Decano diz que STF atuará como “instância de supervisão”
Álvaro Augusto
CNN
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes disse, neste sábado (19), que quem age com partidarismo dentro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deveria “repensar a permanência na Corte”.
Gilmar classificou como grave o “risco de politização que vem de dentro” da Justiça Eleitoral. O decano do STF afirmou, ainda, que o Supremo continuará atuando como uma “instância de supervisão” da atuação do TSE.
POLITIZAÇÃO – “Grave é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral. Quem tenta engajar o Tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer. E os partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral devem fiscalizar atentamente se essas condições estão presentes, arguindo a suspeição nos casos em que ela se configure”, disse Gilmar em postagem nas redes sociais.
Na publicação, o ministro do STF declarou que é preciso que o TSE “continue a coibir práticas abusivas e deturpadoras da vontade popular”, mas desde que isso ocorra de forma “altiva, imparcial e apartidária”.
“O STF, por sua vez, continuará a atuar como instância de supervisão, com a firmeza que o momento exige, intervindo sempre que necessário à preservação de seus próprios precedentes e da Constituição”, completou o decano do Supremo.
NUNES E MENDONÇA – Atualmente, o Tribunal Superior Eleitoral é comandado por Kássio Nunes Marques, presidente da Corte, e André Mendonça, vice-presidente. Na sessão do STF da última terça-feira (15), Mendonça e Gilmar protagonizaram algumas discussões públicas, com bate-boca e acusações entre os ministros.
O post de Gilmar Mendes cita “desafios” enfrentados pela Justiça Eleitoral, como o uso de Inteligência Artificial para gerar materiais que possam enganar o eleitor. Gilmar comentou também sobre o relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que elevou a possibilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a um nível de “criticidade”. Segundo o ministro, o objetivo dessa interferência seria “assegurar controle sobre nossos ativos estratégicos e riquezas naturais”.
CRISE NO STF – A declaração de Gilmar Mendes na internet ocorre durante a crise institucional e a divisão entre os ministros do Supremo Tribunal Federal. Desde o dia 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça decidiu retirar o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) que trazia mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, os membros da Corte protagonizam uma disputa pública, inclusive com intensa troca de ofícios e acusações.
Apenas em relação ao número de ofícios sobre o caso, um levantamento da CNN mostra que já foram ao menos 46 movimentações até este sábado (13), o que expôs o Tribunal dividido entre as alas pró-Moraes e pró-Mendonça.
No julgamento de terça-feira (15), que terminou sem votação do mérito e apenas com análise de uma questão de ordem, Gilmar Mendes disse que era “impressionante a desfaçatez desse sujeito”, se referindo a André Mendonça, que rebateu: “Me respeite! Isso aqui não é brincadeira. Respeite.”
AMBIENTE VIRTUAL – Já o desentendimento entre Gilmar e Nunes Marques ocorreu no ambiente virtual. O presidente do TSE bloqueou o decano do Supremo no aplicativo de mensagem WhatsApp.
O bloqueio ocorreu durante uma discussão entre os ministros causada pelo julgamento do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. À época, a Segunda Turma do STF havia formado maioria para manter a retirada de Andrei do cargo, determinada por Mendonça.
Na conversa, Gilmar disse a Nunes que “não respeitava quem não se dava ao respeito”, e defendeu também que o ministro deixasse o TSE, do qual é presidente. “Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”, rebateu Nunes Marques.
Acho estranho o beiçola, porque não falou o mesmo quando o tse fez politicagem na eleição de 2023
Adendos, em:
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Bem, sempre tem alguém para fazer uma piada no domingo. Ainda bem que amanhã o Beiçola vai ter que trabalhar.
É sempre bom lembrar que o comando do TSE é bolsonarista
O presidente e o vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) assumiram o comando da corte após serem indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nova Liderança do TSE
Presidente: O ministro Kassio Nunes Marques assumiu a presidência do tribunal em maio de 2026, sucedendo a ministra Cármen Lúcia.
Vice-Presidente: O ministro André Mendonça assumiu o cargo de vice-presidente da corte no mesmo período.
Detalhes da Gestão
Indicação ao STF: Ambos os ministros foram indicados por Jair Bolsonaro para vagas no STF durante o seu mandato presidencial.
Contexto Eleitoral: Esta é a primeira vez que dois ministros indicados por Bolsonaro comandam o TSE durante o período de eleições gerais.