Alcolumbre reage a ultimato do PT e endurece discurso sobre PEC 6×1

Alcolumbre só avançará após conversa com Lula

Victoria Azevedo
O Globo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), procurou a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para se queixar de fala do PT na Câmara, Pedro Uczai, que afirmou que o senador vai ser tratado como “inimigo dos trabalhadores” se não pautar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6×1. Prioridade número um do governo federal, a PEC foi aprovada na Câmara em 27 de maio e, desde então, não andou no Senado.

Alcolumbre sinalizou a auxiliares que esses temas só deverão avançar após uma conversa com o presidente, o que não ocorreu nem tem previsão de ocorrer no curto prazo, segundo aliados do petista. Os dois se afastaram após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em articulação capitaneada por Alcolumbre.

TRÉGUA – Uczai afirmou na última terça-feira que o PT dará uma “trégua” a Alcolumbre até a próxima semana para que a proposta seja despachada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeiro passo no rito regimental para a proposta avançar.

 — Nós vamos dar uma trégua para o Davi Alcolumbre para ele pegar a pasta e mandar para a Comissão de Constituição e Justiça. Até semana que vem, se ele não encaminhar para a Comissão de Justiça, nós vamos elegê-lo como inimigo também. Inimigo dos trabalhadores e da pauta — afirmou o deputado.

Horas depois, Alcolumbre rebateu as declarações do líder do PT na Câmara. Em nota divulgada pela Presidência do Senado, o parlamentar afirmou que “esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado” e que a definição da pauta e da tramitação das matérias “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”.

PRERROGATIVA – No posicionamento, o senador afirmou que a definição da pauta e da tramitação das matérias é prerrogativa constitucional da Presidência e “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”. Ele disse ainda que qualquer tentativa de constranger a condução dos trabalhos da Casa representa afronta à independência entre os Poderes.

Segundo relatos, Alcolumbre telefonou para Teresa Leitão. A conversa seguiu os mesmos termos explicitados pelo presidente na nota. O parlamentar já vinha se queixando —nos bastidores e publicamente— dos ataques e pressões que têm recebido de governistas e da militância petista.

A declaração do deputado petista repercutiu mal até mesmo entre aliados do parlamentar. Integrantes do PT no Senado se queixaram em conversas reservadas dessa postura, afirmando que todos estão atuando para a PEC avançar e que esse tipo de comportamento só atrapalha. A avaliação é que já há um ruído na relação do Planalto com a cúpula do Senado e que é preciso evitar um maior tensionamento.

GESTOS DE APROXIMAÇÃO – Além disso, dizem que a nova líder do governo tem feito gestos de aproximação com Alcolumbre e atuado para distensionar a relação dele com Lula. Além dela, há outros interlocutores buscando aproximar as duas autoridades.

Outro governista interlocutor de Alcolumbre diz que também provocou críticas o fato de a fala de Uczai ocorrer dias após uma reunião do presidente do Senado com lideranças sindicais que foi considerada positiva pelos presentes. No encontro, na semana passada, Alcolumbre sinalizou que vê com bons olhos a possibilidade de retirar o período de transição da redução da jornada 6×1 do texto, pleito defendido pelo Planalto.

Um senador do PT afirma que é possível pressionar o andamento da PEC e defender a pauta sem direcionar críticas à figura de Alcolumbre. Ele citou como exemplo a mobilização que levou o Senado a enterrar a PEC da Blindagem, em 2025. Naquele momento, diz, não houveram críticas diretamente ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas ao projeto como um todo, mobilizando a sociedade civil e enterrando uma proposta considerada ruim por parlamentares.

PRESSÃO – Essa não é a primeira vez que Alcolumbre se queixa de ataques de governistas e da militância direcionados a ele. No fim de junho, o presidente do Senado criticou uma “autoridade importante do Brasil” que teria pressionado o andamento da PEC, sem citar nominalmente a quem se referia. No mesmo dia, mais cedo, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) havia cobrado o andamento da proposta.

— Eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6×1 precisa ser deliberada agora, antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso — afirmou Alcolumbre.

Governistas reconhecem que a tramitação da PEC 6×1 no Senado deve começar apenas após o recesso parlamentar, a partir de agosto. Um integrante do governo que despacha no Palácio do Planalto diz que não há nem garantias neste momento de que Alcolumbre dê início ao rito regimental antes das eleições, em outubro. Ele afirma que o presidente do Senado tem dado sinais dúbios sobre as propostas de interesse do Executivo que estão paradas no Senado.

8 thoughts on “Alcolumbre reage a ultimato do PT e endurece discurso sobre PEC 6×1

  1. Verdade Russa Multipolar🇷🇺:
    Teresa Armando Ngoca

    VERDADE ” CHOCANTE E CRIMINOSA “:

    Apareceu o verdadeiro motivo do Zelensky ter recusado o cessar-fogo oferecido pelo Putin. E o motivo é chocante. Criminoso.
    O Putin ofereceu um cessar-fogo para Zelensky poder recolher os corpos dos soldados ucranianos mortos nas batalhas da última semana. Segundo o Kremlin, são milhares de corpos.
    Zelensky recusou.
    A lei ucraniana garante à família de cada soldado morto em combate uma indenização de cerca de 400 mil dólares, além de uma pensão média de 50% do salário que ele ganhava para cada dependente.
    O governo ucraniano está falido. Pagando salários com dinheiro emprestado dos europeus. Eles não querem aumentar a folha de pagamento com indenizações e pensões.
    Zelensky não faz o menor esforço para recuperar corpos. Porque um corpo recuperado é uma nova dívida milionária.
    E tem mais: há relatos de que a Ucrânia está registrando soldados mortos que tiveram o corpo recuperado como desertores. Assim, se livram até de continuar pagando o salário dele para a família até que se comprove o óbito.
    #geopolitica #ucrania #zelensky #russia #putin
    Aviso: ⚠️ Conteúdo de análise e opinião. As interpretações apresentadas refletem a opinião do autor. Consulte diferentes fontes e forme sua própria conclusão.

  2. É preciso destruir o país pro verme Lula fazer suas bondades e ter mais 4 anos de rainha da Inglaterra.

    Bondades de hoje, que serão tragédias amanhã.

    O vagabundo com sua escala de inutilidade 0X7, que não sabe o básico do básico de Economia, que não se pode gastar mais do que arrecada quer “ajeitar” as forças produtivas por decreto.

    “Se cada trabalhador produzir menos no mesmo período, o custo por unidade produzida tende a aumentar. Para que a redução da jornada seja sustentável, ela precisa ser acompanhada de ganhos de produtividade por meio de tecnologia, qualificação, inovação e melhor gestão. Caso contrário, os custos tendem a subir e a competitividade pode diminuir”.

    O jacu de gaiola, que se opõe ao avanço tecnológico, que quer censurar e taxar as big techs, quer foder o país de vez.

    impede o aumento da automação e diminui o tempo de trabalho bruto, que defende, homem da caverna que é.

    Um inútil, reacionário, atrasado, decrépito.

    _______

    Mudando de assunto. Será que os jumentos que idolatravam o Maduro, sabendo agora que é um narcotraficante torturador bárbaro, ainda o veneram?

  3. Alcolumbre, pode dar a volta e perante os brasileiros sanar-se, basta tão somente fazer as coisas certas daqui pra frente.
    Aguardemos a tal reviravolta!

    • Reeleger este homem das cavernas é garantir que saiamos da periferia pra borda da periferia do capitalismo.

      Como pode a vagabundagem que idolatra um trem reacionário deste de “esquerda progressista”.

      Imbecil ou canalha.

  4. Campanha eleitoral caminha para bater o recorde de mediocridade política

    Antes se associava corrupção (dos valores, das condutas, da moral, fora o roubo) aos “políticos”. Em todos os níveis no Executivo e, especialmente, no Legislativo.

    Hoje, a percepção nada subjetiva é a de que o topo do Judiciário também não merece mais confiança.

    É importante notar que em conversas privadas integrantes tanto do governo quanto de várias correntes de oposição convergem em dizer que “o Supremo entregando dois ministros” (está subentendido que são os nomes envolvidos no escândalo Master) a coisa se resolve.

    Que coisa? A profunda dissolução da legitimidade das instituições? O destrutivo desequilíbrio na relação entre os poderes? Como ganhar causas via parentes de integrantes de tribunais superiores?

    A complexidade da situação que o País enfrenta se dá sobretudo por fatores que os agentes políticos já não controlam ou apenas em parte.

    Eles são demografia (impacta Previdência), estagnação na produtividade (impacta crescimento econômico), crime organizado (impacta não só autoridade do Estado) e vulnerabilidade externa (impacta defesa e potencializa choques geopolíticos).

    Parece não haver saída do confronto entre um governo desarticulado e com prazo de validade há muito vencido (sobretudo no campo das ideias), e um tipo de oposição comandada por um clã familiar de notável incompetência – para nem se falar de problemas morais.

    Mas não caiu ainda a ficha de como é medíocre um tipo de populismo enfrentando o outro.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 08/07/2026 | 20h00 Por William Waack

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