Lei da Dosimetria já se transformou em símbolo da batalha por poder em Brasília

Charge dp Gilmar Fraga (Zero Hora)

William Waack
CNN

Quando foi aprovada, no fim do ano passado, a dosimetria surgiu como um compromisso político para evitar um confronto ainda maior entre Judiciário, que não iria deixar passar uma anistia, e um Congresso com clara maioria para aliviar de alguma maneira a situação dos condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por conta da trama golpista.

De lá para cá, com vetos e derrubada de vetos, o confronto só piorou e está escalando com a decisão monocrática do ministro Alexandre de Moraes de suspender a Lei da Dosimetria aprovada no Congresso. O confronto entre Judiciário e Legislativo vai piorando, pois a natureza dele não é simplesmente técnica ou baseada na interpretação de normas da Constituição ou no entendimento do regimento interno do Congresso, embora também seja.

DISPUTA DE PODER – Ela é uma disputa de poder entre um Parlamento que se vê ainda mais empoderado diante da perspectiva de aumentar a proporção de centro-direita nas próximas eleições, e nem estamos falando do resultado das presidenciais. E um Supremo cujos supremos poderes estão sendo erodidos por pressão política-pública, que é resultado em boa medida do comportamento político e pessoal de integrantes da própria Suprema Corte.

E aí não importa o que sejam as justificativas jurídicas para a decisão de Moraes, nem o que o Congresso possa apontar de falhas nelas para se propor a peitar o juiz Alexandre de Moraes. O Supremo encara seu papel como o supremo poder – e, se necessário for, impondo limites aos outros, especialmente o Legislativo, que está claramente disposto a devolver na mesma moeda.

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