Estamos num mar de lama, sem saber se as instituições PF/STF estão funcionando

Polícia Federal: governo anuncia concurso com 2 mil vagas

PF prende, mas os corruptos acabam sendo libertados

Marcus André Melo
Folha

A profusão de operações policiais no país produz simultaneamente uma crise de confiança e uma demonstração de capacidade institucional. Quanto mais o sistema de controle funciona, mais corrupção se torna visível; quanto mais corrupção se torna visível, mais a sociedade pode concluir que o sistema inteiro está apodrecido.

A sucessão quase diária de operações da PF (Polícia Federal) e de denúncias envolvendo instituições antes relativamente preservadas — tribunais superiores, Banco Central, TCU — produz dois efeitos com sinais opostos.

IMPÉRIO DO CRIME – O primeiro é o sinal do mar de lama: a criminalidade organizada e a corrupção teriam penetrado profundamente o Estado, alcançando instituições que deveriam justamente controlá-las. Não se trata dos suspeitos usuais — empresas contratistas de obras públicas (empreiteiras), parlamentares, membros do Executivo. A degradação também pode ser enxergada nos numerosos mob lawyers (advogados da máfia) que assessoram o crime ou dele se beneficiam.

Os escândalos do Master e do INSS revelam as entranhas do entrelaçamento entre interesses dentro e fora do Estado. O caso do Rio de Janeiro é o microcosmo desses desmandos.

REAÇÃO AO CRIME – Mas há também o sinal oposto, da resistência institucional: as investigações demonstram que ainda existem setores e indivíduos dispostos a revelar e enfrentar essa penetração. E não só nas instituições de Estado — a mídia e até jornalistas individuais também são baluartes contra a degradação.

Pelo protagonismo que assume, a Polícia Federal adquire grande centralidade nessa resistência. As tensões entre sua direção e o relator do escândalo do INSS no Supremo são reveladoras.

Isso remete a questões sobre o profissionalismo de seus quadros e a lealdade política de seu centro de comando em questões eleitoralmente sensíveis.

CONTRADIÇÕES – O paradoxo, portanto, é que o mesmo fato — uma nova operação da Polícia Federal — pode servir de evidência tanto de degradação quanto de resiliência institucional.

A operação revela o crime, mas também revela a existência de quem o investiga. E remete a um temor justificado: quem controlar a Polícia Federal terá poder desmedido. Até quando a instituição se manterá independente?

Dada a polarização atual, os sinais opostos são processados com vieses. A oposição enfatiza a extensão da corrupção, vinculando-a ao governo e à degradação institucional do país. Os governistas enfatizam a autonomia da PF e apresentam as operações como prova de que as instituições estão funcionando.

AVALIAÇÕES DUPLAS – O contingente crescente de eleitores sem identificação partidária pode combinar as duas avaliações: perceber uma degradação assustadora e, ao mesmo tempo, reconhecer que ainda existem “ilhas de resistência”.

Cada operação da Polícia Federal conta duas histórias: a da expansão do crime organizado e a da resistência das instituições. A endogeneidade entre os dois fenômenos não é especificidade nossa; é universal, como mostra a literatura sobre corrupção.

Deve-se ao fato de que a corrupção é em geral corrupção revelada. Mas o mar de lama — a penetração de grossa corrupção em setores nunca antes atingidos — não é produto apenas de uma maior capacidade institucional. É uma mudança qualitativa. E é real.

9 thoughts on “Estamos num mar de lama, sem saber se as instituições PF/STF estão funcionando”

  1. Isso tudo é culpa dos nossos políticos, pois sempre indicam para o stf não pessoas “com notório saber” e sim seus amigos prediletos. E na pf, stj, stm e tcu o mesmo ocorre

  2. “”..Casas Bahia entra em recuperação judicial com dívidas de R$ 17,3 bilhões…”

    Sr. Newton

    Como disse a Guerrilheira Revolucionária idolatra da Cartilha Soça-Comuna….

    “O povo tem a sensação dos aumentos de preços”..

    eh!eh!eh

    Veja o nível que chegou o jornazismo-fasci-soça-comuna deste Páis….

    A credibilidade está atolada no esgotão do mário coveiro entre as Marginais do Tietê, que insistem chamar de Rio…

    aquele abraço

    Começamos a segundona daquele jeito….

  3. “Juízes mandaram recados ao Centrão”, diz Caio Junqueira sobre pressão do Judiciário contra aliança com Flávio Bolsonaro

    O jornalista Caio Junqueira afirmou, durante o programa WW, da CNN Brasil, que o Poder Judiciário atuou nos bastidores para impedir uma aliança entre partidos do Centrão investigados no caso Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro.

    Segundo o relato, juízes em Brasília teriam avisado lideranças partidárias de que um acordo com Bolsonaro faria as investigações avançarem contra essas siglas.

    O ponto jurídico da controvérsia está no uso da atividade investigativa como possível instrumento de pressão política, o que, se confirmado, representaria desvio de finalidade da função judicial e comprometeria a separação entre poderes.

    A alegação parte do relato do jornalista e ainda não foi confirmada pelos magistrados citados.

    Na prática, o episódio reabre a discussão sobre os limites de atuação do Judiciário em articulações eleitorais e sobre o peso de investigações em andamento nas decisões partidárias.

    Portallawletter

    • É grave a informação do jornalista Caio Junqueira de que a manobra dos partidos do Centrão de se anunciarem neutros na eleição presidencial se deve também a uma pressão de setores do STF a favor de Lula, com ameaças de que os inquéritos contra parlamentares andariam mais rápido se eles apoiassem o candidato de oposição Flavio Bolsonaro.

      (…)

      Fonte: O Globo, Política, Opinião, 16/08/2026 04h30 Por Merval Pereira

  4. Lembrete:
    Não é a primeira vez que as ” Casas Bahia ” entram em recuperação judicial , sendo que antes na década de 1980 as ” Casas Bahia ” já entrara em concordata , quando não existia a figura jurídica da tal ” recuperação judicial ” , e nem por isso o Brasil afundou , culminando na recuperação e estabilidade financeira das Casas Bahia .

    • De acordo com Luiz Barsi, Casas Bahia é INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.

      Vive de financiamento.

      De juros embutidos.

      Se está no vermelho desde 2024 é porque o calote está grande.

      A alavancagem improdutiva no Brasil atual atinge níveis recordes.

  5. O autor não sabe se o STF e a PF não funcionam?
    Eu, hein, Zinha, nada funciona nesse torrão de corruptos! O Brasil está entregue ás baratas!
    Como Tiradentes deve se arrepender de ter morrido por esta nossa pátria.

  6. Senhor PEDRO RICARDO MAXIMINO , pelo que se sabe as ” Casas Bahias ” sempre foram lojas de ” departamentos e eletrodomésticos ” populares e não uma INSTITUIÇÃO FINANCEIRA , a não ser que atuasse por debaixo dos panos , como virou moda no Brasil .

  7. Senhor JC , estamos em pleno período pre – eleitoral , uma oportunidade única para os juízes eleitorais impedirem que criminosos (mesmo que não tenham ido á juízo) se ” inscrevam e candidatem ” a cargo eletivos Brasil afora , mas não o farão , pelo fato de que esperam reciprocidades futuras , como no exemplo da matéria acima mencionada , ou seja , estão e continuam ativos os acordos espúrios e criminosos entre os podres poderes da república do país .

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