Condenado por atacar a democracia, Silveira pede a Moraes permissão para ir à academia

Ex-deputado alega que precisa fazer tratamento ortopédico

Gabriel Ferreira Borges
O Tempo

O ex-deputado federal Daniel Silveira (RJ) pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para liberá-lo a ir à academia aos finais de semana. O ex-deputado federal é obrigado a se recolher em casa aos sábados, domingos e feriados desde a progressão para o regime aberto há cerca de dois meses.  

A defesa quer que Moraes estenda o horário de recolhimento válido para dias de semana, das 19h às 6h, para Silveira recuperar a perda de massa e a atrofia muscular após uma cirurgia no ligamento cruzado anterior e nos meniscos do joelho direito. “O tratamento pós-cirúrgico está regredindo devido à falta do fortalecimento muscular feito em academia”, alegou.

FISIOTERAPIA – De acordo com os advogados, o ex-deputado federal fazia tratamento ortopédico todos os dias até a progressão para o regime aberto. “Após a decisão de progressão de regime, o douto relator determinou o recolhimento domiciliar aos finais de semana. Assim, fica prejudicado o tratamento fisioterapêutico em academia”, justificaram, na última quinta-feira (13/11).

Em um laudo anexado pela defesa, o fisioterapeuta Bruno Fonseca afirmou que a reabilitação do ligamento cruzado anterior e dos meniscos é “altamente dependente da constância do tratamento”. “Por isso, recomenda-se fisioterapia, musculação e atividade física todos os dias da semana, inclusive sábados, domingos e feriados”, disse.

Silveira foi submetido à cirurgia, que, segundo o médico Raimundo Pereira Filho, foi para corrigir uma lesão crônica, há quatro meses. Em um relatório à época, o médico apontou que, sem a reabilitação, o ex-deputado federal correria riscos de desenvolver “artrofibrose, rigidez articular, trombose venosa profunda, embolia pulmonar e infecção pós-operatória”.

REGULARIZAÇÃO DO CPF – Desde o início de outubro, a defesa tenta regularizar o CPF de Silveira para que o ex-deputado federal assine um contrato de trabalho com o escritório de advocacia Faria & Silva, cuja sede é em Aparecida de Goiânia (GO). Apesar de os advogados alegarem que cabe a Moraes desbloqueá-lo, o ministro apontou que o CPF está regular junto à Receita Federal.  

Condenado a oito anos e nove meses de prisão por coação à Justiça e incitação à abolição violenta do Estado democrático de direito, Silveira ainda tem aproximadamente quatro anos e sete meses a cumprir. O ex-deputado federal progrediu para o regime aberto após cumprir 25% da pena, um gatilho previsto pela Lei de Execuções Penais para quem não tem antecedentes criminais.

Poeticamente, o poeta Waly Salomão assistia à vida copiar a arte

Tribuna da Internet | Ritmo era o que mais desejava para seu dia-a-dia o  poeta baiano Waly SalomãoPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta baiano Waly Dias Salomão (1943-2003), uma das figuras mais fecundas e heterogêneas da vanguarda brasileira, explica em forma de poema por que “A Vida é Cópia da Arte”.

A VIDA É CÓPIA DA ARTE
Waly Salomão

Areia
Pedra
Ancinho
Jardins de Kioto

Alucinado pelo destemor
De morrer antes
De ver diagramado este poema
Ou eu trago Horácio pra cá
Pra Macaé-de-Cima
Ou é imperativo traí-lo
E ao preceito latino de coisa alguma admirar

Sapo
Vaga-lume
Urutau
Estrela

Nestes ermos cravar as tendas de Omar
Ler poesia como se mirasse uma flor de lótus
Em botão
Entreabrindo-se
Aberta

Anacreonte
Fragmentos de Safo
Hinos de Hörderlin
Odes de Reis
El jardín de senderos que se bifurcan
Jardim de Epicuro
Éden
Agulhas imantadas & frutas frescas  para a vida diária.

“Demitir o CEO”: Tarcísio testa narrativa empresarial na política e recebe resposta dura do PT

PF prende Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e faz buscas no BRB

Daniel Vorcaro mira novo ciclo no Banco Master com foc... ABC do ABC

Daniel Vorcaro ia embarcar para Dubai quando foi preso

Fabio Serapião
do UOL

Segundo apurou a coluna, Vorcaro estava no Aeroporto Internacional de Guarulhos, a PF descobriu a movimentação dele e antecipou a prisão, como parte da investigação aberta após descoberta de irregularidades, pelo Banco Central, no Banco Master. O banqueiro foi levado para a Superintendência da PF em São Paulo.

O BRB, o banco público de Brasília, foi alvo de buscas dos agentes da PF, e o presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo, segundo apurou a coluna. Em setembro, o Banco Central rejeitou compra do Master pelo BRB.

OUTRA PRISÃO – Também foi preso, na manhã de hoje, Augusto Ferreira Lima, que ocupou o posto de CEO no Master até o início das negociações para a venda do banco. A operação da PF ocorre no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação do conglomerado e colocou o Banco Master sob regime de administração especial temporária por 120 dias. Apenas o Will Bank foi preservado devido ao interesse de investidores em adquirir o banco digital.

Advogados do banqueiro Daniel Vorcaro negaram, à coluna de Mônica Bergamo, da Folha, que ele estivesse fugindo do país. Segundo profissionais que integram a defesa de Vorcaro, ele estava embarcando para os Emirados Árabes para assinar o contrato de venda do banco para investidores, anunciada ontem.

O UOL tenta contato com as defesas de Vorcaro e de Ferreira Lima e com os bancos Master e BRB. O texto será atualizado em caso de manifestação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando a gente lê uma notícia dessas, passa a ter alguma esperança no futuro desta nação. E vejam só que coincidência… Prenderam justamente o corruptor que denunciamos aqui na Tribuna da Internet, quando enviamos dossiês ao Tribunal de Contas da União, ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários União, que tomaram as providências de praxe. Uma grande coincidência, não é mesmo? (C.N.)

Qualquer um que enfrente Lula ou a direita é competitivo no 2º turno

LANÇAMENTO DO EDITAL PARA CONSTRUÇÃO DO TÚNEL SANTOS GUARUJÁ/ LULA/ TARCÍSIO DE FREITAS. Foto: Taba Benedicto/ Estadão

Se a família Bolsonaro não atrapalhar, Tarcísio vence Lula

Fabiano Lana
Estadão

Praticamente qualquer pessoa no Brasil, um anônimo sem militância, por exemplo, se for disputar um eventual segundo turno contra o presidente Lula, terá no mínimo uns 30% dos votos. Talvez 40%, e poderá até mesmo ser competitivo. Porque, no País, o voto “anti”, seja para afastar Lula ou evitar um postulante de direita, é suficientemente forte para atrair milhões. Logo, não é nenhuma surpresa que o cenário eleitoral siga embolado, com uma certa vantagem para Lula, de acordo com a pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira, 13.

Em um cenário previsto com a economia nem bombando nem em parafuso, sabemos de antemão que uma cidade como Caruaru, em Pernambuco, irá oferecer mais votos para Lula do que para a direita, em 2026. O contrário, em Blumenau, no Estado de Santa Catarina.

OS INDECISOS – Os votos no País estão cristalizados em cidades, regiões, Estados, classes sociais. A disputa hoje se dá por uma minoria ao centro, uma parcela de indecisos que ambos os polos ideológicos parecem fazer questão de desagradar, quase diariamente. Mas o lado que menos torturar mentalmente esse eleitor moderado tem grandes chances de vencer a eleição.

Como houve, em um mês, expressiva redução da vantagem de Lula para todos os demais concorrentes, é possível concluir que a pauta da segurança pública é ruim para a esquerda. Além da operação policial com mais de uma centena de mortes no Rio de Janeiro, houve declarações de Lula que podem ser interpretadas como prejudiciais eleitoralmente. Jogou esse pessoal do centro para a direita.

Por outro lado, as ações nos Estados Unidos de Eduardo Bolsonaro, o filho que tenta segurar para si o espólio da família, podem atrair parte de uma direita mais radical em torno do seu nome. Tanto que chega a pontuar razoavelmente no primeiro turno. Num cenário com o Tarcísio, ambos estão em empate técnico no segundo lugar. Mas, definitivamente, Eduardo é um polo de aversão desse eleitor centrista. No final das contas, ajuda Lula.

TARCÍSIO CRESCE – Com a iminente ida de Jair Bolsonaro para a prisão, o candidato mais forte para derrotar Lula, de acordo com as sondagens, é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Suas últimas declarações contra o Supremo Tribunal Federal, em eventos públicos, podem ter sido necessárias para atrair o voto bolsonarista. O efeito colateral é afastar esses volúveis centristas.

Após o barulho, Tarcísio mergulhou na administração de São Paulo. Parece que, discretamente, já monta uma equipe para disputar o Planalto. Os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, Ratinho Júnior, do Paraná, e Romeu Zema, de Minas, ficam em compasso de espera para se lançarem como plano B. De volta ao PSDB após décadas, Ciro Gomes surge como franco atirador. Não se sabe se terá legenda para disputar.

LEVE FAVORITISMO – A eleição, portanto, segue aberta com leve favoritismo para Lula. O presidente controla sua base e pode vir com uma proposta moderada – os mais à esquerda irão votar nele, mesmo com os muxoxos de reprovação em algumas questões aqui ou ali.

 Para vencê-lo, a direita precisaria vir bastante unida e com uma pauta que também atraia o centro. Uma das tarefas nesse caminho seria neutralizar a tentativa de algum Bolsonaro – seja Eduardo, Michelle ou mesmo Flávio – de se lançar no pleito. E para isso irão precisar de fazer bastante política. Os cerca de 40% que querem votar no anti-Lula qualquer seguem à espera do nome competitivo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O artigo é excelente, mas parte do princípio de que a Segunda Turma do Supremo vá confirmar a prisão de Bolsonaro, mas não consigo enxergar Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça votando para prender Bolsonaro. Pelo contrário, acho até inconcebível. Vamos aguardar. (C.N.)

Marketing do crime nas redes sociais: faz o tráfico virar ferramenta de poder

Além de saber da fraude, Messias ignorou alerta sobre irmão de Lula

Governo dos EUA revoga visto do advogado-geral da União; “agressão  injusta”, classifica Jorge Messias - JuriNews

Messias esqueceu de apurar Frei Chico, o irmão de Lula

Vinícius Valfré
Estadão

O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ignorou um alerta do próprio órgão que apontou o sindicato do irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um dos principais envolvidos em suspeitas de descontos associativos ilegais a aposentados.

Procurada, a AGU alegou que o documento em questão — fruto de uma fiscalização em uma de suas equipes com 63 procuradores da região Sul — não tinha objetivo identificar fraudes e não levantou elementos suficientes para providência judicial. Disse ainda que atuou tecnicamente com base em critério aplicado a partir de apurações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU).

FREI CHICO – O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi-FS) aparece em um processo interno da AGU, de 2024 que listou nove “principais” entidades com “aumento significativo” de reclamações judiciais sobre descontos não autorizados. O sindicato tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula.

Esse processo reunia informações para que, “caso comprovadas as irregularidades na inclusão dos descontos”, fosse realizado o “cancelamento dos convênios” com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Os documentos afirmam textualmente que essas informações serviriam para “encaminhamento de pedido de providências” junto à autarquia previdenciária para dar “início ao procedimento de averiguação de indícios de irregularidades e instauração de processo administrativo de cancelamento dos convênios”. A observação foi feita em abril de 2024.

MESSIAS ESQUECEU – Ao pedir à Justiça, em 8 de maio de 2025, o bloqueio de bens de entidades suspeitas de fraudar aposentados, Messias não levou em conta esses achados da AGU e deixou de fora seis das nove entidades mencionadas no levantamento da instituição que lidera..

A medida, que pretendia bloquear R$ 2,5 bilhões em bens, foi anunciada pelo ministro após a primeira fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, no mês anterior. Além do Sindnapi, Conafer, Master Prev, Cobap, Unipab e Abamsp estavam citadas no mesmo documento da AGU, como “principais” suspeitas, e foram poupadas dos primeiros pedidos de bloqueio apresentados por Jorge Messias contra 12 entidades. Das nove, AAPB, a AP Brasil e Unaspub apareceram concomitantemente nas duas listas.

Àquela altura, já se sabia que o suposto esquema envolvia associações e sindicatos maiores, como o Sindnapi e a Contag — esta também ligada ao governo, com dirigentes do PT e PCdoB. Ambas tinham sido alvo da operação da PF, em abril. A Contag é a entidade que mais arrecadou com descontos associativos. Entre 2016 e janeiro de 2025, foram R$ 3,4 bilhões, segundo dados levantados pela CGU.

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P.S.
– Está explicado por que Bessias (como Dilma o chama) é, hoje, o mais cotado para ser indicado por Lula à vaga no Supremo, aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Bessias se encaixa como uma luva em qualquer posto no governo Lula. É apenas mais um petista a serviço da corrupção. (C.N.)

Erros grotescos no Supremo transformaram Moraes num personagem caricato

A charge desta quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025 é de Paulo Sergio. *  As charges não representam necessariamente a posição do iMaranhense. 🔔 l  Veja mais como essa no perfil do

Charge de Paulo Sérgio (Instagram)

Carlos Newton

Existe um ditado jurídico muito importante – “Iura novit curia” (o juiz conhece o direito/a lei) – que se refere à necessidade de o magistrado aplicar a norma jurídica pertinente ao caso, desprezando outras leis específicas invocadas pelas partes. Ou seja, o juiz tem sempre a obrigação de conhecer, interpretar e aplicar a lei ao caso concreto, não podendo basear sua decisão apenas nas leis apresentadas pelos defensores e acusadores.

Em sua pequena carreira no Supremo, o ministro Alexandre de Moraes tem desrespeitado continuamente esse ditado, com a situação se agravando a partir de 2019, quando passou a conduzir o Inquérito do Fim do Mundo, no qual depois incluiu o processo do golpe de Estado. 

LEI MAGNITSKY – Esses grosseiros erros processuais agora se voltam contra o próprio Moraes e favorecem a defesa de Bolsonaro e de outros envolvidos.

A situação é tão grave que Moraes se transformou num dos mais notórios magistrados atingidos por sanções da importantíssima Lei Magnitsky, criada em 2012 para facilitar o combate a grupos terroristas, como a Al Qaeda, e também para punir autoridades estrangeiras acusadas de corrupção e/ou infrações de direitos humanos.

Esta rigorosa legislação foi inicialmente instituída para punir autoridades russas no episódio da morte do advogado Sergei Magnitsky, que havia denunciado um esquema bilionário de fraude fiscal. Com o passar dos anos, a lei passou a ter maior alcance e hoje é considerada uma das principais ferramentas de sanção unilateral dos EUA contra  violações de direitos humanos ou corrupção no mundo inteiro.

Cerca de 700 estrangeiros já foram alcançados pela lei. Em setembro de 2024, os EUA também aplicaram sanções a seis magistrados do Judiciário venezuelano, após a reeleição ilegal do presidente Nicolás Maduro.

POSIÇÕES ESTRATÉGICAS – De acordo com o Tesouro norte-americano, os magistrados ocupavam posições estratégicas no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), equivalente à Suprema Corte, e foram responsabilizados por obstruir o processo eleitoral e suprimir garantias democráticas básicas.

Não foi o primeiro episódio de retaliação contra a Venezuela. Em 2017, outros oito magistrados já haviam sido sancionados, por usurparem funções da Assembleia Nacional tomando decisões que ampliaram os poderes do regime de Maduro.

Portanto, Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci, estão em péssima companhia. Até agora são os únicos brasileiros atingidos pela matriz USA., os demais sancionados na filial Brazil apenas perderam os vistos.

ERROS GROTESCOS – Para os americanos, Moraes tem status de “terrorista” pelos erros  cometidos ao perseguir militantes e blogueiros bolsonaristas, mandando prender e pedindo extradição para o Brasil por supostos crimes de opinião, que a Justiça dos EUA considera protegidos pela liberdade de expressão.

Apesar da gravidade das acusações, ele continuou cometendo seguidos erros processuais também no julgamento do 8 de Janeiro e dos envolvidos no suposto golpe que jamais existiu, pois não houve tropas nas ruas, tiros ou violência contra o regime, apenas invasão e depredação de patrimônio público, que são crimes com pena máxima de três anos, que réus primários nem cumprem.

Restringiu ao máximo o direito de defesa, proibindo que os advogados tivessem acesso ao inteiro teor dos autos, cometendo um festival de aberrações jurídicas. Chega a ser constrangedor. 

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P.S. 1 – Hoje, Moraes tornou-se exemplo de como um juiz não deve proceder, e está arriscado a permanecer nesta situação pelo resto da vida. Aliás, os americanos jamais tiraram da Lei Magnitsky nenhum dos quase 700 sancionados.

P.S. 2 – E o pior é que Moraes acredita que jamais cometeu nenhum erro, apesar de seus notórios exageros nas investigações e nos julgamentos do 8 de Janeiro e do golpe, tornando-se uma espécie de Napoleão de hospício, que forma tropas no pátio e dá ordem unida aos demais pacientes. (C.N.)

Brasil espera resposta dos EUA para fechar acordo provisório ainda este mês

Vieira diz que espera resposta sobre um ‘mapa do caminho’

Deu no G1

Após a revogação parcial do tarifaço de café, carne, banana e outros produtos agrícolas, agora o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, aguarda uma resposta dos Estados Unidos sobre um “mapa do caminho” para orientar as negociações bilaterais destinadas a solucionar as pendências comerciais entre os dois países.

O Brasil busca derrubar o tarifaço de 50% imposto pelos EUA a uma série de produtos do Brasil. Vieira se encontrou duas vezes com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante o G7 no Canadá, na última quarta-feira (12), e uma vez em Washington, capital dos EUA na quinta-feira(13). Após a reunião, Vieira falou com a imprensa. Segundo o chanceler, Rubio demonstrou interesse pessoal — e do governo dos EUA — em avançar rapidamente nas tratativas com o Brasil.

REUNIÃO VIRTUAL – O ministro explicou que, em 4 de novembro, houve uma reunião virtual de alto nível entre autoridades do Itamaraty, do Ministério da Fazenda e do MDIC com suas contrapartes dos EUA. Nessa reunião, o Brasil apresentou uma resposta detalhada à lista de temas que Washington havia enviado em 16 de outubro.

“Apresentamos nossas propostas para a solução das questões. Agora estamos esperando que eles nos respondam”, disse Vieira. Rubio disse que resposta deve vir “muito rapidamente”

ANÁLISE – Vieira relatou que Marco Rubio afirmou que os EUA estão analisando o documento brasileiro e devem responder ainda no início desta semana. Segundo o chanceler, Rubio expressou a intenção do governo americano de resolver rapidamente as pendências bilaterais.

De acordo com Vieira, Rubio mencionou comentários do presidente Donald Trump, que disse ter gostado muito da reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Malásia e manifestou vontade de avançar na solução das questões comerciais.

Vieira afirmou que os dois lados querem concluir até o fim deste mês — ou, no máximo, no início do próximo — um acordo provisório que crie um “mapa do caminho” para as negociações.

INTERESSE AMERICANO – Esse roteiro deverá guiar as discussões por um a dois anos, até a conclusão de um acordo abrangente.

“É uma demonstração do interesse do governo americano em solucionar as questões pendentes e de se aproximar do Brasil”, disse o ministro.

Questionado sobre o fim das tarifas especiais sobre outras exportações brasileiras, Vieira explicou que, nos encontros com Rubio, discutiu apenas o marco geral da negociação e o governo Trump ainda não sinalizou os próximos passos.

Mendonça acusa STF de ativismo judicial e desafia maioria da Corte

Com maioria já formada no STF, André Mendonça interrompe julgamento de duas  ações penais do 8 de janeiro

Mendonça explica que juiz deve gerar a paz e não o caos

Samuel Lima
O Globo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), alegou nesta segunda-feira, 17, que colegas da Corte agem com ativismo judicial em alguns casos e defendem a prática. A fala ocorreu durante almoço com empresários organizado pelo grupo Lide, em São Paulo.

— Tem que ter lei, tem que aplicar a lei. O grande problema é compreender que cabe ao Judiciário dar a última palavra e criar os próprios marcos limitadores — declarou o ministro.

MARCO CIVIL – Em seguida, deu como exemplo o julgamento sobre a responsabilidade das redes sociais frente ao Marco Civil da Internet, concluído em junho deste ano. Por maioria, o Supremo decidiu pela inconstitucionalidade de um artigo, de modo a exigir uma atuação preventiva mesmo sem notificação da Justiça em conteúdos graves, como pornografia infantil, terrorismo e crimes contra o Estado de Direito.

— Com a devida vênia da maioria que se formou, na própria decisão do Marco Civil da Internet, nós criamos restrições sem lei. Isso se chama ativismo judicial. E os próprios colegas têm defendido esse ativismo. Eu não defendo — disse ele.

O ministro fez as declarações nesta segunda do Almoço Empresarial Lide, em São Paulo. O encontro reuniu empresários, executivos e autoridades para discutir temas ligados à segurança jurídica e ao ambiente de negócios no Brasil.

LIVRE INICIATIVA – Mendonça procurou se apresentar no evento como um ministro equilibrado, que apoia a livre iniciativa e que não gosta de dar opiniões políticas. Em mais de um momento, contudo, fez acenos aos empresários, como ao dizer que, no Brasil, eles seriam “heróis que amanhecem o dia já devendo praticamente um terço do seu faturamento a um sócio oculto, que é o Estado”.

Indicado por Jair Bolsonaro (PL), numa vaga prometida pelo ex-presidente como sendo de um ministro “terrivelmente evangélico”, Mendonça foi celebrado por convidados como o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), como um defensor dos “valores da família”, em uma referência politizada no meio conservador.

REFORMA ADMINISTRATIVA – Ao final do evento, quando perguntado sobre os benefícios que gozam os membros do Judiciário, o ministro declarou ser favorável a uma revisão na reforma administrativa. As críticas incidem, principalmente, sobre os penduricalhos, auxílios e indenizações de toda ordem que resultam em supersalários de juízes e promotores do Ministério Público, acima do teto salarial equivalente aos ganhos de um juiz do STF.

— Há uma preocupação, posso lhe dizer isso, por parte do Supremo Tribunal com essa escala de benefícios financeiros que estão sendo distribuídos em instituições de Justiça como um todo. A gente tem que ter um nível de normalidade.

“GANHAR BEM” – Segundo ele, os magistrados e promotores precisam “ganhar bem”, porque há grande responsabilidade e risco na atividade. Além de custos altos, por exemplo, com educação privada para a classe média, da qual eles fariam parte.

— Nós, em tese, integramos uma classe média, então, a gente tem que procurar um plano de saúde diferente, uma escola com custo. Isso acaba impactando muito a questão salarial, mas, ao mesmo tempo, precisamos ter um teto mais respeitoso e mais respeitado.

Corruptos ligados ao PT estão sendo recebidos com tapete vermelho pela CGU

Tribuna da Internet | Lula vacila muito no combate à corrupção, ao invés de  amarrar as próprias mãos

Charge do Miguel (Arquivo Google)

Eduardo Barretto e Vinícius Valfré
Estadão

A Controladoria-Geral da União (CGU) recebeu para uma reunião a cúpula da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), investigada por supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O encontro dos principais auxiliares do ministro da CGU, Vinícius Carvalho, com a entidade ligada ao PT aconteceu uma semana após a própria controladoria apontar que a entidade tentou descontar benefícios de 22 mortos. A Contag é investigada pela CGU, pela Polícia Federal e pela CPI do INSS.

Em 30 de julho, uma semana antes da reunião, uma nota técnica da CGU concluiu que a Contag tentou descontar benefícios previdenciários de ao menos 22 pessoas que estavam mortas havia mais de três meses. O documento, revelado pelo Estadão, foi enviado à CPI do INSS, e recomendou a abertura de uma investigação na CGU contra a Contag.

DIÁLOGO INSTITUCIONAL – A reunião aconteceu em 5 de agosto deste ano na sede da CGU, das 15h às 16h. A Coluna do Estadão apurou que quem conduziu a agenda foi Alfredo Ermirio, chefe de gabinete do ministro da CGU. Também participaram a assessora especial do ministro Maria Victoria Hernandez e o assessor Pablo Souza. Do lado da Contag, estavam a presidente, Vânia Marques; o secretário de Políticas Sociais, Antônio Erinaldo; o assessor jurídico Antônio Farani; e o assessor Evandro Melo.

Procurada pela Coluna do Estadão, a CGU afirmou que a reunião teve caráter de “diálogo institucional” e tratou de uma auditoria sobre descontos de beneficiários do INSS. O ministério negou conflito de interesses por ter se reunido com a entidade investigada. A Coluna pediu que a CGU enviasse a ata da reunião, o que não aconteceu.

Ao contrário da pasta, a Contag disse que o encontro tratou apenas das reivindicações da entidade para a agricultura familiar, assunto que sequer foi mencionado na nota da CGU.

R$ 2 BILHÕES – A investigação teve início em setembro com a instauração de um processo administrativo de responsabilização (PAR). Esse tipo de apuração investiga condutas de empresas por atos lesivos à administração pública com base na Lei Anticorrupção. A CGU afirmou que o processo segue tramitando e deve ser concluído até junho de 2026.

Os auditores apontaram diversas suspeitas em relação à entidade. Uma delas foi a de apresentar autorizações inaptas “de maneira massiva” para descontos em benefícios. Segundo o relatório, a Contag também produziu documentos falsos para a obtenção de acordos com beneficiários.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informou à CPI do INSS que a Contag movimentou R$ 2 bilhões em um ano. De acordo com o órgão de combate à lavagem de dinheiro, uma parte das transações foi classificada como “suspeitas de irregularidades, podendo caracterizar desvio com fraudes”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Contag é uma associação politicamente próxima do PT, partido do presidente Lula. Além de sindicatos de trabalhadores rurais, a associação reúne a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), grupos historicamente apoiadores dos governos petistas. O ex-presidente Aristides Veras, por exemplo, é irmão do deputado federal Carlos Veras (PT-PE). Mas o que esperar de uma organização ligada ao PT? É tudo uma lama, com Frei Chico, a nora e um dos filhos agora envolvidos em novas maracutaias. Com toda certeza, Lula não aprendeu nada naqueles 580 dias que passou na cadeia. É pena. (C.N.)  

É bom repetir que despertar a consciência negra não é nenhum favor

Zumbi dos Palmares é um dos grandes nomes da história do Brasil. Ele foi um  dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior e mais longevo quilombo da  história de nosso país.Vicente Limongi Netto

Significativo e marcante o artigo de Ana Dubeux (Correio Braziliense – 16/11). “Despertar a consciência negra não é favor”.  Tenho orgulho e apreço pelos negros. Sou amigo de muitos deles. A cor de todo ser humano precisa ser acolhida e respeitada. Tratar mal negros é intolerante covardia. Um mundo adulto e civilizado não admite mais atitudes mesquinhas contra ninguém, muito menos contra negros.

É repugnante quando se colocam os negros em planos inferiores.  Entre meus mestres no jornalismo, louvo, destaco e lembro sempre um craque inesquecível, chamado Leonídio Barros. Negro abençoado que me ensinou lições preciosas na profissão. Barros veio do Rio de Janeiro, década de 60, para dirigir a sucursal do Globo, então na Rua da Igrejinha. Convivência maravilhosa. Grato, amigo.

GIGANTES DA COR – O que dizer de outros negros, como Pelé, Oliveira Bastos, Milton Santos, Gilberto Gil, Vinicius Júnior, Jairzinho, o furacão da Copa, e Machado de Assis, Lima Barreto e tantos outros, como Cartola e Nelson Cavaquinho? O que dizer de porteiros negros de prédios e condomínios? O que dizer dos garis e motoristas negros? O que dizer dos simpáticos ambulantes das praias?

Encerro, salientando lições de Ana Dubeux: “Dia 20, celebramos, no Brasil, o Dia Nacional do Zumbi e da Consciência Negra. Um dia também para um exame profundo dos nossos gestos e atitudes, um dia para pedir perdão, para se espantar com as estatísticas tão absurdas que nos fazem ainda um país escravocrata. Um dia que deve se prolongar para sempre, porque a necessidade de reflexão não se esgota em 24 horas, muito menos a da reparação”. 

COPA DO MUNDO – O técnico Carlo Ancelotti merecerá o céu, a Ordem do Rio Branco, a maior comenda do Brasil, afagos do Cristo Redentor, aumento salarial e estátua na CBF,  caso a seleção brasileira conquiste o tão sonhado hexa. Se fracassar, não vejo razão para que Ancelotti permaneça técnico da seleção. Não terá desculpas.

Não precisa nem voltar ao Brasil depois da competição. Pode acertar as contas pelo celular.

PF indicia Silvio Almeida e leva ao STF denúncia mais delicada da gestão Lula

Planalto reage a Motta após relatoria de Derrite no PL Antifacção

Um desesperado poema de amor, na inspiração de Adalgisa Nery

FCO-2940 - Retrato de Adalgisa Nery | Obras | Portinari

Adalgisa, retratada por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery, por seu casamento como pintor Ismael Nery, criou o “Poema da Amante”, em que faz ardentes confissões amorosas.

POEMA DA AMANTE
Adalgisa Nery

Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.

Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.

Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.

Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.

Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a ideia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.

Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.

STF divulga ata do julgamento que manteve condenação de Bolsonaro e núcleo golpista

Análise dos recursos foi concluída na sexta-feira

Sarah Teófilo,
Mariana Muniz e
Daniel Gullino
O Globo

O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou a ata do julgamento que confirmou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros seis réus por tentativa de golpe de Estado. A Primeira Turma concluiu na última sexta-feira a análise dos recursos apresentados pelas defesas, abrindo prazo para novas contestações.

Os quatro ministros da Primeira Turma já haviam votado no dia 7, o do julgamento, para rejeitar os embargos de declaração, tipo de recurso utilizado. Entretanto, a análise continuou no plenário virtual por uma semana.

RECURSOS – Os ministros também decidiram rejeitar os recursos dos ex-ministros Walter Braga Netto (Defesa e Casa Civil), Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), do ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos e do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Dos oito condenados, apenas o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, não recorreu. Ele foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto. Ainda será publicado o acórdão, documento que oficializa o resultado do julgamento. A partir daí, começa o prazo para a apresentação de novos recursos. Os advogados podem optar por protocolar novos embargos de declaração (os chamados “embargos dos embargos”). Nesse caso, o prazo é de cinco dias.

Outra possibilidade é a interposição dos embargos infringentes. Os dois recursos têm finalidades diferentes. Os embargos de declaração servem para esclarecer dúvidas, contradições ou omissões de uma sentença.

SEM ALTERAÇÃO – No julgamento que terminou, os ministros da Primeira Turma já consideraram que não havia o que ser alterado no resultado do julgamento que condenou Bolsonaro e aliados. As defesas, contudo, podem tentar insistir que alguns dos seus questionamentos não foram abordados.

Não existe um limite definido para os embargos de declaração, mas o Código de Processo Civil estabelece que não serão admitidos novos recursos desse tipo quando os dois anteriores tiverem sido considerados “meramente protelatórios”.

Já os embargos infringentes servem para questionar julgamentos não unânimes. O entendimento atual do STF, no entanto, é que esse tipo de recurso só pode ser apresentado quando houver dois votos divergentes, nas análises pelas turmas. No caso de Bolsonaro e da maioria dos réus, só houve um voto pela absolvição, do ministro Luiz Fux. Por isso, uma tentativa nesse sentido não deve prosperar.

Trump admite negociar com Maduro enquanto intensifica pressão militar no Caribe

Facções ocupam o vácuo do Estado, que se transforma em refém do crime

Serviços irregulares tornaram-se negócios altamente lucrativos

Pedro do Coutto

A reportagem de Patrick Camporez e Sarah Teófilo, publicada em O Globo, neste domingo, revela um retrato devastador da fragilidade institucional brasileira: facções criminosas passaram a ameaçar servidores, empresas concessionárias e agentes públicos para impedir a interrupção de serviços ilegais, consolidando um sistema paralelo que hoje opera em pelo menos quatro estados — Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo e Mato Grosso.

Os relatórios da Polícia Federal mostram que, em diversas regiões, o Estado deixou de ser autorizado a funcionar. Não é apenas a polícia que enfrenta restrições: técnicos de energia e internet, equipes de manutenção, fiscais e funcionários de serviços essenciais relatam ser impedidos de entrar em áreas dominadas por milícias e facções, que tratam bairros inteiros como territórios sob jurisdição própria.

CONTROLE –  A situação é tão grave que, segundo o material obtido pela reportagem, há locais onde criminosos não apenas controlam a oferta clandestina de serviços, mas também determinam que nenhuma intervenção oficial — mesmo quando necessária — seja realizada. É o crime ocupando não só o espaço físico, mas a própria função regulatória do Estado.

Esse fenômeno, antes associado sobretudo ao Rio de Janeiro, agora se espalha por outros estados com características locais distintas, mas com o mesmo padrão: grupos armados que operam como administradores de áreas urbanas, cobrando taxas, gerenciando redes clandestinas de internet e energia, impondo regras de circulação e ameaçando qualquer funcionário público que tente restabelecer a legalidade.

A reportagem mostra que serviços irregulares, como a distribuição clandestina de sinal de internet ou o fornecimento ilegal de energia, tornaram-se negócios altamente lucrativos, e que suas interrupções são tratadas pelas facções como afrontas diretas à sua autoridade, justificando ameaças e ataques.

PARADOXO – Essa realidade estabelece um paradoxo perverso: quanto mais o Estado se vê incapaz de entrar, mais a população fica dependente da estrutura criminosa que ocupa seu lugar. Moradores convivem com a ambiguidade de serem, simultaneamente, vítimas e reféns de modelos ilegais que suprem, ainda que de forma precária, necessidades básicas que o poder público não conseguiu garantir.

O avanço dessa governança criminosa expõe, de forma nua e crua, uma falência parcial das instituições responsáveis por assegurar a ordem, a cidadania e a presença territorial do Estado. Não se trata apenas de violência armada ou tráfico de drogas, mas de uma disputa por autoridade e legitimidade.

Quando uma facção determina que técnicos não podem desligar uma conexão clandestina ou realizar um reparo essencial, ela está afirmando, na prática, que sua palavra vale mais que a lei. E quando essa lógica se repete em diferentes regiões do país, o problema deixa de ser local para se tornar um desafio nacional.

POLÍTICAS PÚBLICAS –  A ausência prolongada de serviços formais cria um ecossistema em que o poder paralelo se fortalece, e a retomada desses territórios se torna progressivamente mais difícil, pois não exige apenas força policial — exige políticas públicas, investimentos contínuos e reconstrução de confiança.

A situação descrita pelos documentos da PF e pela reportagem não é fruto de um episódio isolado, mas de décadas de negligência, de políticas descontínuas e de um Estado que sempre oscilou entre a presença armada e a ausência cotidiana. O resultado é a formação de enclaves onde a legalidade foi substituída pela lógica econômica e coercitiva do crime.

O desafio que se coloca agora é enorme e exige coragem política: retomar áreas dominadas por facções não é apenas entrar com operações pontuais, mas fincar raízes, reconstruir serviços públicos, garantir segurança de forma permanente e devolver à população a ideia de que o Estado existe para protegê-la e servi-la. A reportagem apenas confirma o tamanho da encruzilhada — e do dever que o país tem pela frente.

Se você perguntar se a democracia acabará um dia, a resposta será sim

Charges sobre democracia - 07/08/2020 - Política - Fotografia - Folha de  S.Paulo

Charge do Benett (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

O que é a história? Vejamos o que diz o historiador francês Fernand Braudel. “A história não é outra coisa senão uma constante interrogação feita ao tempo passado em nome de problemas e curiosidades —e mesmo de inquietações e angústias— do tempo presente que nos cerca e nos assola”. O trecho está na coletânea “La Méditerranée”, pela editora Flammarion, apresentada pelo historiador François Hartog, que tem um ensaio de Georges Duby e cinco textos do próprio Braudel, que a organizou.

Braudel dirá que se trata de um diálogo entre os tempos. Diálogo este em que o tempo presente busca no tempo passado as causas do que ele é. “Ter sido é uma condição para ser.” Quem não conhece o passado não sabe o que ele é no presente. Quem não tem passado não existe propriamente. E sabemos que quando falamos de tempo em Braudel, falamos da “longue durée” — longa duração —, uma história que se declina mesmo em tempo geográfico.

VOCAÇÃO AO VAZIO – A partir desse enquadre historiográfico, percebemos que a modernidade tem um problema estrutural com relação ao conhecimento de si mesma, devido à dinâmica que a caracteriza como aquele tempo que despreza a priori o passado. Sendo assim, poderíamos dizer que a modernidade tem uma vocação intrínseca ao vazio em termos de identidade.

Indicativo dessa dinâmica está presente de forma evidente no manifesto futurista de 1909, escrito pelo italiano Fillippo Tommaso Marinetti, em que a velocidade, a modernidade e a máquina são celebradas como valores de um tempo voltado ao novo e despreza o passado.

Tratava-se de um daqueles movimentos artísticos bobos em que a partir do seu discurso estético escorria um gozo com a “destruição regeneradora” que deveria caracterizar o tempo futuro. Apesar de não se poder reduzir o futurismo ao fascismo, muitos futuristas aderiram a Mussolini como representante dessa modernidade violenta e regeneradora da Itália e do mundo.

SOMBRA FASCISTA – O elemento fascista na modernidade é algo que lhe é intrínseco, e temos que lembrar disso. Quando se celebra a modernidade há que se dar conta da sombra fascista que a acompanha. O culto da transformação violenta e do novo como valor em si, integra a dinâmica moderna tanto no fascismo italiano e alemão quanto na revolução bolchevique na Rússia.

Há um vínculo essencial entre modernidade, progresso e movimentos políticos totalitários, independentemente da bandeira ideológica que os anima.

Quando se interrompe o diálogo com o passado, como diz Braudel, interrompe-se o conhecimento do presente. Por isso mesmo, a modernidade carrega uma condição zumbi. Inquietações, angústias, curiosidades, problemas giram no vazio sem a capacidade de produzir consciência de si mesmos, principalmente na “longue durée” que caracteriza as questões humanas.

PASSADO/PRESENTE – Outro historiador, Dan Edelstein, professor em Stanford, no seu essencial livro “Revolution to Come: A History of an Idea from Thucydides to Lenin”, da Princeton University Press, indaga acerca da história da ideia de revolução desde a guerra do Peloponeso —século 5º a.C.

Num vasto trabalho de erudição, Edelstein dá um exemplo primoroso do que Braudel chamaria de diálogo entre o passado e o presente no qual, ao sabermos o que fomos, podemos melhor lidar com o que somos. No caso de Edelstein, se trata especificamente da história política ocidental.

Quando nos perguntamos sobre o conceito e valor das revoluções modernas, devemos saber de onde vem a expressão. O termo de origem é “stasis” em grego, usado por Tucídides, significando conflito, catástrofe social.

VALOR DO NOVO -A noção de progresso ou do valor intrínseco do novo como critério absoluto do que é bom é coisa do século 18 iluminista —como no caso do ingênuo e guilhotinado Condorcet. Mas mudanças políticas nem sempre foram vistas como valor positivo para a vida política de um povo. Durante a maior parte da história, mudanças políticas foram vistas como tragédia.

Segundo Políbio (200-118 a.C.), historiador grego radicado em Roma, autor de “Histórias”, os gregos e romanos viam os sistemas políticos como necessariamente perecíveis e vocacionados, antes de degenerar, a evitar que a sociedade ficasse pior do que já era, ao contrário de nós modernos, que vemos na política um modo de fazer o mundo melhor. Haveria algo de entrópico na ordem política. Concordo com os antigos: não há avanço.

No espírito de Braudel —e dos antigos—, se alguém se perguntar angustiado se a democracia acabará um dia, a resposta é, evidentemente, que sim. Olhando para o passado, vemos que tudo que é humano é efêmero.

Orçamento secreto não morreu e a emenda panetone faz a festa de Natal

Charge do Sinfrônio (Arquivo do Google)

Ranier Bragon
Mateus Vargas
Folha

Apesar de o Congresso Nacional controlar a destinação do valor recorde de cerca de R$ 50 bilhões em emendas parlamentares, a Comissão Mista de Orçamento do Legislativo negocia com o governo Lula (PT) uma palavra extra de fim de ano para cada um de seus membros, chamada por alguns de “emenda panetone”.

Sob o argumento de que essa é uma tradição não escrita, mas sempre cumprida todos os anos, os valores planejados são de R$ 3 milhões para cada membro da comissão, sendo R$ 5 milhões para os relatores setoriais. Além do valor final ainda não estar definido, a fonte do recurso também é objeto de disputa.

EMENDAS DE COMISSÃO – Segundo relatos de parlamentares ouvidos pela Folha, o governo quer que a verba seja retirado das chamadas emendas de comissão, dinheiro que teoricamente deveria ter a aplicação decidida pelas comissões temáticas da Câmara e do Senado, mas que na prática é usado pelo governo, líderes partidários e a cúpula do Congresso para obter apoio às suas demandas.

Já os membros da Comissão de Orçamento defendem que uma “emenda panetone” seja realizada no Orçamento do próprio governo, na rubrica RP2, em mais um drible à tentativa de fiscalização e rastreabilidade das emendas parlamentares.

REPÚDIO – Em nota, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, comandada por Gleisi Hoffmann, afirmou que “nega e repudia as denúncias que a reportagem atribuída a fontes anônimas”. A Folha comprovou a existência de negociação com oito parlamentares, quatro deles do PT, partido de Gleisi. Todos falaram na condição “off the record”, jargão jornalístico que significa que a fonte consultada passou a informação através de uma condição de não ser identificada.

A Comissão Mista de Orçamento do Congresso é composta por 30 deputados federais e 10 senadores titulares, com igual número de suplentes. Ela tem como função a cada ano analisar e aprovar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que serve como base para a LOA (Lei Orçamentária Anual). As duas ainda não foram votadas, mas o objetivo é concluir a análise até dezembro. A reportagem também contou com os relatores da LDO, Gervásio Maia (PSB-PB), e da LOA, Isnaldo Bulhões Jr.

Há R$ 50,3 bilhões reservados no Orçamento de 2025 para emendas parlamentares. Deste valor, o governo já envolveu R$ 32,23 bilhões e pagou R$ 21,9 bilhões. Cerca de R$ 38,8 bilhões são de emendas impositivas individuais e das bancadas estaduais. Ainda há R$ 11,5 bilhões de verbas definidas pelas comissões temáticas do Congresso, a parcela mais vulnerável aos cortes e ao ritmo de execução imposto pelo Planalto.

SALTO – A explosão de palavras de emendas parlamentares ocorreu a partir de 2020, quando o recurso empenhado saltou de R$ 18,2 bilhões para R$ 50 bilhões de um ano para o outro. O aumento restringiu o orçamento dos ministérios, que tem até 70% dos recursos de custódia e investimentos definidos por parlamentares. Mesmo com controle inédito dos parlamentares, o governo federal tem negociado com o Congresso, não só no fim do ano, verbas extras que não ficam marcadas como emendas.

Na prática, os recursos também fogem dos controles de impostos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), como critério de plano de trabalho ou de criação de contas únicas para receber determinados tipos de emendas.

EMENDA INFORMAL – No Ministério da Saúde, repasses que se aproximam de R$ 5 bilhões são tratados nos bastidores como emenda informal. O governo nega que a palavra seja usada em negociações com o Congresso, ainda que os próprios parlamentares se refiram à palavra como uma indicação própria em ofícios, redes sociais e diálogos com os estados e municípios, como mostrado a Folha.

Nos anos 1990, uma comissão foi o epicentro de um dos principais escândalos políticos do final do século passado, o chamado esquema dos anões do Orçamento —a CPI que apurou o caso apontado que um grupo de deputados recebeu a propina de prefeitos e empresas para direcionar suas emendas.