“Noite alta, céu risonho, a quietude é quase um sonho”, no amor do seresteiro

Cândido das Neves (Índio) | Discografia Brasileira

Cândido dos Neves, elegante e discreto

Paulo Peres
Poemas & Canções

O carioca Cândido das Neves (1899-1934), apelidado de “Índio”, era compositor, cantor e instrumentista, parceiro de grandes compositores, como Pixinguinha.

“Noite Cheia de Estrelas”, gravada em 1932 na RCA Victor, por Vicente Celestino, mostra as características de Cândido das Neves na arte de compor: letras sempre muito extensas, cantavam a natureza duma forma romântica, com expressões intelectuais e rebuscadas.

NOITE CHEIA DE ESTRELAS
Cândido das Neves

Noite alta, céu risonho.
A quietude é quase um sonho,
O luar cai sobre a mata
Qual uma chuva de prata
De raríssimo esplendor…
Só tu dormes, não escutas
O teu cantor.
Revelando à lua airosa
A história dolorosa desse amor…

Lua!
Manda a tua luz prateada
Despertar a minha amada!
Quero matar meus desejos!..
Sufocá-la com os meus beijos…

Canto
E a mulher que eu amo tanto
Não me escuta, está dormindo…
Canto e por fim
Nem a lua tem pena de mim,
Pois ao ver que quem te chama sou eu
E entre a neblina se escondeu…

Lá no alto a lua esquiva…
Está no céu tão pensativa,
As estrelas tão serenas
Qual dilúvio de falenas
Andam tontas ao luar,
Todo o astral ficou silente
Para escutar:
O teu nome entre as endeixas
A dolorosas queixas
Ao luar.

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