Entenda como Fux pode atuar no Supremo para conseguir “descondenar” Bolsonaro

Imprensa internacional repercute condenação de Bolsonaro; veja destaques - Estadão

A possibilidade de prisão leva Bolsonaro ao desespero

Carlos Newton

Existem semelhanças e diferenças entre os casos da “descondenação” de Lula da Silva em 2021 e agora a tentativa de anular também a condenação de Jair Bolsonaro, no próximo julgamento da Segunda Turma.

Conforme já explicamos aqui, a grande imprensa, sem se preocupar em estudar o caso, aceitou a justificativa do ministro Gilmar Mendes, de que existe jurisprudência para arquivar o recurso de embargos infringentes, a ser apresentado pela defesa de Bolsonaro.

APENAS PRECEDENTES – Mas as aparências enganam, porque o que existe são apenas precedentes, que não têm a força vinculante da jurisprudência ou da súmula.

Note-se que, em 2021, a “descondenação” de Lula foi feita inteiramente fora da lei, porque baseada em “incompetência territorial absoluta”, uma invenção feita pelo relator Edson Fachin, que criou um dispositivo que não existe em nenhuma lei no Brasil e não é adotado em nenhum dos demais 2016 países do mundo.

Na época, houve poucas críticas e hoje Fachin é até considerado um excelente jurista, vejam a que ponto chegamos em matéria de esculhambação jydiciária.

A HISTÓRIA SE REPETE – Agora, a tentativa de “descondenar” Bolsonaro será feita na Segunda Turma, que analisa e decide os recursos contra julgamentos da Primeira Turma, onde o ex-presidente pegou prisão de 27 anos e três meses.

A informação espalhada por Gilmar Mendes afasta de pronto qualquer possibilidade de Bolsonaro ser “descondenado”, mas nossa política surrealista costuma desmentir Karl Marx e tem demonstrado que, do lado de baixo do Equador, a História se repete não somente como farsa, mas também como realidade.

DIZ GILMAR – O precedente citado por Gilmar Mendes e repetido pelos jornalistas que o representam nas redações da grande imprensa menciona o julgamento da ação penal 863/SP, tendo como réu o ex-prefeito Paulo Maluf, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Decidida pelo plenário, a tese adotada foi no sentido de que um voto vencido não autorizaria o cabimento de embargos infringentes. Seria necessário haver dois votos vencidos pela absolvição para justificar o referido recurso. Assim, a ementa do julgado apresenta a seguinte tese:

O cabimento de embargos infringentes em face de decisão penal condenatória, proferida pelas Turmas do Supremo Tribunal Federal, exige divergência consubstanciada em ao menos dois votos absolutórios próprios“.

PRISÃO DE BOLSONARO – É com base nessa justificativa, divulgada por Gilmar Mendes, que a imprensa amestrada engoliu a isca e passou a desmentir a existência de qualquer chance de recurso para Bolsonaro na Segunda Turma do Supremo, mesmo tendo três ministros a seu favor: Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux.

Os jornalistas esquecem de citar que já houve uma mudança no precedente, sugerida por Fux na ação penal 929/AL, para possibilitar que plenário aceitasse apenas um voto absolutório para analisar e aprovar embargos infringentes. A proposta foi aprovada em 2018, depois do precedente citado por Gilmar.

É possível esperar que, entre as razões apresentadas em seu voto de 429 páginas, Fux encontre  argumentos que possam justificar o recebimento dos embargos infringentes, em função do enorme número de irregularidades processuais cometidas pelo relator Alexandre de Moraes.

A principal falha de Moraes foi cerceamento de defesa, uma ilegalidade cometida repetidas vezes, inclusive por não permitir que os advogados de defesa tivessem acesso total dos autos.

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P.S. –
Por óbvio, trata-se de um julgamento político. Justamente por isso, terá também um desfecho político. E o resultado final, para o país, será trágico. Mais uma vez, nas eleições, teremos de escolher entre um criminoso condenado por dez magistrados, sempre por unanimidade, e um outro criminoso, rei das rachadinhas, condenado por 10 votos a um. Por isso, ao votar no ano que vem, não esqueça de tampar o nariz. A fedentina será insuportável. (C.N.)

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Guardas municipais reivindicam que sejam considerados como “policiais”

Guarda Municipal recebe mais de 300 armas para renovar armamento da  corporação | Prefeitura de Porto Alegre

Reinvindicação dos guardas municipais é justa e necessária

Da Agência Câmara

Representantes das guardas municipais reivindicaram nesta terça-feira (11), durante audiência pública na Câmara dos Deputados, mudanças na Constituição que levem ao reconhecimento desses agentes de segurança como policiais.  Segundo o presidente do Conselho Nacional das Guardas Municipais, Gerson Nunes, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal reconheceram as guardas municipais como força policial. “Já somos a polícia municipal nas ruas”, afirmou.

“O reconhecimento das guardas municipais como polícia não é mudar nada, não é inventar a roda, é reconhecer aquilo que já é e sempre foi”, disse o presidente da Associação Nacional de Guardas Municipais, Reinaldo Monteiro da Silva. Por sua vez, Reinaldo Silva explicou que “a palavra ‘polícia’ significa ‘guarda da cidade’, é usada para designar corporações e indivíduos cuja principal função é o exercício de poder de polícia. Então, por que não fazer essa correção no texto constitucional?”, indagou

HÁ 30 ANOS – “Precisamos do reconhecimento constitucional do que fazemos há 30 anos e de isonomia nas regras previdenciárias”, completou a diretora jurídica da Federação Nacional de Sindicatos de Guardas Municipais do Brasil, Rejane Soldani.

O deputado Alberto Fraga (PL-DF), um dos que sugeriram a audiência pública na comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública (PEC 18/25), ponderou: “Sou favorável, sim, ao avanço das guardas municipais. Agora, não da forma como vocês estão querendo. Temos que ter algumas regras. Para ser polícia, tem o ônus e o bônus, não é assim, da noite para o dia”.

O relator da comissão especial, deputado Mendonça Filho (União-PE), também pediu prudência. “A transformação nessa área ocorrerá de forma lenta e gradual. Eu me reservo o dever de buscar os avanços na direção correta”, disse.

MUDANÇAS – Elaborada pelo governo federal, a PEC 18/25 altera a estrutura de segurança pública no Brasil, buscando maior integração e coordenação entre diferentes níveis federativos e órgãos de segurança.

São três alterações principais: o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), hoje previsto em lei ordinária (Lei 13.675/18), passará a fazer parte da Constituição; as competências de alguns órgãos de segurança, como a Polícia Federal, serão ampliadas; e o papel do governo federal no planejamento e na coordenação da segurança pública acabará fortalecido.

Além de Alberto Fraga, a audiência pública foi proposta também pelos deputados Capitão Alden (PL-BA), Delegada Adriana Accorsi (PT-GO), Delegada Ione (Avante-MG) e Sanderson (PL-RS). Os deputados Sargento Fahur (PSD-PR) e Célio Silveira (MDB-GO) participaram da reunião.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reivindicação dos guardas municipais é muito justa e necessária. Eles estão sendo autorizados a andar armados. A decisão do STF pacificou o entendimento de que as guardas municipais têm direito ao porte de arma de fogo, pois integram o sistema de segurança pública. Bem, se andam armados e fazem o trabalho de polícia, têm de ser considerados policiais. Isso é apenas o óbvio ululante que Nelson Rodrigues tanto exaltava. (C.N.)

O mundo ficou caro demais, mas os políticos ainda não perceberam

O amor distante, a meio pau, na poesia ousada de Adélia Prado

Frases, - Boa Noite !!! 🌙🌟 “Estremecerei de susto até dormir. E no  entanto é tudo tão pequeno. Para o desejo do meu coração, o mar é uma  gota.” Adélia Prado (1935) #Paulo Peres
Poemas & Canções

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “A Meio Pau”, fala sobre um amor distante e não correspondido, que não aconteceu.

A MEIO PAU
Adélia Prado

Queria mais um amor. Escrevi cartas,
remeti pelo correio a copa de uma árvore,
pardais comendo no pé um mamão maduro
– coisas que não dou a qualquer pessoa –
e mais que tudo, taquicardias,
um jeito de pensar com a boca fechada,
os olhos tramando um gosto.
Em vão.
Meu bem não leu, não escreveu,
não disse essa boca é minha.
Outro dia perguntei a meu coração:
o que há durão, mal de chagas te comeu?

Não, ele disse: é desprezo de amor.

Sóstenes defende equiparar facções a terrorismo e cobra votação ainda em 2025

Reação forte impediu que Derrite revivesse a PEC da Bandidagem

A aliados, Derrite diz que alterou PL Antifacção para driblar "narrativas"  | Blogs | CNN Brasil

Derrite alterou a emenda para favorecer os governadores

Roberto Nascimento

O capitão Derrite, eleito deputado federal em 2022, licenciado do cargo de Secretário de Segurança de São Paulo pelo governador Tarcísio de Freitas, para relatar a PEC Antifacções enviada pelo governo ao Congresso em regime de urgência, em dois dias conseguiu causar uma polêmica federal.

Ele deturpou o texto, que havia sido feito após seis meses de consultas à sociedade, ao Ministério Público e a outras autoridades.

OBJETIVOS  – A destrambelhada mexida do Capitão Derrite se fixou em dois pontos da proposta inicial:

1- Submeter a Polícia Federal ao controle dos governadores. Qualquer investigação, inquérito, operações contra o tráfico internacional de armas e drogas, contrabando, descaminho na esfera estadual, qualquer dessas iniciativas só poderia começar ou avançar com a aprovação ao dos governadores.

2- Equiparar as organizações criminosas (tráfico de drogas e de armas, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, prejuízo a Fazenda Nacional) ao terrorismo.

LETRAS MORTAS  – O Art. 144, parágrafo primeiro e incisos, I, II, III e IV da Constituição Federal se tornariam letras mortas.

Ora, senhor Derrite, a Polícia Federal é uma Instituição de Estado, portanto, não pode ser subordinada ao governo federal e muito menos aos Governadores.

Bem, além de absurdamente ilógico, abriria a porta para intervenção de potência estrangeira, a pretexto de combater o terrorismo e o tráfico de drogas, aliás e a propósito, o que Trump está fazendo nas costas do Caribe, próximo da Venezuela e nas costas do Pacífico em frente a Colômbia. Será que o Brasil seria a bola da vez?

REDES SOCIAIS – Bem, esse risco de ataque a soberania nacional, ficaria na conta de Hugo Motta, presidente da Câmara, e do capitão Derrite, que aceita ser manipulado.

A sociedade, mais uma vez, protestou nas redes sociais contra o monstrengo que queriam aprovar, fazendo Motta e Derrite desistirem de trair o Brasil.

Deputados e senadores querem usar o dinheiro público, sem transparência e sem controle. Por isso, tentaram reviver a PEC da Blindagem, porque, sem aprovação dos governadores, a Polícia Federal não poderia investigar o destino das emendas parlamentares. Seria a derrocada da República.

Uma vitória apenas parcial no tarifaço, mas estratégica para o governo Lula

Trump reduz tarifas que atingem café, carne bovina e frutas

Pedro do Coutto

A decisão de Donald Trump de reduzir as tarifas sobre produtos brasileiros como carne bovina, café, frutas tropicais e suco de laranja representa uma vitória parcial — mas politicamente relevante — para o governo Lula.

Depois de meses de tensão causada pelo tarifaço americano, que havia elevado impostos de importação para até 50% e ameaçava diretamente setores cruciais do agronegócio brasileiro, o recuo de Washington trouxe um alívio imediato tanto para produtores quanto para exportadores.

RESTRIÇÕES – O suco de laranja, por exemplo, um dos produtos mais afetados pela taxação e responsável por cerca de US$ 1 bilhão anuais em vendas para os EUA, deixa de sofrer a restrição extrema que limitava seu consumo no mercado americano. A mesma lógica vale para o café, para a carne bovina e para as frutas tropicais, que voltam a competir com mais equilíbrio dentro de um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Na prática, Trump retirou diversos produtos da tarifa de 50%, recolocando-os na alíquota base de 10%, o que devolve previsibilidade às operações e reduz o impacto imediato no fluxo de comércio.

Mesmo sendo um alívio parcial, o gesto tem efeitos políticos significativos. Para Lula, o recuo americano serve como demonstração de capacidade diplomática em um ambiente global marcado por disputas comerciais agressivas. É também uma vitória simbólica contra o discurso de grupos internos que apostavam na ideia de que apenas uma postura submissa a Washington traria benefícios ao Brasil — muitos dos quais chegaram a erguer bandeiras dos Estados Unidos em manifestações domésticas, como se um alinhamento automático fosse suficiente para garantir vantagens econômicas.

FLEXIBILIZAÇÃO – Nesse episódio, o que se viu foi justamente o oposto: foi a insistência diplomática brasileira, aliada à pressão sobre o governo americano — que enfrenta aumento de preços internos e descontentamento do consumidor — que abriu espaço para a flexibilização tarifária.

Ainda que não resolva tudo, o desfecho mostra a essência da política internacional: raramente se conquista tudo de uma só vez; avança-se por etapas, acumulando pequenos ganhos que, somados, produzem efeitos concretos. Há muito a ser negociado, ajustado e redefinido entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em um cenário de volatilidade econômica e forte carga eleitoral nos dois países.

Mas o movimento de Trump, ainda que limitado, reposiciona o Brasil com mais vantagem no tabuleiro comercial e oferece a Lula uma narrativa politicamente valiosa — a de que, mesmo em tempos difíceis, a diplomacia ainda funciona, e que resultados reais podem surgir mesmo quando a vitória, à primeira vista, parece apenas parcial.

Julgamento de Castro vira jogo de espera até Nunes Marques assumir

Imprensa esconde a possibilidade de Bolsonaro ser absolvido no STF

Gilmar Mendes diz que STF pode ajustar decisão sobre penalização de jornais

Gilmar não sabe o que fazer para condenar Bolsonaro

Carlos Newton

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) terminou de julgar nesta sexta-feira, dia 14, os primeiros recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros seis réus do chamado núcleo central contra a condenação deles pela tentativa de golpe de Estado.

Com o término do julgamento, o relator proclama o resultado, o que deve ocorrer nesta segunda-feira, dia 17. Depois, será publicado o acórdão, documento que divulga o resultado do julgamento. A partir daí, começa a correr mais um prazo para a apresentação de recursos.

Os advogados podem apresentar novos embargos de declaração (os chamados “embargos dos embargos”). Nesse caso, o prazo é de cinco dias. Outra possibilidade é interposição dos embargos infringentes, que possuem efeito modificativo, ou seja, podem confirmar, derrubar ou reformar a decisão anterior. O prazo para esse recurso é de 15 dias.

TUDO DE NOVO – No julgamento que terminou, os ministros da Primeira Turma já consideraram que não havia o que ser alterado no resultado do julgamento que condenou Bolsonaro e aliados. As defesas, contudo, podem insistir que alguns dos seus questionamentos não foram abordados e até pedir absolvição.

No caso dos embargos infringentes, é como se o julgamento começasse de novo, com outros juízes e novo relator – ou seja, desta vez Alexandre de Moraes está de fora, junto com seus colegas da Primeira Turma – Cármen Lúcia, Edson Fachin, Cristiano Zanon. Tudo agora está a cargo dos ministros da Segunda Turma, e será escolhido novo relator, entre Gilmar Dantas, Dias Toffoli, Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux, que passou a ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso, que se aposentou.

E claro que agora é outra realidade. O placar na Primeira Turma foi de 4 a 1 pela condenação de Bolsonaro e dos demais. Com a entrada de Fux na Segunda Turma, a expectativa passou a ser de 3 a 2 a favor de Bolsonaro & Cia. Parece algo irreal, mas Bolsonaro só será condenado se Nunes Marques ou André Mendonça votarem contra ele, que os nomeou para o Supremo.

IMPRENSA AMESTRADA – Nas redes sociais, essa possibilidade de Bolsonaro ser absolvido é muito comentada, determinados influenciadores entram em êxtase ao “analisar” a questão. Mas a imprensa amestrada tenta desconhecer o assunto e repete a versão que Gilmar Mendes espalha, sempre em “off”.

Gilmar admite que os embargos infringentes servem para questionar julgamentos não unânimes, mas destaca que “o entendimento atual” do STF é de que esse recurso só pode ser apresentado quando houver dois votos divergentes no julgamento pelas turmas, e no caso de Bolsonaro e da maioria dos réus, só houve um voto pela absolvição, emitido pelo ministro Luiz Fux. Por isso, uma tentativa nesse sentido não deverá prosperar.

Contudo, Gilmar não explica que se trata apenas de um “precedente”, numa votação apertada, de 6 a 5, sobre Paulo Maluf, e também não esclarece que qualquer precedente pode ser desprezado em votação de turma ou de plenário, por não ter efeito vinculante, o que somente ocorre com jurisprudência ou súmula.

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P.S. 1 –
A situação é tão surrealista que um dos assuntos preferidos da imprensa amestrada é a possibilidade de Bolsonaro ser preso na penitenciária da Papuda. Mas como ser preso, se o julgamento ainda vai acontecer e ele tem maioria absoluta na Segunda Turma, de 3 a 2, com os votos de Fux, Marques e Mendonça?

P.S. 2 – Se a votação fosse este ano, com Gilmar Mendes presidindo a Segunda Turma, ele iria lutar como um leão para manter a condenação de Bolsonaro. Mas essa possibilidade “non ecziste”, diria Padre Quevedo, porque um dos três (Fux, Marques ou Mendonça) poderia pedir vista e transferir a votação para janeiro, quando o próprio Nunes Marques será o presidente da Segunda Turma. Comprem bastante pipocas. (C.N.)

Tropeço de Derrite abriu mais uma fissura no projeto político bolsonarista

Lewandowski articula bloco regional e Mercosul fecha pacto de segurança contra facções

CNJ investiga juízes e desembargadores por venda de sentenças

Silêncio de Jorginho Mello alimenta guerra entre Carlos Bolsonaro e Carol de Toni

Jorginho Mello evita se posicionar em disputa pelo Senado

Yago Godoy
O Globo

Em meio à acirrada disputa entre o vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) e a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) para concorrer ao Senado Federal por Santa Catarina, o governador do estado, Jorginho Mello (PL), permanece sem se manifestar abertamente sobre o imbróglio.

Principal parte interessada no assunto, o mandatário começou a ser cobrado por bolsonaristas por seu apoio ao atual senador Esperidião Amin (PP-SC), que concorrerá à reeleição, deixando apenas uma vaga para o PL na chapa. Ao mesmo tempo, no final de semana, ele elogiou publicamente a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), uma das principais críticas no partido à candidatura de Carlos.

“MENTIROSA” – O acordo com Amin e o PP busca garantir a Jorginho mais tempo de TV e o palanque de um dos políticos mais experientes do estado, na tentativa de conquistar um novo mandato no ano que vem. No fim de outubro, o vereador carioca chamou Campagnolo de “mentirosa” quando ela explicou a apoiadores que o acordo de Jorginho foi uma negociação do próprio PL com o PP, e que Carlos estaria tirando a vaga de Carol de Toni.

Bolsonaristas têm acusado Jorginho, no entanto, de quebrar outro acordo. Em um vídeo publicado no sábado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, sem citar o governador, ser “martelo batido” que seu pai poderá indicar Carlos para uma das vagas. Um eventual “recuo”, segundo o parlamentar, poderia ser visto como uma derrota para o ex-presidente Jair Bolsonaro e um convite para que outros políticos “se rebelem” e deixem de seguir as ordens e acordos firmados com a principal liderança do partido.

— Ana Campagnolo está praticamente, talvez não intencionalmente, convidando todo mundo a se rebelar. Imagina nos 27 estados ter o problema de Santa Catarina, de o deputado estadual mais votado (Campagnolo) não seguir uma diretriz do líder do movimento, e acontecendo isso tudo — frisou o parlamentar em outro momento.

CRÍTICAS – Com o avanço da crise e o silêncio de Jorginho, as redes sociais do governador passaram a ser alvo de críticas de apoiadores, que apontam “decepção” por não endossar a candidatura de Carlos. Outra crítica pública foi do deputado estadual por São Paulo Gil Diniz (PL), que cobrou “explicações aos bolsonaristas de por que deixou Bolsonaro ser tão desgastado” com a indefinição.

Na publicação mais recente do governador na rede social X, sobre a entrega de materiais escolares para estudantes do estado, grande parte dos comentários foi em tom de cobrança a Jorginho. “A culpa dessa briga também é sua, não fuja da responsabilidade”, escreveu um apoiador. “Só aceitamos o que foi combinado com Bolsonaro, você não vai querer os bolsonaristas todos os dias em suas publicações”, publicou outro internauta.

ELOGIO – No evento Rota 22, promovido pelo PL em Blumenau (SC), Jorginho abraçou e elogiou Campagnolo no palco após a deputada discursar. Ele destacou que a parlamentar faz um “grande trabalho” no estado e afirmou que sua votação “vai dobrar” nas eleições de 2026. Também estiveram no local os senadores Jorge Seif (PL-SC) e Rogério Marinho (PL-RN) e os deputados federais Ricardo Ghidi (PL-SC) e Zé Trovão (PL-SC).

— Essa moça bonita e querida aqui, Ana Campagnolo, inteligente, escritora, orgulha o parlamento de Santa Catarina pelo que representa. Eu gosto muito de ouvi-la. Ela tem cultura, sabe colocar as palavras. Eu tenho muito prazer e muito orgulho em ela ser nossa deputada — ressaltou o governador, sob aplausos.

No discurso, a deputada também fez declarações direcionadas a Jorginho. Segundo ela, o estado tem um governador que “gera vida” e faz de Santa Catarina “o melhor lugar do mundo para se viver, não só do Brasil”. Nas redes sociais, ao publicar o vídeo da declaração, a parlamentar também escreveu que os catarinenses têm a “tradição da política propositiva, na qual o Estado serve aos interesses do cidadão, e não o contrário”.

DISCUSSÃO – O afago do governador aconteceu horas depois de Campagnolo discutir com a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC), em uma live nas redes sociais, sobre a disputa interna no partido. Zanatta defendeu uma “chapa pura”, ou seja, com as duas vagas para o Senado sendo ocupadas por membros do PL — Carlos e Carol de Toni.

Durante a live, Campagnolo reclamou dos ataques e acusações de “traição” que passou a sofrer de bolsonaristas por conta da discordância. Zanatta, por sua vez, defendeu que a deputada estadual deve se desculpar com Carlos, já que teria angariado a maioria de seus votos apenas pelo apoio da família Bolsonaro.

Eduardo, que em outro momento já teceu críticas a Campagnolo por conta das divergências em relação à candidatura do irmão, já destacou que Jorginho “mostra disposição” para atender aos pedidos do clã Bolsonaro, segundo informou a colunista Bela Megale em maio deste ano. Apontado como um nome com o qual a família do ex-presidente pode contar, ele é um dos poucos governadores de direita poupados por Eduardo nos últimos meses e, ao mesmo tempo, mantém relação próxima com os gestores estaduais já atacados pelo parlamentar.

VISITA – No final de outubro, em meio à disputa, Jorginho foi visitar Bolsonaro em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar. Após o encontro, Carol de Toni informou à rádio catarinense Princesa Xanxerê que, caso não consiga resolver a questão dentro do partido, irá buscar outra legenda para concorrer. De acordo com a deputada, Bolsonaro irá apoiá-la mesmo em outra sigla, mas sem abrir mão de ter Carlos na chapa do PL.

No início deste mês, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou apoio à candidatura de Carol de Toni ao Senado “independentemente da sigla partidária”. Já no próximo dia 21, Campagnolo estará com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em Florianópolis, para o lançamento de um livro de autoria de ambos direcionado ao público infantil.

Aliados de Lula articulam superagência antimáfia com modelo internacional

TCU ignora área técnica e arquiva denúncia de fantasmas no gabinete de Hugo Motta

João amava Teresa, que amava Raimundo que amava Maria, que não amava ninguém…

A minha vontade é forte, porém minha... Carlos Drummond de Andrade - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

Coligações, campanhas, promessas, pesquisas e debates com acusações, até certo ponto criminosas, trocadas entre os políticod são elementos que, ironicamente, lembram-me muito o poema “Quadrilha”, do bacharel em farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos mestres da poesia brasileira.

Detalhe: décadas depois, Chico Buarque praticamente repetiu o poema de Drummond na música Flor da Idade, sem registrar a parceria.

QUADRILHA
Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim
que amava Lili

que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos,
Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se
e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.

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Na letra de “Flor da |Idade”, Chico Buarque termina a canção incluindo os seguintes versos:

Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha

Liderança do governo diz que Haddad precisa assumir a disputa em São Paulo