelência em sustentabilidade no Brasil.

O governador do Paraná continuará à disposição do PSD para ajudar o Brasil virar a página do atraso, criar perspectivas mais otimistas para os jovens, ser destravado com menos burocracia, endurecimento de leis criminais e tenha o agronegócio brasileiro como trunfo na competição global entre nações. Eleito com quase 70% dos votos válidos em 2022, Ratinho permanecerá pautando a sua vida para ajudar o Brasil a partir do Paraná, ao defender um estado menor e mais eficiente, que tem a educação como instrumento para melhorar a vida de jovens e apostando na pacificação e no diálogo como alicerces do Estado Democrático de Direito.

Carlos Massa Ratinho Júnior nasceu numa família humilde em Jandaia do Sul. Mudou para Curitiba ainda criança, onde o pai chegou desempregado na década de 80. A trajetória simples do governador permitiu que ele jamais fosse contaminado pelas benesses do Poder.

Ao encerrar em dezembro essa fase de sua vida, Ratinho Júnior pretende voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho”.

CGU abre investigação contra ex-diretores do BC por ligação com Daniel Vorcaro

Servidores  estão sendo investigados na esfera criminal

Camila Bomfim
Márcio Falcão
Isabela Camargo
G1

A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu nesta segunda-feira (23) uma investigação interna para apurar a conduta de ex-diretores do Banco Central apontados como “consultores” do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A investigação mira atos e decisões tomadas por Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, no período de 2019 a 2023. O objetivo da investigação é apurar a conduta administrativa de ambos. Na esfera criminal, eles já estão sendo investigados.

SANÇÕES – O Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) vai durar dois meses e, se confirmadas as suspeitas, vai levar a sanções no serviço público. A depender da gravidade das condutas apuradas, o processo pode resultar em advertência, suspensão ou até mesmo na demissão do serviço público.

No caso de Paulo Sérgio, as investigações se baseiam na suspeita de simulação de operações societárias e patrimoniais, incluindo a possível venda fictícia de uma fazenda para uma empresa ligada ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.

IRREGULARIDADES – Já com relação a Belline Santana, as suspeitas têm relação com supostas irregularidades na prestação de consultoria privada para o Leonardo Palhares, um dos alvos da Operação Compliance Zero. A empresa dele, a Varajo Consultoria,é apontada como “conta de passagem” para ocultar a origem ilícita dos pagamentos.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master, descreveu os funcionários do Banco Central como uma espécie de consultores privados de Daniel Vorcaro.