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Valdemar está proibido de se encontrar com Bolsonaro
Rafael Moraes Moura
O Globo
Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em vigor há quase quatro meses, criou um obstáculo que vem dificultando o gerenciamento da crise provocada pelos áudios e mensagens trocados entre o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre o repasse de R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse”.
Desde 29 de janeiro deste ano, por decisão de Moraes, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, está proibido de se encontrar com Bolsonaro. A alegação do ministro é de que ele segue sendo investigado no âmbito do caso da trama golpista, o mesmo que levou à condenação do ex-chefe do Executivo a 27 anos e três meses de prisão.
ARTICULAÇÃO – Entre dirigentes do PL, em especial os que preferiam abandonar a candidatura de Flávio Bolsonaro em favor de Michelle, a decisão de Alexandre inviabiliza uma conversa de Jair com Valdemar, que na cúpula do partido é visto como a única pessoa capaz de convencer o ex-presidente a trocar de candidato à Presidência.
Segundo aliados, o presidente do PL também prefere Michelle a Flávio, mas nunca vai admitir em público e nem contrariar Bolsonaro. Valdemar sempre repete que foi o capital eleitoral do ex-presidente quem lhe deu a maior parte da bancada e, portanto, dos fundos públicos aos quais o partido tem direito.
Como os dois não podem conversar, Bolsonaro só tem acesso a informações sobre o cenário político pela imprensa, pelos filhos e pela mulher, Michelle, que não se dão bem e na prática disputam o espólio político de Jair. Mesmo considerando que seria muito difícil ou até impossível o ex-presidente desistir da candidatura do filho em favor da mulher, lideranças do PL acreditam que ele poderia mudar de avaliação se pudesse discutir o caso em detalhes com aliados de confiança.
VISITAS – Bolsonaro, que vive com a ex-primeira-dama Michelle, pode receber visitas de seus advogados, filhos e de sua equipe médica – mas não dos dirigentes do PL nem das principais lideranças partidárias no Congresso. Para integrantes da legenda, Moraes “segue usando sua caneta para impedir comunicações e estratégias do PL”, o que em momentos críticos como o atual pode ser fatal para a direita.
O impacto do escândalo já se reflete nas pesquisas eleitorais. A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22) mostrou que Lula passou a superar numericamente Flávio nas simulações de segundo turno (47% a 43%) na esteira do caso “Dark Horse”. No levantamento anterior, da semana passada, com a maioria das entrevistas realizadas antes do escândalo vir à tona, os dois estavam tecnicamente empatados, com 45%.
TRANSFERÊNCIA – Duas semanas antes de Moraes barrar a visita de Valdemar, Bolsonaro havia sido transferido em 15 de janeiro para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, por estar localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
À época, ao analisar uma petição dos advogados de Valdemar, Moraes concluiu ser “incabível o pedido de visitação” formulado pelo dirigente partidário pelo fato de Valdemar “ser investigado no âmbito das mesmas imputações realizadas ao custodiado”, no âmbito da trama golpista.
Diante do agravamento do quadro de saúde de Bolsonaro, Moraes transferiu o ex-presidente para a prisão domiciliar em março deste ano, mas as restrições de visitas foram mantidas.
INVESTIGAÇÃO – A situação de Valdemar no caso da trama golpista passou por uma série de reviravoltas que ajudam a explicar a deterioração de sua relação com Alexandre de Moraes. Em novembro de 2024, a Polícia Federal indiciou o presidente do PL no bojo das investigações que levaram Bolsonaro à cadeia, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) acabou decidindo não denunciá-lo depois, o que foi recebido com alívio no entorno bolsonarista.
Em outubro do ano passado, no entanto, houve uma nova reviravolta. Um mês depois de Bolsonaro ser condenado, os ministros da Primeira Turma do STF decidiram reabrir uma investigação contra Valdemar por organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito por conta da contratação do Instituto Voto Legal (IVL).
O IVL, presidido pelo engenheiro Carlos Rocha, deu amparo legal à ofensiva do PL para contestar as urnas eletrônicas e tentar anular o resultado do segundo turno das últimas eleições presidenciais. Rocha também foi condenado pela Primeira Turma do STF a 7 anos e seis meses de prisão.
DERROCADA – Antes de entrar na mira de Moraes e ser proibido de se encontrar com Bolsonaro, Valdemar chegou a atuar em parceria com o ministro do STF em 2021, ao articular a derrocada do voto impresso, trocando os membros do PL de uma comissão que analisou o tema.
À época, Moraes chamou Valdemar de “grande parceiro da Justiça Eleitoral” numa audiência reservada na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A parceria, pelo visto, não existe mais.
27/11/2012
Valdemar Costa Neto pega 7 anos e 10 meses de prisão
Folha de S.Paulo
Brasília – O Supremo Tribunal Federal aplicou ontem penas ao deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) que, somadas, chegam a 7 anos e 10 meses de prisão por crimes no mensalão, além de R$ 1,08 milhão em multa.
Com isso, ele vai ter que cumprir a pena inicialmente em regime semiaberto, podendo deixar a prisão para trabalhar.
Por corrupção passiva, pelo fato de ter recebido dinheiro em troca de apoio ao governo Lula, o deputado federal foi punido com 2 anos e 6 meses de prisão.
Por lavagem de dinheiro, Costa Neto recebeu 5 anos e 4 meses de prisão.
O Supremo ainda definiu outras penas de políticos. O ex-deputado Pedro Corrêa foi o único a receber uma pena maior que oito anos de prisão (9 anos e 5 meses).
Já os ex-parlamentares Carlos Rodrigues (PR-RJ) e Romeu Queiroz (ex-PTB-MG) receberam do STF penas superiores a seis anos de prisão (veja mais no quadro ao lado).
Resposta
Brasília – Marcelo Bessa, advogado de Valdemar Costa Neto e de Carlos Rodrigues, afirmou que não iria se pronunciar.
Marcelo Leal, advogado de Pedro Corrêa, disse que o cliente dele “é inocente, e nesse sentido qualquer pena é elevada”.
Já José Antonio Álvares, defensor de Pedro Henry, afirmou que vai recorrer contra a decisão. As defesas dos outros condenados não se manifestaram.
https://agora.folha.uol.com.br/brasil/ult10102u1191776.shtml
ESCÂNDALO DO “MENSALÃO”/ PREÇO DA ALIANÇA
Ex-deputado diz que o presidente sabia do acordo fechado com José Dirceu para repassar R$ 10 milhões à legenda por apoio nas eleições
Lula sabia de pagamento ao PL, diz Valdemar
DA REPORTAGEM LOCAL
O ex-deputado federal e presidente do PL, Valdemar Costa Neto, 55, afirmou que o PT pagou com malas de dinheiro o apoio de seu partido ao então candidato petista à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva.
Valdemar renunciou ao cargo de deputado no dia 1º de agosto, após confirmar que recebeu dinheiro do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como o operador do suposto “mensalão”.
Em entrevista à revista “Época” desta semana, Valdemar afirmou que recebeu R$ 6,5 milhões de Marcos Valério -e não os R$ 10,8 milhões informados pelo publicitário à CPI. Disse ainda que o dinheiro viria de um acordo, fechado em junho de 2002, com o deputado José Dirceu (SP), então presidente nacional do PT.
“Tudo começou nas negociações para fechar o apoio a Lula em 2002, com José Alencar, do PL, como vice. Tivemos muitas reuniões em Brasília, na casa do José Dirceu. Sempre participavam o [deputado] João Paulo [Cunha, do PT], quase sempre o [ex-secretário-geral do PT] Silvio Pereira, sempre o [ex-tesoureiro do PT] Delúbio Soares, além de José Alencar [hoje vice-presidente].”
A aproximação entre PT e PL ficou mais difícil, disse ele, quando o Tribunal Superior Eleitoral aprovou a verticalização, vinculando as alianças estaduais às da disputa pela Presidência. O desafio do PL era conseguir 5% dos votos (mínimo exigido para garantir o fundo partidário) unindo-se apenas ao PT.
“As nossas chances de chegar a 5% eram pequenas. Falei para o Zé: “Preciso de uma estrutura muito maior para segurar meu pessoal”. Ele falou: “Mas quanto?”. Eu falei: “R$ 15 milhões, R$ 20 milhões'”, disse Valdemar.
No dia 18 de junho de 2002, Valdemar disse que foi a uma reunião no apartamento do deputado Paulo Rocha (PT-PA) com Lula, José Alencar, Dirceu e Delúbio -o nome de uma assessora de Rocha surgiu como sacadora de R$ 920 mil de Marcos Valério.
O encontro era para decidir valores para o PL. Quando a conversa começou, disse Valdemar, Lula dirigiu-se a José Alencar: “Vamos sair porque esta conversa é entre partidos, não entre candidatos”.
“Lula e Alencar ficaram na sala. Fomos para o quarto eu, Delúbio e Dirceu. Comecei pedindo R$ 20 milhões para levar uns R$ 15 milhões.” Depois, o acordo foi fechado por R$ 10 milhões.
Presidente Lula
Questionado se Lula sabia que a conversa no quarto era sobre dinheiro, Valdemar disse: “Ele sabia. O presidente sabia o que a gente estava negociando. O Lula sabia o que o Dirceu estava fazendo, foi lá para bater o martelo.”
Valdemar disse que o PL não recebeu o dinheiro durante a campanha e, por isso, passou a cobrar Dirceu e Delúbio, sem sucesso. No início do governo Lula, a situação mudou. Delúbio teria comentado sobre o empréstimo.
“Em fevereiro de 2003, ele [Delúbio] falou que ia me dar a primeira parcela. Falou para eu mandar meu pessoal até a SMPB [da qual Valério é sócio].”
O enviado por Valdemar, Jacinto Lamas, voltou a São Paulo com um envelope com cheques da SMPB para a empresa Guaranhuns que somavam R$ 800 mil.
Os cheques foram trocados por dinheiro por um segurança de Delúbio, disse. Segundo ele, o dinheiro estava em “malinhas com rodinhas, de levar no aeroporto”.
Valdemar disse que a situação se repetiu duas ou três vezes. Depois, o repasse passou a ser feito por meio do Banco Rural.
“Foram R$ 6,5 milhões. Não chegou aos R$ 10,8 milhões que estão falando.” Para saber onde está a diferença, somente a Guaranhuns, disse. A empresa é destinatária de mais de R$ 6,3 milhões transferidos por Marcos Valério.
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1308200520.htm
Dirceu, Delúbio e Valdemar deixam juntos a cadeia para trabalhar
Condenados no processo do mensalão cumprem pena no Centro de Progressão Penitenciária, no Distrito Federal
https://oglobo.globo.com/politica/dirceu-delubio-valdemar-deixam-juntos-cadeia-para-trabalhar-13248784
Para refrescar a memória dos esquecidos.
O ex-ministro José Dirceu e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, dividiram cela no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, após serem condenados no escândalo do mensalão.Ambos ficaram detidos na mesma ala e conviveram diretamente durante o cumprimento de suas penas
Após petista ser preso com dólares na cueca, Genoino deixa presidência do PTEm julho de 2005, José Adalberto, que viajava com US$ 100 mil, era chefe de gabinete do deputado José Guimarães, eleito pelo partido no Ceará e inocentado pelo STJ em 2012
A derrubada das urnas de voto impresso.
Vou recorrer a Pavlov, aquele da teoria do Reflexo Condicionado. Ele chegou a conclusão depois de verificar o motivo daquele cachorro te medo de linguiça.
O caçador tinha um bom cão de caça, até que um dia uma cobra venenoso o picou durante uma caçada, depois de muito sofrimento o cachorro sarou mas ficou com um pavor tremendo de linguiça, ele associava a figura da linguiça a uma cobra.
Daí veio a famosa frase filosófica sobre o trauma canino. Foi ai que Pavlov pontificou, “CACHORRO MORDIDO DE COBRA TEM MEDO DE LINGUIÇA”.
Nota de esclarecimento sobre minha tese filosófica, como licença poética afirmei que foi Pavlov que disse isso, eu então vou corrigir, “Se ele não disse, deveria ter dito”.
Outro esclarecimento sobre o trauma, na dinastia da Coreia do Norte, Kim Jong-un sempre se elege com mais de cem por cento dos votos.
Kim Jong-un é o atual ditador e Líder Supremo da Coreia do Norte, cargo que ocupa desde dezembro de 2011 após a morte de seu pai, Kim Jong-il. Ele representa a terceira geração da dinastia familiar Kim, fundada por seu avô Kim Il-sung, que governa o país sob um regime de partido único altamente centralizado e totalitário.