
Ilustração reproduzida do Correio Braziliense
Rafael Moraes Moura
O Globo
O “pacote” de decisões anunciado nesta quarta-feira (9) pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, marca dois duros reveses ao ministro Alexandre de Moraes, que não só perdeu a relatoria do inquérito das fake news, como se viu confrontado com o agendamento do julgamento na próxima terça-feira (15) que vai analisar o explosivo relatório da Polícia Federal que se debruçou sobre as mensagens trocadas entre Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Antagonista de Moraes, André Mendonça também saiu perdendo, ainda que em proporção menor, já que Fachin derrubou a decisão do colega que havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal. Mas Mendonça conseguiu emplacar a sua reivindicação principal: a convocação de uma sessão extraordinária para avaliar a relação promíscua de Moraes e Vorcaro.
SESSÃO ANTECIPADA – O plenário da Corte costuma se reunir às quartas e quintas-feiras, mas a escalada da crise fez Fachin convocar uma sessão extraordinária já para a manhã da próxima terça-feira.
Fachin também suspendeu um procedimento aberto pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar a confecção do relatório da PF sobre as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, feito a pedido de Mendonça.
E, pelo menos por enquanto, Mendonça segue na relatoria das investigações dos dois esquemas bilionários de corrupção, apesar das ilações feitas por Moraes de “fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” por parte do relator do caso Master.
JÁ ERA HORA – “Fachin finalmente usou o poder da caneta que tem. Já era hora”, resumiu uma fonte que acompanha de perto os desdobramentos da crise.
O julgamento sobre Moraes vai escancarar as divisões internas da Corte, testar a adesão ao plenário à defesa incondicional do ministro e lançar luz sobre três personagens considerados peça-chave na definição do resultado: Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e o próprio Fachin, que passou esta quarta-feira em uma maratona de conversas reservadas com os colegas para achar uma solução para a crise.
Ao retirar a relatoria do inquérito das fake news das mãos de Alexandre de Moraes, Fachin frisou que a medida era necessária para “estabelecer segurança jurídica e adequada delimitação institucional”. Fachin manteve com Moraes apenas os casos de ações penais já instauradas no âmbito do inquérito das fake news, com denúncia recebida.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Pensar que Fachin vai votar a favor de Moraes é maluquice. O fato concreto é que Fachin quer ser lembrado como o maior presidente que o Supremo já teve. O cavalo passou encilhado diante dele e ele não vai perder a oportunidade de montar, com diz o velho ditado. Fachin sabe que, se deixar Moraes sair incólume, a culpa será dele. E isso ficará registrado na História Republicana. (C.N.)
https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/alexandre-de-moraes-parece-empenhado-em-indignar-ainda-mais-os-brasileiros