As ruas falaram que a democracia é um bem que não é negociável

Manifestantes protestaram contra o PL da Dosimetria

Pedro do Coutto

O último domingo foi marcado por um recado claro e direto vindo das ruas brasileiras. Em capitais e grandes cidades, milhares de pessoas se mobilizaram contra o Projeto de Lei da Dosimetria, que altera critérios de aplicação de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Mais do que um protesto pontual, as manifestações expressaram um sentimento profundo de desconfiança em relação a acordos políticos que, na avaliação dos manifestantes, podem abrir caminho para a impunidade.

Os atos reuniram movimentos sociais, partidos de esquerda, centrais sindicais, artistas, parlamentares e cidadãos sem filiação partidária explícita, unidos por uma palavra de ordem comum: sem anistia. Para os participantes, a proposta em debate no Congresso representa uma tentativa indireta de reduzir punições impostas aos responsáveis pelos ataques às instituições em 8 de janeiro de 2023 — episódios que incluíram a invasão e depredação do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto.

RELATIVIZAÇÃO – Embora pacíficas, as manifestações foram politicamente contundentes. Cartazes, discursos e palavras de ordem ressaltaram que os crimes cometidos contra a democracia não podem ser relativizados por meio de ajustes legislativos casuísticos. A leitura predominante entre os manifestantes é que a dosimetria, apresentada como um debate técnico, carrega forte conteúdo político e simbólico: o de reescrever a gravidade de atos que atentaram contra a ordem constitucional.

Os números de público foram menores do que em mobilizações anteriores, mas isso não esvaziou o significado político do movimento. Pelo contrário. Em um ambiente de fadiga social e dispersão do debate público, a capacidade de reunir milhares de pessoas em diferentes regiões do país revela que o tema segue sensível e mobilizador. A mensagem transmitida é a de que a sociedade civil permanece vigilante e disposta a reagir quando percebe riscos à institucionalidade democrática.

PAUTAS – Outro ponto relevante foi a diversidade das pautas incorporadas aos protestos. Além da rejeição ao PL da Dosimetria, surgiram reivindicações ligadas a direitos trabalhistas, críticas à escala de trabalho 6×1 e à condução do Congresso Nacional. Esse entrelaçamento de agendas reforça a percepção de que, para muitos brasileiros, a defesa da democracia não está dissociada de justiça social e respeito aos direitos fundamentais.

Ao final do dia, o saldo político das manifestações foi menos quantitativo e mais simbólico. As ruas lembraram ao Parlamento que decisões tomadas a portas fechadas, ainda que dentro da legalidade formal, precisam considerar o impacto social e histórico de seus efeitos. A democracia, como deixaram claro os manifestantes, não é apenas um arranjo institucional — é um pacto que exige memória, responsabilidade e limites claros.

O recado do domingo foi simples e poderoso: crimes contra a democracia não são moeda de troca. Cabe agora ao Congresso decidir se ouvirá o eco das ruas ou se assumirá o ônus político de ignorá-lo.

9 thoughts on “As ruas falaram que a democracia é um bem que não é negociável

  1. Minimizou a baixa adesão e valorizou o recado que acha que as ruas falaram.
    Dom Pedro, o senhor é muito seletivo quanto o que falam as ruas. A sua dosimetria é mais seletiva ainda.
    Na minha dosimetria o Brasil está mais perto de uma ditadura do proletariado que de uma ditadura de direita.

  2. As manifestações democráticas em “defesa da democracia” revelam-se menos como exercício de participação cívica e mais como um ritual de exaltação identitária, cujo principal efeito é reforçar o papel de animadores de torcida.

  3. Será que o roubo que essa turma da esquerda, em especial os petistas fizeram no mensalão e no petrolão não é um atentadado a democracia. Os desvios causados pela corrupção tem efeitos em diversas áreas, saúde, educação, segurança, transportes, em especial os mais necessitados são os que mais sofrem. Para min isso também é um atentado a democracia

  4. Um lapso de honestidade (ou teria sido sem querer ?) : milhares de pessoas. Quem conta um conto aumenta um ponto, ou seja, logo alguém dirá milhões.

  5. Atentado a Democracia, foi o que o fedorento quis fazer.

    HAVERá SEMPRE ROUBOS do erário público, sejam da esquerda ou direita.
    DISSO NUNCA VAMOS NOS LIVRAR!

    ISSO SE CHAMA ROUBO!

    Querer se perpetuar no poder, isso, se chama DITADURA!

    Fim de papo!

    José Luis

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